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segunda-feira, 18 de julho de 2011

As finanças estaduais e a Previdência dos servidores no Rio Grande do Sul

Por Paulo Muzell

Durante os quatro anos do governo Yeda convivemos com a farsa do “déficit zero”. Vendeu-se à opinião pública a versão de que, finalmente, depois de muitas e muitas décadas, assumia um governo que iniciava o prometido e esperado processo de saneamento e recuperação das finanças do Rio Grande. A mídia local – especial destaque para a RBS – adotou descaradamente a versão oficial de que marchávamos para o desejado equilíbrio das contas públicas.

Publicado o balanço de 2010 constatou-se o que a maioria das pessoas bem informadas já sabia: não houve recuperação e sim piora no quadro orçamentário-financeiro estadual no quadriênio 2007/2010. Diminuíram os recursos da área social, o nível dos investimentos caiu, aproximando-se perigosamente de zero. O resultado orçamentário de 2010 foi um déficit de 156 milhões, a execução orçamentária resultou num saldo de restos a pagar, sem cobertura financeira de mais de um bilhão de reais. A dívida fundada continuou aumentando e, em dezembro passado, ultrapassou os 40 bilhões, registrando um crescimento de 269% em relação ao valor de 1997, ano em que foi renegociada com o governo federal pelo governo Brito. Constata-se que as críticas à renegociação feitas à época, ignoradas pelo governo e pela mídia eram corretas, o contrato foi firmado em condições desfavoráveis, lesivas aos interesses do Estado. Apesar de comprometer anualmente em média 16% da receita líquida total, a dívida cresceu 65% acima da inflação medida pela IPCA.

Há pendentes, também, outros passivos de elevado montante, como um estoque de precatórios de 5,4 bilhões de reais e de 800 milhões de RPVs (requisições de pequeno valor). Há, ainda, os saques a descoberto do caixa único, de quase 5 bilhões de reais.

O governo Yeda – dentre seus muitos outros pecados e omissões – não encaminhou solução para a questão previdenciária, sem qualquer dúvida o principal “nó” a ser desatado para que se tenha uma efetiva melhoria no quadro das finanças estaduais. O regime de capitalização, existente desde 2001 na Prefeitura da capital só foi criado este ano, com uma década de atraso.

Yeda apurou mais de um bilhão de reais através da venda de ações preferenciais do Banrisul que deveriam ser destinados a um fundo previdenciário. Na verdade os recursos foram desviados, destinados a obras rodoviárias, realizadas “a toque de caixa” no episódio eleitoral de 2010.

Devemos lembrar, também, que Antonio Brito já havia passado outro “calote da previdência”. Em 1995, seu governo elaborou, aprovou e sancionou a lei nº 10.588 que autorizava um desconto de 2% na remuneração dos servidores e que destinava os recursos a um fundo previdenciário que seria futuramente regulamentado. A regulamentação nunca ocorreu, o fundo nunca existiu, foi apenas um “ghost”. O único efeito da lei foi desviar do salário dos servidores mais de um bilhão de reais ao longo de cinco anos: em 2000 a lei foi revogada.

Os servidores estaduais, a exemplo dos demais da área pública são regidos pelo regime de repartição simples e passaram a contribuir para aposentadoria muito recentemente. A lei nº 7.672, de 1982 estabeleceu uma alíquota de contribuição de 9% incidente sobre a remuneração total, destinando 5,4% à previdência e os restantes 3,6% para assegurar a assistência à saúde através do IPE. Somente em 2004 tivemos a uniformização das alíquotas em relação ao INSS, estabelecendo-se a alíquota de 11% para a previdência e um percentual adicional de 3,1%, não compulsório, para a saúde. Como não foi criado o regime de capitalização, os servidores que ingressaram a partir desta data permaneceram no regime de repartição simples, assegurada a aposentadoria integral garantida pelo Tesouro estadual.

O déficit previdenciário previsto pela LDO/2011 atingirá este ano os 5,2 bilhões de reais, devendo comprometer 27% da receita corrente líquida do Estado. O seu crescimento teve como conseqüência a redução do número de nomeações. Só nos últimos cinco anos o efetivo de pessoal ativo da saúde e da educação diminuiu 9,2%: são 10,7 mil servidores a menos prestando serviços na área social. O crescente peso do pagamento de aposentadorias e pensões impede que ocorra a reposição dos que se aposentam.

O estudo atuarial projeta um preocupante crescimento das despesas previdenciárias. O déficit continuará subindo até 2020, ano em que atingirá os 6 bilhões de reais, permanecendo neste patamar até 2026, quando começa a diminuir, embora muito lentamente. Nos próximos dez anos os recursos do Tesouro deverão cobrir um rombo de cerca de 60 bilhões que é a diferença entre as receitas e as despesas previdenciárias projetadas para o período. Esse montante representa três vezes a atual receita anual do Estado. E o patamar de comprometimento da receita líquida total com aposentadorias e pensões permanecerá acima dos 25%, um nível insuportável especialmente num estado que tem que atender os encargos de um passivo que hoje ultrapassa os cinqüenta bilhões de reais.

Só um extraordinário crescimento da economia gaúcha e da receita tributária do Estado nos próximos quinze ou vinte anos poderia trazer a esperança da reversão do quadro de crise das nossas finanças, agravado nos últimos anos. Nada indica, todavia, que possamos ter aqui, num futuro próximo a repetição do milagre chinês: o PIB gaúcho cresceu abaixo do brasileiro nas últimas três décadas, a taxa média atingiu modestos 2,7% ao ano. E, para piorar, a participação da receita do Estado no bolo nacional do ICMS também diminuiu.

Como milagres não ocorrem quando a gente quer, certamente teremos que aprofundar – em futuro mais próximo do se imagina – a reforma da previdência estadual timidamente iniciada no final do primeiro semestre deste ano pelo governo Tarso Genro.

Via RS Urgente 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Antônio Britto em alta rotatividade

O ex-governador Antônio Britto é um executivo de alta rotatividade. Após sair à francesa do Estado em 1998, deixando a trasmissão do cargo de governador para Olívio Dutra sob a responsabilidade do então vice-governador Vicente Bogo, Britto acumula várias passagens pela privada, pela iniciativa privada (aahahaah).

Em 2003, Britto ingressou como executivo da Azaléia Calçados, e foi alçado diretor-presidente da empresa, com a morte do então presidente da Azaléia, Nestor de Paula. Em 2005, envolveu-se em uma polêmica nacional, ao fechar uma unidade da fábrica no Rio Grande do Sul, demitindo 800 funcionários, ao mesmo tempo que abria uma unidade na China. Desgastado com os herdeiros de Nestor de Paula, por conta de um relacionamento conflituoso, no final de 2006 anunciou seu desligamento da Azaléia, por demissão.

Em 2008, a operadora Claro, do mexicano Carlos Slim (América Móvil), também dono da Embratel, contratou o ex-governador como um dos vice-presidentes da empresa. Britto atuava na área de assuntos corporativos, com o objetivo de organizar as relações da empresa com os públicos externos e com o Congresso (hummmmmmm).

Desde o primeiro dia de governo de Yeda Crusius, Britto atuou com um conselheiro informal da ex-governadora, numa espécie guru, apontando o caminho "certo" (aahahahahhaha) para aquela senhora que já foi tarde.

Em maio de 2009, Britto assumiu a presidência da Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica. O convite havia sido recusado há mais de um ano, mas agora a Interfarma fez uma proposta que o ex-governador considerou “irresistível”. Britto, segundo informações coletadas, foi contratado a peso de ouro, e "coincidentemente" o Ministério da Saúde e as indústrias de remédios debatem a concessão de patentes para fórmulas polifórmicas (o polimorfismo se refere a diferentes formas de uma mesma substância química que pode ser utilizada na fabricação de medicamentos).

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) tem posição favorável à concessão dessas patentes polimórficas, o que contraria a posição do Ministério da Saúde, que alerta que isto pode comprometer o crescimento da indústria dos genéricos e encarecer os remédios, em especial, àqueles usados pelas farmácias e hospitais do Sistema Único de Saúde. Segundo meu colega João Manoel (o Maneco), para bom espremedor, meia laranja basta. Ou seja, se o debate está no campo político, parece óbvio que a contratação de Britto – que como homem público sempre foi um fervoroso privatista – tenha se dado muito mais pelas suas capacidades (lobísticas?) nesta área do que, propriamente, por seus dotes de executivo. Afinal, ele não para mesmo muito tempo em empresa nenhuma.

Segundo o Ministério Público eleitoral a Interfarma é uma entidade de classe, o que não permitiria tais contribuições.Com isso, tenta anular a aprovação da contas de candidatos que recebram doação da entidade. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul entende que, por não receber verbas públicas, a Interfarma não pode ser considerada entidade de classe. O certo é que temos que ficar atentos aos movimentos dessa entidade e de seu executivo de alta rotatividade. Britto conhece muito bem os caminhos do Congresso Nacional.

Campanha eleitoral 2010

Fiz uma rápida pesquisa no TSE para verificar o quanto e para quem a Interfarma fez doações na campanha eleitoral aqui na terra guapa. Abaixo estão os candidatos beneficiados pela Interfarma, que está sob o Cnpj 31.118.508/0001-12.

100.000,00 MANUELA PINTO VIEIRA D AVILA PC do B
150.000,00 OSMAR GASPARINI TERRA PMDB
50.000,00 RENATO DELMAR MOLLING PP
150.000,00 DARCÍSIO PAULO PERONDI PMDB
50.000,00 ONYX DORNELLES LORENZONI DEM








Do Blog Tomando na Cuia

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

(Des)governo Yeda se supera a cada dia



Primeiro, retomemos (de novo!) o que escrevi em 12 de dezembro:

E isso que desconsiderei as charges que poderão ser feitas até 31 de dezembro, pois como nos restam vinte dias de Yeda no Piratini, nesse tempo ainda pode acontecer algo digno de ser satirizado.

Desde então, vimos o road movie, o momento Forrest Gump, e agora… A inauguração de um tronco petrificado. Obra de 200 milhões de anos atrás. Dos tempos do em que o Rio Grande do Sul estava sob o domínio do Pantalhosaurus Rex.

As duas primeiras bizarrices que citei, eu achava serem as últimas do (des)governo. Já esta, tenho certeza de que não será a última. Até sábado, pode acontecer tudo. E é tudo MESMO!

Do blog Cão Uivador

Charge do Kayser

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Novo secretário de Educação representa esperança de diálogo com Cpers

O governo Tarso definiu, na tarde desta quarta-feira (24), o ocupante de uma das secretarias mais problemáticas do governo gaúcho. José Clóvis de Azevedo, ex-integrante da direção do Cpers e primeiro reitor da Uergs, foi confirmado para a secretaria de Educação, uma pasta que tem trazido problemas para os últimos governos estaduais. Tão complicada é a situação da educação no estado que o PDT, partido que tem o ensino como uma de suas principais bandeiras, declinou de indicar nomes para a pasta.

Além das dificuldades de gestão, causadas pela falta de recursos e pela grande necessidade de investimentos, há a urgência em retomar o diálogo com o Cpers, sindicato que protagonizou alguns dos mais duros confrontos com a administração de Yeda Crusius (PSDB). José Clóvis pode ser o nome ideal para recuperar o diálogo com os professores. Filiado ao sindicato, o novo secretário transita bem entre os dirigentes e é visto na entidade como uma pessoa aberta ao debate. É considerado também um dos maiores especialistas gaúchos na problemática do ensino fundamental.

“Quem recomendava que não fosse o José Clóvis não deve ter lido todos os livros dele que eu li. O secretário reúne características de qualidade política e conhecimento intelectual”, disse o governador eleito, ao explicar a escolha do novo secretário. A demora no anúncio ocorreu, segundo Tarso, para que ele e José Clóvis tivessem “uma conversa de profundidade” sobre as questões educacionais do estado. “Feita esta conversa, se estabeleceu uma identidade entre o que nós queremos fazer e com o que ele pode contribuir. O diálogo com o magistério, que hoje está interrompido, é uma destas coisas.”

A presidente do Cpers, Rejane Oliveira, acredita que o novo secretário tem um “grande currículo”, e pode simbolizar uma mudança no rumo das negociações com o governo estadual, depois da “experiência péssima” com a atual governadora Yeda Crusius (PSDB). “Vamos solicitar uma audiência, logo nos primeiros dias de governo, na qual vamos expor a plataforma discutida dentro do Cpers. Queremos estabelecer uma política de negociação e de diálogo com o governo”, afirma.

Continue lendo a matéria do Sul 21.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Fundação Piratini, Uergs e Emater esperam se fortalecer no governo Tarso


Felipe Prestes do Sul 21

A troca de comando no Palácio Piratini mudará também prioridades. E com as mudanças, órgãos que hoje passam por situações difíceis esperam ter maior atenção do novo governo. Um dos órgãos que deve ser beneficiado é a Uergs, criada no governo Olívio, que chegou a ficar dois anos sem ter vestibular durante o governo Yeda. Historicamente, o PT também tem ligação forte com a agricultura familiar. Petistas apontam que a Emater deve ganhar mais recursos. “Vai ter um investimento muito forte na agricultura familiar, na inovação tecnológica no campo”, aponta o futuro chefe da Casa Civil Carlos Pestana.

Pestana aponta ainda que a Fepam deve ganhar com o futuro governo, porque o órgão viveu período de conflitos durante o governo Yeda. “Pelo conjunto de conflitos que houve no governo Yeda, acredito que esse órgão vai ser fortalecido”, diz. A Fundação Piratini, que abriga a TVE e a Rádio Cultura, vive um processo de decadência que faz com que, por exemplo, a rádio não consiga mais apresentar grande parte dos programas ao vivo pela falta de operador de áudio. É outra instituição que tem perspectiva de crescimento no governo Tarso.

“Mais beneficiada ou não tão prejudicada pelo próximo governo”, brincou o representante dos funcionários no Conselho Deliberativo da Fundação Piratini Alexandre Leboutte, criticando os prejuízos que a entidade teve durante o atual governo. “Houve uma diminuição drástica de recursos que deixou a emissora quase em estado vegetativo”, conta. Ele acredita que a situação da fundação deve melhorar no governo Tarso. “Acreditamos que o novo governo deve ter mais sensibilidade para ver a importância da TVE e da rádio Cultura. O fortalecimento dos meios públicos faz parte da discussão programática do governo que vai entrar”.

Leboutte aponta problemas técnicos graves que vive a fundação. Um transmissor analógico novo de televisão foi adquirido há mais de quatro anos e até hoje não foi instalado. Enquanto isso, emissoras de televisão têm migrado para o sistema digital e o transmissor “novo” já se tornou ultrapassado. Além disso, há problemas de pessoal, a necessidade de realização de concursos públicos é urgente. O último concurso foi realizado em 2001, justamente durante o governo Olívio.

A falta de pessoal causa problemas como a já apontada falta de operadores de áudio na rádio Cultura. “O setor de jornalismo da rádio praticamente se extinguiu”, acrescenta Leboutte. Além disso, a falta de concursos aumenta o número de cargos em comissão. “São pessoas, na maioria das vezes, qualificadas, mas isso retira a autonomia de informação”.

Leboutte conta que o orçamento chegou a R$ 22 milhões em 2001 e caiu até a R$ 15 mi durante o governo Rigotto. Em 2009 e 2010 o orçamento previsto foi de R$ 17 mi. Mas, segundo o funcionário, em 2009 foram executadas apenas cerca de R$ 13 mi. “Neste ano acredito que não será executado mais do que R$ 14 mi”, projeta. Para 2011, o governo previu destinar pouco mais de R$ 13 mi.

Leboutte afirma que parlamentares que serão da base do próximo governo lhe explicaram que era impossível propor emendas para aumentar este orçamento, porque não haveria de onde tirar os recursos. Mas ele afirma que a fundação precisará de suplementação orçamentária no ano que vem para que funcione minimamente bem.

O deputado Elvino Bohn Gass (PT) garante que, se for necessário, será proposta suplementação para a Fundação Piratini em 2011. Ele afirma que o governo Tarso buscará parceria entre a TVE e a TV Brasil e, por meio desta parceria, recursos federais para a emissora gaúcha. Bohn Gass destaca que o governo deve trabalhar para que a TVE e a Cultura proporcionem a “democratização da cultura” e o “fomento ao debate”.

“Este governo fez o que tinha de pior para a Uergs”

“A gente está apostando nisso”, diz Maximiliano Segala, integrante da Associação de Docentes da Uergs (Aduergs), sobre a possibilidade de maior atenção à universidade pelo governo Tarso. “O governo tem treze prioridades e pelo que eles nos disseram, e saiu na imprensa, a Uergs está dentro dessas prioridades”, completa.

Para Segala a Uergs que foi muito prejudicada durante o governo Yeda. “Esse governo que está saindo fez o que tinha de pior para a Uergs”, diz. O docente afirma que o atual governo aportou menos recursos do que deveria e houve desmandos. Ele recorda que em 2007 e 2008 nem sequer foi realizado vestibular. “Sem alunos não há universidade, mas também não há gastos. Essa era a mentalidade deles”. Segala diz que o único legado do governo que chega ao fim é a nomeação do reitor eleito pela comunidade acadêmica Fernando Guaranha Martins, o que ocorreu nesta sexta-feira (5), depois de o governo relutar por alguns meses.

“A primeira ajuda que o próximo governo pode dar é a realização de concursos públicos”, afirma Segala. O professor explica que hoje a Uergs tem um déficit de cerca de duzentos docentes. Há também déficit de funcionários. Com ingresso de novos servidores, as unidades da Uergs poderão se organizar para definir compras de livros e de equipamentos para laboratórios. Para realizar tudo isso, é preciso aumentar o orçamento. “Em 2010 foram destinados R$ 23 mi. Para 2011, o governo previu os mesmos recursos. Houve inflação, crescimento do PIB, não pode permanecer o mesmo orçamento”, diz Segala.

Parlamentares petistas ingressaram com emenda ao orçamento, pedindo mais R$ 2 milhões para a universidade. Um sinal de que o governo deve priorizar a recuperação da universidade. “A Uergs está na UTI, precisa ser retomada. Vamos trabalhar para a efetivação da universidade”, diz Elvino Bohn Gass.

Maximiliano Segala relata também que várias unidades funcionam no mesmo prédio que escolas estaduais, o que não tem dado certo. “Acredito que a intenção era boa, mas, na maioria dos casos, não têm funcionado. Não precisamos de prédios novinhos. Existem prédios públicos ociosos que poderiam abrigar unidades da Uergs”, diz. Segala afirma também que a Uergs precisa oferecer assistência estudantil, como residências universitárias. “A Uergs reserva 50% das vagas para alunos hipossuficientes. É um contrassenso não ter. Isso poderia ser feito em parceria com as prefeituras”, sugere.

Segala espera também que o novo governo dê mais incentivos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs). Adonai Zorz, funcionário do departamento financeiro da Fundação, explica que a principal demanda da Fapergs é que o governo destine 1,5% da receita líquida do estado à instituição, o que está previsto constitucionalmente. Ele afirma que não há uma expectativa especial com o novo governo. “Isso historicamente não é cumprido por nenhum governo”, afirma.

Segundo conta Zorz, um alento é a proximidade da fundação com o deputado petista Adão Villaverde. Ele foi secretário de Ciência e Tecnologia e tem submetido ano após ano – sem sucesso – emendas para que o estado destine mais recursos à Fapergs. Para 2011, Villaverde submeteu nova emenda. E o parlamentar acredita que dessa vez conseguirá o aporte maior de recursos para a instituição. Villaverde conta que submeteu um pedido inicial de R$ 2,5 mi para a Fapergs. Ele conta que o relator do orçamento, o deputado Kalil Sehbe (PDT), lhe revelou que acredita ser possível destinar até R$ 3 mi para a fundação.

Ao ser definido como relator, Sehbe afirmou que vai procurar contemplar o programa de governo de Tarso Genro. E Villaverde explica que o fomento à Fapergs não é só uma ação individual sua por ser representante da comunidade acadêmica, mas uma plataforma do governo Tarso. “A comunidade científica procurou o Tarso Genro e ele me pediu para estudar e submeter a emenda. Esperamos nos próximos anos recuperar a capacidade da Fapergs, para que possa voltar a ser, de fato, um instrumento de fomento à pesquisa no estado. O Rio Grande do Sul vem perdendo essa capacidade nos últimos anos”, afirma o deputado.

“Esperamos alguém que venha para ficar”

O presidente da Associação dos Servidores da Fepam (Asfepam) Roberto Claro concorda com Carlos Pestana: houve turbulências na Fepam durante o governo Yeda, especialmente nos primeiros dois anos de governo. “O governo Yeda teve um início muito tumultuado, o que foi ruim para nós. Houve trocas frequentes de presidente e em outros cargos de confiança, isso nos prejudicou. As pessoas não vinham para ficar, usavam a instituição como trampolim. A instituição foi deixada de lado”, afirma. Por isso ele diz o que a Fepam deseja para a escolha do próximo presidente. “Esperamos alguém que venha para ficar”.

Outro conflito ocorreu devido à pressão do governo estadual para a liberação de licenças para plantações de eucaliptos, sem o devido estudo. Os funcionários não concordavam com esta política ambiental. “Isso (as plantações de eucaliptos) só não se concretizou pela crise econômica mundial. Pelo governo teria se concretizado”, diz Claro. Os conflitos e trocas nos cargos, segundo ele, cessaram na segunda metade do governo. Inclusive houve valorização salarial “razoavelmente boa”.

O presidente da Asfepam ainda não prevê se o órgão terá maior ou menor atenção do próximo governo. “Ainda não conversamos com ninguém (do futuro governo). Não sabemos quem será o secretário do Meio-Ambiente, quem presidirá a fundação”, explica. Roberto Claro cobra rapidez na escolha do presidente da entidade. O anseio se deve a uma preocupação muito grande com o quadro funcional.

Roberto conta que a governadora Yeda Crusius aprovou uma lei (PL 356) que deu um provento à aposentadoria nas instituições ligadas ao governo que, como a Fepam, funcionam com direito privado. Nestas instituições, a aposentadoria é feita pelo INSS e é considerada desvantajosa para os servidores. Com o provento, a perspectiva é de que vários funcionários que protelavam sua aposentadoria resolvam se aposentar. “O provento foi bom, mas acredito que 140 (de um total de 250) funcionários devam se aposentar nos próximos dois, três anos”, projeta Claro. O presidente da Asfepam explica ainda que a perda será dos profissionais mais experientes. “Quem vai sair são os pioneiros, aqueles que trabalham aqui desde que a instituição foi criada, na década de 1980”.

Por isso, os servidores da Asfepam querem conversar o mais rápido com as autoridades que irão compor área do Meio Ambiente no governo Tarso. Roberto Claro afirma que os servidores querem alertar para a necessidade de concursos públicos e que também querem ajudar na concepção destes concursos, para que as vagas sejam preenchidas por pessoas com experiência.

O deputado Elvino Bohn Gass mostra que, ao menos um conflito deve se reduzir durante o governo Tarso. A pressão por liberação de licenças. “A Fepam tem de trabalhar as liberações produtivas com respeito ambiental. O atual governo esteve mais preocupado em liberar áreas sem o devido zoneamento”. Bohn Gass sugere também que o órgão precisa ampliar as parcerias com prefeituras para a fiscalização ambiental.

Convicção de mudança para melhor

“Nossa expectativa é das melhores possíveis com o governo Tarso. Mais do que expectativa, temos convicção de que vai ser dada maior atenção à Emater”, diz Gervásio Paulus, presidente da Asae-RS (Associação dos Servidores da Ascar/Emater). Para Gervásio, Tarso Genro “deixou muito claro a prioridade e a importância da agricultura familiar”. Ele destaca ter ouvido do governador eleito que as duas maiores demandas regionais eram ligações asfálticas e a reestruturação da Emater. “Essa declaração nos informa de que haverá uma política de promoção do desenvolvimento rural”, acredita.

Se Gervásio Paulus comemora a sinalização de uma reestruturação da Emater é por que a empresa ligada à assistência a pequenos agricultores não vive seus melhores dias. “A Emater sofreu um processo de apequenamento nos últimos quatro anos. Houve uma redução brutal no repasse de recursos. Em 2007 tivemos 400 colegas demitidos”, conta.

Gervásio afirma também que houve uma perda de “democracia interna”. Ele conta que foi retirado dos funcionários o direito de enviar lista tríplice para que o governo escolhesse o diretor técnico da entidade. Além disso, ele conta que houve uma redução do processo democrático junto aos agricultores. “Não houve mais diagnóstico conjunto com os agricultores”, afirma.

“Tivemos menos recursos, menos trabalhadores e menos democracia”, lamenta Gervásio Paulus. “A expectativa é de que haja um revigoramento da Emater”, conclui. Bohn Gass corrobora com Paulus: “Vamos propiciar mais créditos do sistema financeiro e recursos orçamentários para a agricultura familiar”. Para isso o parlamentar aponta a importância do Banrisul. “Os números que o banco apresentar é de desenvolvimento para o estado”, afirma.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ministro do governo Lula e senador do PT tem sigilos violados de dentro governo do PSDB


O atual candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (ex-ministro da justiça do Brasil) e o senador Paulo Paim (PT-RS) tiveram seus sigilos violados.

Na televisão não aparece NADA. Só aparece a filha do "você sabe com quem está falando?"

Os sigilos do ministro da justiça são quebrados (na época Tarso Genro era ministro).

Os sigilos de um senador da república são quebrados.

Sabe porquem?

"O sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, que estava lotado no gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB) até a semana passada, foi preso na manhã de hoje em Porto Alegre após uma investigação do Ministério Público Estadual (MPE).

Ou seja, membro do gabinete da governadora do PSDB (uma das principais peças da campanha do José Serra) VIOLOU sigilos de um ministro e de um senador do PT e a notícia é praticamente escondida?

As informações foram para as mãos de quem?

Foram para as mãos da governadora Yeda Crusius?

Foram para as mãos do candidato José Serra?

Quem foi que recebeu estas informações?

Usaram estas informações para o que?

Tudo deve ser investigado. Muito bem investigado.

Pense bem: a Globo e o resto da imprensa conservadora praticamente esconde a quebra de sigilo ocorrida por pessoa de dentro do governo gaucho. E faz este estardalhaço com a filha do Serra.

Porque esta diferença?

Quebrar o sigilo de um ministro e de um senador é MUITO MAIS GRAVE.

A não ser eles considerem que alguns são cidadãos de primeira classe e outros são cidadãos de terceira classe. E que quebrar sigilo de cidadãos de terceira classe não tem problema.

Leia também aqui:
http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/09/03/sargento-que-extorquia-contraventores-fazia-dossies-contra-politicos.jhtm

PS: parabéns ao senador Paulo Paim e o ex-ministro Tarso Genro pela conduta equilibrada que estão tendo neste momento.

Do Blog do Chicão

sábado, 28 de agosto de 2010

Crack Nunca Mais, pela reabilitação do RS



Por Katarina Peixoto


Programas de reabilitação de drogados costumam prescrever a aceitação de que o mundo é maior que a dependência do drogadito. Ou, em outras palavras, que o drogadito não é maior do que o mundo. Versões mais grosseiras dessas tentativas de desintoxicação costumam meter deus no meio dessa superação. Fato é que desintoxicar exige humildade. E uma consciência da própria finitude, quer dizer, um compromisso inadiável com a própria carne, com as próprias dores e possibilidades. Desintoxicar, por isso, exige um compromisso com a verdade. Não há espaço para mentira e suas variantes do auto-engano no caminho de luta contra a dependência.

Por isso falar em desintoxicação do Rio Grande do Sul faz sentido, e não exatamente como metáfora.

Um Estado que padeceu com a experiência Yeda Crusius não precisa de metáfora, mas de realidade e, portanto, de um compromisso inadiável com a verdade. A viagem tem sempre vida curta e a chapação, ao longo do tempo, mata. De 2003 para cá, quando a direita gaúcha rearticulou seu projeto de poder no estado do Rio Grande do Sul, a situação do Estado, perante si mesmo e perante o país realmente merece uma campanha como “Crack, nunca mais”. Não é sem propósito que o esteio propagandístico da chapação lança essa campanha. E, mais uma vez, não há metáfora, aqui.

A decadência econômica vem caminhando de mãos dadas com a degeneração política. Se esse vínculo é necessário ou não, pouco importa. Fato é que constatar sua existência no RS dos dias que correm é dizer a verdade. O lero-lero delirante do Déficit Zero é propagandeado a despeito do declínio nos índices de qualidade de ensino, de saúde, dos serviços públicos e nos grandes esquemas de saque do erário já combalido. Saques, por sua vez, investigados e denunciados antes pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. A chapação e a dependência não deram lugar à oposição. Mas esta, como um fígado, seguiu se regenerando.

Seria simplesmente ridículo ver Yeda Crusius na televisão, com aquela sua peculiar mirada ao infinito, não fosse desagradável. É constrangedor e triste ver no que as drogas podem transformar uma pessoa. E a mentira das sanhas ideológicas não apenas alienam politicamente, como demenciam. Tem algo demente, ali, naquele queixo acrítico, naquele déficit zero que outro dia até a representante não escolhida pelo voto do sofrido Ministério Público Estadual repete. Diabos, o que pode querer dizer déficit zero no MP estadual???

Para criticar o Olívio Dutra, diziam que nas Assembléias do OP se discutia até a compra de carteiras para escolas. Para criticar, diga-se. Porque o que fizeram com este homem é inominável. Agora, não podem mais fazê-lo. Não falam mais sozinhos, não intoxicam plenamente, não asseguram a terra das palavras delirantes nas mentes incautas. E o Rio Grande do Sul fica mais saudável.

Posso discordar de que tudo seja discutido numa assembléia de OP. Mas frente ao crime o que está em jogo não é a concórdia ou a discórdia; é a justiça, a lei. Ambas, em tempo, vêm sendo destroçadas neste estado. Desmantelaram a legislação ambiental, esquartejaram a legislação dos incentives fiscais e, com isso, a mínima decência tributária (o Fundopem do governo Rigotto tornaria Britto um republicano), desinvestiram deliberada e sistematicamente na saúde, recusaram e se abstiveram do recebimento e do empenho de verbas federais destinadas a políticas públicas para jovens, crianças, mulheres, mulheres negras, comunidades indígenas, catadores de papel, usuários do SUS.

Esse acúmulo de perdas só reforçou a dependência da máquina propagandística, o estuário de verbas estaduais para seguir tentando perpetuar o vício. Como se sabe, o vício tem muitos aspectos: culpa-se o outro, projeta-se a própria miséria e se denega qualquer responsabilidade. Assim se pode ver motoristas de táxi, lobotizados via rádio o dia inteiro, bradarem contra a Dilma porque os azuiszinhos não fiscalizam as pessoas que estacionam nas ruas. Crack,nunca mais.

E por falar nisso, o senador Simon está calado. O paladino da imparcialidade ativa que embruteceu, empobreceu e corrompeu o Estado em níveis nunca dantes vividos. Seu candidato, até que se prove o contrário, é um senhor tão obscuro como descompromissado, cujo discurso vazio só é superado pela ausência de vitalidade.

Quem quer manter essa carcaça em que o RS se tornou? Como um resto de gente, com dentes empodrecidos, ira contra o mundo, sobretudo incompreensível; quem caminha pelas ruas e vê as hordas de jovens chapados sabe do que se trata a imparcialidade ativa do déficit zero. Sabe o que desinvestimento, abstenção e recusa de assistência geram. Ainda virá à tona o quanto foi devolvido à união pelos governos (sic) da imparcialidade ativa e do déficit zero, em recursos sem empenho, destinados a políticas públicas no âmbito da assistência social, médica, à criança e ao adolescente, à juventude. Crack, nunca mais.

Reabilitação é um processo doloroso, mas diariamente fortalecido. Toda desintoxicação exige mais do fígado do que os porres de palavras cruzadas e falsas polêmicas. Mas funciona, constitui, faz sentido. É um caminho incerto, com recaídas, ou sem. Mas aponta para a agregação, a consciência do mundo e a independência moral. Sem chapação, sem mentira, sem saque do erário e sobretudo sem o delírio destruidor de futuro, de responsabilidade e de saúde.

O que será do RS reabilitado não se sabe, visto que a destruição não foi pouca nem irrelevante. Mas cessar a dependência, hoje, é vencer o vício, ganhar da mentira, recusar o auto-engano mistificador e empenhar-se com o futuro. Crack, nunca mais.



Texto surrupiado do RS Urgente

Ilustração Sátiro-Hupper

sábado, 7 de agosto de 2010

RS Urgente: Tarso segue na frente. Dilma ultrapassa Serra no RS

Pesquisa Ibope/RBS feita entre os dias 3 e 5 de agosto, e divulgada na tarde deste sábado (7), restrita ao Rio Grande do Sul, apontou como um de seus principais resultados a ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre José Serra naquele que era considerado um dos redutos intocáveis da candidatura tucana. Os números do Ibope são os seguintes (a pesquisa anterior foi realizada em julho)

Dilma (PT): 42% (na pesquisa anterior tinha 37%)
Serra (PSDB): 40% (tinha 46%)
Marina (PV): 5%

Em todas as pesquisas anteriores ela aparecia atrás de Serra, e o Sul vinha sendo considerado como uma espécie de última trincheira tucana.

Governador:
Tarso Genro (PT): 37% (39% na anterior)
José Fogaça (PMDB): 31% (29% na anterior)
Yeda Crusius (PSDB): 11% (15% na anterior)
Pedro Ruas (PSol): 1%
Carlos Scheneider (PMN): 1%

Rejeição dos candidatos:

Yeda (PSDB): 41%
Tarso (PT): 10%
Fogaça (PMDB): 5%

Os índices de Tarso e Fogaça variaram dentro da margem de erro da pesquisa Ibope (3%). Já a queda de Yeda, de 4 pontos, ultrapassou essa margem. Segundo o Ibope,Tarso Genro tem seu melhor desempenho na faixa de 30 a 39 anos — com 42%, contra 29% do peemedebista e 10% de Yeda. Por gênero, Fogaça consegue o melhor resultado entre os homens, com 34% contra 37% do petista. Entre as mulheres, Tarso é o preferido por 38% do eleitorado, enquanto Fogaça tem 28% das intenções de voto.

Do RS Urgente

sábado, 15 de maio de 2010

Mais um Recorde para o Governo Yeda: RS é Último Colocado em Investimentos em Saúde

O estado do RS é pródigo em recordes negativos. Tudo por conta do "comemorado" Déficit Zero que Yeda implantou no RS e Serra quer levar para todo o Brasil. Se Serra conseguir seu intento, ficaremos atrás até do Haiti. A notícia é do Terra:

Ministério: 13 Estados investem menos que o mínimo em saúde

Balanço feito pelo Ministério da Saúde acerca dos investimentos estaduais no setor aponta que 13 Estados aplicaram em 2008 valores mais baixos que os determinados pela Constituição. Juntos, os governos deixaram de aplicar R$ 3,1 bilhões em hospitais, remédios, exames, cirurgias e equipamentos médicos. A Constituição obriga os Estados a investirem no mínimo 12% de sua arrecadação própria em ações de saúde pública. Os governos estaduais negam irregularidades. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo o ministério, o Rio Grande do Sul foi o Estado que ficou mais longe da meta (aplicou 4,37% de sua arrecadação na saúde). Completam a lista Minas Gerais, Piauí, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Maranhão, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso e Goiás. Em comparação, o Estado que mais investiu em saúde em 2008, Amazonas, aplicou 21,39% de sua arrecadação. Apesar do desrespeito à lei, os governadores não são punidos porque se valem da falta de regulamentação da emenda constitucional 29, que desde o ano 2000 determina os 12% para a saúde.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ladrões de telhas

Por Adão Paiani:

Aos poucos os Capitães-do-Mato de Yeda Rorato Crusius vão recebendo a merecida recompensa pelos serviços prestados à cleptocracia e sua mentora maior. Soube agora que Coronel Joel Prates Pedroso, que chefiava a Defesa Civil e foi Chefe da Casa Militar, será indiciado por improbidade administrativa e por crime militar.

Pra quem já se esqueceu, o mastim de Yeda é apontado como responsável pelo desvio de 5,5 mil telhas recebidas por doação do Governo Federal pela Defesa Civil e destinadas aos atingidos pelos temporais no Estado, mas que foram parar em madeireiras da Grande Porto Alegre, onde eram revendidas a R$ 16 a unidade. O recurso oriundo da negociação imagina-se onde foi parar. Outras 2,4 mil telhas foram doadas a quartéis da BM, ao invés de beneficiarem pessoas atingidas pelos vendavais.

Prates deixou o cargo na Defesa Civil e a Chefia da Casa Militar e foi para a reserva assim que o escândalo veio a público. Posteriormente, como é comum de acontecer nesse governo, o caso foi rapidamente abafado pela mídia amiga. Junto com ele, também responderá o Capitão Eduardo Estevam. Os dois foram estrategicamente afastados do entorno da Chefe da Camarilha para evitar maiores constrangimentos.

Eu, particularmente, guardo muitas recordações do Cel. Prates.

Quando de minha a saída do governo, partiu dele a iniciativa de realizar uma devassa na minha vida, pra ver se encontrava algo que pudesse desabonar minha conduta. Por conta disso, naqueles dias, amigos e familiares meus (alguns deles dentro da própria Brigada Militar) foram procurados e intimidados a dar informações a meu respeito. Por sorte minha, na época, eu recentemente havia trocado de endereço, e somente pessoas muito próximas sabiam como me localizar.

Minha mãe, com mais de 80 anos, e com a saúde fragilizada, foi procurada em casa por quatro homens que depois vim saber eram da PM2 e utilizavam uma viatura discreta. Sofreu ameaças para dar o meu endereço. Apesar da intimidação, ela não cedeu, e eles foram embora prometendo voltar e dizendo que “me encontrariam mais cedo ou mais tarde e aí seria pior”. Tão valentes frente a uma mulher idosa e frágil, que eu até agora continuo à espera deles. O mentor da operação: Joel Prates Pedroso, chacal da Governadora e figura reconhecidamente atuante no PSDB do RS.

Depois que assumiu a Casa Militar, Prates buscou de todas as formas sufocar a Ouvidoria, negando veículos para deslocamento de servidores em serviço e criando todo o tipo de dificuldades para que tivéssemos acesso aos recursos que legalmente deveriam nos ser fornecidos pelo Gabinete da Governadora. A partir daí, somente conseguimos continuar o trabalho graças a recursos que nos eram alcançados pela boa vontade do Governo Federal, em especial pela Ouvidoria Agrária Nacional, órgão do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Nada como um dia depois do outro. Lembrando o nosso poeta maior, “todos estes que estão aí, atravancando o meu caminho, eles passarão, eu passarinho”.

Eles vão passar, todos eles, deixando o rastro da vergonha, pra que a gente nunca mais esqueça.


Via RS Urgente

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Estado do RS está cada vez melhor…no outdoor



Por Luis Henrique Silveira (*)


Talvez você já tenha visto os outdoors da campanha publicitária do Governo do Estado espalhados por toda a Porto Alegre (possivelmente, também há outdoors no interior).

Uma campanha de esclarecimento, de conscientização e de utilidade pública, como toda campanha oficial deve ser.

Uma campanha publicitária digna de ser citada em algum congresso como um “case”, principalmente se percebermos que a segurança pública no Estado está 151% melhor.

O assassinato do Secretário de Saúde de Porto Alegre, o tiroteio em plena Redenção e as manchetes dos jornais deste final de semana são apenas uma exceção à regra. Fatos isolados que destoam da realidade captada pelas pesquisas de opinião.

Fora a Segurança, a Saúde está 106% melhor; a dengue é só um detalhe.

A educação faltou bem pouquinho para ficar 100%. Que maravilha.

E viajar pelas estradas do interior do Estado, então, é uma beleza na percepção dos pesquisados.

(*) Jornalista

FONTE:http://rsurgente.opsblog.org/2010/03/01/o-estado-do-rs-esta-cada-vez-melhorno-outdoor/

Ilustração: Sátiro

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

FASE, pré-sal do governo Yeda?

A expressão circula pelos corredores da Assembléia Legislativa desde o ano passado: o pré-sal do governo Yeda Crusius (PSDB) seria o projeto de “reestruturação” da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase). A “reestruturação” se resumiria, na verdade, a transferir a sede da Fase, localizada na avenida Padre Cacique, para unidades descentralizadas espalhadas pelo Estado. O projeto é coordenado pelo secretário da Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüler (foto), e conta com a “simpatia” do setor imobiliário, interessado em uma área extremamente valorizada. A RBS é outra entidade que mal disfarça seu entusiasmo pela idéia. Nesta terça-feira, Tulio Milman diz no Informe Especial, do jornal ZH, que se trata de “um dos mais ambiciosos projetos do governo gaúcho”. “Uma área nobre da capital ganharia novo destino”, escreve.

O destino de um grande projeto imobiliário, quem sabe? Um pré-sal imobiliário em uma área nobre de Porto Alegre…???

Uma audiência pública foi realizada na manhã desta terça, no auditório da OAB, para discutir o assunto. O Semapi, sindicato ao qual pertencem os trabalhadores da Fase, questiona o projeto de lei 388, que autoriza o governo do Estado a trocar o terreno da Fase por nove unidades de atendimento, ainda sem local ou projeto técnico conhecido. A área está estimada em R$ 160 milhões e o custo das nove unidades previsto em R$ 70 milhões. O governo estadual não informa quem seriam os interessados nesta área nobre de Porto Alegre.


Do RS Urgente

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mais um "Golpe de Mestre" que deixou em xeque nossa (des)governadora



A nossa mídia guasca adora bajular o poder. Isto é claro por causa das polpudas verbas publicitárias que recebem.
Em Agosto de 2009 o Estado do RS resolveu "se fazer de leitão pra mamar deitado" e entregou as rodovias federais pedagiadas ao Governo Federal. Bastou este lance de pura demagogia e incoerência política (afinal foi um aliado de Yeda, Antônio Britto, quem assumiu as rodovias federais em conluio com seu aliado FHC e quem entregou as rodovias, inclusive as federais, para a fúria arrecadatória das concessionárias de pedágio) para que a "mídia amiga" cantasse em coro a versão de que teria sido um "Golpe de Mestre" de Yeda.
No mês seguinte (setembro) o govero Lula através do Ministério dos Transportes afirmou que não assumiriam as rodovias. Desde lá a questão vinha se arrastando sem uma solução.
Pois bem, agora decisão do Tribunal de Contas manda o Piratini fiscalizar as rodovias pedagiadas que pretendia devolver ao governo federal.
O tão propalado "Golpe de Mestre" se transformou em um xeque-mate que levou Yeda.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As mágicas do “revolucionário” déficit zero: como governar sem governar

Em dezembro, já havia ocorrido a licitação para a aquisição, pela Secretaria de Obras do Estado, das 213 retroescavadeiras. Os recursos já estavam disponíveis, mas a Secretaria da Fazenda resolveu adiar para 2010 o empenho para que os recursos federais ajudassem no equilíbrio das contas orçamentárias do Estado. Mais um exemplo que mostra o significado do “revolucionário” déficit zero. Basta o governante abdicar de governar, cortar serviços públicos, suspender repasses de recursos, anunciar obras com recursos federais como se fossem suas realizações e contar com jornalistas amigos na imprensa, que se encarreguem de tornar tudo isso um método revolucionário e corajoso de gestão.


Do RS Urgente

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O 2010 de Yeda Crusius

Recomendo a leitura da coluna abaixo publicada em Carta Capital. Diz muito sobre o "jeito gaúcho de ser" e como isto nos tem sido prejudicial ultimamente:


Por Paulo Cezar da Rosa

A governadora Yeda Crusius está iniciando 2010 abandonada por quase todos que a elegeram no Rio Grande do Sul. Tendo iniciado 2009 sob intensos ataques da oposição, em meados do segundo semestre Yeda tentou um projeto de recuperação política e de imagem, anunciando inclusive a disposição de disputar a reeleição. Para atingir esta meta, além de um conjunto de iniciativas políticas, como a consolidação de um acordo com o PP gaúcho, o PSDB contratou uma empresa de marketing, especializada em gestão de crises, para intervir no Estado. Entre os desafios que tinha, Yeda precisava recompor sua imagem, vinculada às ideias de conflito e incompetência política, sufocar as CPIs que buscavam reverberar as denúncias de corrupção em seu governo - algo que hoje alguns estimam em mais de 500 milhões de reais - e retomar a noção de estar realizando uma gestão bem sucedida através da apresentação de iniciativas e obras.

A operação de salvamento de Yeda Crusius foi atingiu sua meta apenas na anulação dos efeitos eleitorais superficiais da CPI da Corrupção. E isso somente porque a CPI atuou sobre um terreno já conhecido e consolidado na opinião dos gaúchos. Ao não ter nenhuma novidade importante para apresentar, a CPI pôde ser anulada pela maioria governista na Assembleia sem nenhum constrangimento. Na verdade, a reação de Yeda Crusius sobre o tema da corrupção foi tardia e, também por isso, ineficiente.

Mal de imagem

No que diz respeito a sua imagem e ao conceito de seu governo, Yeda inicia o ano derrotada. A pesquisa Datafolha de 22 de dezembro colocou seu governo com avaliação mais baixa que a do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). A governadora ficou em décimo lugar, com nota 3,9 e 50% na soma dos conceitos ruim e péssimo. A pesquisa, ao mesmo tempo, indicava um empate, com 30% cada um, entre o ministro Tarso Genro e o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, para sucedê-la em 2010. Em termos de intenção de votos, pela primeira vez Yeda aparece em quarto lugar, com 5%, atrás de Beto Albuquerque, do PSB, com 7%.

As avaliações para Yeda ter índices tão negativos vão desde uma suposta maior exigência ética dos gaúchos em relação aos seus governantes, diante da média brasileira, até a existência de um "espírito de grenal" na cultura política gaúcha, que impediria a viabilização de qualquer projeto.

A verdade, no caso, não parece residir nisto. Assim como uma pesquisa anterior, do Instituto Methodus, a pesquisa Datafolha não teve seus patrocinadores divulgados. Tanto Fogaça, quanto Tarso, trataram de tomar distância e minimizar seus efeitos. Como o grupo Folha vem tendo uma orientação pró-Serra, o mais provável é que a pesquisa seja uma nova sinalização no sentido da governadora abandonar os sonhos de reeleição, para não prejudicar o candidato tucano. Com Yeda candidata, seria muito difícil para Serra buscar o apoio entre as forças que estão em torno ao prefeito de Porto Alegre, principalmente no primeiro turno.

Mal de governo

Yeda, contudo, não inicia o ano apenas com um déficit de imagem. Inicia com um brutal problema político. No final de 2009, seu governo teve de recuar de dois projetos decisivos para sua gestão. Ao ver que não teria maioria para aprovar as reformas da Segurança e do Magistério, o governo do Estado retirou os projetos de votação. Com isso, ninguém mais acredita na possibilidade de Yeda obter liberação da segunda parcela de um empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial. E sem esse dinheiro, o governo Yeda acabou.

Na prática, ainda que Yeda possua uma base disposta a defendê-la das acusações de corrupção na Assembleia (sendo que muitos parlamentares estariam atuando em causa própria), a governadora não tem uma maioria para apoiá-la em seus projetos. Com isso, o governo não cumpriu quase nenhuma das condições exigidas pelo Banco Mundial para liberar a segunda parte do empréstimo. E não deverá ser em 2010, um ano eleitoral, que Yeda Crusius vai impor sacrifícios aos gaúchos. Entre os itens previstos, estão a mudança nas carreiras e na previdência dos servidores (com a instituição de um gestor único da previdência, que deveria ser o IPE, para todos os poderes).

Incapaz de viabilizar suas ideias, Yeda inicia o ano sob o signo das piores práticas de governo que o Brasil já teve: Quebra dos contratos e financiamentos internacionais, e populismo irresponsável. Para resolver o problema de caixa, Yeda anunciou que vai usar 70% do fundo previdenciário de R$ 1 bilhão para obras nas estradas. Esse fundo, criado com a venda de ações do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, foi dito intocável quando da criação. Com o desbloqueio do dinheiro, a governadora pode ter resolvido seu problema imediato de recursos para alguns investimentos, mas este é um atalho que só vai aumentar os problemas do Estado.

O abandono em anúncio institucional

No dia 26 de dezembro, um anúncio institucional de página inteira, sob o título "O mundo está descobrindo o Brasil que você está ajudando a construir." apareceu no jornal Zero Hora. O texto do anúncio é o seguinte: "O mundo inteiro está descobrindo um país capaz de sediar uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, que conseguiu sair da crise mundial muito antes que os outros, e que logo vai estar entre as cinco maiores economias do planeta. Esse Brasil, que é feito por você e que o mundo está descobrindo agora, é o mesmo Brasil em que a gente sempre acreditou. Em 2010, descubra algo novo em você também."

Se você estiver pensando que este anúncio foi assinado pelo governo federal ou pelo PT gaúcho, lamento informar que você está enganado. De início, eu mesmo não acreditei. Até a primeira quinzena de dezembro, Zero Hora densenvolvia uma linha de combate virulento e muitas vezes rebaixado ao presidente Lula. Mas este anúncio foi assinado pelo Grupo RBS, dono do jornal Zero Hora, e não parece ser um ação publicitária de oportunidade. Aliás, ações institucionais como essa são raras no grupo e sempre sinalizam orientações de fundo.

O surpreendente na propaganda talvez não seja o seu conteúdo explícito, mas sua leitura implícita. Com o anúncio, a RBS, ao que tudo indica, está dando um adeus definitivo a Yeda Crusius. Depois de passar anos combatendo o governo Lula e tentando viabilizar o ajuste neoliberal da governadora, o grupo RBS pode estar vergando-se diante da realidade do sucesso do governo Lula e do fracasso de Yeda Crusius. Mais que isso, pode estar até inflexionando no sentido de apoiar a continuidade do governo federal, com a candidatura de Dilma Rousseff.

De fato, o anúncio do dia 26 foi confirmado por editorial no dia 27 e já havia sido precedido de uma guinada surpreendente no dia 22. Depois de passar semanas atacando Lula, Zero Hora colocou uma foto muito boa da ministra na capa sob a chamada "O novo visual da ministra candidata" e deu-lhe um tratamento positivo. A alteração de linha guarda relação com a leitura das próprias pesquisas. O governo Lula tem um dos seus piores desempenhos no Rio Grande do Sul, mas os índices de aprovação que obtêm na região metropolitana de Porto Alegre e no interior do Estado estão muito próximos da média nacional. O problema do governo Lula está na capital, que puxa para baixo seus índices.

A aprovação média de Lula no RS é de 58%, e em Porto Alegre é de apenas 45%. O pior lugar do mundo para Lula é Porto Alegre. Contribuem para esse conceito "crítico" eleitores de todos os campos políticos e ideológicos da capital gaúcha. Em Porto Alegre, esquerda, direita e centro se distanciam do governo federal em favor de suas próprias ideias, mas não conseguem viabilizá-las sequer no contexto municipal. O Estado hoje tem uma economia débil e um governo estadual desastroso, mas a principal debilidade econômica do Rio Grande do Sul (e ideológica) está em sua capital, cuja receita e capacidade de investimentos são declinantes há muitos anos. Num quadro de dificuldades, a tendência da sua ampla classe média, grande parte constituída de funcionários públicos de vários níveis, professores municipais, estaduais e federais, burocratas de alta estirpe, é operar de modo conservador, à direita, ao centro e à esquerda. Hoje, o Rio Grande do Sul é um Estado que perdeu a onda de crescimento do Brasil, e o carro chefe do trem descarrilhado é Porto Alegre.

Olhando 2010

Se, de fato, o grupo RBS aderir à tese da continuidade, isso não significa que os problemas do governo Lula tenham acabado no Rio Grande do Sul. Aliás, é possível até que eles verdadeiramente tenham início, dependendo de como isto venha a se processar. Uma das hipóteses recorrentes no Estado é que o grupo RBS faz tempo deixou de dar as cartas. Por estar perdendo audiência e leitores, e principalmente prestígio, dia a dia (tal como o PIG nacional), suas ações não estariam guiadas por uma estratégia ou convicção, mas pelo desespero da falta de recursos para dar conta dos compromissos no final de cada mês. Ao ver o caixa do Estado falido, o grupo RBS estaria se voltando rapidamente para o caixa federal.

Pode ser. E pode ser também que o Rio Grande do Sul não tenha grande importância no contexto nacional nos dias de hoje. Porto Alegre, menos ainda. Mas o governo Lula deveria se preocupar muito mais com o que está acontecendo por aqui. Porto Alegre tem tudo para ser o calcanhar de Aquiles dos sonhos de continuidade do governo federal. Yeda é um desastre estadual e Dilma Rousseff é um sucesso nacional. Mas se não tiver apoio em sua própria casa, como a mãe do PAC poderá pedir apoio na casa dos vizinhos?

Piblicado na Carta Capital

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Déficit de manutenção?

O fotógrafo Jefferson Bernardes, quem viu de perto o desastre na ponte da RSC-287, escreve:

É fundamental não perder a perspectiva. A grande história está aqui: na minha opinião não é necessariamente a tempestade, pois ela já aconteceu. A grande história é sobre como e quanto mais bem preparados somos como nação e como nosso governo está para lidar com as conseqüências desta calamidade
De acordo com o Daer, a última vistoria da ponte sobre o rio Jacuí ocorreu em 2007, mas os documentos que a detalham não foram encontrados. Segundo o jornal Correio do Povo, o qual consultou o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), Luiz Alcides Capoani, uma ponte como a que caiu precisa de manutenção mensal. Usuários da RSC-287 relatam que a estrada está em condições precárias em vários trechos, embora esteja boa perto do pedágio de R$ 6,00. (Não custa explicitar: estrada em más condições é indício de má conservação da estrutura rodoviária como um todo, incluindo pontes.)
Acima, grafite sobre o belo e informativo trabalho fotográfico de Jefferson Bernardes. Veja também os trabalhos de Sátiro Hupper e Kayser.

Do blog Animot