Abaixo a matéria da da Folha de SP sobre o pedido de arquivamento da ação do PSDB.
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Procuradoria manda arquivar ação do PSDB contra “blogs sujos”
Abaixo a matéria da da Folha de SP sobre o pedido de arquivamento da ação do PSDB.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
A blogofobia de José Serra
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Tarso: “Passei a responder através dos blogs e das redes porque esta forma de colunismo é uma armadilha”
Em nota publicada neste domingo no site PTSul,
o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, respondeu à colunista
política Rosane de Oliveira, do jornal Zero Hora, que neste domingo
afirmou que o governador será “incoerente ou irresponsável” na solução
para o tema do piso nacional do magistério. A nota afirma:“É um certo tipo de colunismo político que ainda não se esgotou no país, mas que tende rapidamente a esgotar-se pela falta de credibilidade, pois ele vem perdendo a sua capacidade de transmitir informações e críticas fundadas. Ele perdeu a “fala” universal, que caracterizou os grandes colunistas políticos do país, com capacidade de informar e criticar com seriedade e passou a defender posições ideológicas dissimuladas, “adaptando” ou inventando os fatos, para contentar um público determinado –aquele que este tipo de jornalismo cativa, com seus malabarismos factuais e lugares comuns: os que adoraram as ideias do neoliberalismo que está levando a Europa à ruína e que, aqui, foram retratados no famoso “déficit” zero. Aliás, não é de graça que a colunista de política da Zero Hora é a mais saudosa do “déficit zero”, que não só paralisou o estado, mas aplicou um brutal arrocho salarial nos servidores, situação que agora estamos começando a reverter”.
“O mesmo estilo de jornalismo político que “define” que o governador será incoerente ou irresponsável, é o mesmo que inventou, por exemplo, que eu defendi uma posição contrária aos sistema de PPPs no caso da RS 10, quando, na verdade, defendi e defendo a PPP e tenho negociado com os prefeitos a adaptação para baratear a proposta. Nunca fui contrário a PPPs. O que sou contrário é que elas sejam apenas um negócio bom para as empresas e não atendam o interesse público. Sou, inclusive, um dos elaboradores da atual lei que rege as parcerias público-privadas no país, cuja redação foi comandada pelo Fernando Haddadd quando ele era Secretário do Ministério do Planejamento e eu era ministro do CDES, no primeiro governo Lula. Este tipo de jornalismo inventa, por exemplo, que prometi “mundos e fundos” para os servidores e que prometi pagar o piso dos professores imediatamente. Isso é uma deslavada inverdade, pois está gravado nos debates e está escrito numa carta remetida ao CPERS que nós criaríamos as condições para pagar o piso e que isto ocorreria de forma processual. Esta foi e é a minha posição.
“A nossa estratégia, até agora, está dando certo: usar os recursos próprios para reorganizar a máquina pública que estava destruída e melhorar os salários dos servidores; buscar recursos do Governo Federal para investimentos -inclusive através do recebimento da dívida da União com a CEEE; buscar financiamentos no BID, no Banco Mundial e no BNDES; aumentar, com meios técnicos adequados, as receitas sem aumentar impostos; estabelecer uma política de relações internacionais para atrair investimentos produtivos; retomar o crescimento no estado tendo como ponto de partida a base produtiva local, voltados para a renovação da nossa base tecnológica; fazer um “déficit” responsável sem cair na armadilha neoliberal de reduzir políticas de proteção e promoção social, deixando os pobres a ver navios”.
“Eu passei a responder através dos “blogs” e das redes, porque esta forma de colunismo que estamos falando é, também, uma armadilha: constrói fatos para promover a sua visão de mundo, de Estado e de política, e também quer monopolizar o debate, frequentemente só publicando parte das respostas daqueles que são alvos da suas invenções. Quando se tratam de matérias que contam fatos verdadeiros e que pendem, sobre ela, uma interpretação política, ideológica ou econômica, acho adequado que se responda pelo próprio jornal, quando ele permite a resposta, como, aliás, é o caso da Zero Hora”.
Tenho respeito pela colunista Rosane de Oliveira. Acho que ela cumpre rigorosamente o seu papel crítico, que é esperado pelo jornal a que serve, que, como sabemos, não pode ser considerado simpatizante do projeto que nós, do PT e da esquerda, representamos. Mas ela merece, da nossa parte, a atenção e respeito que temos com todas as forças políticas democráticas do estado. Nem acho que se trata de má-fé, mas de miopia ideológica: se os fatos não tem confirmado que o Tarso é incoerente, mas, ao contrário, tem confirmado que temos aplicado o nosso programa de governo de forma coerente, é preciso “adaptar” os fatos e repetir a acusação de incoerência para, ao final, consolidar uma “verdade” pela repetição. E também, imediatamente, para salvaguardar a defesa do “déficit zero”, que sempre foi apresentado pela colunista como um exemplo de boa gestão pública”.
“Assim como fui cobrado como governador, também defendo que a colunista seja mais responsável e não crie falsas incoerências ou irresponsabilidades. Recomendo à ela, por exemplo, que leia todas as colunas do falecido Carlos Castello Branco, do Márcio Moreira Alvez e do grande Newton Carlos, paradigmas da seriedade no jornalismo político”.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Decálogo dos Direitos do Blogueiro - Por Idelber Avelar
9. Todo blogueiro terá o direito de passar um dia sem blogar e não receber mensagens alarmistas, preocupadas ou encheção de saco. Os blogueiros serão poupados de receber emails com gritaria ou esbravejação em letras maiúsculas e, no caso de recebê-los, serão livres para exercitarem o direito de ignorá-los ou apagá-los.
8. Todas as blogueiras terão direito de blogar em próprio nome, em pseudônimo ou em heterônimo como lhes apraza, de forma exclusiva ou simultânea. Assim como todos os outros direitos nomeados aqui preferencialmente no feminino, este também se aplica, evidentemente, aos homens que possam, saibam ou ousem exercitá-lo.
7. Sendo publicitário, funcionário público, palhaço, vendedor de seguro, jogador de futebol, aeromoça, professor universitário, paquita, lixeiro ou desempregado nas horas vagas, o blogueiro tem direito de não ser importunado, agredido, chantageado ou ofendido por sua escolha ou necessidade profissional fora das horas de blogagem.
6. Todas as blogueiras terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa e sem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca com semelhante tranqüilidade.
5. Toda blogueira estará livre de qualquer responsabilidade sobre afirmações feitas por outras pessoas em seu blog. Nenhuma blogueira poderá ser interpelada, processada ou censurada por ofensas ditas por outrem em seu blog. Caso alguma pessoa se sinta ofendida por algum comentário e reclame, a blogueira terá amplo tempo para decidir qual a atitude correta de anfitriã que exercita seus direitos de cidadã numa democracia onde àqueles correspondem, é claro, deveres também.
4. A todo blogueiro será garantido o direito de promover votações, concursos, citações, retrospectivas, autolinkagem ou reciclagem sem ser acusado de estar ficando sem assunto.
2. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre a composição do vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer.
1. Todo blogueiro terá o direito de propor decálogos incompletos – eneálogos, na verdade – e solicitar ser completado, corrigido ou auxiliado pela caixa de comentários. Esqueci de alguma coisa? Sejam bem-vindos.
domingo, 6 de março de 2011
Na contramão mundial, brasileiros leem cada vez mais blogs
Os blogs são lidos cada vez menos pelos internautas da Europa, da Ásia e da maior parte dos países da América. Mas não no Brasil, onde continuam em alta. Uma pesquisa feita pela empresa de estudos sobre internet comScore revela que 71% dos brasileiros leram páginas de blogs no ano passado. Isso faz do Brasil o maior interessado nessa ferramenta virtual. Nos outros países, os acessos não passaram de 50%.
As eleições são apontadas pela comScore como uma das principais responsáveis pelo sucesso dos blogs em 2010. Foram 39,3 milhões de pessoas buscando neles informações sobre a disputa entre os candidatos a presidente da República, entre outubro e novembro. A navegação pelos blogs cresceu mais ou menos na mesma proporção em todo o país, mas foi no Nordeste onde o número de leitores mais aumentou – um salto de 72,8% para 77%. No Norte, Sudeste e Sul, essas páginas ganharam 3 pontos percentuais em acessos. E no Centro-Oeste, o avanço foi de 70,7% para 74,3%.
Para a comScore, a popularidade dos blogs estaria caindo porque eles vêm perdendo espaço para as redes sociais. Mas também aí a situação é outra no Brasil, porque o país se mantém cada vez mais ligado nestas redes, sem desprezar os blogs. Pela pesquisa, 85,3% dos internautas se interessam pelas redes sociais, enquanto a média internacional é de 70%. Comparado com 2009, o número de brasileiros frequentando as redes subiu 10%.
Publicado no Sul 21
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Eu apoio blog sujo!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Blogagem Coletiva de Repúdio ao AI 5 Digital
- A mídia continua repetindo o Mantra da Irracionalidade contra a Internet
- No dia 05/08/10 O Deputado Pinto Itamaraty do PSDB apresentouparecer favorável ao AI 5 Digital, ignorando todos os argumentos e movimentos sociais dos últimos três anos.
- Seis dias depois aparece uma matéria dizendo que os Deputados buscarão acordo para votar a lei de crimes na Internet.
- E agora um evento para lá de esquisito organizado pela revista Decision Report, uma publicação que parece estar à serviço do Azeredo e do vigilantismo, se anuncia para o dia 31/08 com o título oportuno (para o tripé do atraso) de: Crimes Eletrônicos – A urgência da lei. O curioso e que este evento conta com 19 palestrantes para falarem em 2:30h, o que dá um pouco mais de 7 minutos para cada um.
Do Com Texto Livre
sábado, 13 de junho de 2009
Brasília, eu vi - Blog da Petrobrás
A criação do Blog da Petrobras é um ponto de inflexão nas relações da mídia com as fontes, embora tenha sido criado em meio a um ambiente de conflito decorrente da malfadada CPI da Petrobras, no Senado Federal. Mais do que uma discussão sobre liberdade de imprensa e o direito de sigilo nas relações entre jornalistas e fontes, a criação do blog suscita uma reflexão muito mais profunda porque, a meu ver, ele será lembrado como marco histórico, no Brasil, do fim do jornalismo diário impresso tal qual o conhecemos e de todas as idiossincrasias induzidas e adquiridas nas redações brasileiras ao longo dos últimos 50 anos. Em outras palavras, a fórceps e sob bombardeio, o Blog da Petrobras decretou o fim de expedientes obsoletos e, muitas vezes, desonestos, de apuração, edição e publicação de matérias jornalísticas. Colocou o jornal de papel e sua superada pretensão informativa na mesma estante de velharias do século XX onde figuram, lado a lado, a televisão a válvula, a geladeira a querosene e o platinado.
Ao tornar visível e, por isso mesmo, vulnerável, a rotina de apuração dos jornalistas, o Blog da Petrobras quebrou um falso pacto de cooperação, denunciado curiosamente de “vazamento de informações sigilosas”, sobre o qual pairava a seguinte regra mínima: eu pergunto, mas eu escolho o que você responde, se você não gostar, mande uma carta à redação, reze para ela ser publicada (na íntegra) ou vá queixar-se ao bispo. Primeiro, não há relação de sigilo em entrevista, muito menos com relação a perguntas feitas por escrito por repórteres. Não sei da onde tiraram isso. Quando o jornalista se dispõe a fazer perguntas por e-mail, não pode esperar outra coisa senão publicidade de um registro capaz de ser compartilhado, em tese, com milhões de pessoas. Se, nesse e-mail, ele passa informações exclusivas da apuração, tem que estar disposto, também, a correr esse risco. Há, no mundo todo, um exército bem pago de assessores de imprensa sendo treinado, diuturnamente, para desmontar pautas jornalísticas, minimizá-las o impacto e, principalmente, fazer um trabalho de contra-inteligência capaz de neutralizar o poder de fogo dos repórteres. E isso não é novidade. A novidade é a internet.
Ao invés de ficar choramingando em editoriais saudosos dos tempos de antanho, os jornais deveriam, finalmente, prestar atenção ao que está acontecendo no mundo, inclusive nas salas de aula desses meninos aos quais se pretende negar o diploma de jornalismo, uma, duas, três, dez gerações à frente. Aliás, tem coisa mais obsoleta, triste e anacrônica do que os editoriais da imprensa brasileira? Aliás, o que é um editorial senão o blog mais antigo e exclusivo do mundo, pelo qual os barões da imprensa sempre expressaram suas opiniões, livres, no entanto, do incômodo das caixas de comentários? O Blog da Petrobras é justamente isso, o anti-editorial, o contraponto imediato, em tempo real, às chamadas “linhas editoriais” dos veículos de comunicação que, no fim das contas, acabam por contaminar o ofício do jornalismo, submetendo jornalistas ao oficialismo privado dos aquários das redações, cada vez mais descolados da nova realidade ditada pela internet, pela blogosfera e do impressionante e muito bem vindo controle social trazido pela interatividade on line.
Foi um editorial da Folha de S.Paulo, aquele da “Ditabranda”, que deixou no cio a serpente que pariu o Blog da Petrobras. Foi a partir daquela analogia infeliz, turbinada por ofensas gratuitas aos que dela discordaram, que a blogosfera passou oficialmente a servir de espaço livre de direito de resposta, na íntegra, dos ofendidos. O rastilho digital daquela polêmica provocou um dano permanente na credibilidade do jornal, obrigado, a seguir, a desencadear uma série de envergonhados expedientes de capitulação. O legado da discussão, no entanto, foi muito maior. Ainda que agregados de maneira informal, os blogs passaram a ser uma rede de “grilos falantes”, para usar uma expressão empregada pelo jornalista Franklin Martins, da mídia nacional, o escape por onde os rejeitados pelas seções de cartas puderam, finalmente, se exprimir livre e integralmente.
As reações “conspirativas”, neologismo cunhado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha para unir conspiração com mídia corporativa, ao Blog da Petrobras são, em tudo, emblemáticas. E não têm nada a ver com “vazamento” das perguntas e informações enviadas por e-mail à empresa. Têm a ver com a perda de poder das redações e com a necessidade de se estabelecer outros paradigmas para o jornalismo. Isso inclui o conceito de “furo”, que a vaidade dos jornalistas transformou em coisa mais importante do que o dever de bem informar – de maneira mais ampla e correta possível – a sociedade na qual está inserido. O “furo” é bem vindo, é um diferencial bacana, gera prêmios jornalísticos, aumentos de salário e promoções, mas interessa muito mais a nós, jornalistas, do que ao respeitável público.
O jornalismo brasileiro não carece de exclusividade, mas de honestidade e transparência.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
POLÍTICA, BLOGS, RS
A blogosfera apresenta uma série de características que proporcionam vantagens e desvantagens na ação política descentralizada e em rede facilmente perceptíveis por movimentos como o Fórum de Entidades POA. Primeiro, as vantagens:
1) Dá voz para pessoas que não fazem parte das fontes nem da agenda usual da mídia corporativa;
2) Os links recomendados por cada blogueiro formam uma cadeia, uma rede, um coletivo de blogs que tende a ser visitado pela maioria dos demais blogueiros que compartilham as mesmas afinidades temáticas que, no nosso caso, dirigem-se principalmente à alteridade, à memória e à vida futura a partir de um lugar físico (Porto Alegre);
3) Tudo o que um blogueiro escreve e todos os comentários que recebe e devolve a seus interlocutores permanece documentado para consulta, referência de fontes e discussões em outras esferas.
Agora, as desvantagens:
1) Não há nenhuma garantia de que os leitores do CÃO UIVADOR se tornarão visitantes frequentes do POA RESISTE ou do blog da AGAPAN, nem que em suas participações esporádicas envolvam-se seriamente no debate. Nesse caso, o blog funciona como uma vitrine de uma ppequena loja de bairro: se o produto que estiver na vitrine for interessante e seu valor for convidativo, o consumidor entra na loja, conversa com o proprietário e com outros clientes. Se gostar, leva e recomenda. Se não gostar, ou ignora, ou fala mal;
2) Infelizmente, as formas atualmente mais utilizadas de comunicação mediada por computador ainda não podem ser consideradas como mídia de massa nem na técnica, nem na infraestrutura. A gente opera seguindo a lógica da Teoria da Cauda Longa proposta por Chris Anderson (o livro chama-se A CAUDA LONGA, é barato e fácil de ler). Como funciona? Há uma quantidade muito reduzida de sites de notícia e de blogs independentes cuja audiência seja bastante difundida e comentada pela web.
Esses sites e blogs recebem milhares - senão dezenas de milhares - de visitas DIÁRIAS a mais do que todos os nossos blogs somados. Acreditando neles ou não, de uma forma ou de outra, também viram as principais referências que endossamos e passamos adiante (nem que seja para criticar ou denunciar notícias contadas pela metade). Por outro lado (e é aí que nós entramos com nossos blogs), embora cada um de nós tenha algumas poucas centenas (os mais felizardos, um ou alguns milhares) de visitas diárias, mesmo que nosso alcance seja imensuravelmente menor do que o de uma mensagem única difundida por rádio, TV, jornal, revista ou suportes para publicidade (papel, placas, veículos no mar, no ar e na terra e assim por diante), nossa grande virtude é funcionarmos como quem faz comunicação de boca a boca. Não no sentido da persuasão rasteira, da informação mal contada e descompromissada, da fofoca ou do ditado ‘quem conta um conto aumenta um ponto’ mas, sim, na difusão em baixa escala porém voltada a formadores de opinião.
É mais importante que nosso trabalho chegue às lideranças dos movimentos sociais, de profissionais liberais de classe média, a políticos locais, a líderes estudantis, religiosos e a técnicos do Tribunal de Contas, do Ministério Público, do Procon e do Banco Central do que o desejo que perdurará sendo financeira e tecnicamente impossível ainda durante muitos anos de termos um espaço parelho de disputa simbólica junto às corporações de mídia. Esses líderes pontuais e setoriais farão o mesmo que nós fazemos, funcionando como facilitadores do processo de ampliação do nosso alcance.
Os interesses da banca da mídia corporativa de massa serão sempre os mesmos enquanto ela for conservadora e preferir ganhar em cima das mazelas ao invés de ganhar em cima do desenvolvimento sustentável. Apesar de não considerar inúteis ou irrelevantes nem os trabalhos acadêmicos e nem a percepção do leigo em relação à agenda dessa Grande Mídia, discutir à exaustão essas práticas surte um efeito minúsculo na sociedade mesmo a partir de blogs com grande audiência nacional lidos por formadores de opinião em algumas áreas do conhecimento.
Isso nos afasta não necessariamente de importantes pontos de acesso inseridos em sua programação que seriam possíveis caso houvesse um contexto diferenciado mas, sobretudo, dos bons formadores de opinião que creem que o que predomina na mídia de massa é mesmo a mais pura DESinformação (há muito o que falar sobre isso - é uma brecha importantíssima no fazer da mídia corporativa que, com uma pequena mudança de postura de parte da esquerda blogueira no país inteiro, poderá ser muito melhor explorado).
O empoderamento das classes populares através das escolas públicas, da internet sem fio nos locais públicos e das baratas LAN houses felizmente está ocorrendo no Brasil. Pra quem não sabe, o BRASIL possui o maior programa de inclusão digital do MUNDO, dito pelo especialista JEREMIAH SPENCER (mais referências sobre o trabalho dele no Brasil AQUI) que esteve aqui em 2008. No entanto, a esmagadora maioria das pessoas ainda prefere seguir o lado ruim da cauda longa, isto é, seguir o grande, seguir o hegemônico, tê-lo sempre como referência ao invés de procurar zilhões de possibilidades diferentes.
Por Hélio Paz





