Via Aldeia Gaulesa
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht

A história em si até o seu Adriano Galliani, dirigente do Milan, já está careca de saber. As editorias de esporte, através de jornalistas e comentaristas, da imprensa nativa é que deram demonstrações pouco vistas em outros assuntos.
Quando o leilão pelo futuro time de Ronaldinho foi escancarado, com ponto alto na maior coletiva de FANFARRONICE dos últimos tempos, realizada no Copacabana Palace, na quinta-feira de reis, 06/01, a imprensa brasileira e, em especial, a gaúcha se reencontraram com a ética, conceito esvaziado sistematicamente pela grande mídia.
O prazer em ver, ouvir e ler todas as críticas e açoites merecidos pela família Assis, reparei o que todos repararam. O ódio das ruas contaminou as redações esportivas. O mundo dos negócios, o capitalismo selvagem, a livre concorrência, a busca insaciável do lucro, a luxúria das grandes marcas esportivas, tudo, ABSOLUTAMENTE tudo sucumbiu ao amor traído do torcedor gremista principalmente, mas nem nisso a exclusividade foi do Grêmio. Assis também havia firmado compromisso verbal e redigido contrato com o Palmeiras, palavras de Felipão em recente coletiva em que o Verdão abandonou a concorrência por Ronaldinho.
Todos os valores capitalistas difundidos e defendidos pelos meios de comunicação de massa a exaustão acima de qualquer valor humano foram esmagados pelas reações populares diante das atitudes mesquinhas e canalhas cometidas pela dupla Assis Moreira, big e little brothers. Registro aqui que dias antes da coletiva dos Assis e de Galliani no Rio, o jornalista Leonardo Meneghetti, no Jogo Aberto RS da Band, havia dito em alto e bom som a opinião dos principais comentaristas de que o capitalismo é assim, que o Assis estava certo em buscar a melhor transação e os melhores valores.
Todos os integrantes do Bate Bola, da TVCom, do domingo 09/01, todos os integrantes do Arena Sportv, da segunda 10/01, em uníssono repudiaram o leilão, repudiaram a forma de negociação do Assis empresário, a palavra firmada não cumprida, o acordo redigido e não assinado. A ética voltou a ser tema dos debates. Além de Paulo Sant’anna e uns poucos outros, a RBS deve necessariamente se indignar. Entre o gaúcho estrangeiro biliardário e os demais gaúchos ela escolhe quem lhe sustenta. É o seu negócio em jogo. O bairrismo ferido tira o gaúcho do Ronaldinho assim como o endeusou mesmo após a primeira traição, a de 2000. E no auge da mágoa, Sant’anna no Sala de Redação da segunda, 10/01: “Não quero que agridam a família Assis Moreira, quero apenas que sejam infelizes”.
Nisso tudo, até o rei-poeta-de-boca-calada Pelé deu nos dedos. “Se ama o Grêmio joga de graça”. No caso do acordo com o Grêmio, o de “graça” de Ronaldinho seria R$ 100 milhões por 4 anos. Ainda arrebatou dizendo ter jogado uma temporada de graça no Santos.
Sabemos quem é Pelé. Mas tem um mérito. Soube ser mais que o maior jogador de sempre, soube se tornar um ídolo imortalizado. Ronaldinho soube se enterrar perante à torcida gremista e ao grande público em geral. A imprensa não. Mudou o discurso e adotou uma postura que raramente tem. Acredito na sinceridade de muitos jornalistas sérios e éticos que se escandalizaram com o ocorrido. Mas a turma do amendoim da imprensa caseira tem culpa no cartório. São parte dos incentivadores do futebol “profissional”, “moderno” e “competitivo”, “de la compra y la venta de los hombres y las emociones” como assinalou o fanático por futebol Eduardo Galeano, jornalista uruguaio.
Reproduzo artigo de Mauro Santayana, publicado no sítio do Jornal do Brasil:
O grito de guerra “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” agora precisa de uma nova rima. Parte da militância política brasileira encontrou no jornal Folha de S. Paulo o alvo preferencial para críticas relacionadas à cobertura eleitoral em 2010. Após seguidas manchetes contrárias a Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência da República, a Folha virou protagonista de uma forte mobilização de piadas no Twitter.
Inspirado no “Chuck Norris Facts”, que atribuía grandes feitos ao ator, está circulando no Twitter o “Dilma Facts by Folha”. São manchetes que, segundo os twitteiros, a Folha de S. Paulo faria para atacar Dilma. Coisas do tipo “Quando Dilma mergulhou no Mar Morto ele não estava nem doente”, ou “Adolescente grávida afirma: o pai é Dilma”, ou ainda “Dilma inventou a vuvuzela”. A hashtag (expressão) #dilmafactsbyfolha ficou boa parte do domingo em primeiro lugar no Trending Topics Brasil, que relaciona as expressões mais citadas no Twitter, e nessa segunda-feira continua entre as 10.
A reação da internet à cobertura que a Folha vem fazendo deve servir de alerta aos grandes veículos da imprensa brasileira: eles estão sendo fiscalizados. Ainda que tenham conseguido impedir até agora o avanço de qualquer proposta de controle social da mídia, não estão conseguindo barrar a força da internet, que tende a crescer e chegar às ruas em pouco tempo.
A imagem da Folha está sendo arranhada, isso é fato. Por causa de sua clara tendência a acusar Dilma e proteger o candidato do PSDB, José Serra, o jornal vem sofrendo pesadas críticas. Começa a ser construída na web uma imagem da Folha como pouco mais que um veículo a serviço do PSDB. O jornal tem muitas qualidades, é inegável, e essa imagem traduz apenas uma das facetas da Folha, mas é a que está começando a impregnar o imaginário.
A Folha, como os outros grandes veículos, precisa ficar atenta. Como anos atrás o grito de “abaixo a Rede Globo” ganhou as ruas, a comoção popular contra quem manipular as informações tende a crescer. A internet, aos poucos, vai tomar outros espaços, e tende a transferir seu potencial mobilizador para fora dos computadores. Se o fim dos jornais impressos não é uma realidade, o enfraquecimento dos veículos que não prestarem informações confiáveis parece ser o caminho que se avizinha. Agora, todos somos fiscais da mídia.
Do Jornalismo B
Foi na Copa do Mundo de 1986, no México, com Fernando Vanucci, então apresentador da TV Globo, que a cobertura esportiva brasileira abandonou qualquer traço de jornalismo para se transformar num evento circense, onde a palhaçada, o clichê e o trocadilho infame substituíram a informação, ou pelo menos a tornaram um elemento periférico. Vanucci, simpático e bonachão, criou um mote (“alô você!”) para tornar leve e informal a comunicação nos programas esportivos da Globo, mas acabou por contaminar, involuntariamente, todas as gerações seguintes de jornalistas com a falsa percepção de que a reportagem esportiva é, basicamente, um encadeamento de gracinhas televisivas a serem adaptadas às demais linguagens jornalísticas, a partir do pressuposto de que o consumidor de informações de esporte é, basicamente, um retardado mental. Por diversas razões, Vanucci deixou a Globo, mas a Globo nunca mais abandonou o estilo unidunitê-salamê-minguê nas suas coberturas esportivas, povoadas por sorridentes repórteres de camisa pólo colorida. Aliás, para ser justo, não só a Globo. Todas as demais emissoras adotaram o mesmo estilo, com igual ou menor competência, dali para frente.
Passados quase 25 anos, o estilo burlesco de se cobrir esporte no Brasil passou a ser uma regra, quando não uma doutrina, apoiado na tese de que, ao contrário das demais áreas de interesse humano, esporte é apenas uma brincadeira, no fim das contas. Pode ser, quando se fala de handebol, tênis de mesa e salto ornamental, mas não de futebol. O futebol, dentro e fora do país, mobiliza imensos contingentes populacionais e está baseado num fluxo de negócios que envolve, no todo, bilhões de reais. Ao lado de seu caráter lúdico, caminha uma identidade cultural que, no nosso caso, confunde-se com a própria identidade nacional, a ponto de somente ele, o futebol, em tempos de copa, conseguir agregar à sociedade brasileira um genuíno caráter patriótico. Basta ver os carros cobertos de bandeiras no capô e de bandeirolas nas janelas. É o momento em que mesmos os ricos, sempre tão envergonhados dos maus modos da brasilidade, passam a ostentar em seus carrões importados e caminhonetes motor 10.0 esse orgulho verde-e-amarelo de ocasião. Não é pouca coisa, portanto.
Na Copa de 2006, na Alemanha, essa encenação jornalística chegou ao ápice em torno da idolatria forçada em torno da seleção brasileira penta campeã do mundo, então comandada pelo gentil Carlos Alberto Parreira. Naquela copa, a dominação da TV Globo sobre o evento e o time chegou ao paroxismo. A área de concentração da seleção tornou-se uma espécie de playground particular dos serelepes repórteres globais, lá comandados pela esfuziante Fátima Bernardes, a produzir pequenos reality shows de dentro do ônibus do escrete canarinho. Na época, os repórteres da Globo eram obrigados a entrar ao vivo com um sorriso hiperplastificado no rosto, com o qual ficavam paralisados na tela, como em uma overdose de botox, durante aqueles segundos infindáveis de atraso de sinal que separam as transmissões intercontinentais. Quatro anos antes, Fátima Bernardes havia conquistado espaço semelhante na bem sucedida seleção de Felipão. Sob os olhos fraternais do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi eleita a musa dos jogadores, na Copa de 2002, no Japão. Dentro do ônibus da seleção. Alguém se lembra disso? Eu e a Globo lembramos, está aqui.
O estilo grosseiro e inflexível de Dunga desmoronou esse mundo colorido da Globo movido por reportagens engraçadinhas e bajulações explícitas confeitadas por patriotadas sincronizadas nos noticiários da emissora. Sem acesso direto, exclusivo e permanente aos jogadores e aos vestiários, a tropa de jornalistas enviada à África do Sul se viu obrigada a buscar informações de bastidores, a cavar fontes e fazer gelados plantões de espera com os demais colegas de outros veículos. Enfim, a fazer jornalismo. E isso, como se sabe, dá um trabalho danado. Esse estado de coisas, ao invés de se tornar um aprendizado, gerou uma reação rançosa e desproporcional, bem ao estilo dos meninos mimados que só jogam porque são donos da bola. Assim, o sorriso plástico dos repórteres e apresentadores se transformou em carranca e, as gracinhas, em um patético editorial.
Dunga será demitido da seleção, vença ou perca o mundial. Os interesses comerciais da TV Globo e da CBF estão, é claro, muito acima de sua rabugice fronteiriça e de sua saudável disposição de não se submeter à vontade de jornalistas acostumados a abrir caminho com um crachá na mão. Mas poderá nos deixar de herança o fim de uma era medíocre da crônica esportiva, agora defrontada com um fenômeno com o qual ela pensava não mais ter que se debater: o jornalismo.
A criação do Blog da Petrobras é um ponto de inflexão nas relações da mídia com as fontes, embora tenha sido criado em meio a um ambiente de conflito decorrente da malfadada CPI da Petrobras, no Senado Federal. Mais do que uma discussão sobre liberdade de imprensa e o direito de sigilo nas relações entre jornalistas e fontes, a criação do blog suscita uma reflexão muito mais profunda porque, a meu ver, ele será lembrado como marco histórico, no Brasil, do fim do jornalismo diário impresso tal qual o conhecemos e de todas as idiossincrasias induzidas e adquiridas nas redações brasileiras ao longo dos últimos 50 anos. Em outras palavras, a fórceps e sob bombardeio, o Blog da Petrobras decretou o fim de expedientes obsoletos e, muitas vezes, desonestos, de apuração, edição e publicação de matérias jornalísticas. Colocou o jornal de papel e sua superada pretensão informativa na mesma estante de velharias do século XX onde figuram, lado a lado, a televisão a válvula, a geladeira a querosene e o platinado.
Ao tornar visível e, por isso mesmo, vulnerável, a rotina de apuração dos jornalistas, o Blog da Petrobras quebrou um falso pacto de cooperação, denunciado curiosamente de “vazamento de informações sigilosas”, sobre o qual pairava a seguinte regra mínima: eu pergunto, mas eu escolho o que você responde, se você não gostar, mande uma carta à redação, reze para ela ser publicada (na íntegra) ou vá queixar-se ao bispo. Primeiro, não há relação de sigilo em entrevista, muito menos com relação a perguntas feitas por escrito por repórteres. Não sei da onde tiraram isso. Quando o jornalista se dispõe a fazer perguntas por e-mail, não pode esperar outra coisa senão publicidade de um registro capaz de ser compartilhado, em tese, com milhões de pessoas. Se, nesse e-mail, ele passa informações exclusivas da apuração, tem que estar disposto, também, a correr esse risco. Há, no mundo todo, um exército bem pago de assessores de imprensa sendo treinado, diuturnamente, para desmontar pautas jornalísticas, minimizá-las o impacto e, principalmente, fazer um trabalho de contra-inteligência capaz de neutralizar o poder de fogo dos repórteres. E isso não é novidade. A novidade é a internet.
Ao invés de ficar choramingando em editoriais saudosos dos tempos de antanho, os jornais deveriam, finalmente, prestar atenção ao que está acontecendo no mundo, inclusive nas salas de aula desses meninos aos quais se pretende negar o diploma de jornalismo, uma, duas, três, dez gerações à frente. Aliás, tem coisa mais obsoleta, triste e anacrônica do que os editoriais da imprensa brasileira? Aliás, o que é um editorial senão o blog mais antigo e exclusivo do mundo, pelo qual os barões da imprensa sempre expressaram suas opiniões, livres, no entanto, do incômodo das caixas de comentários? O Blog da Petrobras é justamente isso, o anti-editorial, o contraponto imediato, em tempo real, às chamadas “linhas editoriais” dos veículos de comunicação que, no fim das contas, acabam por contaminar o ofício do jornalismo, submetendo jornalistas ao oficialismo privado dos aquários das redações, cada vez mais descolados da nova realidade ditada pela internet, pela blogosfera e do impressionante e muito bem vindo controle social trazido pela interatividade on line.
Foi um editorial da Folha de S.Paulo, aquele da “Ditabranda”, que deixou no cio a serpente que pariu o Blog da Petrobras. Foi a partir daquela analogia infeliz, turbinada por ofensas gratuitas aos que dela discordaram, que a blogosfera passou oficialmente a servir de espaço livre de direito de resposta, na íntegra, dos ofendidos. O rastilho digital daquela polêmica provocou um dano permanente na credibilidade do jornal, obrigado, a seguir, a desencadear uma série de envergonhados expedientes de capitulação. O legado da discussão, no entanto, foi muito maior. Ainda que agregados de maneira informal, os blogs passaram a ser uma rede de “grilos falantes”, para usar uma expressão empregada pelo jornalista Franklin Martins, da mídia nacional, o escape por onde os rejeitados pelas seções de cartas puderam, finalmente, se exprimir livre e integralmente.
As reações “conspirativas”, neologismo cunhado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha para unir conspiração com mídia corporativa, ao Blog da Petrobras são, em tudo, emblemáticas. E não têm nada a ver com “vazamento” das perguntas e informações enviadas por e-mail à empresa. Têm a ver com a perda de poder das redações e com a necessidade de se estabelecer outros paradigmas para o jornalismo. Isso inclui o conceito de “furo”, que a vaidade dos jornalistas transformou em coisa mais importante do que o dever de bem informar – de maneira mais ampla e correta possível – a sociedade na qual está inserido. O “furo” é bem vindo, é um diferencial bacana, gera prêmios jornalísticos, aumentos de salário e promoções, mas interessa muito mais a nós, jornalistas, do que ao respeitável público.
O jornalismo brasileiro não carece de exclusividade, mas de honestidade e transparência.
Luciano Martins Costa
Já se passou mais de uma semana da divulgação, pela Fundação Getúlio Vargas, da pesquisa sobre a mobilidade social no Brasil. As conclusões são interessantes e deveriam estar inspirando debates muito mais ricos do que tem sido admitido pela imprensa sobre o nosso modelo econômico e as chances brasileiras diante da crise mundial.
Aliás, uma leitura cuidadosa do estudo autoriza a jogar no lixo muita coisa que se tem publicado ultimamente sobre macroeconomia, crise, programas de inclusão social e alguns outros temas muito em voga.
A principal constatação do trabalho da Fundação Getúlio Vargas revela que a crise financeira internacional vem atingindo com mais força as classes de renda A e B do que a classe média e os mais pobres. O indicador desse fenômeno é a mobilidade social: tomados proporcionalmente ao seu peso no total da população, os indivíduos das classes de renda privilegiadas correm mais risco de cair para uma faixa de renda inferior, enquanto os mais pobres continuam ascendendo às classes médias.
Jornalistas distraídos
A explicação oferecida pelos coordenadores do estudo é que as pessoas com renda mais alta estão mais vinculadas aos setores impactados mais fortemente pela crise, como as exportações, os setores financeiro e imobiliário. As dificuldades desses setores não afetam tanto a maioria de classe média porque são menos importantes no Brasil em termos de geração de emprego e de indicadores de renda do que em outros países.
No extremo inferior da pirâmide social, as classes D e E também estão encolhendo, com maior número de famílias ascendendo à classe C. A informação é de extrema relevância e alguns analistas estranham o fato de que a imprensa não tenha manifestado maior interesse pelo assunto.
Um dos aspectos que deveriam estar movimentando os comentadores de jornais e dos noticiários televisivos e radiofônicos é a possibilidade de estarmos assistindo a uma alteração profunda no desenho da pirâmide social do Brasil.
Trata-se de um tema fascinante até mesmo para o jornalista mais distraído, mas parece que a imprensa faz questão de ignorar a realidade brasileira.
Sociedade em mutação
O estudo da Fundação Getúlio Vargas considera que, na última década, as mudanças no modelo econômico brasileiro têm produzido um novo desenho na sociedade, o que acaba por levantar defesas contra a crise internacional.
Algumas iniciativas dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, provendo estabilidade aos negócios, estimulando a exportação e facilitando a criação de um sistema bancário sólido e competitivo, criaram as bases para investimentos produtivos de longo prazo e para a modernização de alguns setores, como o das telecomunicações.
Os projetos sociais de transferência de renda, criados ou ampliados nos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva, tiraram da miséria milhões de famílias e produziram a nova classe média que agora sustenta em grande parte a economia brasileira.
A pesquisa de mobilidade social revela os números dessa mudança de posições. Ela é importante porque pode orientar inovações nas estratégias das empresas e nas políticas públicas. Uma classe ascendente tem sempre um enorme potencial de energia criativa e de consumo.
As primeiras gerações das famílias que ascendem socialmente são um fator importante de desenvolvimento, e, conforme observam os coordenadores da pesquisa, 25% dos brasileiros se encontram nessa condição.
Pauta esquecida
A prosseguir a tendência apontada pelo estudo, teremos em algum tempo não exatamente uma pirâmide social, mas um hectaedro, com uma base e um ápice mais estreitos e uma parte central mais avantajada, formada pela maioria da classe média.
Claro que, diante desses indicadores, tornam-se importantes novos negócios dirigidos a essa nova classe média, o que já vem sendo explorado por algumas empresas. A imprensa também se beneficia desse fenômeno, pois quase todas as empresas jornalísticas têm um título popular, e esse é o nicho que mais cresce no Brasil.
Por todos esses motivos, torna-se incompreensível que a imprensa, de modo geral, tenha se esquivado de se aprofundar no tema.
Texto original do Observatório da Imprensa.