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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Casa de Ferreiro

 Leandro Fortes*


A minha pergunta é a seguinte: Lucas Mendes escreveria isso sobre eleições no Brasil? Diria, por exemplo: “O jornal de maior circulação do país é a conservadoraFolha de S.Paulo, pró Serra”? Diria o mesmo sobre O Globo, Estadão e Veja? Ou mesmo sobre a TV Globo?

Respondo: nunca.

A honestidade intelectual utilizada por Lucas Mendes ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos Estados Unidos não se aplica em textos, cá e lá, sobre a política brasileira. Não trata sequer de espectros ideológicos: na imprensa brasileira existem partidos de esquerda, mas nunca de direita.
E isso é um elemento claríssimo de perpetuação da indigência jornalística nacional que se protege dessa crítica, aos berros, sob a falácia permanente da defesa da liberdade de imprensa.

Leandro Fortes. Jornalista, professor e escritor, autor dos livros 'Jornalismo Investigativo', 'Cayman: o dossiê do medo' e 'Fragmentos da Grande Guerra', entre outros. Sua mais recente obra é 'Os segredos das redações'. É criador do curso de jornalismo on line do Senac-DF e professor da Escola Livre de Jornalismo. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Leitora da Folha se espanta ao descobrir que PSDB é o partido campeão dos fichas-sujas. Ué!



É no que dar viver sequestrado da realidade por Folha, Estadão, Veja e Organizações Globo. Uma leitora da Folha, que, pelo que lê diariamente no jornal, deveria achar que o PT era o partido mais corrupto e ficha-suja do Brasil, ao contrário do PSDB, que seria o mais limpinho, surpreendeu-se com reportagem recente da própria Folha que mostra exatamente o oposto: que o PSDB é o partido com o maior número de fichas-sujas do Brasil.
Surpreendeu-me o levantamento apresentado pela Folhacruzando candidatos impedidos pela Lei da Ficha Limpa e partidos políticos. O PMDB tem fama de fisiológico e o PT está enroscado com o julgamento do mensalão, mas quem lidera o ranking dos "fichas-sujas" é o PSDB, que por esses dias tem destacado a questão da honestidade e moral em suas campanhas. Que ironia.- Fabiana Tambellini. [Fonte

Muito se fala, e se condena (eu também condeno), o uso do sequestro de pessoas como arma na luta política. Mas pouco se fala num outro sequestro, mais sutil, aquele em que não se sequestra a pessoa da realidade, mas se sequestra a realidade da pessoa, como escrevi aqui:
Quem acompanha o Brasil pelos jornalões, pelas emissoras de TV – em especial pela Rede Globo – tem sua realidade sequestrada. Sem um mínimo de senso crítico, essa pessoa acredita que está diante da verdade, que o que lhe afirmam Veja, Folha, Estadão, O Globo, a Rede Globo, é um retrato fiel da realidade.
Aí se desenvolve a síndrome de Estocolmo, quando a vítima se identifica e/ou tenta conquistar seu sequestrador (e basta ler os comentários nos pitblogs para entender o que digo).
Por mais que se tente mostrar a essas pessoas que a realidade lhes foi sequestrada, elas resistem, defendem seus pitblogueiros e seus veículos do coração. Isso acontece mesmo que a realidade os desminta, como nos casos do trágico acidente de Congonhas, do caos aéreo patrocinado e agora da falsa epidemia de febre amarela, que provocou uma absurda correria da população aos postos de vacinação para se prevenir de uma epidemia que só existia na mídia.
A cegueira é tão grande, que levou a enfermeira Marizete Borges de Abreu, de 43 anos, a se vacinar duas vezes contra a febre amarela, ainda que ela não fosse viajar para uma das áreas de risco, ainda que ela tivesse restrições físicas (lúpus - caso em que a vacina não deve ser tomada), ainda que ela soubesse (como enfermeira) que não se deve tomar mais de uma dose da vacina por vez (outra dose só em dez anos).
Com sua realidade sequestrada pela mídia, Marizete vacinou-se duas vezes num prazo de uma semana e veio a falecer, vítima de falência múltipla dos órgãos.
 

Por isso, quando se fala de sequestro, deve-se salientar que ambas as formas de sequestro são condenáveis, mas a população desinformada pela mídia corporativa só toma conhecimento de uma, enquanto é manipulada pela outra.

 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Escândalo do "mensalão" - Rumo ao arquivo morto

A corrupção voltou a ocupar as manchetes dos jornais, em parte por conta do relatório da Polícia Federal a respeito do escândalo chamado de "mensalão", publicado pela revista Época neste final de semana.
De repente, como um tsunami, uma sucessão de reportagens e comentários lembra o cenário de cinco anos atrás, quando não havia outro tema na imprensa. No entanto, faltaram referências ao maior de todos os escândalos, aquele que representa a ação criminosa de maior envergadura já praticada no Brasil, que deveria ser o caso mais chocante justamente por não se transformar em escândalo.
Trata-se do caso Banestado.
Foi ali que se manifestaram pela primeira vez, de forma sistêmica e organizada, os esquemas de desvio e lavagem de dinheiro em larga escala e grandes volumes, envolvendo quase uma centena de operadores contumazes e um número ainda desconhecido de beneficiários. Foi também no caso Banestado que se caracterizou a relação entre fraudes financeiras e o sistema eleitoral como parte do negócio político, aceita e praticada de forma generalizada.
O chamado "mensalão", se provadas suas evidências, seria mais uma dessas operações.
Reforma política? Sem qualquer resultado prático no caso original do Banestado, cuja análise revela a fragilidade do sistema judiciário brasileiro, não há como esperar uma satisfação total à opinião pública como resultado da nova onda em torno do "mensalão". O arquivo morto parece ser o destino de todos os processos que ameaçam o cerne do sistema.
O novo relatório da Polícia Federal sobre o "mensalão" serve mais à imprensa do que à Justiça. A Folha de S.Paulo afirma, na edição de segunda-feira (4/4), que o material dificilmente será incorporado ao processo que corre no SupremoTritunal Federal.
Se o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, admitir as novas peças, terá de abrir agenda para as manifestações de todos os réus, o que poderá aumentar as chances de passar o prazo de prescrição e acabar não havendo a punição de ninguém. Como já alertou o Estado de S.Paulo há uma semana, o crime de formação de quadrilha prescreve em agosto.
Enquanto isso, não se fala em reforma política, nasce mais um partido de conveniência e tudo continua como dantes.

Luciano Martins Costa no OI

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que a falácia da ditabranda revela





















Por Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior

Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo utilizou a expressão “ditabranda” para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart, a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes similares na América Latina.
Como já se sabe, a Folha não foi original na escolha do termo. Em setembro de 1983, o general Augusto Pinochet, em resposta às críticas dirigidas à ditadura militar chilena, afirmou: “Esta nunca foi uma ditadura, senhores, é uma dictablanda”. Mas o tema central aqui não diz respeito à originalidade. O uso do termo pelo jornal envolve uma falácia nada inocente. Uma falácia que revela muita coisa sobre as causas e consequências do golpe militar de 1964 e sobre o momento vivido pela América Latina.
É importante lembrar em que contexto o termo foi utilizado pela Folha. Intitulado “Limites a Chávez”, o editorial criticava o que considerava ser um “endurecimento do governo de Hugo Chávez na Venezuela”. A escolha da ditadura brasileira para fazer a comparação com o governo de Chávez revela, por um lado, a escassa inteligência do editorialista. Para o ponto que ele queria sustentar, tal comparação não era necessária e muito menos adequada. Tanto é que pouca gente lembra que o editorial era dirigido contra Chávez, mas todo mundo lembra da “ditabranda”.
A falta de inteligência, neste caso, parece andar de mãos dadas com uma falsa consciência culpada que tenta esconder e/ou justificar pecados do passado. Para a Folha, a ditadura brasileira foi uma “ditabranda” porque teria preservado “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”, o que não estaria ocorrendo na Venezuela. Mas essa falta de inteligência talvez seja apenas uma cortina de fumaça.
O editorial não menciona quais seriam as “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça” da ditadura militar brasileira, mas considera-as mais democráticas que o governo Chávez que, em uma década, realizou 15 eleições no país, incluindo aí um referendo revogatório que poderia ter custado o mandato ao presidente venezuelano. Ao fazer essa comparação e a escolha pela ditadura brasileira, a Folha está apenas atualizando as razões pelas quais apoiou, junto com a imensa maioria da imprensa brasileira, o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart.
Está dizendo, entre outras coisas, que, caso um determinado governo implementar um certo tipo de políticas, justifica-se interromper a democracia e adotar “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”. A escolha do termo “ditabranda”, portanto, não é acidental e tampouco um descuido. Trata-se de uma profissão de fé ideológica.
Há uma cortina de véus que tentam esconder o caráter intencional dessa escolha. Um desses véus apresenta-se sob a forma de uma falácia, a que afirma que a nossa ditadura não teria sido tão violenta quanto outras na América Latina. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se elas não mantivessem relação entre si, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a região.
O golpe militar de 1964 e a ditadura militar brasileira alimentaram política e materialmente uma série de outras ditaduras na América Latina. As democracias chilena e uruguaia caíram em 1973. A argentina em 1976. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação.
Recordando. A Operação Condor é o nome dado à ação coordenada dos serviços de inteligência das ditaduras militares na América do Sul, iniciada em 1975, com o objetivo de prender, torturar e matar militantes de esquerda no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
O pretexto era o argumento clássico da Guerra Fria: "deter o avanço do comunismo internacional". Auxiliados técnica, política e financeiramente por oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares sul-americanos passaram a agir de forma integrada, trocando informações sobre opositores considerados perigosos e executando ações de prisão e/ou extermínio. A operação deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos na Argentina, entre 3 mil e 7 mil no Chile e mais de 200 no Uruguai, além de outros milhares de prisioneiros e torturados em todo o continente.
Na contabilidade macabra de mortos e desaparecidos, o Brasil registrou um número menor de vítimas durante a ditadura militar, comparado com o que aconteceu nos outros países da região. No entanto, documento secretos divulgados recentemente no Paraguai e nos EUA mostraram que os militares brasileiros tiveram participação ativa na organização da repressão em outros países, como, por exemplo, na montagem do serviço secreto chileno, a Dina. Esses documentos mostram que oficiais do hoje extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) ministraram cursos de técnicas de interrogatório e tortura para militares chilenos.
Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (30/12/2007), o general Agnaldo Del Nero Augusto admitiu que o Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações de esquerda latino-americanas e os entregou aos militares argentinos. “A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso”, justificou na época o general. Humildade dele. Além de prender e entregar, os militares brasileiros também torturavam e treinavam oficiais de outros países a torturar. Em um dos documentos divulgados no Paraguai, um militar brasileiro diz a Pinochet para enviar pessoas para se formarem em repressão no Brasil, em um centro de tortura localizado em Manaus.
Durante a ditadura, o Brasil sustentou política e materialmente governos que torturaram e assassinaram milhares de pessoas. Esconder essa conexão é fundamental para a Folha afirmar a suposta existência de uma “ditabranda” no Brasil. A ditadura brasileira não teve nada de branda. Ao contrário, ela foi um elemento articulador, política e logisticamente, de outros regimes autoritários alinhados com os EUA durante a guerra fria. O editorial da Folha faz eco às palavras do general Del Nero: “a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso”.
Não é coincidência, pois, que o mesmo jornal faça oposição ferrenha aos governos latino-americanos que, a partir do início dos anos 2000, levaram o continente para outros rumos. Governos eleitos no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai passam a ser alvos de uma sistemática oposição midiática que, muitas vezes, substitui a própria oposição partidária.
A Folha acha a ditadura branda porque, no fundo, subordina a continuidade e o avanço da democracia a seus interesses particulares e a uma agenda ideológica particular, a saber, a da sacralização do lucro e do mercado privado. Uma grande parcela do empresariado brasileiro achou o mesmo em 64 e apoiou o golpe. Querer diminuir ou relativizar a crueldade e o caráter criminoso do que aconteceu no Brasil naquele período tem um duplo objetivo: esconder e mascarar a responsabilidade pelas escolhas feitas, e lembrar que a lógica que embalou o golpe segue viva na sociedade, com um discurso remodelado, mas pronto entrar em ação, caso a democracia torne-se demasiadamente democrática.

sábado, 12 de março de 2011

Quem tem medo da verdade?


Temos diante de nós uma oportunidade de ouro: a de colocar em pratos limpos quem é democrata de fato no País e quem usa a democracia como uma bandeira de conveniência. Durante oito anos, a grande imprensa brasileira cobrou do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fictícios atentados contra a liberdade de expressão. Acusavam Lula de possuir “anseios autoritários”. Nunca antes na história viram-se jornais tão zelosos do sagrado direito do cidadão de se informar. Mas quem agora, dentre estes baluartes da democracia, será capaz de se posicionar ao lado da presidenta Dilma Rousseff em favor da instalação da Comissão da Verdade, que pretende apurar os crimes cometidos durante a ditadura? Ou isto não é direito à informação?

Dilma tem manifestado a auxiliares seu interesse em proporcionar uma satisfação oficial do Estado a familiares e vítimas da ditadura, como fizeram nossos vizinhos na Argentina, Chile e Uruguai. Faz parte da agenda da ex-guerrilheira, presa e torturada, destacar-se na defesa dos Direitos Humanos. A titular da pasta, ministra Maria do Rosário, declarou, de chegada, ser assunto prioritário do governo a instalação da comissão. Mas foi só a presidenta assumir que sumiram das páginas mais “liberais” de nossa imprensa os artigos dos colunistas fixos em defesa da comissão. Foram suplantados por textos em defesa da… Defesa, o poderoso ministério que abriga os militares das três Forças.

No final do governo Lula, um articulista da nobre página 2 da Folha de S.Paulo, por exemplo, chegou a publicar várias colunas cobrando do presidente mais vigor na investigação do período militar, que tirasse a Comissão da Verdade do papel. Depois que Dilma demonstrou estar decidida a encarar o desafio, nunca mais. O que se vê atualmente são matérias, à guisa de furos de reportagem, ecoando a opinião dos militares mais obtusos da ativa, se não simplesmente já em seus pijamas. Em editoriais, mesmo, nenhum dos nossos grandes e democráticos jornais foi capaz de defender a instalação da comissão.

O Globo, aliás, fez justamente o contrário: espinafrou qualquer possibilidade de se mexer num passado que não lhe foi, afinal, o que poderia se chamar de “período de vacas magras”. Em editoriais, o jornal dos Marinho, sempre tão vigilante na hora de apontar tendências antidemocráticas em Lula, chamou a comissão de “orwelliana” e “encharcada de revanchismo”. Uma verdadeira “CPI da Ditadura” – como se isso não fosse algo a celebrar. O diário carioca fez malabarismos ao aliar o suposto “autoritarismo” de Lula a uma comissão “ao gosto dos regimes stalinistas”. É certo que Stalin reescreveu a verdade a seu bel-prazer. O Globo, porém, parece preferir que ela não seja nem sequer contada.

No início deste ano, a Folha bem que tentou disfarçar sua real opinião sobre o período que alcunhou de “ditabranda”, intercalando artigos de convidados contra e a favor da instalação da comissão. E uma ou outra carta apareceu em seu painel do leitor francamente favorável à investigação do passado. Mas a posição oficial do jornal é de editorial publicado em 31 de dezembro de 2009. Os crimes da ditadura, assegurava a Folha, “foram cometidos pelos dois lados em conflito”. Revisar a Lei da Anistia, nem pensar, publicou no editorial: “Não há nenhuma vantagem para a democracia em atiçar ressentimentos”. Para concluir: “O passado não deve ser esquecido – mas que não seja entrave e fonte de perturbação para o presente”.

A mim parece no mínimo curioso que órgãos de imprensa tão ciosos da democracia acatem os argumentos dos generais que impingiram ao país – eles sim, não Lula – uma ditadura. O projeto da Comissão da Verdade inclusive contempla a caserna, ao propor também a investigação de possíveis abusos cometidos pelos que lutaram contra o regime militar. Exigência, como se vê, dos militares, aliados aos jornais, e levada a cabo pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que por fim conseguiu embuti-la no texto levado ao Congresso. Ainda assim, continuam as restrições à comissão, pelos soldados armados e os de papel.

Um observador atento diria que a atitude reticente dos jornais em relação à Comissão da Verdade deixa transparecer um certo temor das investigações. Mas por que a grande imprensa brasileira teria medo da verdade? Acaso seria uma verdade inconveniente? Tempos estranhos estes em que democratas preferem o obscurantismo à luz.

Uma nota: O Estado de S.Paulo fica de fora desta análise apenas porque não encontrei em seu arquivo online e na internet nenhuma opinião do jornal sobre a Comissão da Verdade. Teria optado pelo silêncio?

Por Cynara Menezes

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.

Fonte: cartacapital.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

Por que ele não dá uma aula em Caruaru em vez de Biarritz ?


O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.

Uma desmoralização arrasadora.

É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.

0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.

Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?

Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.

O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.

Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !

30 vezes, amigo navegante.

Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.

O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.

O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ?

É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENEM.

Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.

Fica com mania de grandeza, de autonomia.

Pensa que pode mandar no seu destino.

E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.

Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.

Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.

Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.

Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).

Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?

O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !

Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.

Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …

“Público” quer dizer “de todos”.

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?

Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !

Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?

Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?

Nordestina pobre com diploma de médica ?

Vai faltar pedreiro.

Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

sábado, 25 de setembro de 2010

Estadão "sai do armário" e diz que apóia Serra. E a Globo, a Folha e a Veja? Quando?


O Estadão diz em seu editorial que apóia a candidatura de José Serra a presidência da República.
"Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República", assumiu a publicação pela primeira vez em sua história.
Não chega a ser novidade para ninguém a preferência política do jornal. Novidade é que o tenha dito explicitamente. Considero muito salutar para a nossa jovem democracia que o tenha feito. Nas democracias consolidadas a muito tempo, no hemisfério norte, é comum veículos de imprensa declararem seu voto.
Agora, a pergunta inevitável: Quando os demais veículos farão o mesmo? Permanecerão fingindo-se de "imparciais"? Desta vez ficaram em uma "sinuca de bico".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Globo-Folha: a voz do crime no Brasil



Criminoso condenado é o herói da mídia golpista

Pela primeira vez, os golpistas midiáticos associaram diretamente o nome de Dilma Rousseff a um suposto delito.

O golpe veio em "cadeia nacional", pelo JN, da boca de um criminoso comum, julgado e condenado.

Era receptador de cargas roubadas e lidava com dinheiro falsificado.

Já passou dez meses atrás das grades.

Admite que no passado foi filiado ao PSDB.

Esse bandido virou celebridade na Folha de S. Paulo, que exibe dele uma foto posada, produzida por Letícia Moreira num chiaroscuro ao estilo Van der Goes (foto acima).

No quadro de 19 cm x 24 cm, o ladrão cafajeste virou galã.

No horário jornalístico nobre da TV, foi tratado como demiurgo.

Ganhou cerca de um minuto para desfiar acusações confusas contra Erenice e Dilma.

Ou seja, Folha e Globo se transformaram em canal de locução do crime.

Mesmo assim, provavelmente não serão processados.

Nenhum policial, procurador ou magistrado se levantou, até agora, para questionar a conversão de veículos de comunicação em armas de destruição moral.

O cidadão tampouco pode contar com o Governo Federal e com o PT, sempre tímidos e incapazes de agir contra as gangues midiáticas e seus novos atores, agora recrutados no sistema carcerário.

O episódio da demissão de Erenice Guerra constituiu-se em grave erro estratégico.

Tolerar o avanço da bandidagem midiática pode ser trágico, mesmo que se vença a eleição.

Ou destruímos o golpismo midiático ou o golpismo midiático vai destruir o Brasil.


Do blog Diário Gauche

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Jornalismo B: O povo não é bobo, ou #dilmafactsbyfolha

O grito de guerra “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” agora precisa de uma nova rima. Parte da militância política brasileira encontrou no jornal Folha de S. Paulo o alvo preferencial para críticas relacionadas à cobertura eleitoral em 2010. Após seguidas manchetes contrárias a Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência da República, a Folha virou protagonista de uma forte mobilização de piadas no Twitter.

Inspirado no “Chuck Norris Facts”, que atribuía grandes feitos ao ator, está circulando no Twitter o “Dilma Facts by Folha”. São manchetes que, segundo os twitteiros, a Folha de S. Paulo faria para atacar Dilma. Coisas do tipo “Quando Dilma mergulhou no Mar Morto ele não estava nem doente”, ou “Adolescente grávida afirma: o pai é Dilma”, ou ainda “Dilma inventou a vuvuzela”. A hashtag (expressão) #dilmafactsbyfolha ficou boa parte do domingo em primeiro lugar no Trending Topics Brasil, que relaciona as expressões mais citadas no Twitter, e nessa segunda-feira continua entre as 10.

A reação da internet à cobertura que a Folha vem fazendo deve servir de alerta aos grandes veículos da imprensa brasileira: eles estão sendo fiscalizados. Ainda que tenham conseguido impedir até agora o avanço de qualquer proposta de controle social da mídia, não estão conseguindo barrar a força da internet, que tende a crescer e chegar às ruas em pouco tempo.

A imagem da Folha está sendo arranhada, isso é fato. Por causa de sua clara tendência a acusar Dilma e proteger o candidato do PSDB, José Serra, o jornal vem sofrendo pesadas críticas. Começa a ser construída na web uma imagem da Folha como pouco mais que um veículo a serviço do PSDB. O jornal tem muitas qualidades, é inegável, e essa imagem traduz apenas uma das facetas da Folha, mas é a que está começando a impregnar o imaginário.

A Folha, como os outros grandes veículos, precisa ficar atenta. Como anos atrás o grito de “abaixo a Rede Globo” ganhou as ruas, a comoção popular contra quem manipular as informações tende a crescer. A internet, aos poucos, vai tomar outros espaços, e tende a transferir seu potencial mobilizador para fora dos computadores. Se o fim dos jornais impressos não é uma realidade, o enfraquecimento dos veículos que não prestarem informações confiáveis parece ser o caminho que se avizinha. Agora, todos somos fiscais da mídia.


Do Jornalismo B

sábado, 4 de setembro de 2010

Um artigo que chama pela pertinária da direita



Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do mesmo instituto, ambos celetistas do grupo midiático da família Frias, assinam um artigo na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Não é preciso frisar que a Folha constitui uma armada serrista em combate constante contra o lulo-dilmismo.

A real condição político-ideológica do grupo Folha, de resto, de todos os grandes veículos da mídia que conta no Brasil, entretanto, é subsumida (kantianamente) sob o manto falso da isenção, da imparcialidade, do porta-voz da vontade geral, e do pior, do apolitismo mais acanalhado e cínico. Você jamais lerá um editorial de O Globo ou do Estadão declarando voto a José Serra. Eles preferem o jogo oblíquo, indireto e no interior da câmara de espelhos, onde as imagens podem ser falsas, os personagens, fictícios, e os fatos, fantasiosos. O resultado é isso que estamos assistindo no presente momento: uma editoria diária de representações da realidade na intenção de fazer moldes fake do real.

O artigo da dupla Paulino-Janoni tem como título "Só uma tempestade pode mudar a maré de bonança de Dilma". Eles admitem que - de fato - é muito difícil haver uma modificação tão drástica na tendência de vitória da candidata de Lula. Mas essa admissão é apenas uma máscara para a real intenção do texto.

No final, acenam com alguma chance para Serra, caso a escalada golpista do momento seja exitosa. O duo PJ diz assim, encerrando o artigo com um fresta de oxigênio para a direita: "Em condições normais, sem fatos que abalem a concentração do voto de um ou outro candidato, espera-se a manutenção da tendência. Mas, vale a lembrança de que, em 2006, antes da denúncia dos 'aloprados do PT', Lula tinha em 4 e 5 de setembro 51% das intenções de voto contra 27% de Geraldo Alckmin (PSDB). O presidente chegou nas urnas com 45%, o tucano com 38% e houve segundo turno".

Eles estão admitindo que as manobras golpistas já deram certo uma vez, pelo menos no primeiro turno de 2006, logo, podem ocorrer novamente, basta perseverar na transfiguração do real. Este artigo é uma conclamação à necessidade de pertinácia da direita.

Observe, então, que há sim uma aposta firme e progressiva no golpe como forma de modificação do quadro político-eleitoral adverso à direita.

Dpo Diário Gauche

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Diário Gauche: Yedão opta por pagar pela TV de Serra a receber conteúdo de graça da TV Brasil



TVE perde assim 500 mil reais em produção de programas e investimentos do sistema digital

Deu na Folha, de hoje:

O governo gaúcho, da tucana Yeda Crusius, rejeitou uma proposta para que a TV educativa local, a TVE, retransmita a TV Brasil, do governo federal, para renovar contrato em que passará a pagar para veicular programas da TV Cultura - emissora ligada ao governo tucano de São Paulo.

Abrir mão da parceria com a TV Brasil significará para a TVE a perda de pelo menos R$ 500 mil em produção de programas ao ano, além de investimentos para migração para o sistema digital.

A emissora gaúcha fica ainda obrigada a mudar de sede, já que o prédio que ocupa há 30 anos e que pertencia ao INSS foi comprado pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), responsável pela TV Brasil.

A presidência da TVE afirma que não há necessidade de acordo com a TV do governo federal, porque "está muito bem servida" pela parceria com a TV Cultura. Mas, como a emissora de São Paulo decidiu cobrar pela retransmissão, a TVE passará a desembolsar em torno de R$ 20 mil ao mês.

"Nosso momento atual é investir em programação local. Queremos reorganizar uma fundação que busca desesperadamente sua autossustentação", afirmou o presidente, Ricardo Azeredo.

Dentro do governo gaúcho, a opinião é que a TV Brasil é um instrumento do governo Lula. Aliados de Yeda citam como exemplo o viés governamental de programas jornalísticos, como o "Repórter Brasil", que precisa ser retransmitido pelo menos uma vez ao dia pelas parceiras estaduais.

Segundo o diretor jurídico da EBC, Luís Henrique Martins dos Anjos, a proposta feita à TVE inclui repasse de cerca de R$ 500 mil para produção de material jornalístico e programas que seriam incluídos na grade nacional da TV Brasil e a possibilidade de utilizar a tecnologia da emissora federal na migração para o sistema digital.

O diretor afirma que a TV Brasil já paga pelos direitos de transmissão dos principais programas da TV Cultura - como o "Roda Viva" e infantis -, que a emissora gaúcha poderia levar ao ar sem custos. Além disso, mais de 50% da grade de programas é aberta para produções locais.

"A única explicação que eu encontro é a orientação política", diz ele, que é responsável pela instalação da EBC no RS.

Martins dá o exemplo da TV educativa de Minas Gerais - outro governo tucano -, que tem parceria com a TV Brasil e recebe para produzir quatro programas que vão ao ar em todo o país. "Não é normal que todas as TVs educativas estejam erradas", afirmou ele.

O diretor afirma que a TV Brasil tem interesse em pagar em torno de R$ 400 mil para que a TVE produza um programa infantil em rede nacional.

"A governadora fez um anúncio de que [a TVE] ia mudar de local. Mesmo assim, nós vamos reiterar a proposta", diz.

A presidente da EBC, Teresa Cruvinel, vai enviar um novo convite ainda neste mês.

Com o fracasso das negociações com a TVE, o Rio Grande do Sul passa a ser o único Estado em que a TV Brasil está sem parceria para retransmissão.

......................

Duas coisas a dizer sobre a governadora: burrice e mesquinhez. Mas por quê? Ora, para não colocar nenhum grão de obstáculo à audiência das emissoras da RBS. Mediocrizar e sufocar a existência da estatal TVE é um compromisso a qual a governadora se propôs. Está cumprindo-o como se fora um dever patriótico dos mais relevantes.

Agora, eu pergunto a vocês: sabem quando nós leremos a notícia acima - divulgada pela Folha, um jornal sabidamente serrista - publicada nos órgãos da RBS?

Nunca!

Via Diário Gauche

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LEITURAS DA FOLHA: Lixo em estado puro



Por Alberto Dines em 30/11/2009
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=565IMQ012

Vamos criar uma igreja e deixar de pagar impostos? A manchete da Folha de S.Paulo de domingo (29/11) foi a mais comentada dos últimos tempos. Nem parecia ser o mesmo jornal que dias antes, na sexta-feira, produziu um lixo jornalístico dos mais repugnantes e que desde então está ocupando a seção de cartas dos leitores quase inteira.

A propósito da estréia do filme Lula, o filho do Brasil, a Folha publicou um depoimento do seu colunista Cesar Benjamin, dissidente do PT, a propósito de um comentário cabeludo feito há 15 anos pelo então candidato à presidência Lula da Silva (FSP, 27/11, pág. A-8).

Como foi constatado no dia seguinte, o comentário foi efetivamente feito mas em tom de troça, conversa de fim de expediente. A Folha rasgou e tripudiou sobre todos os seus manuais de redação, pisoteou 20 anos de trabalho dos seus ouvidores ao aceitar como verdadeira uma fofoca estapafúrdia sem qualquer diligência sobre a sua veracidade.

Não foi desatenção, erro involuntário, tropeço de um redator apressado: a Folha reservou uma página inteira para que o colunista contasse a sua saga nos cárceres da ditadura iniciada quando contava apenas 17 anos. Seu relato é impressionante, mas de repente, para desqualificar os 30 dias em que Lula passou no xadrez, Cesar Benjamin conta a sua anedota em três enormes parágrafos e com ela fecha o artigo.

Imprensa marrom

À primeira vista, parece mais um golpe publicitário da família Barreto (que produziu o filme), em seguida percebe-se que a denúncia é a vera, fruto de um ressentimento pessoal que um jornal do porte da Folha, que se assume "a serviço do Brasil", não tem o direito de perfilhar.

A direção da Folha simplesmente não avaliou o tamanho do desatino. No dia seguinte, tentou consertar: mancheteou uma de suas páginas com o justo desabafo de Lula classificando o texto como "loucura" (FSP, 28/11, pág. A-10). No domingo, certamente arrependida, a direção da Folha providenciou a evaporação do assunto. Ficou apenas a reprovação do seu ouvidor Carlos Eduardo Lins da Silva.

Tarde demais. Já no sábado (28/11) o Estado de S.Paulo repercutia o episódio com destaque e, no mesmo dia, a Veja já o incorporara à sua edição. O Globo manteve-se à distância desta porcaria.

Se o leitor não sabe o que significa "imprensa marrom", tem agora a oportunidade de confrontar-se com este exemplo – em estado puro – do jornalismo de escândalos e achaques.

domingo, 25 de outubro de 2009

Moral e Política

"Ser moral é cuidar do seu dever. Ser moralizador é cuidar do dever dos outros”.
André Comte-Sponville, O Capitalismo é moral?

Encontrei Flavio Koutzi, meu ex-deputado estadual, numa livraria. Conversa infelizmente curta, mas suficiente para que sua inteligência, comentando aquilo que genericamente definimos como “o jeito que a coisa vai”, chegasse ao centro do assunto: “a moral não substitui a política”.

É claro que não. Recomendei a ele o extraordinário livro de André Comte-Sponville, “O capitalismo é moral?” (Martins Fontes, 2005), que trata disso:

“Eu dizia que vinte anos atrás a política era tudo e que uma boa política nos parecia a única moral necessária. Para muitos jovens de hoje a moral é que é tudo, e uma boa moral lhes parece uma política amplamente suficiente. Duas gerações, dois erros. (...) A moral e a política são duas coisas diferentes, ambas necessárias, mas que não podem ser confundidas sem comprometer o que cada uma delas tem de essencial. Necessitamos das duas, e da diferença das duas! Necessitamos de uma moral que não se reduza a uma política, mas necessitamos também de uma política que não se reduza a uma moral”.

Já me incomodei o suficiente por ser a única pessoa no país que não entende a fúria contra o nepotismo (1), este moralismo inócuo que produziu dezenas de leis bizarras que se baseiam no fato de que é moralmente aceitável empregar o vizinho, a amante ou o colega de biriba (não-parentes), mas é moralmente inaceitável empregar a prima, o filho ou o tio (parentes). A mim, e parece que só a mim, parece que o importante seria saber se é mesmo necessário contratar alguém, se este cargo não pode ser preenchido por um funcionário de carreira, admitido por concurso ou tem que ser mesmo um cargo de confiança, se o contratado trabalha mesmo, cumpre horário, tem produtividade, recebe um salário justo, enfim, tudo isso que parece não interessar a ninguém, o importante mesmo é não ser parente.

O engraçado é que essa barafunda de leis anti-nepotistas, que custaram uma grana e não economizaram um centavo, não foi eficiente para apanhar com a boca na botija o articulista da Folha de São Paulo, José Sarney, em suas constrangedoras conversas familiares, reveladas pelo jornal concorrente, O Estado de São Paulo. Infelizmente, namorado de neta não é parente, Sarney não fez nada de ilegal. Ao contrário do líder do PSDB, Artur Virgílio, cujo funcionário, que não era seu parente, estudou cinema na Europa por mais de um ano, sendo pago por nós, via salário do Senado.

Aqueles a quem Comte-Sponville chama de “canalhas moralizadores” andam por todo lado, da esquerda à direita. A maior parte anda pela mídia, contando tudo que lhe informam sobre Sarney e nada do que sabem sobre Quércia, tudo sobre Dilma e nada sobre Serra. (Só o que sei sobre as idéias do líder de todas as pesquisas na sucessão presidencial é que ele pede que não fumem, no que faz muito bem. A oposição poderia incluir em seu programa de governo uma lei que obrigue a todos que desliguem seus celulares em shows e palestras, tenho certeza que a medida receberia grande apoio, embora não tenha, talvez, o mesmo impacto que a queda do desemprego pela metade, o salário mínimo quadruplicado, o pré-sal ou a transposição do São Francisco).

Na onda moralizante que o udenismo midiático impôs a sociedade brasileira, desinformada pelo hábito de só ver tevê e ler manchetes e sedenta por explicações rápidas e simples sobre assuntos muito complexos (“Em 30 segundos, quais os crimes cometidos pelos donos do dinheiro da conta Tiger Eye?”), o telefonema de Sarney sobre o emprego do namorado da neta torna-se a passagem do Rubicão, enquanto os bilhões de dólares em revoada pelo Caribe são tratados como “tecnicalidades”, relegadas à página oito.

A imprensa defende, com toda a razão, o sigilo de suas fontes de informação. O que não sabíamos, nós, leitores, é que esta regra valia também para as fontes que mentiam, e que o jornalista sabia que mentiam. O jornal sabe que publicou uma grosseira fraude, a suposta “ficha de Dilma”, na capa de sua edição dominical, mas insiste na possível veracidade da falcatrua apelando ao nonsense: “Não se pode afirmar se uma imagem foi ou não criada digitalmente sem que seja possível examinar o original de papel”. Não é lindo? Como diria o Groucho, “Só vou acreditar que ele morreu se ele me disser isso pessoalmente!”

A imprensa, que repercute o que quer e quando quer, esquece rapidamente o que lhe interessa esquecer. Afinal, de quem foi a idéia de achar o dia 9 de outubro anotado na agenda de Lina Vieira como a data do encontro com Dilma? O que houve com a informação da reunião do dia 19 de dezembro, que levou Elio Gaspari a dizer, que eu saiba sem nunca ter se desculpado, que Dilma tinha “uma relação agreste com a verdade”?

Leio a manchete de capa da edição de domingo da Folha:

“Lina afirma ter achado agenda que traz reunião com ministra”

Texto, na capa do jornal:

"A ex-secretária da receita federal Lina Vieira diz ter achado a agenda com o registro da reunião com Dilma Roussef no qual a ministra da Casa Civil teria pedido para “agilizar” investigação contra a empresa da família do senador José Sarney. Na primeira linha da página de 9 de outubro de 2008, há uma anotação sobre o compromisso. O Gabinete de Segurança Institucional diz haver registro da ida de Lina ao Planalto naquele dia. Dilma afirma que o encontro não ocorreu."

Este texto é um exemplo perfeito para a compreensão do atual estilo na antiga imprensa, que anda numa relação nada agreste com a mentira. Na manchete da capa: “Lina afirma ter achado...”. No texto: “Lina Vieira diz ter achado...” Perguntas do leitor: afirma a quem? Diz a quem? Lina Vieira foi ouvida pelo jornal? Lê-se imaginando-se que sim, embora os textos não deixem claro. E logo a agenda que o jornal afirma que Lina “afirma ter encontrado” vira “o documento” que “reforça o relato que Lina fez à Folha...” e não se fala mais nisso.

No texto: “O Gabinete de Segurança Institucional diz haver registro da ida de Lina ao Planalto naquele dia (9 de outubro). Dilma afirma que o encontro não ocorreu”.

Aqui, a síntese do estilo udenista: uma pequena dose de mentira, uma grande dose se manipulação, a esperança de que o leitor não esteja prestando muita atenção aos detalhes e não seja muito esperto, algumas omissões e um elevado grau de cinismo.

O texto apresenta como aval ao furo de reportagem da Folha a informação de que “O Gabinete de Segurança Institucional diz haver registro...”. O fato é que o encontro de Lina com Dilma no dia 9 de outubro foi tornado público pelo governo, e faz muito tempo. Como nos sonetos parnasianos, tudo é feito em busca da chave de ouro, a frase que fecha o texto e que, espera-se, repercuta nas barbearias e salões da corte: “Dilma afirma que o encontro não ocorreu”. Logo, Dilma mente.

Qual encontro? O do dia 9? Quem afirmou, publicamente, que o encontro do dia 9 de outubro ocorreu foi o governo, e faz tempo. Lina, na CPI, confirma que ocorreu, lembra do encontro, comenta o assunto tratado. O texto da Folha, intencionalmente (“Olhe, nada nas mangas!”) mistura um encontro que houve e que todos sabem que houve, com o suposto encontro – outro encontro, o que Dilma nega ter havido. O suposto encontro seria confirmado pela suposta descoberta de um suposto documento que supostamente Lina afirma ter encontrado. Neste suposto encontro, supostamente, Dilma teria pedido para que Lina “agilizasse”, assim mesmo, entre aspas, as investigações da receita federal sobre a família Sarney.

O vídeo com Lina Vieira desmentindo a fraude do “encontro no dia 9” (2) deixou a Folha com mais um mico na mão, e este é dos grandes, já que a credibilidade do jornal fica dependendo de que o leitor não lembre do que foi publicado há quatro dias. A queda das vendas pode indicar que a aposta na amnésia, em tempos de arquivos digitais facilmente consultáveis, talvez tenha sido alta demais. A "ditabranda" foi um enorme erro de discurso, já assumido pelo jornal. Já a ficha da Dilma, as fotos do dinheiro dos aloprados, o encontro com Lina, o grampo sem áudio, os 35 milhões de infectados pela gripe A e - last but not least - o Picasso do INSS, são erros que vão da incompetência à mentira, passando pela má vontade e a má fé.

Numa democracia, é inaceitável a censura a imprensa, assim como é inaceitável que um jornal ou televisão divulguem provas, obtidas sabe-se lá por que meios, de um inquérito que corre sob segredo de justiça, com o claro objetivo de favorecer uma corrente política. A função da imprensa é fustigar a todos os governos, sempre, e é inaceitável que ela fustigue apenas alguns governos, e só quando isso lhe interessa.

Blog de Jorge Furtado

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mais um factóide foi dissolvido, que venha o próximo


Agora, deve ser a vez da candidatura "verde"

O factóide Lina-versus-Dilma criado pela imaginação doentia da Folha, que foi replicado pelos demais sócios do PIG (Partido da Imprensa Golpista), ontem, parece ter dado mostras de falência múltipla das versões fabricadas.

Há vinte dias que esse assunto frequenta o noticiário de tevês, rádios e jornais no Brasil inteiro. O partido único da midiocracia das sete famílias deu as cartas e jogou de mão. Não gerou dividendo algum aos seus inventores, mas continuou sendo explorado até ontem à noite. Como o depoimento de Lina Vieira frustrou a todos os gigolôs dos factóides marca PIG, agora se espera um arrefecimento dos espíritos tumultuários e golpistas.

Mas eles voltarão. Há novos artefatos usinados saindo dos fornos da mídia oligárquica. Além de quererem fixar um carimbo de "mentirosa" na imagem da ministra-chefe da Casa Civil, agora a invectiva da vez é a candidatura "verde" da senadora Marina Osmarina Silva.

É curioso que, subitamente, toda a direita brasuca tenha se tornado adepta fervorosa da consigna do "desenvolvimento sustentável", vendo na senadora acreana uma porta-estandarte ideal para essa palavra de ordem tão esquecida pelos novatos que a defendem.

Enquanto isso, o tucanato de alto coturno se reúne na casa do Farol de Alexandria, também alcunhado de FHC, para "planejar a temporada de pesquisas eleitorais", eufemismo para a nova investida de manipulação grosseira dos números das sondagens.

A direita brasuca ainda enlouquece, antes das eleições de 2010.

Do Diário Gauche

segunda-feira, 27 de julho de 2009

UMA EPIDEMIA MAIS GRAVE QUE A GRIPE SUÍNA: A DE MAU JORNALISMO

Uma epidemia muito pior que a gripe suína está grassando: a do alarmismo jornalístico.

A nova modalidade de influenza é uma moléstia que ainda não atingiu contingentes mais significativos da população brasileira, além de bem pouco letal.

Mas, trombeteando dia após dia a mórbida contagem de cadáveres, o noticiário causa, em leitores pouco afeitos a estatísticas, a impressão de que estejam diante de uma terrível ameaça.

Longe disto. Em comparação com as grandes pestes do passado, a gripe suína é refresco.

Vale lembrar, p. ex., que a gripe espanhola matou quase 2% da população brasileira, no final da década de 1920: aproximadamente 300 mil pessoas.

Pior ainda é se compararmos os dados da gripe suína com outras causas de mortandade. Aí o que fica evidenciado é a má fé da imprensa.

Vejam o caso da cidade de São Paulo: o número de óbitos ainda não chega a oito.

Pois bem, em maio eu alertei (ver aqui) que a concentração criminosamente elevada de enxofre no diesel mata, somente em São Paulo, capital, 3 mil pessoas ao ano -- ou seja, oito por dia!

Mas, como há interesses econômicos de grande monta envolvidos, o assunto é praticamente banido do noticiário.

Já o terrorismo midiático em torno da gripe suína tem sinal verde porque não afetou negócios importantes, pelo menos até agora. Só fez diminuir um pouco o turismo.

Vamos ver se a imprensa manterá o mesmo comportamento leviano caso o público venha a desertar consideravelmente das salas de espetáculos, comprometendo as receitas dos cadernos de variedades.

De resto, tenho a satisfação de louvar, mais uma vez, o corajoso trabalho do ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, que ousou neste domingo qualificar o estardalhaço promovido por seu jornal em torno da gripe suína como irresponsável (ver aqui).

Seu comentário é uma verdadeira aula de ética jornalística. Vale a pena reproduzir os principais trechos:
"A reportagem e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.

"O título da chamada, na parte superior da página, dizia: 'Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses'. A afirmação é taxativa e o número, impressionante.

"Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.

"Mesmo os menos paranoicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.

"O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde 'estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem (...) ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões'.

"É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.

"Mas não. Quem foi à página C5 (...) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).

"O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem 'adequadas' e que 'informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial'.

Blog Náufrago da Utopia

terça-feira, 28 de abril de 2009

F_R_ф_N_T: BLOGUEIRO SUGERE "FICHA" DE SERRA ESPERANDO QUE DÊM O MESMO TRATAMENTO "TÉCNICO" DADO A "FICHA" DE DILMA

SERÁ QUE A FOLHA PUBLICA???

Como a própria folha (em minúsculo mesmo) assumiu que a ficha da "terrorista" Dilma foi enviada via email por um leitor, e ela publicou como verdadeira e ainda inventou uma história de sequestro do Delfim Neto com a participação dela, que tal se alguém mandar para a mesma folha esta ficha deste post???

A folha irá publicar???

Será???

Por Thales

Do Blog F_R_ф_N_T

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ZH e o casal Crusius: furos e versões


Por Vivian Grossi Rauter
Não é só o governo Yeda que vive um período de desacertos. Desde a Operação Rodin e a CPI do Detran na Assembléia gaúcha que o jornal Zero Hora é constantemente "furado" por jornais e revistas do centro do país. Sem falar nas inúmeras notícias que blogs gaúchos divulgaram em primeira mão. O jornal ZH e a jornalista Rosane de Oliveira foram os últimos, por exemplo, a publicar as declarações do delegado Tubino, durante a CPI do Detran, sobre os supostos 400 mil dados por Lair Ferst para aquisição da famosa casa da senhora governadora. Tanto é que a própria Rosane de Oliveira, em seu blog, justificou as razões para o atraso da publicação da referida noticia.

Hoje (25), ZH, atinge o clímax em seu desacertos quando, em sua página 6, divulga que a "aliança do casal Crusius parece ter chegado ao fim". E afirma que a fonte é a coluna Painel da Folha de São Paulo. Na matéria, Zero Hora diz :

"O casal já morava em casas separadas - ela na residência da Vila Jardim, ele no apartamento de Petrópolis que compartilhavam até pouco depois da eleição”.

Esta informação contraria o que a jornalista Rosane de Oliveira divulgou em sua coluna há menos de 60 dias em uma nota intitulada “Porta aberta”:

"Quem convive com o casal Crusius garante que a extinção do Conselho de Comunicação, presidido até então pelo professor Carlos Augusto Crusius, não significará seu afastamento do poder. Um amigo dele e da governadora Yeda Crusius afirma que o professor está comprometido com o projeto desde o início e que não precisa do cargo para continuar opinando. Para manter a privacidade, Crusius conservou o apartamento que os dois ocupavam em Petrópolis, antes de Yeda ser eleita e comprar a casa na Vila Jardim. É lá que recebe os amigos e dedica horas e horas à leitura."

Naquela ocasião, na principal coluna política do jornal ZH, não foi divulgado que o casal morava em casas separadas. Não surpreende a Folha de São Paulo furar o jornal Zero Hora em assunto da política gaúcha; o que é surpreendente é a própria Zero Hora assumir a noticia da Folha de São Paulo "esquecendo" o que foi divulgado há pouco tempo por sua colunista política.