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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Semer: Quem vigia Quem?


Se a imprensa muitas vezes se assume como ombudsman do poder, as redes sociais estão se transformando cada vez mais em ombudsmans da própria imprensa. 
Na semana que passou, um vídeo que já havia sido exibido pela TV Bandeirantes ganhou status de viral. A repulsa nas redes sociais à entrevista humilhante de um preso provocou manifestações formais do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública baiana e até uma promessa da própria emissora em punir a jornalista. Como se a Band já não tivesse visto –e, inclusive, apresentado- o programa anteriormente.
Os pecados da imprensa não passam mais incólumes diante do exigente olhar compartilhado de uma multidão de perfis na rede.
#Globofail, por exemplo, foi “trending topic” no final de semana, quando internautas descobriram e avisaram aos demais que a rede de televisão que anunciava freneticamente a transmissão ao-vivo de uma luta de UFC, só ia mostrar mesmo o vídeo-tape.
A frustração foi generalizada, mas a questão é saber: quantas vezes não fomos enganados anteriormente?
Já não é fácil se informar escolhendo apenas um órgão de imprensa. Pegue-se, por exemplo, o assunto que é a coqueluche do momento.
O leitor de Veja foi estimulado a acreditar que Lula teria chantageado Gilmar Mendes, no caso Mensalão. O espectador do Jornal Nacional ouviu o ministro do STF dizer que o ex-presidente não havia “nem pedido diretamente” o adiamento do processo. Enfim, o do Estadão soube logo que a única testemunha do encontro, Nelson Jobim, negou o teor da conversa, numa versão que foi simplesmente ignorada em outros veículos.
Em muitos casos, a verdade, ou a falta dela, depende basicamente de quem noticia.
Difícil mesmo é crer no discurso insistente da grande mídia sobre a pouca confiabilidade da Internet, quando é justamente a contraposição de versões que ela promove, que nos ajuda a entender certas questões.
Se há um problema quando os órgãos de imprensa divulgam versões diferentes sobre o mesmo fato, há outro ainda maior quando expressam sempre a mesma opinião.
Com a elevada concentração da mídia e os interesses muitas vezes coincidentes entre seus proprietários ou patrocinadores, são as redes sociais que permitem uma recomposição do pluralismo, quando a verdade única se mostra incontornável e opressiva, quando não parcial e manipuladora.
As redes sociais são basicamente instrumentos de contato, não propriamente produtores de informação. Mas a amplitude desta conexão permite o acesso simultâneo a fatos de uma forma muito mais ampla.
Na morte de Bin Laden, por exemplo, a informação chegou ao Twitter antes mesmo de aportar nas agências de notícias. E quem acompanhou on-line pôde receber instantaneamente narrativas da CNN, da BBC e da Al Jazeera, sem ter que ficar trocando alucinadamente de canal.
Mas há ainda uma outra circunstância que se revela no vertiginoso crescimento das redes sociais. O usuário delas não é apenas receptor da informação –é também seu emissor.
Nas redes, todo indivíduo é potencialmente um meio de comunicação de massa. Ninguém sabe a dimensão que alcança um tuite ou um link a partir de seu perfil. Muitas vezes coisas aparentemente triviais são vistas e compartilhadas por milhões –e não raro passam a pautar a própria imprensa.
Há campanhas, há exageros e há maledicências nas redes sociais.
Mas em que veículo de comunicação tais problemas não se encontram nos dias de hoje?
A efervescência das redes sociais tem muito a ver com os movimentos de ocupação de espaços públicos que indignados de várias partes do mundo usam para denunciar, entre outros, os vícios da representação partidária.
Seja pela insuficiência dos canais tradicionais ou pela retomada do ativismo político, em busca de um desejo crescente de participação, há hoje muita gente querendo fazer comunicação com as próprias mãos.
E o resultado tem sido para lá de interessante.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Tarso: “Passei a responder através dos blogs e das redes porque esta forma de colunismo é uma armadilha”

 Em nota publicada neste domingo no site PTSul, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, respondeu à colunista política Rosane de Oliveira, do jornal Zero Hora, que neste domingo afirmou que o governador será “incoerente ou irresponsável” na solução para o tema do piso nacional do magistério. A nota afirma:
Pela segunda vez neste mês, um articulista de ZH utiliza o espaço do jornal para fazer ataques diretos a políticos do governo do Estado, reportando-se diretamente à pessoa do governador. Neste domingo, foi a vez da jornalista Rosane de Oliveira “sentenciar” que Tarso Genro será “incoerente ou irresponsável”, na solução para o pagamento do piso nacional do magistério. A colunista desconsidera o fato de que o governo da Unidade Popular Pelo Rio Grande adotou uma outra posição para retirar o estado da crise, que não a do governo anterior de criação do “déficit zero”, que diminuiu as funções do Estado, sucateou a administração pública e congelou salários.
Neste sábado, ao ler a coluna, quando voltava de mais uma edição da Interiorização de Governo, em Rio Grande, o governador fez algumas considerações sobre o novo episódio de ideologização da notícia, através do falseamento da verdade.
1- Sobre o Colunismo Político predominante
“É um certo tipo de colunismo político que ainda não se esgotou no país, mas que tende rapidamente a esgotar-se pela falta de credibilidade, pois ele vem perdendo a sua capacidade de transmitir informações e críticas fundadas. Ele perdeu a “fala” universal, que caracterizou os grandes colunistas políticos do país, com capacidade de informar e criticar com seriedade e passou a defender posições ideológicas dissimuladas, “adaptando” ou inventando os fatos, para contentar um público determinado –aquele que este tipo de jornalismo cativa, com seus malabarismos factuais e lugares comuns: os que adoraram as ideias do neoliberalismo que está levando a Europa à ruína e que, aqui, foram retratados no famoso “déficit” zero. Aliás, não é de graça que a colunista de política da Zero Hora é a mais saudosa do “déficit zero”, que não só paralisou o estado, mas aplicou um brutal arrocho salarial nos servidores, situação que agora estamos começando a reverter”.
2- As constantes criações de factóides e inverdades
“O mesmo estilo de jornalismo político que “define” que o governador será incoerente ou irresponsável, é o mesmo que inventou, por exemplo, que eu defendi uma posição contrária aos sistema de PPPs no caso da RS 10, quando, na verdade, defendi e defendo a PPP e tenho negociado com os prefeitos a adaptação para baratear a proposta. Nunca fui contrário a PPPs. O que sou contrário é que elas sejam apenas um negócio bom para as empresas e não atendam o interesse público. Sou, inclusive, um dos elaboradores da atual lei que rege as parcerias público-privadas no país, cuja redação foi comandada pelo Fernando Haddadd quando ele era Secretário do Ministério do Planejamento e eu era ministro do CDES, no primeiro governo Lula. Este tipo de jornalismo inventa, por exemplo, que prometi “mundos e fundos” para os servidores e que prometi pagar o piso dos professores imediatamente. Isso é uma deslavada inverdade, pois está gravado nos debates e está escrito numa carta remetida ao CPERS que nós criaríamos as condições para pagar o piso e que isto ocorreria de forma processual. Esta foi e é a minha posição.
Nunca prometi “mundos e fundos”, mas uma política de recuperação salarial que está sendo implementada, e que, aliás, está sendo criticada pela oposição, representada na coluna de ZH de domingo pelo presidente do PP e ex-secretário de Relações Institucionais do governo anterior, Celso Bernardi. Este jornalismo, recentemente, também inventou que a nossa proposta de aumento para uma parte da categoria dos professores era a mesma da governadora Yeda. E o fez rapidamente, sem ter a mínima noção do que é uma transação judicial. Omitiu deliberadamente que a posição do governo não exigiu nenhuma renúncia de direito pelos servidores do magistério; que a nossa posição não retira a proposta de alcançar o piso até 2014; que ela não exigiu a alteração do “quadro de carreira” e que o aumento atual constituiu-se, apenas, em mais um aumento -um adiantamento de aumento ao magistério. Ao dizer isso -que a nossa proposta era igual a da governadora Yeda- a colunista revela duas coisas: primeiro, que não se informou sobre o que estava acontecendo e, segundo, que se apressou a forjar uma suposta informação que confirmaria a nossa “incoerência”. Na verdade, quando ela fala em incoerência, quer é lembrar que o bom era o “déficit zero”. Por isso sua análise das nossas medidas salariais envolve dois extremos: critica os aumentos excessivos aos servidores e diz, ao mesmo tempo, que os aumentos -no caso dos professores- são insatisfatórios”.
3- Sobre a estratégia, pouco compreendida ou não aceita pela oposição ao nosso governo, de consolidar o Estado como indutor do desenvolvimento ecônomico e social
“A nossa estratégia, até agora, está dando certo: usar os recursos próprios para reorganizar a máquina pública que estava destruída e melhorar os salários dos servidores; buscar recursos do Governo Federal para investimentos -inclusive através do recebimento da dívida da União com a CEEE; buscar financiamentos no BID, no Banco Mundial e no BNDES; aumentar, com meios técnicos adequados, as receitas sem aumentar impostos; estabelecer uma política de relações internacionais para atrair investimentos produtivos; retomar o crescimento no estado tendo como ponto de partida a base produtiva local, voltados para a renovação da nossa base tecnológica; fazer um “déficit” responsável sem cair na armadilha neoliberal de reduzir políticas de proteção e promoção social, deixando os pobres a ver navios”.
4- A utilização das redes socias e dos blogs para responder à grande mídia
“Eu passei a responder através dos “blogs” e das redes, porque esta forma de colunismo que estamos falando é, também, uma armadilha: constrói fatos para promover a sua visão de mundo, de Estado e de política, e também quer monopolizar o debate, frequentemente só publicando parte das respostas daqueles que são alvos da suas invenções. Quando se tratam de matérias que contam fatos verdadeiros e que pendem, sobre ela, uma interpretação política, ideológica ou econômica, acho adequado que se responda pelo próprio jornal, quando ele permite a resposta, como, aliás, é o caso da Zero Hora”.
5- Direito de resposta também em tom crítico
Tenho respeito pela colunista Rosane de Oliveira. Acho que ela cumpre rigorosamente o seu papel crítico, que é esperado pelo jornal a que serve, que, como sabemos, não pode ser considerado simpatizante do projeto que nós, do PT e da esquerda, representamos. Mas ela merece, da nossa parte, a atenção e respeito que temos com todas as forças políticas democráticas do estado. Nem acho que se trata de má-fé, mas de miopia ideológica: se os fatos não tem confirmado que o Tarso é incoerente, mas, ao contrário, tem confirmado que temos aplicado o nosso programa de governo de forma coerente, é preciso “adaptar” os fatos e repetir a acusação de incoerência para, ao final, consolidar uma “verdade” pela repetição. E também, imediatamente, para salvaguardar a defesa do “déficit zero”, que sempre foi apresentado pela colunista como um exemplo de boa gestão pública”.
6- Sugestão
“Assim como fui cobrado como governador, também defendo que a colunista seja mais responsável e não crie falsas incoerências ou irresponsabilidades. Recomendo à ela, por exemplo, que leia todas as colunas do falecido Carlos Castello Branco, do Márcio Moreira Alvez e do grande Newton Carlos, paradigmas da seriedade no jornalismo político”.

domingo, 6 de março de 2011

Na contramão mundial, brasileiros leem cada vez mais blogs

Milton Ribeiro

Os blogs são lidos cada vez menos pelos internautas da Europa, da Ásia e da maior parte dos países da América. Mas não no Brasil, onde continuam em alta. Uma pesquisa feita pela empresa de estudos sobre internet comScore revela que 71% dos brasileiros leram páginas de blogs no ano passado. Isso faz do Brasil o maior interessado nessa ferramenta virtual. Nos outros países, os acessos não passaram de 50%.

As eleições são apontadas pela comScore como uma das principais responsáveis pelo sucesso dos blogs em 2010. Foram 39,3 milhões de pessoas buscando neles informações sobre a disputa entre os candidatos a presidente da República, entre outubro e novembro. A navegação pelos blogs cresceu mais ou menos na mesma proporção em todo o país, mas foi no Nordeste onde o número de leitores mais aumentou – um salto de 72,8% para 77%. No Norte, Sudeste e Sul, essas páginas ganharam 3 pontos percentuais em acessos. E no Centro-Oeste, o avanço foi de 70,7% para 74,3%.

Para a comScore, a popularidade dos blogs estaria caindo porque eles vêm perdendo espaço para as redes sociais. Mas também aí a situação é outra no Brasil, porque o país se mantém cada vez mais ligado nestas redes, sem desprezar os blogs. Pela pesquisa, 85,3% dos internautas se interessam pelas redes sociais, enquanto a média internacional é de 70%. Comparado com 2009, o número de brasileiros frequentando as redes subiu 10%.

Publicado no Sul 21