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sábado, 22 de janeiro de 2011

Os males do serrismo


O fenômeno, pequeno em inserção popular mas relevante no plano político, depende de tudo dar errado para Dilma e os novos oposicionistas. Por Marcos Coimbra. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ ABr

Não há partidos ou movimentos políticos exclusivamente bons ou unicamente ruins, se os considerarmos em seu tempo e lugar. Na vida real das sociedades, eles são uma mistura de coisas boas e más, de acertos e erros (salvo, é claro, exceções como o nazismo).

Tudo é uma questão de proporção, do peso que o lado ruim tem em relação ao bom. São bons os movimentos políticos e os partidos (bem como as tendências que existem no interior de alguns), cuja atuação tende a ser mais positiva para o País, seus cidadãos e instituições. São os opostos aqueles que fazem o inverso, que agem, na maior parte das vezes, de maneira negativa.

Tome-se o serrismo, um fenômeno pequeno, do ponto de vista de sua inserção popular, mas relevante no plano político. Afinal, não se pode subestimar uma tendência tucana que conseguiu aprisionar o conjunto de seus correligionários, mesmo aqueles que não concordavam com ela (e que eram maioria), e os levou a uma aventura tão fadada ao insucesso quanto a recente candidatura presidencial do ex-governador José Serra. E que tem, além disso, tamanha super-representação na mídia, com simpatizantes espalhados nas redações de nossos maiores veículos.
Por menor que seja sua base social e inexpressiva sua bancada parlamentar, o serrismo existe. E atrapalha. Muito mais atrapalha que ajuda.

Neste começo de governo Dilma, recém-completada sua primeira quinzena, o serrismo já mostra o que é e como se comportará nos próximos anos. Os sinais são de que será um problema para todos, seja no governo, seja na própria oposição.

Vem da grande imprensa paulista (uma insuspeita fonte na matéria), a informação de que seus integrantes estão revoltados com a trégua que outras correntes do PSDB estariam dispostas a oferecer à presidenta. Em vez da “colaboração federativa” buscada pelos governadores tucanos e as bancadas afinadas com eles, os serristas querem “partir para o pau”.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), expoente máximo da tropa de elite serrista, dá o mote, ao afirmar que o PSDB deveria ser duro contra Dilma desde já, de forma a ser uma referência oposicionista no futuro. O pano de fundo do que propõe, percebe-se com facilidade, é posicionar o serrismo (de novo!) para a sucessão de Dilma.
Segundo as informações disponíveis, a primeira meta do grupo de José Serra (cujo tamanho, diga-se de passagem, é ignorado) é aproveitar-se da tragédia das chuvas na região serrana do Rio para golpear a presidenta, responsabilizando-a pela ocupação caótica de encostas e outras áreas de risco nas cidades atingidas. Para esses personagens, seria a incompetência de Dilma, à frente do PAC, a causa de tantas mortes e sofrimento. Ou seja, vão tentar vender a versão de que, se ela fosse melhor gerente, nada teria acontecido.

Em nossa permissiva cultura política, não há surpresa no oportunismo da proposta. Ninguém se espanta que alguém faça um jogo como esse, que queira tirar dividendos de uma catástrofe e que, para isso, torça fatos e procure­ enganar os incautos. Todos nos acostumamos com essa falta de seriedade.

Mas até os mais céticos ficam perplexos com o contraste entre o que dizem agora os serristas e o que foi a campanha que fizeram na eleição de 2010.

Ou será que ninguém ouviu José Serra se apresentar como “verdadeiro continuador” de Lula? Que não viu Serra evitar qualquer crítica ao ex-presidente, dizendo que concordava com ele e que nada mudaria em seu governo (a não ser aumentar o salário mínimo para 600 reais e conceder uma 13ª parcela do Bolsa Família aos beneficiários)?
Derrotado, o serrismo virou oposição intransigente, e quer levar os grupos vitoriosos de seu partido com ele. Enquanto esteve à frente do governo de São Paulo, buscou a boa convivência e a colaboração com o Planalto, avaliando que, ao agir dessa maneira, aumentava suas­ chances na sucessão de Lula. Agora que não tem escolha, se exime de qualquer compromisso e parte para o pau.

É pouco provável, no entanto, que consiga arrastar o restante do PSDB e os demais partidos de oposição para a radicalização anti-Dilma. No fundo, o serrismo apenas tenta preservar algum espaço em um cenário cada vez mais desfavorável para seus propósitos.

É só se tudo der errado, seja para a presidenta, seja para as novas forças oposicionistas, que o serrismo tem sobrevida. Sua aposta é o fracasso de todos.

Por Marcos Coimbra, na CartaCapital

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O metrô e a Copa: notícias pela metade

O jornal Zero Hora culpa hoje, em manchete de capa, o governo federal pela não inclusão do metrô de Porto Alegre entre as obras da Copa de 2014. A informação de que o metrô não ficaria pronto para a Copa, mesmo que a União decidisse bancá-lo sozinho, merece tratamento secundário. E o grupo de trabalho - reunindo representantes da União, do Estado e da Prefeitura - criado para discutir a inclusão do projeto do metrô no PAC-2, que será anunciado em março/abril de 2010, é apresentado como uma iniciativa estéril.

Também merece mínima visibilidade, por parte da RBS, o volume de obras viárias que terão financiamento federal, totalizando R$ 368 milhões, mais R$ 30 milhões que sairão direto do Orçamento Geral da União. Há um outro conjunto de obras que beneficiam Porto Alegre que já faziam parte do PAC e que já estão em andamento ou com projeto sendo elaborado:

Obras selecionadas para a Copa 2014 com financiamento federal

- Duplicação da Av. Tronco – R$ 129,3 milhões

- Viaduto da III Perimetral (Plínio Brasil Milano) – R$ 74,6 milhões

- Viaduto da Av. Padre Cacique com Av. Beira Rio – R$ 70 milhões

- Monitoramento do trânsito – R$ 13,7 milhões

- Adequação dos corredores de ônibus - Protásio Alves e Assis Brasil para o BRT (veículo articulado) – R$ 81 milhões

Obra selecionada com recursos do Orçamento Geral da União

- Aeromóvel - ligando estação do Trensurb ao Aeroporto Salgado Filho – R$ 30 milhões

Obras já incluídas no PAC 2007-2010 que beneficiam fluxo para Porto Alegre

- BR 116 – adequação – (Via Expressa - Estância Velha, Dois Irmãos e Gravataí)

- BR 290 – duplicação – (Eldorado do Sul – Pântano grande)

- BR 448 – construção (Região Metropolitana – Vale do Sinos)

- BR 392 – duplicação – Pelotas-Rio Grande

- BR-101 Sul – duplicação - (Osório-Palhoça/SC)

- Segunda ponte do Guaíba – projeto em contratação



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