
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
FHC volta à carga: Oba, Dilma subirá mais alguns pontos e Serra continuará em queda livre

sábado, 6 de fevereiro de 2010
Fator Mariza Abreu indica estratégia do PIB gaúcho para seguir mandando no Palácio Piratini
O chamado alto PIB gaúcho (Gerdau, RBS & Cia) não desistiu de reduzir o Estado do Rio Grande do Sul a um mero gerente de seus negócios privados. Desde o governo Antônio Britto - com um intervalo de quatro anos, onde declarou guerra ao governo Olívio Dutra – o PIB guasca implementa sua agenda de privatizações, Estado mínimo e choque de gestão. A eleição de Yeda Crusius (PSDB) foi um acidente de percurso. As fichas estavam todas depositadas na reeleição de Germano Rigotto (PMDB), mas a soberba, entre outras coisas, acabou colocando a tucana no Palácio Piratini. Deu no que deu: um governo atolado em denúncias de corrupção e trapalhadas, desde o início. Yeda, no entanto, cumpriu um compromisso central com o PIB gaúcho: seguiu desmontando o Estado e subordinando o público ao privado.
Mas a atual governadora não é uma pessoal confiável aos olhos dos Gerdaus e Sirotskys da vida. Por isso, agora, as fichas vão para a candidatura do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. E alguns nomes importantes que estiveram com Yeda já desembarcam na campanha de Fogaça. É o caso de Mariza Abreu, ex-secretária de Educação do governo tucano, que declarou apoio à candidatura do PMDB. Ela sonha em voltar ao cargo na Secretaria de Educação para terminar o serviço que não conseguiu implementar: as “reformas” na educação pública gaúcha, que, até aqui, significam basicamente supressão de direitos de professores e funcionários da rede estadual de educação. O choque de gestão na educação é um antigo sonho de Gerdau e outros empresários gaúchos. Acham que, com Fogaça, terão uma nova chance.
Em um artigo publicado em 11 de janeiro de 2009, no jornal Zero Hora, o economista Gustavo Iochpe rasgou elogios a Mariza Abreu e identificou quais seriam os desafios para a educação gaúcha: “combater a inércia, a letargia, os interesses corporativos arraigados”. Ou seja, dito de outro modo, o problema está nos professores e professoras preguiçosos e corporativistas. Isso foi dito – e repetido – assim, sem qualquer ambigüidade. “Finalmente, o Rio Grande tem uma secretária da Educação com uma visão correta do futuro da nossa educação e disposta a empreender essas reformas. É Mariza Abreu”, anunciou Iochpe, lamentando que ela não teria respaldo do governo para cumprir essa missão. O apoio precoce da ex-secretária a Fogaça já sinaliza o programa e a estratégia da direita gaúcha para seguir no Palácio Piratini.
Do RS Urgente
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Ibope prepara fraude em pesquisa para Dilma perder eleição
Ainda faltam oito meses para a eleição presidencial, a ministra Dilma Roussef, candidata do PT, vem subindo nas pesquisas ao ponto de atingir um “empate técnico” com o governador José Serra, candidato do PSDB, segundo a pesquisa CNT/Census, mas o presidente do Ibope, Carlos Montenegro, não se dá por vencido. Diz a diferentes públicos que o PT vai perder a eleição.
Em entrevista ao blog do João Bosco, do Estadão.com, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse que os 30% da ministra Dilma Roussef registrados na recente pesquisa Sensus/CNT, esgotam o poder de transferência de votos do presidente Lula para sua candidata.
Segundo Bosco, Montenegro tem repetido a platéias de políticos de Brasília, como um mantra, que o PT não vence a eleição presidencial. Em um encontro com o DEM, ontem, sustentou que o eleitor sabe que Dilma é o PT no poder mais quatro anos, só que dessa vez, sem Lula.
“Não é a mesma coisa e faz toda a diferença”, explica. Pelo seu raciocínio, o PT deixou o governo no mensalão e Lula deixou o PT antes disso. Esse quadro ficará claro quando Dilma trocar o governo pela campanha.
Ele minimiza a vantagem de Dilma no Nordeste, que representa 28% do eleitorado nacional: a vitória do PT lá não será de 100%, ao contrário, passa apertada, e não compensará a derrota no resto do país, diz convicto.
Ele também afirma que Dilma começará a perder a corrida na medida em que a campanha chegar à fase dos palanques, programas gratuitos e debates.
Seus ouvintes acham cedo para tantas certezas, mas ficam impressionados com a decisão de Montenegro em expô-las. Afinal, para um dirigente do mais tradicional instituto de pesquisas soa, no mínimo, temerário, observa Bosco.
Montenegro está ensaiando o teatro que os institutos de pesquisa encenam a cada eleição, o de manipular os dados para favorecer os candidatos que lhe pagam pelos levantamentos.
Já podemos imaginar as pesquisas que o Ibope apresentará sobre a disputa presidencial (geralmente o instituto trabalha em parceria com a Rede Globo e com a Confederação Nacional da Indústria), distanciando cada vez mais o candidato tucano da candidata do PT.
O Ibope é mestre em servir aos seus clientes da direita. No ano passado, por encomenda da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), entidade que reúne e defende os interesses do agronegócio e dos latifundiários, o Ibope fez uma pesquisa que teve por objetivo desqualificar a reforma agrária.
Nessa pesquisa, o Ibope procurou demonstrar que os assentamentos não funcionam, não produzem e, portanto não geram renda para os trabalhadores assentados. Ao contrário do que disse o Ibope, nunca a agricultura familiar tocada por esses assentados produziu tanto alimento no país.
Quem quiser conferir é só acompanhar a visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer na próxima semana ao Pontal do Paranapanema, em São Paulo, para visitar assentamentos do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).
A pesquisa do Ibope foi feita por encomenda: para coincidir e incriminar os sem-terra pela invasão à fazenda de laranjas da multinacional Cutrale, em São Paulo, que segundo o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está localizada em terras da União, e para criar clima favorável para a bancada ruralista instalar a CPI Comissão Parlamentar de Inquérito) do MST.
É assim que age o Ibope, cuja sigla significa Instituto Brasileiro de Opinião Pública. Com esse portentoso nome, Carlos Montenegro, em associação com gigantes da direita como a CNI e a Rede Globo, poderá montar o cenário que melhor interessar aos seus interesses, manipulando os números das pesquisas.
Eles contam com o senso comum de que o eleitor não gosta de perder seu voto. Desta forma, quando o candidato do eleitor aparece em desvantagem nas pesquisas, sua tendência seria votar no candidato melhor posicionado, para não perder o voto. Com a ajuda dos meios de comunicação, não é difícil fazer esse tipo de fraude.
Por tudo isso, como observou João Bosco, as declarações de Carlos Montenegro soam, no mínimo, temerárias. Portanto, é bom ficar de olho nas pesquisas. Principalmente as que forem feitas pelo Ibope, que está agindo como aquele juiz que inventa um réu e o condena antes mesmo do crime acontecer.
Blog do Geraldo Seabra
Direita tem nova estratégia para tentar desmontar Dilma Rousseff

Adeus ao método Zé do Caixão
A abordagem da campanha contra a única candidata da esquerda com vivas chances de vitória parte de uma estratégia oblíqua e por isso sutil e astuciosa. Trata-se de identificar a candidata Dilma como protagonista de cenários de conflito, de situações pregressas de confronto, de perturbações da ordem, de sublevação social, de motim contra o establishment, etc. A idéia é aterrar a classe média e deixar os investidores com as barbas de molho.
A série de reportagens de ZH, denominada "Os infiltrados", publicadas de domingo até ontem (3/2), tem como objetivo isso: reunir elementos objetivos e sobretudo subjetivos que apontem Dilma Rousseff como alguém com um perfil muito próximo de ser considerado como o de uma "terrorista" - na releitura ampla dada ao vocábulo por parte de Bush Jr. e o ultrapragmatismo Neoconservador com viés bélico - fonte na qual dez entre dez jornais brasileiros beberam até a embriaguez.
Em publicidade, essa velha técnica é denominada merchandising editorial (ou tie-in, no jargão norte-americano de publicidade & propaganda). Consiste em diluir o objeto da reportagem, no caso, a desconstrução da imagem da candidata lulista, em uma narrativa com muitos protagonistas, formando um painel abrangente e elucidativo de fatos obscuros ou mal contados pela história recente. O tie-in na publicidade comercial da televisão, por exemplo, é a introdução sutil de uma certa marca de carro na cena onde o mocinho persegue o bandido, ou de um refrigerante na cena doméstica da novela seriada. A força do apelo comercial está precisamente na sutileza e não na ênfase grosseira dos comerciais da publicidade comum.
A técnica da reportagem do tipo tie-in - desfocar para crivar com mais eficácia - está sendo uma das estratégicas do PIG, seus agentes e operadores. Só que ao invés de promover o seu objeto de incidência, como faz a publicidade comercial, no caso do jornalismo ideologizado do PIG, ao contrário, procura rebaixar a sua reputação e prestígio social.
Temos informações seguríssimas que a matéria de Zero Hora é apenas a primeira de outras tantas que estão sendo preparadas pela imprensa direitista brasileira. A revista Veja estaria preparando uma matéria sobre o famoso roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros, de São Paulo, ocorrido em julho de 1969. A rigor, é a mesma matéria requentada da edição 1.785, de Veja, de 15 de janeiro de 2003. Só que naquela ocasião, o tom do texto era grosseiro, inquisitorial e policialesco, cenas de filme B. Com a nova estratégia tie-in, a matéria deverá ser mais extensa, na forma de um painel (pseudo) histórico, com mais personagens e um tratamento refinado e sutil ao texto.
Será mais para o cinema de Ingmar Bergman do que para o de Zé do Caixão.
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Alguém ainda terá dúvida sobre o caráter orgânico-partidário da grande imprensa brasileira? Um bloco unido, coeso, linha ideológica única, discurso afinado, militância articulada, ações coordenadas, intelectual orgânico de setores da classe média (urbana e rural), classes proprietárias, lúmpen-burguesia, do agronegócio exportador, setores bancário-financeiros, de representantes e associados dos interesses corporativos internacionais, militares com interesses econômicos e negociais, etc.
A prova evidente do caráter partidário da mídia brasuca é a flacidez dos partidos cartoriais tradicionais - PSDB, Democratas, PMDB, PPS, PTB, e outros menos votados.
Quanto mais a mídia faz-se porta-voz potente da direita, mais obsoleta e irrelevante torna a existência das aglomerações parlamentares-eleitorais, que acabam servindo só para registro legal de candidaturas junto à Justiça Eleitoral e valhacouto de lúmpens ascensionais.
Como alguém já disse, acho que foi o Stedile, os parlamentares e políticos profissionais deveriam - em vez de se identificar pelas siglas partidárias - usar jalecos ou macacões (como na Fórmula Um) com as logomarcas dos seus patrocinadores - aos quais dedicam as suas carreiras públicas como zelosos funcionários corporativos subalternos.
Do blog Diário Gauche
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
CONSELHOS PARA O SERRA CAIR AINDA MAIS
O PSDB está abobado com a queda do Serra nas pesquisas. Diz que a ministra Dilma está fazendo campanha antecipada porque ao inaugurar obras em todo o Brasil. Ora, quando o presidente Lula e ministra Dilma lançaram o PAC, avisaram que iriam transformar o Brasil em um imenso canteiro de obras. A ministra Dilma é a responsável pelo PAC, é a ministra chefe da Casa Civil da Republica Federativa do Brasil. Ela está trabalhando quando vai inaugurar uma obra, um projeto, quando vai fiscalizar obras em qualquer lugar do Brasil. Ela tem essa obrigação e esse direito, o mesmo direito que tem o Serra de inaugurar uma escola em SP, como fez ontem, se a escola for uma obra do governo dele. Para colaborar com a queda espetacular do Serra, sugiro que ele assuma em alto e bom som que é candidato a presidente. Mas ele tem medo de perder a eleição, tem medo de assumir e depois ter que dizer que desistiu e que vai mesmo é tentar a reeleição de SP. Isso demonstra covardia. Serra precisa ter ao seu lado FHC, que é o seu mentor, seu mestre. Isso é imprescindível. Serra foi ministro de FHC, foi um grande entusiasta das privatizações, principalmente da Vale, nas palavras de FHC. Serra é muito amigo de FHC, e vice versa, tanto que, segundo o blog do Noblat, Serra emprestava seu apartamento funcional de deputado para os encontros amorosos de FHC com a jornalista Miriam Dutra. Afinal, FHC foi presidente do Brasil por 8 anos. O governo dele quebrou o país, mas eles são amigos, são do mesmo partido, o PSDB. Sergio Guerra, presidente do PSDB, tem que dar entrevistas e mais entrevistas, falar das mudanças que Serra pretende realizar se for eleito, como acabar com o PAC, mexer na economia que não permitiu que o país quebrasse com a crise econômica mundial. Serra tem que dizer que as enchentes em SP são obras do Alckmin, do Kassab (seu pupilo), de São Pedro. Ele precisa esconder que a irresponsabilidade foi sua, que ele não cuidou de prevenir as enchentes porque está preocupado demais em ser presidente, que ao invés de cuidar do governo passa as madrugadas tuitando: confissão dele. Serra tem que dizer que o estado de SP governado por ele também tem recordes. Como diz a matéria do Estadão: ”Estado de São Paulo bate record de roubos, com 257 mil em 2009”. O Serra tem que falar do pésssimo salários que paga às polícias, aos professores. Tem que contar quanto gastou do dinheiro público de SP para as propagandas da SABESP no Nordeste. Tudo isso aceleraria a queda do Serra, e o pior e mais importante é que tudo isso é verdade.segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Serra e Dilma estão tecnicamente empatados na disputa presidencial, mostra CNT/Sensus
Numa segunda lista, em que aparecem Serra, Dilma, Ciro Gomes e Marina Silva, na avaliação do Instituto Sensus, houve uma transferência de votos de Ciro para Serra e Dilma, quando observados os dados da pesquisa anterior, realizada em novembro do ano passado.
Na última pesquisa, Serra tinha 31,8% das intenções de votos, Dilma, 21,7%, Ciro estava com 17,5% e Marina, com 5,9%. No levantamento divulgado hoje, Serra, com 33,2%, e Dilma, com 27,8%, sobem nas intenções de votos e Ciro (11,9%) tem uma queda. Marina também teve aumento nas intenções de voto de 0,9 ponto percentual.
"Se compararmos os cenários, vamos ver que os votos de Ciro Gomes são divididos entre os dois candidatos, mas vão mais um pouco para a Dilma do que para o Serra.”, afirmou o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes.
Guedes disse ainda que os números mostram que Dilma já está consolidando sua candidatura. Isso porque a diferença entre ela e Serra está caindo. Na pesquisa anterior, a diferença entre Dilma e Serra era de 10,1 pontos percentuais e na pesquisa realizada em janeiro é de 5,4. “Dilma Rousseff atingiu um nível que indica consolidação da candidatura do ponto de vista da percepção do eleitor. Ela passou a ser uma candidata efetivamente competitiva”, afirmou o diretor.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 25 e 29 de janeiro em em cinco regiões, 24 estados, 136 municípios e com dois mil entrevistados.
Fonte: Correio Brasiliense
sábado, 30 de janeiro de 2010
A Vox Populi desencantou
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 23 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 14 a 17 de janeiro.
O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais.
José Serra (PSDB), 34%
Dilma Rousseff (PT), 27%
Ciro Gomes (PSB), 11%,
Marina Silva (PV), com 6%.
Brancos e nulos ficaram em 10%
Dilma tem nove pontos a mais do que o registrado no último levantamento do instituto
Serra caiu cinco pontos.
Sem Ciro:
Serra 38%
Dilma 29%
Marina 8%
Brancos e nulos somaram 12%
13% não sabem ou não opinaram.
Segundo turno entre Serra e Dilma
Serra 46%
Dilma 35%
Brancos e nulos 10%
Indecisos ou não opinaram 9%
Para a revista IstoÉ divulgada em 19 de dezembro:
Serra 39%
Dilma 18%
Ciro Gomes 17%
Marina 8%
Fonte: Blog "Brasil, mostra a tua cara!"
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
O Fator MST
Por Leandro Fortes no blog Brasília, eu vi
A prisão de nove lideranças do MST, no interior de São Paulo, algumas das quais filiadas ao PT, foi o ponto de partida de uma estratégia eleitoral virtualmente criminosa e extremamente profissional, embora carente de originalidade. Trata-se de perseguição organizada, de inspiração claramente fascista, de líderes de um movimento que diz respeito à vida e ao futuro de milhões de brasileiros, que revela mais do que o uso rasteiro da política. Revela um tipo de crueldade social que se imaginava restrita a políticos do Brasil arcaico, perdidos nos poucos grotões onde ainda vivem, isolados em seus feudos de miséria, uns poucos coronéis distantes dos bons modos da civilização e da modernidade.
No entanto, o rico interior paulista, repleto de terras devolutas da União griladas por diversas gerações de amigos do rei, tem sido um front permanente dessa guerra patrocinada pela extrema direita brasileira perfilada hoje, mais do que nunca, por trás da bela fachada do agronegócio e sua propalada importância para a balança comercial brasileira. Falar-lhes mal passou a ser de mau alvitre, um insulto a uma espécie de cruzada dourada cujo efeito colateral tem sido a produção de miséria e cadáveres no campo e, por extensão, nas cidades. É nosso mais grave problema social e o mais claramente diagnosticável, mas nem Lula chegou a tanto.
Assim, na virada de seu último ano de mandato, o presidente parece ter afrouxado o controle sobre a aliança política que lhe permitiu colocar, às custas de não poucos danos, algumas raposas dentro do galinheiro do Planalto. Bastou a revelação do pacote de intenções do Plano Nacional de Direitos Humanos, contudo, para as raposas arreganharem os dentes sem medo, fortalecidos pela hesitação de Lula em enquadrá-los sob o pretexto de evitar crises inevitáveis. A reação do ministro Nelson Jobim, da Defesa, ao PNDH-3, nesse sentido, foi emblemática e, ao mesmo tempo, reveladora da artificialidade dessa convivência entre forças conservadoras e progressistas dentro do governo do PT, um nó político-ideológico a ser desatado durante a campanha eleitoral, não sem traumas para a candidata de Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.
Com a ajuda de Jobim, a velha sanfona anticomunista voltou a soltar os foles e se engajou nesse desarranjo histórico que tem gerado crises artificiais e um consequente show de péssimo jornalismo. Tocou-se, então, o triste baião anti-Dilma das vivandeiras, a arrastar os pés nas portas dos quartéis e a atiçar as sentinelas com assombros de revanchismo e caça às bruxas, saudosos do obscurantismo de tempos idos – mas, teimosamente, nunca esquecidos –, quando bastava soltar bestas-feras fardadas sobre a sociedade para calá-la. Ao sucumbir à chantagem de Jobim e, por extensão, à dos comandantes militares que lhe devem subordinação e obediência, Lula piscou.
No lastro da falsa crise militar criada por Jobim, com o auxílio luxuoso de jornalistas amigos, foi a vez de soltar a voz o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, cujo arrivismo político iniciou-se na ditadura militar, à qual serviu como deputado da Arena (célula-tronco do DEM) e presidente do INPS no governo do general Ernesto Geisel, até fazer carreira de ministro nos governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Essa volatilidade, no entanto, sempre foi justificada por conta de um festejado “perfil técnico” de Stephanes. Trata-se de um mistério ainda a ser desvendado, não a capacidade técnica, mas as intenções de um representante político do agronegócio dentro governo Lula, uma posição institucional baseada em alinhamento incondicional à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pelo senadora Kátia Abreu, do DEM de Tocantins.
Com Kátia, Stephanes ensaiou um animado jogral e conseguiu, até agora, boicotar a mudança dos índices de produtividade agrícola para fins de reforma agrária – um tiro certeiro no peito do latifúndio, infelizmente, ainda hoje não desferido por Lula. Depois, a dupla partiu para cima do PNDH-3, ambos procupadíssimos com a possibilidade de criação de comitês sociais a serem montados para mediar conflitos agrários deflagrados por ocupações de terra. Os ruralistas liderados por Kátia Abreu e Ronaldo Caiado se arrepiam só de imaginar o fim da tradicional política de reintegração de posse, tocada pelos judiciários e polícias estaduais, como no caso relatado nesta matéria de CartaCapital. A dupla viu na proposta um incentivo à violência no campo, quando veria justamente o contrário qualquer menino bem educado nas escolas geridas pelo MST. São meninos crescidos o suficiente para saber muito bem a diferença entre mediadores de verdade e os cassetetes da Polícia Militar.
O governo Lula já havia conseguido, em 2008, neutralizar um movimento interno, tocado pelo Gabinete de Segurança Institucional, interessado em criminalizar o MST taxando o ato de invasão de terra de ação terrorista. Infelizmente, coisas assimainda vêm da área militar. O texto do projeto foi engavetado pela Casa Civil por obra e graça da ministra Dilma Rousseff. Lula, contudo, não quer gastar o último ano de uma era pessoal memorável comprando briga com uma turma que, entre outros trunfos, tem uma bancada de mais de uma centena de congressistas e a simpatia declarada do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Assim, distraído, o presidente deixou que Jobim e Stephanes envenenassem o processo político às vésperas das eleições, com óbvios prejuízos para a candidatura Dilma, bem no começo da briga com José Serra, do PSDB, o governador que por ora se ocupa em prender militantes do MST e do PT enquanto toca terror em assentamentos cheios de mulheres e crianças, no interior de São Paulo, com seu aparato de segurança pública.
O MST existe há 25 anos e é o mais importante movimento social de base da história do Brasil. A crítica à sua concepção socialista e a eventuais desvios de conduta de alguns de seus participantes é, deliberadamente, ultradimensionada no noticiário para passar à sociedade, sobretudo à dos centros urbanos, a impressão de que seus militantes são vândalos nutridos pelo comunismo e outras reflexões sociológicas geniais do gênero.
A luta do MST é, basicamente, a luta contra o latifúndio e a concentração fundiária nas mãos de uma elite predatória, violenta e vingativa. Essa é a origem de todos os problemas da sociedade brasileira desde a sua fundação, baseada em capitanias hereditárias, em 1532. Nenhum governo teve a coragem necessária, até hoje, para tomar medidas efetivas para acabar com o latifúndio e, assim, encerrar com esse ciclo cruel de concentração de terras no campo brasileiro, responsável pelo inchaço das periferias e pela violência contra trabalhadores rurais, inclusive torturas e assassinatos, com o periódico beneplácito da Justiça e das autoridades constituídas, muitas das quais com campanhas eleitorais financiadas pelos grupos interessados em manter este estado de coisas.
A luta contra o latifúndio não é a luta contra a propriedade privada, essa relação também foi contruída de forma deliberada e tem como objetivo tirar o verdadeiro foco da questão. A construção desse discurso revelou-se um sofisma baseado na a inversão dos valores em jogo, como em uma charada de um mundo bizarro: a ameaça social seria a invasão (na verdade, a distribuição) de terras, e não a concentração no campo, o latifúndio. E isso é vendido, assim, cru, no horário nobre.
É uma briga dura, difícil. Veremos se Dilma Rousseff, em cima do palanque, será capaz de comprá-la de novo.
Mais um "Golpe de Mestre" que deixou em xeque nossa (des)governadora

A nossa mídia guasca adora bajular o poder. Isto é claro por causa das polpudas verbas publicitárias que recebem.
Em Agosto de 2009 o Estado do RS resolveu "se fazer de leitão pra mamar deitado" e entregou as rodovias federais pedagiadas ao Governo Federal. Bastou este lance de pura demagogia e incoerência política (afinal foi um aliado de Yeda, Antônio Britto, quem assumiu as rodovias federais em conluio com seu aliado FHC e quem entregou as rodovias, inclusive as federais, para a fúria arrecadatória das concessionárias de pedágio) para que a "mídia amiga" cantasse em coro a versão de que teria sido um "Golpe de Mestre" de Yeda.
No mês seguinte (setembro) o govero Lula através do Ministério dos Transportes afirmou que não assumiriam as rodovias. Desde lá a questão vinha se arrastando sem uma solução.
Pois bem, agora decisão do Tribunal de Contas manda o Piratini fiscalizar as rodovias pedagiadas que pretendia devolver ao governo federal.
O tão propalado "Golpe de Mestre" se transformou em um xeque-mate que levou Yeda.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Vox Populi: Tarso lidera pesquisa ao governo do RS com 34%
A governadora do Rio Grande Sul Yeda Crusius, possível candidata do PSDB à reeleição aparece em terceiro lugar, com 7% das intenções de voto. Beto Beto Albuquerque, do PSB, e Pedro Ruas, do Psol, aparecem com 2% dos votos. Em um segundo cenário, sem Beto Albuquerque, Tarso Genro aparece com 34%, José Fogaça com 30%, Yeda Crusius com 7% e Pedro Ruas com 3%.
Do Terra Brasil


