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quarta-feira, 3 de março de 2010

RS Urgente: Marcelo Rech e o “símbolo da luta pela liberdade de imprensa”


A cultura a e tradição gaúcha, como diria a secretária Mônica Leal, estiveram representadas no seminário promovido pelo Instituto Millenium em São Paulo, que denunciou a iminência de um “regime stalinista” no Brasil caso Dilma Rousseff vença as eleições presidenciais. Assistir ao festival de delírios que misturou empregados de grandes empresas de comunicação, dirigentes da Opus Dei e intelectuais orgânicos da extrema-direita custou 500 reais. O Rio Grande do Sul esteve representado pela dupla Denis Rosenfield e Marcelo Rech. O diretor da RBS saudou o empresário venezuelano Marcel Granier, presidente da RCTV, como uma espécie de símbolo da luta pela liberdade de imprensa.
Como Marcelo Rech acha que todo mundo é idiota, cabe lembrar quem é o seu campeão de liberdade. Granier foi um dos articuladores do golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez em 2002. O vídeo acima mostra Granier sendo desmascarado durante uma entrevista coletiva, onde uma jornalista pergunta a ele o que estava fazendo no Palácio de Miraflores no dia do golpe abraçando alegremente os golpistas. O “símbolo da luta pela liberdade de imprensa” repreende a jornalista dizendo que ela não devia falar coisas que não conhecia. Ah? E eis que as imagens do golpe mostram o alegre Granier, defensor da liberdade, comemorando, em Miraflores, a derrubada de um presidente constitucional. Mas é claro, ele não estava lá…
Seguindo a tradição da empresa da qual virou executivo, Marcelo Rech passa a tratar golpe militar e liberdade como sinônimos.

Via RS Urgente

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tempo de matar cavalos



Coluna de Juremir Machado da Silva, publicada hoje no Correio do Povo:

Tempo de matar cavalos

Meu avô era um sábio analfabeto. Certas coisas ele não compreendia: as mulheres que via na televisão bronzeando-se ao sol do meio-dia e homens cansando cavalos inutilmente. Antes de os cientistas darem o alerta ele já conhecia os perigos do sol para a pele dos humanos e para o fôlegos dos animais. Meu pai seguia a mesma lei: no verão, não se encilhava cavalo das 11 horas da manhã até quatro e meia da tarde. Salvo extrema necessidade. Por isso, levantavam muito cedo. As principais lides campeiras tinham de ser feitas antes de o sol ganhar o alto do céu. Andar a cavalo sem necessidade no calor era para eles coisa de gente da cidade. Pior do que isso, era algo condenável. Bárbaro.

As notícias de que dois cavalos morreram na tal cavalgada do mar horrorizariam meu avô e meu pai. Eles adoravam cavalos. Cuidavam deles com muito carinho. Veriam nessa exibição de cavaleiros urbanos, num dos verões mais quentes dos últimos tempos, um exibicionismo despropositado, uma falta de conhecimento escandalosa e uma maldade intolerável com os bichos. Para quê? Mais espantoso é o lema da brincadeira deste ano: “mulheres a cavalo pelo Rio Grande”. Um gaúcho verdadeiro, da campanha, diria com algum deboche: parem com isso, soltem os cavalos pelo Rio Grande. Com um solaço desses só há uma coisa a fazer: ficar mateando ou sesteando embaixo de um cinamomo. O resto é frescura de gente maturranga.

A secretária da Cultura, Mônica Leal, está contribuindo para maltratar cavalos na beira do mar. Ela é entusiasta desse tipo de ação cultural. Enquanto ela ajuda a estafar cavalos, sentindo-se uma nova Anita, a cultura do Rio Grande do Sul estrebucha. A sala de cinema Norberto Lubisco foi fechada. Tem cinema no shopping. Voltaire Schilling, um dos nossos intelectuais mais brilhantes e tradicionais, foi demitido da direção do Memorial do Rio Grande do Sul. Parece que ele não tinha o que conversar com a chefe. Afinal, não é de andar a cavalo na praia com sol quente. A casa está caindo, os cavalos morrendo, o circo pegando fogo. Mas a secretária Mônica Leal está firme na montaria. Sempre. Ela é dura na queda. Corresponde a todos os clichês imagináveis.

Agora, entre nós, há sem dúvida um ponto obscuro, um elemento que exige investigação séria: por que mesmo Mônica Leal tornou-se secretária da Cultura? É um tempo estranho este. Quando não há mais necessidade alguma de movimento, todos querem se deslocar. Especialmente pelos meios mais anacrônicos. Pode haver algo mais excitante do que permanecer no lombo de um cavalo, com o sol a pino, até o bicho morrer? Tudo isso em nome da tradição! Os franceses do século XVIII usavam perucas empoadas. O Ministério da Cultura da França devia lutar pela recuperação dessa tradição eliminada pela modernidade. Vou comprar um cavalo para matar na próxima cavalgada.


Via RS Urgente