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sábado, 18 de setembro de 2010

Grande Mídia planeja a “Venezuelização” do Brasil



Por Vinicius Wu

“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“
Trecho do Editorial de “O Globo” de 1° de abril de 1964.

No sombrio despertar das ditaduras latino-americanas, ditadores jamais se apresentaram enquanto tal. Golpistas jamais aplicam “golpes”. Na pior das hipóteses adotam “medidas extremas” para salvaguardar a democracia, a liberdade e, em casos mais graves, o “sagrado” direito à propriedade. Esta foi uma das “inovações” mais bizarras das ditaduras que emergiram no contexto da guerra-fria. Não é por acaso que até hoje, nos círculos saudosistas do regime militar, o golpe que depôs o Presidente eleito João Goulart seja saudado como “Revolução Redentora”.

De acordo com esta narrativa, as prisões, as torturas, o silêncio imposto à livre manifestação do pensamento e a perseguição política não foram mais do que gestos em defesa da “liberdade”. Até aí nada de novo. Porém, deve causar inquietação entre as forças democráticas no Brasil de hoje o ressurgimento desta retórica com uma força perturbadora ao longo das ultimas semanas.

Alguns dos principais jornais do país estão, há algumas semanas, trabalhando diariamente para imputar ao Presidente Lula a pecha de “ditador” e qualificar a eventual vitoria de Dilma como uma ameaça à democracia.

Foi o próprio Serra quem retomou o termo “República Sindicalista”, em reunião com militares no Rio de Janeiro. Agora, o remake de uma antiga propaganda de um periódico de São Paulo insinua comparações entre Lula e Hitler (sic), numa ignóbil peça publicitária que insulta a inteligência dos brasileiros.

Justiça seja feita a um dos mais erráticos colunistas do jornal O Globo, que há alguns dias foi quem lançou a moda de comparar o presidente mais popular da história do país, eleito e reeleito pelo voto direto, ao líder nazista. O mesmo colunista andou reproduzindo um artigo denominado “A solução final” (sic), no qual era apresentada uma tosca análise de um recente pronunciamento do Presidente Lula.

É sim preocupante o movimento, pois, embora não tenha força social e condições políticas de se transformar em um novo golpe, contribui para a emergência de um clima de recrudescimento da luta política no país, que pode ter graves conseqüências para a democracia e um desfecho imprevisível nos próximos anos.

Na verdade, o que buscam é a “venezuelização” do país. Ou seja, trabalham abertamente para a criação de um ambiente político de instabilidade permanente, fragilização das instituições democráticas e deslegitimação do voto popular.

O que está em jogo é o cenário em que se dará a luta política no país no próximo período.

Diante do fato de que a eleição de Dilma parece ter-se tornado um acontecimento praticamente irreversível, a questão passa a ser a definição do cenário em que se dará a luta política ao longo de um eventual governo Dilma. Pretendem inaugurar um ambiente de “crise permanente”, de confronto político aberto entre posições irredutíveis.

A comparação com a Venezuela é inevitável. Afinal, muito se fala por aqui dos erros de Hugo Chávez (em grande medida reais). No entanto, pouco é dito a respeito do comportamento golpista, desrespeitoso e grotesco dos grandes conglomerados de comunicação venezuelanos, que frequentemente chamam o presidente do país de “macaquito”.

Em seu renitente cinismo, os grandes monopólios da comunicação brasileiros alertavam para o “risco” da importação do chavismo por Lula. Agora passam, de fato, a incentivar a “Venezuelização” do Brasil, importando um comportamento golpista e irresponsável, característico da grande mídia venezuelana.

Já que não conseguem derrotar Lula trabalham para criar um ambiente de enfraquecimento da autoridade e da legitimidade social e política daquela que deve ser a próxima presidente do país.

A vitória do amplo diálogo social inaugurado por Lula – um dos elementos chave do sucesso de seu governo – conta com a aversão de determinados setores da grande mídia, que perceberam a centralidade de combater o novo “pacto” social – inaugurado por Lula – em sua estratégia de derrotar o PT a qualquer custo.

À época de Goulart a deslegitimação da democracia fundava-se no argumento de que a fraqueza da democracia estava permitindo a “bolchevização” do país, através da supostas concessões que o governo Goulart fazia ao PCB.

Na época atual, os esforços em favor da mesma deslegitimação visam atingir diretamente a figura do Presidente, identificando-o com o autoritarismo, o paternalismo e o clientelismo. Um grau de irresponsabilidade só compreensível face à enormidade do preconceito que lhes move.

Uma imprensa capaz de comparar um presidente democrata e com enorme popularidade ao criador de uma das maiores tragédias do século XX só pode mesmo estar disposta a tudo para fazer prevalecer sua visão de “democracia”. Estejamos atentos.


Gravura Sátiro

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Exmº Sr. "comunista" Roberto Freire

Saudações.

Assisti várias vezes ao Programa Político do seu partido, o PPS, na televisão. Cada vez que assistia mais entusiasmado ficava pela clarividência demonstrada principalmente no que se refere às mudanças na Caderneta de Poupança que, segundo a propaganda, será “mexida como o foi no governo de Collor”. Pena o povo não assistir ao horário político, pois, se o fizesse, poderia salvar as suas economias com essa informação privilegiada. Minha avozinha, embora tenha assistido ao programa, não retirou seu dinheiro da poupança porque, segundo ela, “se um político diz uma coisa é porque vai acontecer exatamente o contrário”. Mas,como dizia, assisti tantas vezes quantas pude ao programa político do PPS porque me emociona muito ouvir um Partido dizer que é decente, embora não acredite que algum vá à televisão dizer que não o é.
Chamou-me a atenção, também, o fato de que “o candidato do Presidente está fazendo campanha enquanto o do PPS está governando...” É, propaganda eleitoral antecipada é muito feio...
Aquela do capitão do navio também foi muito boa. Quem lê a Veja, a Época, a IstoÉ e assiste à Rede Globo sabe que o Brasil está mergulhado na mais negra crise... (Não entendo por que os que assistem às outras redes de televisão e não lêem aquelas revistas sabem que a crise brasileira não é tão grande e acham que o governo está se saindo muito bem...).
Mas era quando aquela senhora dizia que “o PPS é um Partido decente” que eu percebia que ali estava a salvação do povo brasileiro!
Eu vivi um tempo em que trocar de Partido Político era coisa de sem-vergonha. Mas depois as coisas foram mudando e acabou no que aí está. Até mesmo o roubo de uma sigla política – para evitar a reorganização de um Partido -, feito por um dirigente no início da década de 90, já ocorreu... Então, não é sem motivo que, ao saber que o PPS é um Partido decente, fui conhecer a história desse Partido. Foi grande a minha surpresa ao saber que PPS é o codinome do Partido Comunista Brasileiro. Incrível! Os comunistas estão cada vez mais sabidos!
Imensa surpresa também tive ao saber que Nelson Proença, Berfran Rosado, Denise Frossard, Cezar Augusto Busatto, e até o ex-governador Antonio Britto são marxistas...
Ao ler os Estatutos do Partido, mais uma surpresa pois lá está, textualmente:
“ESTATUTO DO PARTIDO POPULAR SOCIALISTA
TÍTULO I
CAPÍTULO I
DO PARTIDO, SEUS PRINCÍPIOS E OBJETIVOS
Art. 1º - O Partido Popular Socialista – PPS, sucessor do Partido Comunista Brasileiro – PCB, fundado em 25 de março de 1922, é uma organização política, com personalidade jurídica de direito privado, com sede e foro em Brasília, Distrito Federal, com prazo indeterminado de duração, e registro definitivo deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 6 de março de 1990, recebendo o número 23 para todos os fins e efeitos eleitorais, se rege, nos termos do artigo 17 e seguintes da Constituição Federal, por este Estatuto e pelo seu Código de Ética e Disciplina.”.

Então, de fato, é um partido marxista e, por conseqüência, marxistas são seus membros.
Sendo o PPS “sucessor do Partido Comunista Brasileiro”, como se explica a existência de um Partido Comunista Brasileiro, também fundado em 25 de março de 1922 e que tem como secretário-geral Ivan Pinheiro e como símbolo a foice e o martelo – logomarca mundial dos Partidos Comunistas? Como se explica ser este “marxista-leninista” enquanto não há essa referência nos Estatutos do PPS?
A conclusão final a que se pode chegar, tendo como base os estatutos dos dois partidos – PPS e PCB – e pelo posicionamento frente ao governo do Presidente Lula, é que o PPS surgiu de uma maquinação pérfida executada por um grupelho que tentou de forma imoral destruir a história do Partido Comunista. Por isso, Sr. Roberto Freire, a “decência” proclamada não é, nem de longe, semelhante à minha decência.

Atenciosamente,
O Velho Comunista