Terminou ontem a série de reportagens e campanha anti-tabagista veiculadas no programa Fantástico, da rede Globo. Tal campanha, acertadamente, apresenta os malefícios causados pelo cigarro, bem como, sugere alternativas para se livrar do vício.
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Quando a Globo irá fazer um "Brasil sem Álcool"?
Terminou ontem a série de reportagens e campanha anti-tabagista veiculadas no programa Fantástico, da rede Globo. Tal campanha, acertadamente, apresenta os malefícios causados pelo cigarro, bem como, sugere alternativas para se livrar do vício.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Britto, Yeda e o golpe das estradas
Já foi assim quando o governador do Rio Grande do Sul era Antonio Britto (hoje lobista das indústrias de drogas). Seu governo liquidou parte significativa do patrimônio público gaúcho e, para tentar garantir a reeleição, abriu inúmeras frentes de obras sem o devido amparo orçamentário que garantisse a sua conclusão. Era a primeira vez que o povo gaúcho se tornava vítima do Golpe das Estradas.
O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT), à época deputado estadual, conta que na sua cidade, Santo Cristo, a comunidade reivindicava há anos uma ligação asfáltica com o município vizinho, Alecrim. O governo Britto prometeu que faria a estrada e, quase no final da gestão, o PMDB, partido do governador, armou uma cerimônia com fogos e banda para o anúncio do início da obra. Várias retroescavadeiras foram estrategicamente postas ao lado do palanque das autoridades para facilitar o trabalho dos fotógrafos. Bohn Gass era o único deputado de oposição presente e Britto olhava fixamente para ele enquanto discursava que a conclusão daquela obra seria uma resposta aos adversários políticos que criticavam seu governo. Resumo da ópera: tão logo o circo foi desmontado, as máquinas foram retiradas e só apareceram novamente no governo Olívio, a quem coube fazer a estrada. A cena se repetiu em todos os cantos do Estado e não é de se duvidar que ainda hoje existam placas enferrujadas com o slogan do governo Britto em alguma estrada sem asfalto Rio Grande a fora.
O golpe das estradas de Britto não funcionou. Britto perdeu a eleição e quatro anos depois, quando tentou voltar ao cargo, ostentou um nada honroso terceiro lugar na eleição e nunca mais se candidatou a nada.
Passados oito anos, o povo gaúcho elegeu Yeda Crusius que, em campanha, prometeu um jeito novo de governar mas que, em menos de 100 dias, provou-se tão arcaico e suspeito quanto o do homem que ela escolheu para ser seu conselheiro-mor: ele mesmo, Antonio Britto. O governo Yeda… bem, basta que se diga que ela bateu todos os recordes de rejeição da história das pesquisas de opinião no Brasil para que se tenha uma ideia do que foi aquilo. Mas Yeda não se deu por vencida e, agarrada à teimosia e à arrogância que marcaram sua administração, jogou-se no pleito. E embora ninguém saiba se foi de Britto a sugestão de reeditar o Golpe das Estradas, o certo é que a tucana tentou repeti-lo com tantas semelhanças que não pode ter sido mera coincidência. Como Britto, ela usou dinheiro de privatizações (das ações do Banrisul) para iniciar obras em todo o Estado e, assim, quem sabe, recuperar o enorme desgaste de seu governo e dela própria. Mas como o primeiro, o segundo Golpe das Estradas não deu em nada. E por uma dessas ironias do destino, Yeda acabou no mesmo nada cômodo terceiro lugar de Britto na eleição.
Beto Albuquerque, secretário estadual de Infraestrutura e Logística do governo Tarso Genro, que sucedeu Yeda, é quem agora precisa explicar aos prefeitos e às comunidades que pedem a conclusão das obras, que elas foram iniciadas sem que houvesse dinheiro para terminá-las. E que o governo Yeda sabia disso. Beto tem preferido usar números. Diz que a média histórica de investimentos do Estado em obras é de R$ 300 milhões/ano e que o governo Yeda, no apagar das luzes, fez contratos que, somados, ultrapassam os R$ 900 milhões ou mais, criando assim a ilusão de que o Rio Grande do Sul, com ela, se transformaria num enorme canteiro de obras. Mais falso do que isso, só mesmo as desculpas que a ex-governadora dava quando era chamada a explicar sua ligação com os grupos acusados de formar quadrilhas para roubar meio milhão de reais nas fraudes do Detran e… das grandes obras. (Maneco)
Via RS Urgente
sábado, 28 de agosto de 2010
Crack Nunca Mais, pela reabilitação do RS

Por Katarina Peixoto
Por isso falar em desintoxicação do Rio Grande do Sul faz sentido, e não exatamente como metáfora.
Um Estado que padeceu com a experiência Yeda Crusius não precisa de metáfora, mas de realidade e, portanto, de um compromisso inadiável com a verdade. A viagem tem sempre vida curta e a chapação, ao longo do tempo, mata. De 2003 para cá, quando a direita gaúcha rearticulou seu projeto de poder no estado do Rio Grande do Sul, a situação do Estado, perante si mesmo e perante o país realmente merece uma campanha como “Crack, nunca mais”. Não é sem propósito que o esteio propagandístico da chapação lança essa campanha. E, mais uma vez, não há metáfora, aqui.
A decadência econômica vem caminhando de mãos dadas com a degeneração política. Se esse vínculo é necessário ou não, pouco importa. Fato é que constatar sua existência no RS dos dias que correm é dizer a verdade. O lero-lero delirante do Déficit Zero é propagandeado a despeito do declínio nos índices de qualidade de ensino, de saúde, dos serviços públicos e nos grandes esquemas de saque do erário já combalido. Saques, por sua vez, investigados e denunciados antes pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. A chapação e a dependência não deram lugar à oposição. Mas esta, como um fígado, seguiu se regenerando.
Seria simplesmente ridículo ver Yeda Crusius na televisão, com aquela sua peculiar mirada ao infinito, não fosse desagradável. É constrangedor e triste ver no que as drogas podem transformar uma pessoa. E a mentira das sanhas ideológicas não apenas alienam politicamente, como demenciam. Tem algo demente, ali, naquele queixo acrítico, naquele déficit zero que outro dia até a representante não escolhida pelo voto do sofrido Ministério Público Estadual repete. Diabos, o que pode querer dizer déficit zero no MP estadual???
Para criticar o Olívio Dutra, diziam que nas Assembléias do OP se discutia até a compra de carteiras para escolas. Para criticar, diga-se. Porque o que fizeram com este homem é inominável. Agora, não podem mais fazê-lo. Não falam mais sozinhos, não intoxicam plenamente, não asseguram a terra das palavras delirantes nas mentes incautas. E o Rio Grande do Sul fica mais saudável.
Posso discordar de que tudo seja discutido numa assembléia de OP. Mas frente ao crime o que está em jogo não é a concórdia ou a discórdia; é a justiça, a lei. Ambas, em tempo, vêm sendo destroçadas neste estado. Desmantelaram a legislação ambiental, esquartejaram a legislação dos incentives fiscais e, com isso, a mínima decência tributária (o Fundopem do governo Rigotto tornaria Britto um republicano), desinvestiram deliberada e sistematicamente na saúde, recusaram e se abstiveram do recebimento e do empenho de verbas federais destinadas a políticas públicas para jovens, crianças, mulheres, mulheres negras, comunidades indígenas, catadores de papel, usuários do SUS.
Esse acúmulo de perdas só reforçou a dependência da máquina propagandística, o estuário de verbas estaduais para seguir tentando perpetuar o vício. Como se sabe, o vício tem muitos aspectos: culpa-se o outro, projeta-se a própria miséria e se denega qualquer responsabilidade. Assim se pode ver motoristas de táxi, lobotizados via rádio o dia inteiro, bradarem contra a Dilma porque os azuiszinhos não fiscalizam as pessoas que estacionam nas ruas. Crack,nunca mais.
E por falar nisso, o senador Simon está calado. O paladino da imparcialidade ativa que embruteceu, empobreceu e corrompeu o Estado em níveis nunca dantes vividos. Seu candidato, até que se prove o contrário, é um senhor tão obscuro como descompromissado, cujo discurso vazio só é superado pela ausência de vitalidade.
Quem quer manter essa carcaça em que o RS se tornou? Como um resto de gente, com dentes empodrecidos, ira contra o mundo, sobretudo incompreensível; quem caminha pelas ruas e vê as hordas de jovens chapados sabe do que se trata a imparcialidade ativa do déficit zero. Sabe o que desinvestimento, abstenção e recusa de assistência geram. Ainda virá à tona o quanto foi devolvido à união pelos governos (sic) da imparcialidade ativa e do déficit zero, em recursos sem empenho, destinados a políticas públicas no âmbito da assistência social, médica, à criança e ao adolescente, à juventude. Crack, nunca mais.
Reabilitação é um processo doloroso, mas diariamente fortalecido. Toda desintoxicação exige mais do fígado do que os porres de palavras cruzadas e falsas polêmicas. Mas funciona, constitui, faz sentido. É um caminho incerto, com recaídas, ou sem. Mas aponta para a agregação, a consciência do mundo e a independência moral. Sem chapação, sem mentira, sem saque do erário e sobretudo sem o delírio destruidor de futuro, de responsabilidade e de saúde.
O que será do RS reabilitado não se sabe, visto que a destruição não foi pouca nem irrelevante. Mas cessar a dependência, hoje, é vencer o vício, ganhar da mentira, recusar o auto-engano mistificador e empenhar-se com o futuro. Crack, nunca mais.
Texto surrupiado do RS Urgente
Ilustração Sátiro-Hupper