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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

“É preciso respeitar a decisão do povo de cada país”

Entrevistei hoje à tarde, para a Carta Maior, o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil. Amorim estava na embaixada brasileira em Paris, rumo a Singapura onde fará algumas conferências a convite do governo local.

Na entrevista, Celso Amorim analisa os recentes acontecimentos no Oriente Médio e norte da África e suas possíveis repercussões. O ex-chanceler chama a atenção para o fato de que as revoltas populares ocorrem em países considerados “amigos do Ocidente” que não eram alvo de nenhum tipo de crítica ou sanção. “Há algumas lições a serem tiradas destes episódios. A primeira delas é que é preciso respeitar os movimentos internos e não querer impor mudanças a partir de fora”, diz Amorim, defendendo a postura adotada pela diplomacia brasileira nos últimos anos. Um pequeno resumo das declarações de Amorim:

“Há algumas semanas, se fosse realizada uma consulta entre especialistas em política internacional pedindo que apontassem dez países que poderiam viver proximamente uma situação de conflito político-social, duvido que algum deles apontasse a Tunísia”.

“O Egito e a Tunísia, cabe assinalar também, não estavam sob sanções por parte do Ocidente. Isso mostra que a posição daqueles que defendem sanções contra o Irã é equivocada. Sanções só reforçam internamente um regime. Uma das expectativas das sanções contra o Irã era atingir a Guarda Revolucionária. Na verdade, só atingem o povo. O Iraque foi submetido a sanções durante anos e Saddam só ficava mais forte. Não havia, repito, sanções contra a Tunísia e o Egito, países considerados amigos do Ocidente e aliados inclusive na guerra contra o terrorismo, implementada pelos Estados Unidos”.

“Há algumas lições a serem tiradas destes episódios. A primeira delas é que é preciso respeitar os movimentos internos e não querer impor mudanças a partir de fora. As revoltas que vemos agora (na Tunísia e no Egito) iniciaram dentro destes países contra governos pró-ocidentais e não nasceram com características antiocidentais ou anti-imperialistas”.

“O importante é saber respeitar a vontade e a decisão do povo de cada país. O Brasil tem essa capacidade reconhecida mundialmente. Várias vezes fomos requisitados para ajudar na interlocução entre países. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por exemplo, nos pediu para ajudar a retomar o diálogo com a Síria. O Brasil tem essa capacidade de diálogo que não demoniza o outro. Essa é a pior coisa que pode acontecer na relação entre os países: demonizar o outro. Não se pode, repito, ignorar a presença da Irmandade Islâmica ou do Hamas. Podemos não gostar destas organizações. Isso é outra coisa. Mas estamos que estar prontos para conversar”.

LEIA AQUI: A íntegra da entrevista

Do RS Urgente

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Berlusconi diz que Mubarak é um Homem Sábio

Berlusconi considera que Mubarak é "o homem mais sábio" do Oriente Médio


O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, acredita que a crise do Egito pode ser solucionada com uma transição "sem ruptura" com o atual presidente, Hosni Mubarak, que definiu como "o homem mais sábio" de todo Oriente Médio.

"Mubarak foi considerado pelos países de todo Ocidente, liderados pelos Estados Unidos, como o homem mais sábio e um ponto de referência em todo Oriente Médio", afirmou Berlusconi em declarações durante sua chegada à cúpula de chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE) em Bruxelas.

O italiano se mostrou convencido que "todos os ocidentais pensam o mesmo", e reiterou sua esperança que o Egito possa ver "uma transição democrática" sem a ruptura com Mubarak.

As palavras de Berlusconi foram as mais amistosas ao presidente egípcio entre os dirigentes comunitários que discutiram sobre a situação do Egito na cúpula.

O mais crítico foi o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que afirmou que os passos dados até agora pelo Governo do Cairo "não cumprem com as aspirações do povo egípcio".

A notícia é do Terra

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ditadura de Mubarak cai de Podre


Os egípcios saem mais uma vez às ruas para tirar do poder o grande capacho dos EUA. Como é bonito se observar a história acontecendo ao vivo. A notícia é do Sul 21:


Novamente, milhares de egípcios tomam as ruas do Cairo

Jorge Seadi

Convocados pela oposição, milhares de egípcios tomaram as ruas do Cairo pedindo a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981. A grande manifestação acontece na praça principal da capital do Egito, a Praça da Libertação e tanto a praça quanto as ruas próximas a este local estão tomadas pela população da cidade desde as primeiras horas desta manhã de 1º de fevereiro. Hoje, completa-se uma semana de protestos diários contra o presidente que está no poder há 30 anos.

O ambiente na cidade do Cairo é de um dia festivo. O povo ainda não tem certeza de quando começam os protestos, mas se ouve as pessoas gritando “abaixo Mubarak” e “queremos paz, liberdade e direitos humanos”. Um porta-voz do movimento Irmãos Muçulmanos disse a agência EFE que milhares de dirigentes do movimento em outras províncias do país estão chegando à capital para participarem da manifestação intitulada como “a marcha do milhão”. A organização está banida no Egito, mas poderá participar de um novo governo formado pela oposição, o que preocupa Israel.

Opositores dizem às agências de notícias que mais de 100 mil pessoas já estão nas ruas da cidade apesar do pedido da TV estatal para que o povo não participe das manifestações e, assim, evite possíveis confrontos com o Exército e com a Polícia. O Exército fechou as entradas da cidade do Cairo e de Alexandria nas primeiras horas desta terça-feira. Foram colocadas barricadas nas duas cidades para impedir a passagem de carros e pessoas. Os serviços de trem estão paralisados em todo o país, por determinação do governo. E, segundo informações da EFE, seguidores do presidente tentam organizar, ainda sem sucesso, manifestações a favor do presidente Mubarak.

Com informações do El Mundo.es