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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Arcebispo da Teologia da Libertação é promovido e se torna papável

arcebispo Gerhard Ludwig Müller
Müller é tão liberal como parte 
dos católicos gostaria que fosse
O arcebispo alemão Gerhard Ludwig Müller (foto), 64, é o novo titular da Congregação para a Doutrina da Fé, em substituição ao cardeal norte-americano William Joseph Levada, que pediu demissão. Trata-se de uma guinada na congregação que na Idade Média, com o nome de Santo Ofício, foi a responsável pela “administração” da Santa Inquisição.

Müller é considerado pela ala conservadora da Igreja inadequado para o cargo porque é francamente favorável à Teologia da Libertação, um movimento de sacerdotes e leigos que dá atenção preferencialmente aos pobres e que não tem a simpatia de Bento 16 — ao menos até agora.

Apesar disso, o papa gosta de Müller, que a partir de agora passa a figurar na lista dos fortes candidatos a ocupar o lugar de Ratzinger, que, aos 85 anos, tem demonstrado fragilidade de saúde. Ratzinger, quando foi escolhido para papa, comandava a Doutrina da Fé.

Em recente entrevista, Müller reafirmou a admiração que tem pelo seu amigo peruano Gustavo Gutiérrez, 83, um defensor da Teologia da Libertação que por alguns tempos esteve na mira da Doutrina da Fé.

Müller não vê nenhuma incompatibilidade entre a Igreja e Teologia da Libertação porque, citando são Tomás de Aquino, afirmou na entrevista que “Deus é o grande liberal” (Deus est maxime liberalis). Ele explicou que, no original, liberalis é sinônimo de generoso, para que não haja confusão como “liberalismo” ou “liberalidade”.

Ele disse também que a Teologia da Libertação não é “uma mistura solta do comunismo e da fé católica”, porque “a doutrina social da Igreja Católica tem se mostrado muito superior à análise marxista”.

Criticou a injustiça social, citando a América do Sul como exemplo de região onde ela se encontra instalada. “Diante da miséria e da indignidade que há em nosso redor e que são ignoradas por muitas pessoas, nós [Igreja] não podemos apenas levar piedosamente as sobrancelhas”, disse. “A fé e o fazer o bem caminham juntos.”

O arcebispo chamou alguns de seus adversários conservadores de “estúpidos”, mas ele não é tão liberal como uma parte dos católicos gostaria que fosse. Müller defende o celibato e a não comunhão aos divorciados, entre outros pontos da ortodoxia mantida por Bento 16.

Ainda assim Müller representa uma promessa de renovação da Igreja Católica, que está em crise e precisa mudar logo, para evitar o risco de se tornar nos próximos anos em mais uma seita.

Com informação do blog Catholic Church Conservation

Do blog do Paulo Lopes

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma fraude chamada Madre Tereza

Madre Teresa de Calcutá é considerada uma santa. Assim a opinião pública decidiu — e daí para a frente sua santidade não foi mais questionada, fizesse ela o que fizesse. Pelo contrário, suas ações passaram a ser julgadas com base em sua reputação e não o contrário. Até o Vaticano, que via suas esquisitices com reservas, devido a seu tradicionalismo e oposição às mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II, aceitou o “fato” e passou a capitalizar sobre sua imagem.
O papa João Paulo II abriu o processo de sua beatificação a partir de um “milagre” ocorrido na Índia pouco tempo após sua morte, sem esperar os 7 anos regulamentares. A mídia americana evita criticá-la, por medo de serem acusados de conspiração com os judeus.
Mas a verdade, que as pessoas preferem não saber, é que ela era uma fanática religiosa, de extrema direita, e o melhor que podemos supor a seu respeito é que ela acreditava no que fazia — mas também acreditava que os fins justificam os meios.
A imagem que ficou dela é muito positiva. Talvez inspire favoravelmente as pessoas. Talvez as leve a lutar para fazer deste mundo um lugar melhor, a ser como elas pensam que foi Madre Teresa. Mas a verdadeira Madre Teresa não foi necessariamente uma santa. Assim como grande parte dos santos da Igreja Católica, sua fama provelmente se baseia mais em mitos que em realidade.
Madre Teresa nasceu na Albânia e seu verdadeiro nome era Agnes Bojaxhiu. Sua organização, as Missionárias da Caridade, tem 4.000 freiras e 40.000 voluntários leigos. Sua fama começou com um filme sobre sua vida (e mais tarde um livro, “Something Beautiful for God”) feito pelo político inglês Malcolm Muggeridge em 1969. Malcolm era extremamente crédulo e se encantou com ela, a ponto de ver milagres ocorrendo durante as filmagens, como uma “aura” que apareceu no filme, na verdade o resultado do uso durante o dia de uma película mais apropriada para filmagens noturnas. Mas ele não quis saber de explicações técnicas…
O inglês Christopher Hitchens preparou um documentário sobre suas atividades, com farto material filmado, transmitido pela BBC, e publicou um livro em 1995, “The Missionary Position: Mother Teresa In Theory And Practice”, onde chega à conclusão de que ela apoiava os ricos e poderosos e tudo lhes perdoava, enquanto pregava obediência e resignação aos pobres. Seu trabalho provocou muitas reações de repúdio. Seus críticos citaram abundantemente os Evangelhos e o acusaram de crueldade com uma mulher idosa, santa e humilde — mas em nenhum momento contestaram os fatos apresentados.
O livro cita, por exemplo:
- Sua abjeta bajulação a todas as ditaduras sangrentas do mundo, principalmente as direitistas, como a de Franco, na Espanha, os Duvalier, no Haiti, Enver Hoxha, na Albânia e os esquadrões da morte na Nicarágua e Guatemala. Há registros em filme de suas visitas a esses países e do modo servil como posava ao lado de seus ditadores (ou levava flores para seus túmulos).
O modo como aceitava dinheiro e favores de ladrões e corruptos. Um dos casos mais famosos é o de Charles Keatings, do Lincoln Savings and Loan, da Califórnia. Charles era um católico fundamentalista. Foi condenado a 10 anos de prisão por roubar em torno de 252.000.000,00 dólares de 17.000 fundos de aposentadoria de gente humilde. Mas deu a ela mas de um milhão de dólares e lhe emprestava com frequência seu avião particular. Em troca, ele fazia uso de seu prestígio como “santa”.
- Quando a fraude — e os donativos — foram descobertos, ela enviou ao juiz (Lance Ito, o mesmo do caso O. J. Simpson) uma carta no estilo “freirinha ingênua”, bem diferente de seus outros escritos, em que pintava o acusado como um homem bom que sempre ajudara os pobres. Pedia ao juiz que olhasse no fundo de seu coração antes de emitir seu julgamento e se perguntasse o que Jesus faria naquele caso. O promotor, Paul W. Turley, respondeu-lhe explicando que o dinheiro que ela tinha recebido era produto de roubo e deveria ser devolvido, já que representava as economias de toda a vida de milhares de pessoas humildes. E perguntava a ela o que Jesus faria se recebesse um dinheiro como aquele. Não teve resposta.
- Quando a Irlanda organizou um referendo popular para decidir a continuidade ou não da proibição ao divórcio, Madre Teresa voou até lá e fez veementes discursos exortando o povo a votar a favor da proibição. Entretanto, quando sua amiga, a princesa Diana, se divorciou, ela declarou publicamente: “Foi melhor assim. Ela não era feliz nesse casamento”. Fica a dúvida se, neste caso, ela falou com o coração ou se, para os poderosos, tudo é permitido. Quando a fábrica da Union Carbide explodiu em Bhopal, matando milhares de pessoas, ela saiu pelo país dizendo: “Perdoem, perdoem, perdoem”. Tudo bem se perdoar a negligência de uma multinacional. Mas, aparentemente, não há perdão para uma pobre mãe que se divorcia do marido bêbado que a espanca e abusa dos filhos.
- Ela sempre foi radicalmente contra todo e qualquer controle da natalidade. Quando lhe perguntaram se não nasciam crianças demais na Índia, ela respondeu: “Não concordo. Deus sempre provê. Provê para flores e os pássaros, para tudo o que ele criou. E as criancinhas são sua vida. Nunca nascerá o bastante”. É de se perguntar qual a função das Missionárias da Caridade, neste caso.
- As pessoas enviavam a ela milhões e milhões de dólares em donativos para que ela construísse seus hospitais. Apenas numa conta nos EUA, havia mais de 50 milhões de dólares. O resto estava espalhado pelo mundo (menos na Índia, onde ela teria que prestar conta pelo que recebia). Entretanto, esse dinheiro era usado para construir novos conventos da ordem pelo mundo. Quando ela morreu, as irmãs já estavam instaladas em 150 países. Seus hospitais eram, na verdade, galpões rústicos e mal equipados onde as pessoas iam para morrer. Não havia médicos nem higiene e os “diagnósticos” eram feitos por leigos, como as irmãs e os voluntários. E não havia interesse em se encaminhar os doentes para hospitais de verdade. A idéia era a de que se deitassem nas macas ou no chão e sofressem até morrer. Em todos eles havia um quadro na parede que dizia: “Hoje eu vou para o Céu”. Faltava morfina, anestésicos e antibióticos. Apesar dos milhões nos bancos, que permitiriam a contrução de hospitais-modelo, a economia era a palavra de ordem. As injeções, quando havia o que injetar, eram feitas com agulhas lavadas na torneira e que eram usadas até ficarem rombudas e provocarem enorme sofrimento nos doentes. Penalizadas, as voluntárias pediam dinheiro para comprar agulhas novas mas as irmãs insistiam na virtude da pobreza. E quando uma irmã ficava doente? “Reze”, era a resposta.
Aliás, Madre Teresa dava grande importância ao sofrimento. Dizia que o sofrimento dos pobres purificava o mundo e que eles davam um belo exemplo (e, naturalmente, não fazia nada para reduzí-lo). Será que alguém perguntou a opinião dos pobres? Note-se, contudo, que quando ela própria ficava doente, corria a internar-se nos melhores e mais caros hospitais, jamais em suas “Casas de Moribundos”.
- Para sermos honestos, Madre Teresa nunca afirmou que seu objetivo era dar assistência médica. São as pessoas que se auto-iludem. Assim, elas têm a quem enviar seus donativos, sem perguntar o que é feito deles, e podem aliviar sua própria consciência e seu sentimento de culpa pela pobreza do Terceiro Mundo. É claro que Madre Teresa nunca fez nada para desmentir esta falsa impressão.
- Madre Teresa dizia que a AIDS era o castigo de Deus por um comportamento sexual inadequado (o que não explica por que esposas fiéis também pegam AIDS de seus maridos e crianças pegam de suas mães).
- Apesar de toda sua fortuna, Madre Teresa insistia em manter a imagem de uma ordem de irmãs pobres e mendicantes. Tudo tinha que ser mendigado a cada dia: comida, roupas, serviços. Se a coleta fosse pequena, comia-se menos. Em certa ocasião, as irmãs receberam um grande carregamento de tomates e, para que não se estragassem, fizeram extrato. Foram severamente repreendidas por Madre Teresa: “Quem guarda comida de um dia para o outro, está duvidando da Providência Divina”.
- Ela procurava manter uma imagem pública de pessoa humilde — mas não via nada de mais em aceitar as ofertas para viajar de primeira classe que as linhas aéreas lhe faziam. E foi assim que ela viajou a Roma para o seu primeiro encontro com o papa. Ao desembarcar, vestiu seu humilde sari e tomou um ônibus. É claro que, no dia seguinte, todos os jornais a retrataram como a freirinha humilde que andava de ônibus e se vestia pobremente, sem se perguntar como é que ela teria conseguido viajar até a Itália.
- Agora o Vaticano quer beatificá-la às pressas, sem esperar que se passem os 7 anos regulamentares de sua morte para iniciar o processo. E o milagre que foi aceito como evidência de sua santidade é, no mínimo, supeito: Monica Besra, 30 anos, analfabeta, da aldeia de Dangram, a noroeste de Calcutá, em 1998, um ano após a morte de Madre Teresa, se disse curada de um tumor no ovário após tocá-lo com uma medalha da “santa”.
- Os médicos do hospital Balurghat afirmam que a cura foi resultado do tratamento a que ela foi submetida e nem seu marido, Seiku Murmu, acredita nela. Em agosto de 2001 o “milagre” foi informado ao Vaticano e aceito duas semanas depois, tendo início o processo de beatificação. A irmã Betta, das Missionárias da Caridade, pediu para ver o prontuário da paciente, onde sonografias e relatórios mostravam a evolução do tratamento, e agora se recusa a devolvê-lo ou a fazer comentários.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bispo da Igreja Católica culpabiliza mulheres estupradas


 "Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima... É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil", bispo dom Luiz Gonzaga Bergonzini.
Esta mesma igreja que acoberta padres pedófilos em nome da preservação da imagem imaculada da "santa" madre igreja, ataca o kit anti-homofobia como sendo uma arma para "aliciamento e molestamento sexual", associando a orientação sexual dos homossexuais com pedofilia. Se a PL122 já tivesse sido aprovada, esse bispo poderia ser acusado de homofobia.
Mas como se não bastasse sua pregação homofóbica, esse representante da igreja, é capaz de sandices como afirmar que as mulheres estupradas são culpadas pelo estupro que sofrem, ou melhor dizendo, afirma que são cúmplices. Esse tipo de afirmação leviana, vindo de uma autoridade eclesial tem que ser repudiado, pois faz apologia ao estupro tanto quanto a piada sem graça e tosca do humorista Rafael Bastos.
No Brasil, a cada 12 segundos, uma mulher é estuprada e menos de 10% dos casos julgados de estupro levam à condenação justamente porque a palavra da vítima é desqualificada. Embora o bispo minimize a violencia sexual de que são vítimas as mulheres, basta ler esse estudo para que se tenha uma noçao do quanto pode ser traumático o estupro. Mais uma vez, a piedosa igreja, demonstra que sua piedade e caridade não se dirige às mulheres e às crianças, pois são as mulheres as primeiras a serem sacrificadas (e na história do catolicismo, literalmente durante a inquisição) para a manutenção do dominio patriarcal que quer a apropriação dos corpos das mulheres e fica patente a hipocrisia desses representantes da "defesa" da vida, que sacrificam a dignidade das crianças aos seus interesses sempre que um padre de sua igreja se envolve em práticas condenáveis.
As religiões todas não tem outra função neste mundo a não ser a manutenção do patriarcado. Fica claro a cada vez que pastores e padres se pronunciam contra a legalização do aborto, banalizam o estupro enquanto violencia contra a mulher, a pregação homofóbica que fazem, a sua constante afirmação das diferenças de gênero, da heteronormatividade com a desculpa da defesa da família; nada tem a ver com amor, caridade e sim com a manutenção dos privilégios que esses líderes religiosos conquistaram perante a sociedade e do poder patriarcal.
E para isso não se furtam a atacar mulheres, homossexuais, lésbicas e famílias homoafetivas pois todos aqueles que desobedecem os seus preceitos (as mulheres que tem vida sexual ativa, as que engravidam fora do casamento, os gays e lésbicas) merecem segundo esses caridosos religiosos a condenação e a execração. E mulheres estupradas para a igreja são culpadas, porque sempre tratou o corpo feminino como a matriz do pecado original e por isso mesmo, condenam a mulher que sofre a violência ao invés de condenar a violência e o agressor. Solidariedade só para padres que abusam de crianças, esses são prontamente perdoados e protegidos pela igreja. Proteção essa, paga a peso de ouro com indenizações às custas do dinheiro dos dízimos e ofertas dos fiéis.
Infelizmente, é essa mesma igreja (e igrejas evangélicas incluídas) que está fazendo do governo e do legislativo reféns da imposição de sua visão de mundo retrógrada, que desrespeita os direitos humanos das mulheres e dos homossexuais e lésbicas.
Como se não fosse pouca coisa sofrermos o estupro, temos que lidar com a violência moral que a igreja com sua pregação misógina nos impõe com seu desprezo pela mulher vítima de violência sexual.
A defesa do estado laico, é uma necessidade hoje, como nunca antes no Brasil.
  
Do blog Amazonas e Icamiabas 
Via  Diário Liberdade