Imóveis
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht
Por Lupiscinio Pires
Era hora da professora Mariza Abreu voltar a Federasul e dar uma nova palestra no Tá na Mesa II. O risco seria ter meia dúzia de pessoas assistindo, ao contrário da primeira palestra que lotou o auditório da entidade.
Quase todo mundo sabe que os grandes apoiadores da gestão da secretária Mariza Abreu foram os grandes empresários locais. Centenas de linhas foram escritas pelos representantes do empresariado local defendendo a atuação Mariza Abreu na SEC. O discurso era sempre o mesmo – déficit zero e arrocho salarial no magistério. Nenhuma melhoria salarial poderia ser direcionada para os professores, pois poderia comprometer a “revolução” nas finanças implementada por Yeda Crusius. Quando a secretária Mariza Abreu enfrentava dificuldades para se manter no cargo, os empresários gaúchos recorriam aos generosos espaços da mídia para defender sua permanência. Quem não se recorda das propagandas institucionais mostrando Mariza Abreu e Gerdau. Lado a lado.
Agora, por ocasião do lançamento de seu livro, “descobrimos” que Mariza Abreu saiu do governo por divergências com Yeda Crusius, em relação ao déficit zero. Pasmem.
Na coluna de Rosane de Oliveira, em Zero Hora, a ex-secretária “confirma que sua saída do governo se deu por divergências em relação à comemoração do déficit zero. Ela achava que o governo não deveria fazer alarde, porque a redução não era sustentável e a euforia poderia desencadear uma série de pressões por aumentos”. Segundo a colunista de ZH, Mariza Abreu atribui o déficit zero a esforços de outros governos. A política de ajustes teria começado em 2000. Impressionante revelação.
Quem lia a coluna de Rosane de Oliveira e outros espaços da RBS tinha informações privilegiadas sobre todos os passos da secretária Mariza Abreu. A permanência de Mariza Abreu na SEC foi anunciada no programa Sala de Redação. Informação ao vivo prestada por Rosane de Oliveira. Neste programa o jornalista Lauro Quadros informou que tinha visto a secretária Mariza Abreu almoçando na Zero Hora com a colunista no dia anterior.
Naquele episódio denominado “Dia do Fico” jamais se viu uma mobilização tão grande do empresariado e em parte da mídia em favor de um secretário. Os programas de Lasier Martins se destinavam a ouvir o depoimento dos caciques da indústria gaúcha em favor de Mariza. A coluna de Rosane de Oliveira registrava pesquisava de opiniões favoráveis a ex-mandatária da SEC. O esforço surtiu efeito. Mariza Abreu ficou mais algum tempo no governo até se retirar para apoiar José Fogaça na eleição para governador.
E agora, em 27 de fevereiro de 2011, na mesma coluna politica de ZH, surge a informação, prestada por Mariza Abreu, de que o “déficit vinha caindo desde 2000.” Que ironia. Começou no governo Olívio Dutra.
Avisem os empresários gaúchos. Quem sabe eles escrevam um artigo contestando Mariza Abreu. Quais razões que levaram Mariza Abreu a não ter revelado estes dados durante o governo Yeda Crusius ? Talvez no próximo livro da ex-secretária, isso seja explicado.
Via RS Urgente
Já foi assim quando o governador do Rio Grande do Sul era Antonio Britto (hoje lobista das indústrias de drogas). Seu governo liquidou parte significativa do patrimônio público gaúcho e, para tentar garantir a reeleição, abriu inúmeras frentes de obras sem o devido amparo orçamentário que garantisse a sua conclusão. Era a primeira vez que o povo gaúcho se tornava vítima do Golpe das Estradas.
O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT), à época deputado estadual, conta que na sua cidade, Santo Cristo, a comunidade reivindicava há anos uma ligação asfáltica com o município vizinho, Alecrim. O governo Britto prometeu que faria a estrada e, quase no final da gestão, o PMDB, partido do governador, armou uma cerimônia com fogos e banda para o anúncio do início da obra. Várias retroescavadeiras foram estrategicamente postas ao lado do palanque das autoridades para facilitar o trabalho dos fotógrafos. Bohn Gass era o único deputado de oposição presente e Britto olhava fixamente para ele enquanto discursava que a conclusão daquela obra seria uma resposta aos adversários políticos que criticavam seu governo. Resumo da ópera: tão logo o circo foi desmontado, as máquinas foram retiradas e só apareceram novamente no governo Olívio, a quem coube fazer a estrada. A cena se repetiu em todos os cantos do Estado e não é de se duvidar que ainda hoje existam placas enferrujadas com o slogan do governo Britto em alguma estrada sem asfalto Rio Grande a fora.
O golpe das estradas de Britto não funcionou. Britto perdeu a eleição e quatro anos depois, quando tentou voltar ao cargo, ostentou um nada honroso terceiro lugar na eleição e nunca mais se candidatou a nada.
Passados oito anos, o povo gaúcho elegeu Yeda Crusius que, em campanha, prometeu um jeito novo de governar mas que, em menos de 100 dias, provou-se tão arcaico e suspeito quanto o do homem que ela escolheu para ser seu conselheiro-mor: ele mesmo, Antonio Britto. O governo Yeda… bem, basta que se diga que ela bateu todos os recordes de rejeição da história das pesquisas de opinião no Brasil para que se tenha uma ideia do que foi aquilo. Mas Yeda não se deu por vencida e, agarrada à teimosia e à arrogância que marcaram sua administração, jogou-se no pleito. E embora ninguém saiba se foi de Britto a sugestão de reeditar o Golpe das Estradas, o certo é que a tucana tentou repeti-lo com tantas semelhanças que não pode ter sido mera coincidência. Como Britto, ela usou dinheiro de privatizações (das ações do Banrisul) para iniciar obras em todo o Estado e, assim, quem sabe, recuperar o enorme desgaste de seu governo e dela própria. Mas como o primeiro, o segundo Golpe das Estradas não deu em nada. E por uma dessas ironias do destino, Yeda acabou no mesmo nada cômodo terceiro lugar de Britto na eleição.
Beto Albuquerque, secretário estadual de Infraestrutura e Logística do governo Tarso Genro, que sucedeu Yeda, é quem agora precisa explicar aos prefeitos e às comunidades que pedem a conclusão das obras, que elas foram iniciadas sem que houvesse dinheiro para terminá-las. E que o governo Yeda sabia disso. Beto tem preferido usar números. Diz que a média histórica de investimentos do Estado em obras é de R$ 300 milhões/ano e que o governo Yeda, no apagar das luzes, fez contratos que, somados, ultrapassam os R$ 900 milhões ou mais, criando assim a ilusão de que o Rio Grande do Sul, com ela, se transformaria num enorme canteiro de obras. Mais falso do que isso, só mesmo as desculpas que a ex-governadora dava quando era chamada a explicar sua ligação com os grupos acusados de formar quadrilhas para roubar meio milhão de reais nas fraudes do Detran e… das grandes obras. (Maneco)
Via RS Urgente
O Ministério Público de Canoas ofereceu denúncia hoje (14) contra o sargento César Rodrigues de Carvalho, o ex-chefe de gabinete da ex-governadora Yeda Crusius (PSDB), Ricardo Luís Lied, e o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar, Frederico Bretschneider Filho, ex-assessor do gabinete de Yeda. Os três denunciados estão envolvidos no caso do acesso ilegal de dados sigilosos de políticos, parentes de políticos, advogados, delegados de Polícia, oficiais da Brigada e jornalistas, por meio do Sistema de Consultadas Integradas da Secretaria Estadual de Segurança. O promotor Amilcar Macedo (foto) tornou pública a denúncia, que descreve dois fatos delituosos. O sargento da Brigada foi denunciado pelo crime de concussão – exigir vantagem indevida – e o ex-chefe de gabinete e o ex-assessor de Yeda pelo crime de violação de sigilo funcional. O processo transcorre em segredo de justiça, mas o Promotor de Justiça de Canoas entrou com pedido de revogação do decreto de sigilo.
César Rodrigues de Carvalho, que atuava na Casa Militar, chegou a ser preso preventivamente, mas atualmente se encontra em liberdade. As investigações apuraram que, em pouco mais de um ano, ele realizou mais de 96 mil consultas ao Sistema de Consultas Integradas. Segundo o MP, várias delas foram feitas por determinação dos outros dois denunciados “com finalidades não condizentes com as de sugerir medidas de prevenção e proteção à integridade física da Governadora e de seus familiares”. O sargento também é investigado por extorquir contraventores de máquinas caça-níqueis na Região Metropolitana. Ele foi detido durante a Operação Agregação, composta pela Promotoria Criminal de Canoas, Núcleo de Inteligência do MP e Sessão de Inteligência do Comando de Policiamento Metropolitano.
Ricardo Lied é alvo de várias acusações
O ex-chefe de gabinete de Yeda Crusius já está sendo processado por violação de sigilo. Em setembro de 2009, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre ajuizou ação civil pública de responsabilidade por atos de improbidade administrativa contra Ricardo Lied e dois delegados de Polícia do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, por violação do sigilo profissional. No dia 14 de julho de 2009, eles informaram ao então Diretor-Presidente do Detran, Sérgio Luiz Buchmann, que iriam realizar busca e apreensão na residência de seu filho. Para a Promotoria, “os três colocaram em risco o resultado da diligência futura”.
Relembrando o caso. No dia 14 de julho de 2009, o então chefe de gabinete de Yeda procurou Buchmann em sua residência, no bairro Menino Deus, acompanhado pelo Superintende de Serviços Penitenciários Mário Santa Maria e pelo delegado Luiz Fernando Martins Oliveira, do Denarc. Buchmann relatou que recebeu a comitiva no portão do edifício e Lied, antes de dizer qualquer coisa, certificou-se de que não havia câmeras no local. Depois de escorar o portão com o pé, perguntou se Buchmann tinha um filho chamado Flávio. Diante da resposta positiva, Lied informou que o rapaz estava prestes a ser preso por tráfico e pediu que Buchmann ligasse para ele avisando da ação policial.
A inusitada sugestão causou desconfianças no presidente do Detran que, na época, havia questionado uma suposta dívida da autarquia com a empresa de guinchos Atento, e estava sofrendo pressões do governo (da própria Yeda, inclusive) para pagar a dívida. Quando ouviu o “aviso” de Lied, Buchmann pensou estar diante de uma cilada.
Lied também foi acusado pelo ex-ouvidor da Secretaria Estadual de Segurança, Adão Paiani, de ter usado o aparato de segurança do Estado para espionar o ex-deputado Luis Fernando Schmidt (PT), candidato a prefeito de Lajeado, em 2008. Documentos revelados após a prisão do sargento César Rodrigues de Carvalho, confirmaram o envolvimento de Lied no caso. Ele também foi flagrado em conversas suspeitas com o ex-presidente da Câmara Municipal de Lajeado, Márcio Klaus (PSDB), preso antes da eleição de 2008 sob a acusação de compra de votos. Numa dessas conversas, ele discutia com o vereador a substituição do delegado regional da Polícia Civil e do comandante da Brigada Militar na região que atuaram na prisão em flagrante de Klaus.
O ex-chefe de gabinete de Yeda só deixou o cargo no final de 2010 para trabalhar na coordenação da campanha da ex-governadora.
Foto (Amilcar Macedo): Marco Aurélio Nunes (Ministério Público Estadual)
Do RS Urgente
Há uns dois meses – na reta final da campanha eleitoral – escrevi neste mesmo espaço um comentário sobre a parcialidade e o mau caratismo do PIG – Partido da Imprensa Golpista -, com destaque especial para a revista Veja, aqui nos pagos reforçada e apoiada pela mídia local, especialmente a ZH. Eles apontaram com toda força suas baterias contra Lula e Dilma. Desesperados ante a derrota eleitoral iminente e a possibilidade de não apenas quatro, mas muito provavelmente de mais oito ou até doze anos de continuidade do PT na presidência, tentaram tudo. Calúnias, dossiês falsos, supostas irregularidades fiscais, não faltou nada. Até uma metáfora de péssimo gosto foi tentada: Veja colocou na sua capa o escudo da República enroscado, ameaçado pelos tentáculos de uma perigosa lula! A democracia sob ameaça!
Pois na paz deste fim de semana natalino, quando ainda ecoam ao longe os ecos dos sinos de Belém, lemos e ouvimos os comentários do PIG sobre os últimos dias e atos da despedida do presidente Lula. Em tempos de conciliação, e apesar de se tratar do presidente mais bem sucedido, popular e querido que este país já teve, em plena despedida, os caras não se controlam. Afinal PIG é PIG, eles trabalham em tempo integral. Não têm o menor pudor de, mais uma vez, mostrar seu ressentimento, sua parcialidade, seu descompromisso com a verdade, seu rancor. É só ligar a tevê (GloboNews, por exemplo), abrir a “Falha de S. Paulo” ou folhear a ZH.
“Ele não é um estadista”, afirma um colunista dominical de ZH, habitué, espécie de editorialista B do jornal, na edição do dia 25. Nele (Lula), “a atração que exerce surge da facilidade com que diz coisas estapafúrdias como se fosse ciência ou verdade.” O colunista, que se intitula jornalista e escritor, compara Lula ao general Figueiredo: os dois se assemelhariam pela dificuldade de controlar o linguajar! Ao fazer essa esdrúxula comparação o colunista confunde “alhos com bugalhos”: ele leu, viu, ouviu, mas não entendeu nada!
Na economia – afirma ele – “o mito Lula não se sustenta em fatos, é repetição de versão triunfalista e de truques numéricos.” Citando sua “guru em economia”, a jornalista Miriam Leitão (ruim, heim?!), apresenta alguns números e dados supostamente negativos do governo Lula. Baixo crescimento do PIB em 2009 – reflexo da crise americana -, desmatamento da Amazônia, que embora reduzido no governo Lula ainda é elevado. E diz que Lula transferiu 30 bilhões/ano para os pobres (bolsa família) e dez vezes mais – 300 bilhões/ano, para ricos via pagamento dos juros da dívida pública. Ele esqueceu de dizer que a dívida pública que originou os elevado pagamento dos juros se multiplicou nos oito anos de FHC, quando tivemos uma taxa SELIC que beirou os 30% ao ano. (hoje ela é de 10,75%!) E arremata criticando os elevadíssimos gastos de propaganda do governo federal, que teriam superado um bilhão de reais em 2010.
Vovó me dizia que pior que uma mentira deslavada é uma meia verdade. Pois vamos responder as meias verdades do editorialista B de ZH. Primeiro: gastar pouco mais de um bilhão por ano em publicidade num orçamento de 900 bilhões, corresponde a 0,12% da despesa total União. Pois saibam que o (des)governo Yeda, que nesses últimos quatro anos administrou um estado falido, só em 2009 gastou mais de 200 milhões em publicidade num orçamento de apenas 18,3 bilhões de receita líquida, correspondendo a 1,1% do orçamento. Vale dizer que, proporcionalmente, Yeda gastou quase dez vezes mais em propaganda do que Lula!
Contrariamente ao que afirmaram o colunista e Miriam Leitão, justamente o forte do governo Lula – além do carisma e da simplicidade de um presidente que sempre se identificou com seu povo -, é justamente a economia. Nos oito anos de seu governo foram criados de 11 milhões de empregos no país (contra menos de 800 mil no igual período de FHC); o salário mínimo subiu de setenta e oito dólares para os atuais 300 dólares, praticamente quadruplicou. As taxas de juros para empréstimos populares consignados se reduziram em dois terços; o volume de crédito familiar subiu de 14% (final do governo FHC), para os atuais 34% do PIB. Além disso, através do PAC foram investidos 500 bilhões de reais, especialmente em infraestrutura. Foram criadas dez novas Universidades Federais e construídas mais de 200 escolas técnicas profissionalizantes. O risco Brasil baixou sensivelmente (de 2.700 pontos com FHC, para 200 com Lula) e foi paga a dívida junto ao FMI, órgão do qual o Brasil é atualmente credor. O dólar caiu de 3,00 para os atuais 1,70 reais. A indústria naval brasileira está sendo reconstruída, a maioria das estradas rodoviárias foram e estão sendo recuperadas. Há, também, vultosos investimentos realizados e programados no sistema ferroviário.
Apesar das aves de mau agouro do PIG, dos editorialistas B, C e D de ZH e de outros pasquins por este Brasil afora, o governo Lula criou bases que tornam possível construir um novo país. Que em 2011 prosseguirá sua a trajetória vitoriosa sob a firme liderança de Dilma Rousseff.
Via RS Urgente
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), entrou no bolicho do Centro de Treinamento da Procergs, para a entrevista coletiva com blogueiros e blogueiras, anunciando dois nomes chave de sua equipe de comunicação: Vera Spolidoro assumirá a Secretaria de Comunicação e Pedro Osório a Fundação Piratini. Ambos acompanharam a entrevista que se desenrolou por aproximadamente uma hora e meia. Definitivamente, não foi uma “entrevista chapa-branca”, como alguns críticos chegaram a afirmar. Tarso Genro foi questionado sobre propostas de governo e sobre temas polêmicas como a presença no governo de representantes de partidos envolvidos em denúncias de corrupção, a relação com o MST e demais movimentos sociais, o destino dos investimentos das papeleiras, o projeto do Cais do Porto, na capital, e a relação com a mídia, entre outros temas.
Transmitida ao vivo pela internet e também pelo twitter, a entrevista marca um novo tipo de relacionamento entre governo e sociedade no Estado. Embora não sejam representativos de toda a sociedade, os blogs consolidaram uma posição no debate público que não pode mais ser negada. A exemplo do que aconteceu na entrevista do presidente Lula, abriu-se um espaço de interlocução com o poder estatal que até então estava restrito aos grandes meios de comunicação. A coletiva realizada na tarde desta sexta-feira no centro da Procergs mostrou que a famosa “democratização da comunicação” pode assumir formas concretas que não tiram pedaço de ninguém. Pelo contrário, tem o potencial de aproximar os governantes da sociedade e de exigir maior transparência por parte do Estado. Foi apenas a primeira experiência desse tipo e provavelmente deve ser reeditada ao longo do governo, com a ampliação e diversificação do número de participantes.
“Não teremos postura paternalista na Comunicação”
A pauta da entrevista foi diversificada. Tarso Genro respondeu a perguntas sobre temas que foram da economia solidária à prisão de Julian Assange, do Wikileaks. O governador repetiu posição expressa ontem pelo presidente Lula que cobrou dos grandes meios de comunicação e de suas entidades de classe uma posição condenando a prisão de Assange e ao cerceamento à liberdade de expressão. Para Tarso, o silêncio sobre a prisão de Assange expressa um cinismo radical de setores da grande mídia. Ainda no terreno da comunicação, ele anunciou que o debate sobre a criação do Conselho Estadual de Comunicação se dará no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e que seu governo não adotará uma postura paternalista em relação à chamada “mídia alternativa”. “Teremos políticas de Estado visando a democratização das fontes de produção e reprodução de informação e de opinião pública. Não existe hoje no Brasil o direito da livre circulação da opinião”. Seu governo buscará avançar nesta direção.
Uma ideia organizou quase todas as respostas de Tarso: inspirado nas experiências do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, do governo Lula, e do Orçamento Participativo no RS, ele promete adotar o diálogo entre os diferentes setores sociais como mecanismo de resolução de conflitos e de elaboração de propostas para os problemas do Estado. Isso ficou claro, por exemplo, quando foi indagado sobre a relação com o MST, os movimentos sociais e os sindicatos que, como se sabe, no governo Yeda foram tratados como um caso de polícia. “A polícia não deve ser uma polícia de classe, de nenhuma classe em particular, mas sim uma polícia de Estado, uma instância republicana responsável pelo cumprimento da lei”, resumiu. Tarso disse que pretende conversar com o MST e outros movimentos para adotar uma estratégia de antecipação e resolução prévia de possíveis conflitos. “Queremos nos antecipar a qualquer confronto, usando a via do diálogo”, afirmou. Por outro lado, ainda falando sobre o MST, lembrou que o Estado brasileiro ainda deve uma Reforma Agrária à sociedade.
“Decisões da governadora Yeda vale até o fim de seu mandato”
Indagado sobre a presença, no governo, de partidos envolvidos em denúncias de corrupção, Tarso respondeu que nenhuma pessoa indicada para o governo estaria impedida pelos termos da Lei da Ficha Limpa. Ele anunciou que o governo terá uma Comissão de Ética Pública e que a Secretaria de Segurança terá um departamento especial para tratar do tema da corrupção. Por outro, defendeu uma alteração no foco desse debate, propondo que a sociedade passe a se preocupar também com os agentes corruptores do setor privado.
Tarso também falou sobre a polêmica envolvendo a direção do Instituto Riograndense do Arroz (Irga). A pouco menos de um mês do final de seu governo, Yeda Crusius (PSDB) indicou um nome para presidir o órgão, apoiado por 76 arrozeiros do Estado, contra a vontade do governador eleito que indicou para o cargo o nome do prefeito de Santa Vitória do Palmar, Cláudio Pereira. “O Irga é uma instituição do Estado e a função do presidente do órgão é conduzir políticas de Estado e não atender a interesses de um grupo de arrozeiros, com todo o respeito que tenho a esse setor produtivo. As decisões da governadora Yeda valem até o fim do seu mandato. A vontade de 76 arrozeiros deve valer mais que a vontade de um governador eleito com milhões de votos?” – indagou.
Órgãos ambientais serão recuperados
O governador anunciou, por fim, que pretende recuperar os órgãos ambientais do Estado, fortemente sucateados nos últimos anos, reaparelhando suas estruturas e realizando concursos públicos para remontar as equipes que foram desmontadas. Indagado sobre as divergências envolvendo a legislação ambiental e o novo Código Florestal, Tarso admitiu que há problemas que ele ainda não sabe como vai resolver aqui no Estado. Citou como exemplo a preocupação de pequenos agricultores com certos dispositivos da legislação que poderiam inviabilizar sua atividade produtiva. “Vamos ter que debater isso com todos os setores envolvidos”, avisou.
Fotos: Eduardo Seidl/Agência Celeuma Imagem
Do RS Urgente
Depois que o PMDB entrou em estado de alerta, buscando reverter sua tendência de queda nas pesquisas, esta semana foi a vez da tucana Yeda Crusius apresentar novidades em sua campanha. No horário eleitoral, Yeda passou a atacar o PT e o PMDB frontalmente, comparando números de seu governo com os antecessores e criticando diretamente José Fogaça.
Inabalável, Tarso Genro parece não estar muito preocupado com os ataques. Depois que sua campanha detectou o crescimento do lulismo e articulou-se com ele, o petista, na esteira de Dilma, rompeu o isolamento e passou a crescer dia a dia. No último período, vem fazendo movimentos inimagináveis há alguns meses, como resgatar sua passagem pela prefeitura de Porto Alegre.
Nenhuma pesquisa até este momento deu qualquer alteração na tendência de vitória do candidato petista. Ao contrário, todas refletem o que se vê nas ruas: uma tranquila e quase “natural” decisão do eleitor em favor de Dilma e, agora, em favor de Tarso.
A hora dos desesperados
Assim como o lulismo se impôs nacionalmente, agora a mesma dinâmica está se reproduzindo nesta reta final no Rio Grande do Sul. Só que de um modo rápido, e talvez inseguro.
Na disputa presidencial, houve um momento em que a decisão foi tomada. Na minha opinião, foi na entrevista à rede Globo. Dilma enfrentou as feras, Marina não mostrou a que veio e Serra, ainda que bem tratado, não conseguiu se sobressair. Ali, as últimas esperanças tucanas e verdes de levar a decisão para um segundo turno, e eventualmente vencer, se tornaram pó entre os dedos.
No Rio Grande do Sul, o momento que decidiu a eleição foi menos perceptível. No início da disputa, na primeira visita de Dilma candidata ao Estado, a campanha presidencial abriu uma janela para o PMDB gaúcho apoiá-la e acompanhar Michel Temer. José Fogaça, Pedro Simon e Mendes Ribeiro fecharam a porta e perderam o rumo. Não perceberam o amadurecimento e a politização do eleitor brasileiro, nem a abrasileiração do eleitor gaúcho. O resultado é o que estamos vendo.
Creio que nestes últimos dias de disputa estamos tendo uma decisão em massa do eleitorado gaúcho em favor dos candidatos lulistas. Assim como as denúncias e manobras de Serra e do PIG não surtiram o efeito de reverter o crescimento de Dilma, no Rio Grande do Sul a mobilização do PMDB e a metralhadora giratória que se tornou a campanha do PSDB não terão o efeito de reverter o crescimento de Tarso.
O mais provável, inclusive, é que aumente o desespero nas hostes tucanas e peemedebistas. E aumentando o desespero, os erros podem aumentar e aparecer ainda mais.
Nota sobre o senado
Ana Amélia Lemos, jornalista da RBS, candidata pelo PP, conseguiu rapidamente posicionar-se em primeiro lugar nas pesquisas. Na onda lulista, Paulo Paim (PT), que até agora esteve com sua reeleição ameaçada, tende a se recuperar e manter sua cadeira. Já Germano Rigotto (PMDB), se confirmarem-se as tendências, pode amargar uma segunda derrota, quatro anos depois de perdido o governo do Estado.
Em 2006, Rigotto foi candidato a reeleição. Correndo por fora, Yeda Crusius ultrapassou-o no primeiro turno e venceu Olívio no segundo. Agora, Rigotto decidiu ir ao senado, contando com uma eleição quase certa. Ana Amélia, correndo por fora, pode repetir o feito de Yeda.
Um amigo, militante do PMDB, jura que o seu partido, em especial a ala Simon, caiu em desgraça junto à RBS. “Hoje, eles odeiam mais a gente que ao PT”, afirmou. Um acompanhamento cuidadoso da linha editorial da RBS nesta eleição no que diz respeito ao Senado não desmente a afirmação do meu amigo.
Vá saber!
Publicado na Carta Capital
Pesquisa do Ibope publicada pelo jornal Zero Hora deste domingo aponta Tarso no primeiro turno. Com relação a um levantamento anterior do mesmo instituto, de início de agosto, o candidato de Lula subiu de 37 para 41 pontos, Fogaça desceu de 31 para 23, e Yeda subiu de 11 para 13 pontos percentuais.
Ou seja, Tarso ampliou sua vantagem de seis para 18 pontos sobre Fogaça. E, conforme a pesquisa, venceria a eleição no primeiro turno, com 52% dos votos válidos. Mantidas as tendências, o mais provável é que o petista amplie ainda mais esta vantagem até 03 de outubro. Os demais fatores pesquisados indicam isso: Tarso tem baixa rejeição, apenas 11%. A expectativa de vitória atua em seu favor, com 44% acreditando que o petista é favorito, contra 20% que acreditam na vitória de Fogaça e 10% na de Yeda. Também na TV, Tarso tem se saído bem. Sua campanha é avaliada melhor por 26% dos eleitores, contra 12% que julgam a de Fogaça superior e nove porcento a de Yeda.
Números a parte, o crescimento de Dilma foi o que puxou o candidato petista para cima. Na contracorrente, Serra está enterrando o candidato do PMDB. Sua atuação sobre as bases do PMDB, tentando de todas as formas construir um palanque para sua candidatura no Estado, primeiro paralisou Fogaça, e, quando o tucano começou a naufragar, puxou o peemedebista para baixo.
Yeda, não está sendo tão afetada pela queda de Serra porque sua estratégia, desde o começo, afastava a candidatura presidencial. Aliás, a queda de Fogaça deve inclusive fortalecer Yeda Crusius.
Novo Brasil atropela velho Rio Grande – Há momentos na história que concentram décadas. Estamos vivendo isso nas eleições gaúchas. O Rio Grande do Sul, que até aqui foi um Estado rebelde na nação brasileira, está sendo incorporado a um projeto de nação do qual ele não se sente protagonista.
Os gaúchos gestaram Getúlio Vargas, forneceram os generais da Ditadura Militar, e não esperavam ser caudatários de um projeto gestado nos porões da sociedade paulista. O lulismo, que na falta de uma definição melhor poderia ser chamado de um getulismo de esquerda, já é o grande vitorioso nas eleições gaúchas. Lula não só vai eleger Dilma presidente no primeiro turno, inclusive no Rio Grande do Sul, como vai também eleger Tarso Genro governador, também no primeiro turno. Para usar uma expressão um pouco fora de moda, mas expressiva do momento, Lula está fazendo barba, cabelo e bigode nestas eleições no pampa gaúcho.
Os méritos dos petistas gaúchos – É cedo para fazer balanços, mas é importante apontar que a provável vitória de Tarso traduz méritos dos petistas. Tarso conseguiu unificar as fileiras do seu partido, que vinha atuando dividido em eleições anteriores. Conseguiu superar o isolamento político, recompondo com PSB e PCdoB, aliados históricos que tinham se afastado. Desenvolveu um processo de atração de forças e lideranças individuais, semeando dificuldades nas fileiras adversárias. Abriu um amplo processo de debate programático, focado em buscar soluções para romper o isolamento do Estado diante do país e do mundo. E sobretudo soube aderir à onda Lula-Dilma quando a candidata começou a subir nas pesquisas e ficou evidente que Fogaça não a apoiaria.
Seu principal oponente, José Fogaça, desenvolveu uma estratégia pensando que o tabuleiro da sucessão gaúcha aconteceria sem uma influência decisiva da eleição presidencial. Mas o novo Brasil simplesmente atropelou a velha lógica da política gaúcha, de divisão e enfrentamento permanentes. E o lulismo se impôs, por sobre todas as forças em conflito no cenário estadual.
Um Rio Grande Brasileiro – É provável que, depois destas eleições, neste novo século, o espírito de grenal que vem paralisando o Estado nas últimas décadas, fique restrito aos campos de futebol. Em certo sentido, às vésperas das comemorações da Semana Farroupilha, os gaúchos estão prestes a se encontrar com aquele que um dia foi o seu principal problema e hoje é a única saída: o Brasil.
Paulo Cezar da Rosa, Jornalista e publicitário
Via Sul 21
O primeiro programa de televisão dos candidatos ao governo gaúcho indicou uma tendência que pode ser um dos traços definidores da disputa eleitoral deste ano no Estado. Das três candidaturas apontadas como favoritas, apenas uma delas trata o Rio Grande do Sul, não como um país isolado, mas como uma unidade da Federação e uma região do mundo. Os programas de Yeda Crusius (PSDB) e de José Fogaça (PMDB) não fizeram referência à disputa nacional nem apontaram suas afinidades com os projetos nacionais em disputa. A governadora Yeda Crusius conseguiu a proeza de omitir completamente o nome do candidato do seu partido à presidência da República. Aliás, os sentimentos de aversão e antipatia entre José Serra e Yeda parecem ser recíprocos. Coerente com essa linha, o refrão do jingle de Yeda afirma: “Sou gaúcho, voto em Yeda”. Pronto. É isso. Quem é gaúcho vota na Yeda? Entenderam? Pouco importa. Não é para entender mesmo. Apresentando-se dissociada da agenda nacional de seu partido, a candidata Yeda parece um átomo pululando enlouquecido pelo mundo a bradar: “Déficit zero! Déficit Zero! Quem é gaúcho vota em mim”. Qual a relação do Rio Grande do Sul com a disputa que ocorre no país? Nenhuma, segundo o programa de Yeda.
Já o primeiro programa do PMDB não chegou a ser uma surpresa. O ex-prefeito de Porto Alegre tinha avisado que iria exercer energicamente a imparcialidade ativa. E Fogaça cumpriu a promessa. Não é de ninguém e é de todo mundo. Não é Serra nem Dilma muito pelo contrário. O PMDB é governo em toda a parte. Na prefeitura de Porto Alegre, no governo do Estado e no governo Federal. O vice de Dilma é do partido. Como o programa de Fogaça lida com isso? Não lida. Está em tudo e não é nada, o que é, aliás, uma boa definição de vazio. Fogaça apresenta-se como o candidato capaz de unir e dialogar com todas as forças. Uma pretensão nada modesta. O problema é que o postulante apresenta-se para o diálogo sem identidade, sem cara própria. Fogaça e seu partido estão no governo Yeda e não tem nada a dizer á população sobre este governo do qual fazem parte. Fogaça e o PMDB estão no governo Lula e também não tem nada a dizer sobre isso. Fogaça diz que vai dialogar com todo mundo, que vai unir. Poderia começar esse diálogo apresentando suas escolhas políticas recentes e assumindo suas responsabilidades por elas. Partindo de um centro vazio e de uma promessa abstrata de diálogo perpétuo, esse tipo de discurso é omisso e desleal para com seus parceiros nos governos dos quais participa. Qual a opinião de Fogaça sobre Serra? E sobre Dilma? E sobre Yeda? Nenhuma. Silêncio. Vazio.
Numa tentativa meio tacanha de preencher esse vazio, o discurso inaugural do programa de Fogaça faz as tradicionais referências à história do Rio Grande do Sul, à Revolução Farroupilha e a nomes como Jango, Brizola, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães. É sintomático que não haja nenhum político vivo nesta lista. Prejudicaria o diálogo, decerto. Assim como o programa de Yeda, o de Fogaça não estabelece qualquer relação entre a situação do Estado e do país. E tome Revolução Farroupilha e tradição para asfaltar a estrada do diálogo. A opção do PMDB pela imparcialidade ativa de Fogaça pode custar caro ao partido. Com todos os problemas que carrega e uma altíssima taxa de rejeição, Yeda ao menos afirma algo sobre seu próprio governo. Fogaça não afirma nada sobre nada. Não se compromete e não assume responsabilidade alguma pelas suas escolhas políticas e as de seu partido.
As opções dos marqueteiros e coordenadores de campanha de Yeda e Fogaça acabaram fortalecendo o sentido do slogan escolhido pela candidatura Tarso Genro, “Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo”. Inovando em relação ao discurso tradicional do “ah, eu sou gaúcho!”, o programa convida o Estado a se abrir para o Brasil e para o mundo. O Rio Grande do Sul já fez isso algumas vezes, sempre com bons resultados para todos. A última delas foi a experiência do Fórum Social Mundial que encantou a cidade de Porto Alegre e a população do Estado. O Rio Grande do Sul é um maravilhoso lugar para se viver, é verdade. Mas não é o único e não está sozinho no mundo. Um pouco dos ares do Brasil, de Pernambuco, de Minas Gerais, da Bahia, de Santa Catarina, apenas para citar alguns Estados, farão muito bem ao povo farroupilha. E da Argentina, do Uruguai, da Bolívia, da Colômbia…Pode parecer uma trivialidade, mas diante do culto do isolamento e da dissociação em relação ao resto do país, que aparece nos discursos de seus principais adversários, adquire um renovado sentido.
Sentido este que é fortalecido também pela postura de afirmar claramente sua posição no debate nacional. Apóia, participa e tem orgulho do governo Lula e do apoio recebido pelo presidente. Goste-se ou não do governo Lula, ninguém poderá dizer que não sabe qual é a posição de Tarso Genro sobre ele. Deve ser incômodo para os partidários do PSDB ver o programa eleitoral de sua candidata ao governo do Estado escondendo seu candidato à presidência. E omitindo qualquer consideração sobre a relação do Rio Grande do Sul com o Brasil no debate eleitoral. Já os militantes do PMDB terão que canalizar suas energias na imparcialidade ativa de Fogaça. Nem sim, nem não. Muito antes pelo contrário.
Do RS Urgente
Pesquisa realizada pelo Ibope no Rio Grande do Sul, entre os dias 10 e 15 deste mês, mostra que o petista Tarso Genro lidera as intenções de voto na disputa pelo governo estadual, com 37%, contra 30% do ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB) e 11% da governadora Yeda Crusius (PSDB).
Em uma simulação de segundo turno, Tarso teria 47% e Fogaça 39%. Foram realizadas 1.204 entrevistas e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A informação foi dada pelo colunista Claudio Humberto, ainda na quinta-feira (24), às 22h.
O Ibope, por meio de sua assessoria de imprensa, confirma que realizou uma pesquisa nessa data no estado, mas não revela quem solicitou o estudo.
Via RS Urgente
O pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, lidera as intenções de voto no Estado. O petista tem 32% das intenções de voto para o pleito de outubro, segundo pesquisa Vox Populi divulgada nesta quinta (20) pela TV Bandeirantes .
Em segundo lugar aparece José Fogaça (PMDB), citado por 27% dos entrevistados. Yeda Crusius, do PSDB, aparece com 10 % das intenções de voto.
Beto Albuquerque (PSB), que já retirou sua pré-candidatura, aparece com 7%. Luis Augusto Lara (PTB) e Pedro Ruas (PSOL) têm 1% das intenções de voto cada. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 20% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Em um segundo cenário, sem os pré-candidatos Beto Albuquerque e Luis Augusto Lara, o petista Tarso Genro aparece com 34% das intenções de voto. José Fogaça tem 29%, Yeda Crusius 10% e Pedro Ruas 1%. Mont Serrat (PV), que não pontuou no primeiro cenário, aparece, desta vez, com 1%.
A pesquisa entrevistou 700 pessoas foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último dia 10 sob o número 11313/2010. A margem de erro é de 3,7 pontos, para mais ou para menos.
Do Jornal Sul 21


Têm paradas de ônibus eletrificadas
A pilantragem se repete. A governadora Yeda Crusius (PSDB) anunciou hoje, mais uma vez, um investimento do governo federal no porto de Rio Grande como se fosse de seu governo (a construção da plataforma P-63, da Petrobras). O anúncio ocorreu no auditório da SPH, às 16h, com a cumplicidade do consórcio Quip S/A, vencedor da licitação da Petrobras, e dos meios de comunicação, especialmente a RBS.
No blog Hidrovias Interiores, foi postada uma matéria relativa ao assunto, esclarecendo que a construção em Rio Grande das plataformas P-53 (concluída), P-55 (em construção) e P-63 (a construir), é um investimento do governo federal, através da Petrobras.
A Petrobrás paga publicidade a RBS para levar “bola nas costas” ? O consórcio Quip S/A, que ganhou um contrato de US$ 1,3 bilhões da Petrobrás, e pretende ganhar mais duas ou três licitações da estatal federal, está fazendo esse jogo?
Enquanto isso, o site do governo do Estao alardeia (encontrando eco na mídia amiga que segue sem revelar quantos milhões de reais está ganhando em publicidade governamental para fazer esse jornalismo de qualidade):
Um importante investimento de US$ 1,3 bilhão foi anunciado pela governadora Yeda Crusius nesta segunda-feira (12). A empresa Quip S.A. construirá a plataforma P-63 em Rio Grande, com geração de 1,8 mil empregos diretos e outros 7,5 mil indiretos. “Esta é a consolidação definitiva do Porto de Rio Grande como polo naval, que é capaz de construir várias embarcações ao mesmo tempo, com toda a qualificação técnica necessária. É um ciclo virtuoso de desenvolvimento sustentável do RS a partir do Porto”, disse a governadora, no Auditório da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH).
Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini
Do RS Urgente
O juiz Jorge André Pereira Gailhard, da 13ª Vara Cível de Porto Alegre, considerou improcedente a ação ajuizada pelo menor João Guilherme – representado por sua mãe, Tarsila Rorato Crusius – contra o jornalista André Machado, da RBS, pela publicação de uma foto em seu blog. Segundo informações do site Espaço Vital, a sentença foi proferida terça-feira, 16 de março, sendo a primeira de uma série de ações movidas contra jornalistas e empresas de comunicação pela mesma razão, a saber, a publicação de fotos de um protesto realizado dia 16 de julho de 2009, em frente à casa da governadora Yeda Crusius. Nas fotos em questão, a governadora Yeda Crusius e sua filha, Tarsila Crusius, aparecem, ao lado dos netos, discutindo com os manifestantes em frente à residência.
Conforme nota publicada no Espaço Vital, o juiz André Pereira Gailhard concluiu que “a exposição inadequada do menor aos meios de comunicação foi proporcionada pelos seus próprios responsáveis, não podendo o requerido ser penalizado pela divulgação da fotografia em seu blog, eis que o menor encontrava-se em meio ao confronto da governadora, sua avó, com os manifestantes do CPERS”. O juiz avaliou ainda que “o jornalista não vinculou a fotografia do infante a fatos desabonatórios ou que pudessem lhe acarretar situação vexatória perante terceiros”. “Da leitura da reportagem contida no blog, percebe-se o claro animus narrandi do requerido, o qual expôs os fatos sem manifestar qualquer juízo de valor acerca da conduta da governadora, sequer mencionando o nome do menor autor da ação judicial”.
A ação pede a condenação do jornalista ao pagamento de indenização por danos morais, alegando, entre outras coisas, que “o autor experimentou os efeitos danosos resultantes de ter sua imagem, privacidade e intimidade devassadas, os quais foram agravados em virtude da mensagem subliminar nela compreendida, eis que o requerente e sua avó aparecem atrás das grades”. Em sua resposta, a defesa de André Machado cita o art. 5°, IV e XIV, da Constituição Federal, que assegura a liberdade de expressão e informação e o artigo 220, segundo o qual a manifestação de pensamento, criação, expressão e informação não sofrerão qualquer restrição. E sustenta que o jornalista se limitou a noticiar o fato ocorrido em frente à casa da governadora Yeda Crusius, avó do demandante, não havendo qualquer conotação ofensiva ao menor.
A defesa sustenta que o menor foi levado para o local por aqueles que deveriam tê-lo afastado de lá (a mãe e a avó), e sua presença acabou compondo a notícia. Se houve afronta ao Estatuto da Criança e Adolescente, diz, “foi gerada exclusivamente pela mãe e avó do demandante, as quais usaram o menor como escudo às agressões dirigidas à pessoa pública da Governadora”. E acrescenta: “por liberalidade de sua mãe e de sua avó o autor foi conduzido para o portão da casa onde reside a família, sendo com ela fotografado (…) Na foto em tela, a Sra. Governadora porta um cartaz com os dizeres “Vocês não são professores. Torturam crianças. Abram alas que minhas crianças têm aula”, sendo que a última expressão reflete que Yeda e Tarsila pretendiam sair de casa de qualquer forma, usando as crianças que deveriam estar protegidas em casa”.
Os menores em questão, assinala ainda a defesa, “são pessoas públicas, sendo que na campanha que elegeu Yeda governadora os mesmos foram utilizados como um dos motes eleitorais, pois nascidos no RS, em resposta ao fato de a candidata ser paulista”. E ressalta “a desatenção da mãe e da avó acerca dos dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente”. Um eventual emprego de técnica para distorcer o rosto do menor na foto, diz, “não impediria a identificação do menor, por ser pessoa pública e porque se encontrava ao lado de sua avó no momento dos fatos”. Sustenta, por fim, que não há nenhuma mensagem subliminar no fato de a fotografia mostrar João Guilherme, Tarsila e Yeda separados dos manifestantes pela grade de proteção da residência. “O fato em comento está sendo usado como tentativa de obter ganho financeiro”, conclui.
A íntegra da sentença está disponível aqui.
Coluna de Juremir Machado da Silva, publicada hoje no Correio do Povo:
Tempo de matar cavalos
Meu avô era um sábio analfabeto. Certas coisas ele não compreendia: as mulheres que via na televisão bronzeando-se ao sol do meio-dia e homens cansando cavalos inutilmente. Antes de os cientistas darem o alerta ele já conhecia os perigos do sol para a pele dos humanos e para o fôlegos dos animais. Meu pai seguia a mesma lei: no verão, não se encilhava cavalo das 11 horas da manhã até quatro e meia da tarde. Salvo extrema necessidade. Por isso, levantavam muito cedo. As principais lides campeiras tinham de ser feitas antes de o sol ganhar o alto do céu. Andar a cavalo sem necessidade no calor era para eles coisa de gente da cidade. Pior do que isso, era algo condenável. Bárbaro.
As notícias de que dois cavalos morreram na tal cavalgada do mar horrorizariam meu avô e meu pai. Eles adoravam cavalos. Cuidavam deles com muito carinho. Veriam nessa exibição de cavaleiros urbanos, num dos verões mais quentes dos últimos tempos, um exibicionismo despropositado, uma falta de conhecimento escandalosa e uma maldade intolerável com os bichos. Para quê? Mais espantoso é o lema da brincadeira deste ano: “mulheres a cavalo pelo Rio Grande”. Um gaúcho verdadeiro, da campanha, diria com algum deboche: parem com isso, soltem os cavalos pelo Rio Grande. Com um solaço desses só há uma coisa a fazer: ficar mateando ou sesteando embaixo de um cinamomo. O resto é frescura de gente maturranga.
A secretária da Cultura, Mônica Leal, está contribuindo para maltratar cavalos na beira do mar. Ela é entusiasta desse tipo de ação cultural. Enquanto ela ajuda a estafar cavalos, sentindo-se uma nova Anita, a cultura do Rio Grande do Sul estrebucha. A sala de cinema Norberto Lubisco foi fechada. Tem cinema no shopping. Voltaire Schilling, um dos nossos intelectuais mais brilhantes e tradicionais, foi demitido da direção do Memorial do Rio Grande do Sul. Parece que ele não tinha o que conversar com a chefe. Afinal, não é de andar a cavalo na praia com sol quente. A casa está caindo, os cavalos morrendo, o circo pegando fogo. Mas a secretária Mônica Leal está firme na montaria. Sempre. Ela é dura na queda. Corresponde a todos os clichês imagináveis.
Agora, entre nós, há sem dúvida um ponto obscuro, um elemento que exige investigação séria: por que mesmo Mônica Leal tornou-se secretária da Cultura? É um tempo estranho este. Quando não há mais necessidade alguma de movimento, todos querem se deslocar. Especialmente pelos meios mais anacrônicos. Pode haver algo mais excitante do que permanecer no lombo de um cavalo, com o sol a pino, até o bicho morrer? Tudo isso em nome da tradição! Os franceses do século XVIII usavam perucas empoadas. O Ministério da Cultura da França devia lutar pela recuperação dessa tradição eliminada pela modernidade. Vou comprar um cavalo para matar na próxima cavalgada.
Via RS Urgente