Mostrando postagens com marcador Uribe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Uribe. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de setembro de 2009

A CARA DA DEMOCRACIA

   


Na coluna da esquerda, Fernando Henrique Cardoso, Alvaro Uribe, Rei Juan Carlos e Roberto Michelleti. Na coluna da direita, Lula, Evo Moralez, Hugo Chavez e Manuel Zelaya.

FHC mudou a constituição em benefício próprio, sem realizar qualquer plebiscito ou consulta popular. Alguns deputados que votaram a favor da mudança constitucional, que beneficiou o governo do PSDB, tiveram seus votos comprados, com dinheiro em malas, e foram cassados. Alvaro Uribe enviou ao congresso da Colômbia proposta de mudança constitucional que o benificia, pretende concorrer a um terceiro mandato. O Rei Juan Carlos é rei da Espanha porque seu pai era rei da Espanha, reis não são eleitos. Roberto Michelleti, atualmente ocupando a chefia do governo de Honduras, liderou um golpe que derrubou o presidente eleito.

Lula cumpre o mandato para o qual foi eleito, sem qualquer alteração constitucional. Evo Morales e Hugo Chavez cumprem mandatos para os quais foram eleitos, promoveram plebiscitos para decidir alterações constitucionais e, vencedores ou derrotados, cumpriram as decisões das consultas populares. Chavez foi vítima de um golpe militar, apoiado pelo governo Bush, mas foi reconduzido ao poder, pelo voto. Manuel Zelaya, presidente eleito de Honduras, foi deposto pelos golpistas com a alegação de que pretendia fazer uma consulta popular sobre a convocação de uma assembléia constituinte que talvez o permitisse concorrer a um segundo mandato.

Qualquer análise racional conclui que os líderes da coluna da direita demonstram maior apego à democracia e às regras constitucionais que os líderes da coluna da esquerda. No entanto, em qualquer conflito entre os líderes da coluna da esquerda e da direita, a elite brasileira e sua antiga imprensa, sempre alegando defender princípios democráticos e constitucionais, demonstra sua inequívoca simpatia pelos lideres da coluna da esquerda. O motivo? Está na cara.

x
 
Notícias difíceis de achar por aqui:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090912_honduras_rc.shtml

Estados Unidos suspendem visto de presidente interino de Honduras

Claudia Jardim

De Caracas para a BBC Brasil

A autoridade de Micheletti como presidente não é reconhecida pela comunidade internacional

Os Estados Unidos suspenderam o visto do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, de seu chanceler Carlos López e de 14 juízes da Suprema Corte de Justiça, em uma nova medida de pressão para levar à assinatura do acordo de San José, que prevê a restituição ao poder do presidente eleito Manuel Zelaya.

A medida foi anunciada pelo próprio Micheletti neste sábado, que disse ter sido informado pelo consulado dos Estados Unidos em Tegucigalpa, capital hondurenha.

"Recebi uma carta do consulado americano em Honduras, na qual me informam que suspenderam o visto de entrada nos EUA, em razão dos fatos de 28 de junho (quando Zelaya foi deposto), afirmou.

"Esta é uma mostra da pressão que o governo dos EUA exerce em nosso país", acrescentou.

Pressão econômica

Há pouco mais de um mês, Washington já havia suspendido o visto diplomático de alguns funcionários de governo interino, cuja legitimidade não é reconhecida pela comunidade internacional.

Dessa vez, porém, as autoridades norte-americanas, segundo Micheletti, suspenderam também seu visto de entrada como turista aos Estados Unidos.

Segundo o líder interino, a carta enviada pelo consulado americano, na qual informam a suspensão de seu visto foi dirigida ao presidente do Parlamento -cargo que Micheletti ocupava antes do derrocamento do governo eleito - e "não como presidente de Honduras", disse.

A medida se soma à decisão tomada na quinta-feira pela Casa Branca de suspender uma ajuda de US$11 milhões que seriam destinados a Honduras para o desenvolvimento de projetos de cooperação.

Na quarta-feira foi a vez do FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciar o congelamento de um crédito correspondente a US$ 164 milhões, ação que pode ser considerada como a pior sanção econômica aplicada ao governo liderado por Micheletti até agora.

Em resposta, o ex-parlamentar disse que a decisão dos EUA "não muda em nada minha situação porque não estou disposto a retroceder", afirmou. "Isso não vai mudar nosso pensamento, nossa mentalidade e nosso desejo de viver em democracia", disse.

As novas medidas de pressão dos Estados Unidos estão sendo vistas como uma "vitória, ainda que insuficiente", pela Frente de Resistência Contra o Golpe, que mantém mobilizações nas ruas das principais cidades do país, exigindo o retorno de Zelaya à Presidência.

Eleições

A direção da Frente rejeita a campanha eleitoral em curso para as eleições gerais de novembro, por considerar que não há "legitimidade e transparência" para a realização de um pleito democrático.

A Organização de Estados Americanos (OEA), Brasil e a maioria dos países da região advertiram que não reconhecerão o resultado das eleições, caso Zelaya não seja restituído.

O acordo de San José, rejeitado por Micheletti e seus aliados, prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembléia Constituinte – medida que foi utilizada como argumento pela oposição para depor a Zelaya.
 

Publicado no blog da Casa de Cinema de POA

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Chávez e Uribe na imprensa brasileira

O que vai abaixo mais um artigo do autor de Entrelinhas para o Observatório da Imprensa. Em primeira mão para os leitores do blog.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, esteve em São Paulo na segunda-feira (16/2), um dia após a vitória de seu colega venezuelano Hugo Chávez no plebiscito sobre o fim do limite à reeleição para o cargo de presidente naquele país. A imprensa brasileira não tem a menor simpatia por Chávez e trata Uribe com grande deferência, quase sempre ressaltando o papel do líder colombiano no combate às Farcs e ao narcotráfico.

Uribe, para quem não conhece, lembra um pouco o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), guardadas as devidas proporções. Ambos são conservadores, cordatos e parecem menos espertos do que de fato são. Alckmin deu em 2006 um nó político no atual governador José Serra, coisa que muitos julgavam realmente impossível de acontecer, e desta forma conseguiu a vaga de presidenciável do PSDB na eleição daquele ano. Uribe vem se fazendo de morto, mas trabalha ativamente para conseguir um terceiro mandato na presidência da Colômbia, o que por lá também não é permitido pelas regras atuais.

Em dezembro do ano passado, pouco antes do Natal, a Câmara Federal colombiana aprovou um projeto que autoriza a realização de um referendo para que a população decida se Uribe pode concorrer ao terceiro mandato. O projeto ainda não teve aprovação definitiva, tramitará no Senado, mas o fato é que não se viu na imprensa brasileira nada além de pequenos registros sobre a tentativa de Uribe de se manter no poder mais algum tempo.

Evidentemente, não foi este o tipo de cobertura reservada ao processo político venezuelano desde que Hugo Chávez começou a lutar para mudar as regras eleitorais em seu país. No caso de Chávez, a imprensa brasileira desde logo criticou as iniciativas do coronel e acusou o presidente de golpismo, autoritarismo e outros ismos ainda mais fortes. Não foram poucos os jornais que passaram a qualificar Chávez de “ditador” ou usar variações sobre o tema. Até o momento, ninguém na mídia tupiniquim chamou Uribe de golpista ou escreveu sobre o “projeto de perpetuação no poder” do colombiano.

É óbvio que a imprensa brasileira está utilizando dois pesos e duas medidas ao cobrir processos extremamente semelhantes que ocorrem nos dois países vizinhos. Em São Paulo, falando a empresários e investidores brasileiros, Uribe saudou a “vitória da democracia” na Venezuela: “Ao presidente Chávez, nossas congratulações, [e também] ao povo irmão da Venezuela, por praticar a democracia”, afirmou o presidente da Colômbia.

Questionado sobre o processo em andamento em seu país, Uribe foi logo explicando que seu projeto não é “personalista”: “Eu não quero que as pessoas pensem que eu prefiro a perpetuação no poder do que o amor pela pátria”, deixou claro o presidente (clique aqui para assistir o discurso de Álvaro Uribe no encontro do Grupo de Líderes Empresariais).

Nada justifica a falta de espaço do terceiro mandato colombiano na imprensa brasileira, especialmente quando se compara a cobertura do caso com a do processo que terminou domingo na Venezuela. Os dois países são, do ponto de vista do interesse dos leitores e telespectadores brasileiros, bastante similares, de forma que não há explicação editorial plausível para um caso entrar na pauta e o outro sumir.

Este observador poderia arriscar uma explicação bastante simples para o fenômeno: enquanto Chávez vem do exército, tem cara de latino-americano (e, portanto, de ditador de república de bananas), assume uma postura independente dos Estados Unidos e é bastante crítico em relação ao sistema capitalista, Álvaro Uribe é o seu oposto completo. Estudante em Oxford e pós-graduado em Harvard, o colombiano aparenta estirpe para comandar qualquer país europeu, não se confunde com um chicano qualquer, sem falar nas diferenças ideológicas – um oceano separa o pensamento de Uribe e Chávez.

Refletindo melhor, porém, seria tacanho imaginar que a diferença descomunal na cobertura dos dois processos se deva a este tipo de detalhe. Com certeza os jornalões começarão, a partir de agora, a acompanhar de perto os bastidores da tentativa de Uribe de se reeleger mais uma vez e não pouparão o líder colombiano dos mesmos adjetivos que empregam ao presidente Hugo Chávez. O leitor deste Observatório pode começar a prestar atenção e acompanhar, ao longo deste ano, o padrão de cobertura da política latino-americana. Uribe, Chávez mais o “índio” Evo Morales, a “espevitada” Cristina Kirchner e o “caloteiro” Rafael Côrrea são os protagonistas. Não deixa de ser um bom exercício para aprender a nunca mais ler jornal do mesmo jeito.