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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Casa de Ferreiro

 Leandro Fortes*


A minha pergunta é a seguinte: Lucas Mendes escreveria isso sobre eleições no Brasil? Diria, por exemplo: “O jornal de maior circulação do país é a conservadoraFolha de S.Paulo, pró Serra”? Diria o mesmo sobre O Globo, Estadão e Veja? Ou mesmo sobre a TV Globo?

Respondo: nunca.

A honestidade intelectual utilizada por Lucas Mendes ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos Estados Unidos não se aplica em textos, cá e lá, sobre a política brasileira. Não trata sequer de espectros ideológicos: na imprensa brasileira existem partidos de esquerda, mas nunca de direita.
E isso é um elemento claríssimo de perpetuação da indigência jornalística nacional que se protege dessa crítica, aos berros, sob a falácia permanente da defesa da liberdade de imprensa.

Leandro Fortes. Jornalista, professor e escritor, autor dos livros 'Jornalismo Investigativo', 'Cayman: o dossiê do medo' e 'Fragmentos da Grande Guerra', entre outros. Sua mais recente obra é 'Os segredos das redações'. É criador do curso de jornalismo on line do Senac-DF e professor da Escola Livre de Jornalismo. 

sábado, 12 de março de 2011

Quem tem medo da verdade?


Temos diante de nós uma oportunidade de ouro: a de colocar em pratos limpos quem é democrata de fato no País e quem usa a democracia como uma bandeira de conveniência. Durante oito anos, a grande imprensa brasileira cobrou do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fictícios atentados contra a liberdade de expressão. Acusavam Lula de possuir “anseios autoritários”. Nunca antes na história viram-se jornais tão zelosos do sagrado direito do cidadão de se informar. Mas quem agora, dentre estes baluartes da democracia, será capaz de se posicionar ao lado da presidenta Dilma Rousseff em favor da instalação da Comissão da Verdade, que pretende apurar os crimes cometidos durante a ditadura? Ou isto não é direito à informação?

Dilma tem manifestado a auxiliares seu interesse em proporcionar uma satisfação oficial do Estado a familiares e vítimas da ditadura, como fizeram nossos vizinhos na Argentina, Chile e Uruguai. Faz parte da agenda da ex-guerrilheira, presa e torturada, destacar-se na defesa dos Direitos Humanos. A titular da pasta, ministra Maria do Rosário, declarou, de chegada, ser assunto prioritário do governo a instalação da comissão. Mas foi só a presidenta assumir que sumiram das páginas mais “liberais” de nossa imprensa os artigos dos colunistas fixos em defesa da comissão. Foram suplantados por textos em defesa da… Defesa, o poderoso ministério que abriga os militares das três Forças.

No final do governo Lula, um articulista da nobre página 2 da Folha de S.Paulo, por exemplo, chegou a publicar várias colunas cobrando do presidente mais vigor na investigação do período militar, que tirasse a Comissão da Verdade do papel. Depois que Dilma demonstrou estar decidida a encarar o desafio, nunca mais. O que se vê atualmente são matérias, à guisa de furos de reportagem, ecoando a opinião dos militares mais obtusos da ativa, se não simplesmente já em seus pijamas. Em editoriais, mesmo, nenhum dos nossos grandes e democráticos jornais foi capaz de defender a instalação da comissão.

O Globo, aliás, fez justamente o contrário: espinafrou qualquer possibilidade de se mexer num passado que não lhe foi, afinal, o que poderia se chamar de “período de vacas magras”. Em editoriais, o jornal dos Marinho, sempre tão vigilante na hora de apontar tendências antidemocráticas em Lula, chamou a comissão de “orwelliana” e “encharcada de revanchismo”. Uma verdadeira “CPI da Ditadura” – como se isso não fosse algo a celebrar. O diário carioca fez malabarismos ao aliar o suposto “autoritarismo” de Lula a uma comissão “ao gosto dos regimes stalinistas”. É certo que Stalin reescreveu a verdade a seu bel-prazer. O Globo, porém, parece preferir que ela não seja nem sequer contada.

No início deste ano, a Folha bem que tentou disfarçar sua real opinião sobre o período que alcunhou de “ditabranda”, intercalando artigos de convidados contra e a favor da instalação da comissão. E uma ou outra carta apareceu em seu painel do leitor francamente favorável à investigação do passado. Mas a posição oficial do jornal é de editorial publicado em 31 de dezembro de 2009. Os crimes da ditadura, assegurava a Folha, “foram cometidos pelos dois lados em conflito”. Revisar a Lei da Anistia, nem pensar, publicou no editorial: “Não há nenhuma vantagem para a democracia em atiçar ressentimentos”. Para concluir: “O passado não deve ser esquecido – mas que não seja entrave e fonte de perturbação para o presente”.

A mim parece no mínimo curioso que órgãos de imprensa tão ciosos da democracia acatem os argumentos dos generais que impingiram ao país – eles sim, não Lula – uma ditadura. O projeto da Comissão da Verdade inclusive contempla a caserna, ao propor também a investigação de possíveis abusos cometidos pelos que lutaram contra o regime militar. Exigência, como se vê, dos militares, aliados aos jornais, e levada a cabo pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que por fim conseguiu embuti-la no texto levado ao Congresso. Ainda assim, continuam as restrições à comissão, pelos soldados armados e os de papel.

Um observador atento diria que a atitude reticente dos jornais em relação à Comissão da Verdade deixa transparecer um certo temor das investigações. Mas por que a grande imprensa brasileira teria medo da verdade? Acaso seria uma verdade inconveniente? Tempos estranhos estes em que democratas preferem o obscurantismo à luz.

Uma nota: O Estado de S.Paulo fica de fora desta análise apenas porque não encontrei em seu arquivo online e na internet nenhuma opinião do jornal sobre a Comissão da Verdade. Teria optado pelo silêncio?

Por Cynara Menezes

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.

Fonte: cartacapital.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tucanato de São Paulo envolvido em desvio de 2 bilhões de reais do Detran/SP


Roubalheira paulista é bem maior que a do Detran/RS

Quatro ex-diretores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e um ex-secretário adjunto da Segurança Pública são acusados de provocar, entre 1994 e 2006, um rombo que pode chegar a R$ 2 bilhões. A causa são supostas ilegalidades em contratos de emplacamento de carros - durante esse período, a taxa prevista em lei para lacrar veículos em São Paulo deixou de ser cobrada das empresas pelo estado. A informação é do Estadão, edição de hoje.

A acusação contra 15 empresários, delegados e o ex-secretário - além de seis empresas - consta de ação civil pública apresentada à 14.ª Vara da Fazenda Pública pelo promotor Roberto Antônio de Almeida Costa, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo. É o resultado de um inquérito que se arrastou por dez anos e a primeira ação contra a chamada máfia das placas.

O suposto esquema começou em 1993. Segundo o promotor, foi quando o então diretor do Detran, delegado Cyro Vidal, desistiu de assinar o contrato das placas como concessão, mas licitou os serviços. Para o promotor Costa, o resultado foi o mesmo. Em vez de pagar para o estado a taxa, o consumidor pagava para a empresa, fazendo o estado perder o controle sobre uma atividade que é própria da polícia: a lacração.

Para se ter uma ideia do prejuízo que a ação pode ter causado aos cofres públicos, o promotor ouviu o delegado chefe da administração atual do Detran, José Paulo Giacomini Pimenta. Este disse que a previsão de arrecadação do estado com a taxa de lacração em 2010 é de R$ 225 milhões - assim, em dez anos, o prejuízo chegaria a R$ 2 bilhões. Em 1998, a Promotoria soube que deveriam ter sido arrecadados (valores da época) R$ 33 milhões. É com base nesse valor, sem correção e juros, que a Promotoria deu à causa o valor de R$ 336 milhões - o valor final do prejuízo só será apurado em perícia durante a ação.

O jornal O Estado de S. Paulo procurou o ex-secretário adjunto da Segurança entre 1995 e 1999, Luiz Antônio Alves de Souza, mas não o encontrou. O mesmo ocorreu com o delegado José Francisco Leigo, que dirigiu o Detran de 1999 a 2006, sempre em administrações do PSDB.

A reportagem também procurou os ex-diretores do Detran Cyro Vidal (até 1994) e Orlando Miranda Ferreira (1997-1999). Vidal disse que as "licitações vinham de muitos anos antes, desde a década de 1970". Afirmou que, ao contrário do que disse a Promotoria, "o governo estadual autorizou isso na época". "Evidente que o estado mandou fazer, isso não tem a menor dúvida. Tudo foi feito de forma limpa, tudo foi enviado para a Secretaria de Segurança Pública, como sempre foi feito."

Já Ferreira disse à reportagem não estar preocupado com essa ação na Justiça. "Tudo foi feito de forma legal e transparente no período em que fui diretor do Detran." O empresário Miguel Colagiovanni afirmou que só vai manifestar-se após tomar conhecimento dos detalhes da ação. Cássio Paoletti, advogado do empresário Humberto Verre, disse o mesmo.


Do blog Diário Gauche

sábado, 25 de setembro de 2010

Estadão "sai do armário" e diz que apóia Serra. E a Globo, a Folha e a Veja? Quando?


O Estadão diz em seu editorial que apóia a candidatura de José Serra a presidência da República.
"Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República", assumiu a publicação pela primeira vez em sua história.
Não chega a ser novidade para ninguém a preferência política do jornal. Novidade é que o tenha dito explicitamente. Considero muito salutar para a nossa jovem democracia que o tenha feito. Nas democracias consolidadas a muito tempo, no hemisfério norte, é comum veículos de imprensa declararem seu voto.
Agora, a pergunta inevitável: Quando os demais veículos farão o mesmo? Permanecerão fingindo-se de "imparciais"? Desta vez ficaram em uma "sinuca de bico".

sábado, 4 de setembro de 2010

Um artigo que chama pela pertinária da direita



Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do mesmo instituto, ambos celetistas do grupo midiático da família Frias, assinam um artigo na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Não é preciso frisar que a Folha constitui uma armada serrista em combate constante contra o lulo-dilmismo.

A real condição político-ideológica do grupo Folha, de resto, de todos os grandes veículos da mídia que conta no Brasil, entretanto, é subsumida (kantianamente) sob o manto falso da isenção, da imparcialidade, do porta-voz da vontade geral, e do pior, do apolitismo mais acanalhado e cínico. Você jamais lerá um editorial de O Globo ou do Estadão declarando voto a José Serra. Eles preferem o jogo oblíquo, indireto e no interior da câmara de espelhos, onde as imagens podem ser falsas, os personagens, fictícios, e os fatos, fantasiosos. O resultado é isso que estamos assistindo no presente momento: uma editoria diária de representações da realidade na intenção de fazer moldes fake do real.

O artigo da dupla Paulino-Janoni tem como título "Só uma tempestade pode mudar a maré de bonança de Dilma". Eles admitem que - de fato - é muito difícil haver uma modificação tão drástica na tendência de vitória da candidata de Lula. Mas essa admissão é apenas uma máscara para a real intenção do texto.

No final, acenam com alguma chance para Serra, caso a escalada golpista do momento seja exitosa. O duo PJ diz assim, encerrando o artigo com um fresta de oxigênio para a direita: "Em condições normais, sem fatos que abalem a concentração do voto de um ou outro candidato, espera-se a manutenção da tendência. Mas, vale a lembrança de que, em 2006, antes da denúncia dos 'aloprados do PT', Lula tinha em 4 e 5 de setembro 51% das intenções de voto contra 27% de Geraldo Alckmin (PSDB). O presidente chegou nas urnas com 45%, o tucano com 38% e houve segundo turno".

Eles estão admitindo que as manobras golpistas já deram certo uma vez, pelo menos no primeiro turno de 2006, logo, podem ocorrer novamente, basta perseverar na transfiguração do real. Este artigo é uma conclamação à necessidade de pertinácia da direita.

Observe, então, que há sim uma aposta firme e progressiva no golpe como forma de modificação do quadro político-eleitoral adverso à direita.

Dpo Diário Gauche

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Partisan: Serra ataca até o trem-bala


Sem participação do Estado o trem-bala que ligará Rio/São Paulo/Campinas não sairá do papel. Esse tipo de investimento pela própria natureza não atrai exclusivamente investidores privados. A experiência do mundo todo comprova esse fato.
O trem-bala é vital para acelerar o desenvolvimento do Brasil, seguindo o exemplo dos países desenvolvidos. Logicamente, a visão limitada do pensamento neoliberal, focada no curto prazo e no micro em detrimento do longo prazo e do macro, verá esse investimento como deficitário. Essa cegueira é compartilhada por aqueles que o jornalista Luiz Nassif chama de "cabeças de planilha". Seguidores de uma escola de pensamento econômico descolada da realidade, são incapazes de verificar os incríveis benefícios e ganhos dessa realização: geração de empregos, desenvolvimento regional, estímulo à novos investimentos, articulação de cadeias produtivas que multiplicam por muitas vezes cada real investido.
Os "cabeças de planilha" integram o celeto grupo que queria privatizar a Petrobrás e extinguir a Embrapa argumentando que o Brasil não necessitava dessas empresas e deveria concentrar seus recursos em outras áreas. Argumento, na essência, idêntico ao usado por Serra contra o trem-bala.
Na verdade, essas pessoas sonham e defendem um país de economia primário-exportadora, dependente e subordinado no cenário internacional. Felizmente, o candidato tucano não nega seu alinhamento com esse pensamento ideológico retrógrado. Como disse aquele prefeito do DEM que abriu apoio à Dilma, essa é a eleição do Brasil com S contra o Brazil com Z.

Resumiu como ninguém o embate que chegará as urnas.

Do blog O Partisan

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tucanos enterram SP: A cada ano perde mais participação no PIB





De acordo com esta reportagem do jornal paulista Estadão (insuspeito neste caso, porque sempre defendeu o tucanato), São Paulo e o Sudeste perdem cada vez mais particpação na economia nacional.
SP respondia em 1995 por 37,3% do PIB brasileiro. No entanto em 2007, respondia apenas por 33,9% do Produto Interno Bruto.
A continuar neste ritmo, a "locomotiva" do Brasil vai virar um vagão descarrilado.
E Serra quer levar este "projeto" para o todo o Brasil. Logo, logo estaríamos abaixo do Paraguai.