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sexta-feira, 1 de março de 2013

O PIB e o Brasil real


O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 0,9% no ano passado em comparação com 2011.
O número está sendo comemorado efusivamente pelos "do contra", aqueles 5% da população que torcem para que tudo dê errado no país - banqueiros, empresários de comunicação e seus bobos da corte, os vários neos (liberais, nazistas, fascistas), sociopatas em geral, viúvas da ditadura, recalcados, racistas e preconceituosos a granel, enfim uma fauna variada que não suporta o sucesso do PT e de Lula e têm saudade dos tempos em que o país era uma imensa Casa Grande e Senzala.
O PIB é apenas mais um índice, que pretende medir a riqueza de um país, o que ele produziu em determinado período, sob uma óptica estritamente econômica.
Como todos os outros índices, embora seja vendido como uma verdade científica, tem distorções e imprecisões.
Serve só como um parâmetro, um indicador de como funcionaram os meios de produção, o mercado consumidor, as relações de trocas com outros países, os gastos e investimentos governamentais etc etc.
Tem se tornado, com a sofisticação cada vez maior das relações sociais, bastante questionado quanto à sua real eficácia para mostrar como andam as coisas numa nação.
Não foi à toa que, bem posteriormente a ele, foi criado o Índice de Desenvolvimento Humano, que incorpora dados sobre saneamento básico, saúde, educação, entre outros, para dar uma visão mais real do que se passa nos países.
Mesmo assim, tanto um quanto outro são falhos para o que propõem.
Falta a esses indicadores o principal, que é medir o grau de satisfação da população.
O tal Índice de Felicidade, que muitos integrantes da comunidade acadêmica mundial já estudam, pode resolver esse dilema.
Pegue-se o caso do Brasil, por exemplo.
O PIB do governo Dilma - 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012 - teve crescimento baixo, mas todas as pesquisas de opinião pública que são feitas revelam que a grande maioria da população aprova a administração federal e reconhece que a vida melhorou.
A taxa de desemprego é baixa, a renda subiu, há crédito farto para o consumo, existem facilidades para a compra da casa própria, a educação superior se universaliza, os programas sociais diminuíram a miséria, e a tremenda desigualdade econômica/social caiu consideravelmente, o país se tornou protagonista de várias instituições multilaterais internacionais, é visto, no mínimo, como uma potência regional que caminha para ficar entre as cinco maiores economias do mundo.
Há ainda inúmeros e imensos problemas.
Mas nada que se compare com o Brasil de décadas atrás.
O crescimento, nos campos econômico e cultural, é visível.
Assim como salta aos olhos a tentativa de certos grupos de boicotar todas as ações do governo, uma guerra suja imposta pelos meios de comunicação, aliados de uma oligarquia que nunca pretendeu entregar o poder a quem quer que fosse, e não se conforma em ver o progresso do país.
Para esses, uma notícia como a de hoje sobre o PIB é uma benção, é motivo de riso e comemoração. Neste momento, devem estar bebendo champanhe em seus amplos e confortáveis gabinetes com ar-condicionado.
Gente que não anda nas ruas, "não fala com pobre, não dá mão pra preto, não carrega embrulho", como bem definiu o grande compositor paraense Billy Blanco, uma de nossas glórias artísticas.
Quanto pior para o Brasil, melhor para eles.
Para o restante da população, o PIB de 0,9% em 2012 é apenas mais um número.
Um número que não paga contas, não compra roupas nem a passagem do ônibus e muito menos a comida de todo o dia, que não leva ao riso nem ao choro.
Mais um número.
Um número só.
Frio.
Distante.
Irreal. 
 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Rio Grande do Sul na última década



Por Paulo Muzell
A população gaúcha tem crescido muito ou pouco na última década? Qual foi o comportamento dos fluxos migratórios, externos e internos no Estado? Que regiões tiveram crescimento populacional, ou ao contrário registraram redução? Como se comportou a renda per capita gaúcha no período? Considerando-se as três grandes macrorregiões – Norte, Sul e Nordeste -, como evoluiu a renda dos municípios dessas regiões? E, por fim, como se comportaram as exportações gaúchas nos últimos anos? Estamos exportando mais ou menos?
As respostas às essas indagações estão em três textos da Carta de Conjuntura da Fundação de Economia e Estatística (FEE/RS) do mês de agosto de 2012.
O primeiro, “O baixo crescimento populacional do RS”, de autoria do estatístico Pedro Zuanazzi, informa que o Rio Grande do Sul foi o estado brasileiro cuja população menos cresceu na última década, apenas 5%. Duas foram as causas: a primeira é uma baixa taxa de fecundidade (1,75 por mulher ao longo de toda vida), a quinta mais baixa do país. A segunda é que, dentre as unidades da federação com menor taxa de fecundidade, foi a única que apresentou saldo migratório negativo (mais emigrantes que migrantes). Ou seja, estamos no caminho já trilhado pela Europa; com o aumento da longevidade teremos uma população cada vez mais velha.
A microrregião Porto Alegre que entre 1995/2000 tivera um saldo migratório positivo, em período mais recente (2005/2010) passa a ter um saldo migratório negativo. Já a microrregião de Caxias entre 2005 e 2010 registra expressivo saldo migratório positivo, confirmando tendência já verificada no Censo de 2000. A população de Caxias do Sul, por exemplo, entre 2000 e 2010 cresceu expressivos 21%. No litoral Norte, na microrregião de Osório temos, também, significativo saldo migratório positivo, A situação extrema que evidencia a forte migração é no balneário de Pinhal onde apenas 9% dos moradores nasceram na cidade, ou seja o menor percentual do RS.
O segundo texto “Desigualdades regionais no RS”, de autoria do economista Tomás Fiori informa que, entre 1999 e 2009, o PIB per capita gaúcho cresceu 17% em termos reais, se mantendo quase 17% acima do PIB per capita brasileiro, aumentando, já que em 1999 a diferença era de apenas 15,6%. Se considerarmos as três grandes macrorregiões do estado – a Sul, a Nordeste e a Norte -,verificamos que na Sul dois municípios deixaram o grupo dos 25% mais ricos e, ao contrário, seis entraram no grupo dos 25 % mais pobres. Na Nordeste o desempenho foi ainda pior: há uma redução ainda maior no grupo dos mais ricos e um importante aumento no grupo dos municípios mais pobres. Na região Norte, ocorreu exatamente o inverso: 25 municípios ingressaram no grupo dos mais ricos e nove saíram do grupo dos mais pobres. Convém lembrar que a região sul tem sua formação econômica em torno da grande propriedade pecuarista e arrozeira, a Nordeste (eixo Porto Alegre- Caxias) se assenta na indústria e serviços, enquanto que na Norte localizam-se as pequenas propriedades agrícolas e a agroindústria.
No terceiro e último texto, “RS: o declínio da vocação exportadora”, o economista Álvaro Garcia registra o expressivo declínio da vocação exportadora do RS nos últimos vinte anos. Entre 1992 e 1996 exportamos 12% do total das exportações brasileiras; de 1997 a 2001 o percentual caiu para 10,9%, entre 2002 e 2006, nova redução para 9,6% e, no último período, de 2007 a 2011, o percentual baixa para 8,6%. Considerando apenas dados anuais extremos, em 1992 nossa participação foi de 12,1% do total brasileiro, já em 2011 era de apenas 7,6%, uma queda de 37%.
Álvaro Garcia aponta como primeira causa do declínio o esgotamento da fronteira agrícola do estado que ficou em desvantagem em relação a outras regiões do país, com abundância de terras inexploradas e mais baratas. Outra causa decorreu da importância de certos produtos intensivos em trabalho na nossa pauta exportadora: eles passaram a ter concorrência internacional de países com mão de obra mais barata. O exemplo típico são as exportações gaúchas de calçados. A terceira causa foi o advento do Mercosul. Num primeiro momento funcionou a nosso favor, aumentando as exportações gaúchas para a Argentina. Já a partir da entrada do século XXI a crise econômica argentina trouxe como conseqüência uma política protecionista daquele país que reduziu nossas exportações. O setor de máquinas agrícolas é um exemplo de setor seriamente atingido.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

FHC ouviu o galo cantar; achou que era um tucano

Fernando Henrique Cardoso recebeu um prêmio da Biblioteca do Congresso dos EUA, cuja primeira edição agraciou a tradição dos intelectuais arrependidos da esquerda. O polonês Leszek Kolakowski inaugurou a fila do 'Pluge' em 2003 depois de concluir uma baldeação do marxismo ortodoxo à rejeição radical da obra de Marx, classificada por ele como a 'maior ilusão do século XX". No caso de FHC, o prêmio de U$ 1 milhão brindou os desdobramentos políticos de suas reflexões sobre a dependência. No entender dos curadores, elas teriam demonstrado como os países periféricos 'podem fazer escolhas inteligentes e estratégicas' (leia-se dentro dos marcos dos livres mercados) mesmo estando em desvantagens em relação às nações industrializadas".

O tucano não decepcionou. Na entrevista após embolsar o galardão falou grosso. E acusou Lula de ser responsável pelas agruras atuais da indústria nativa (perda de competitividade e de peso no PIB), ao interromper as reformas liberalizantes. Isso mesmo, aquelas das quais seu governo foi um instrumento e cuja correspondência no plano internacional, como se verifica, legou-nos um mundo de fastígio e virtudes sociais. O diagnóstico do sociólogo, como se sabe, vem ancorado em atilada visão macroeconômica.

Graças a ela, o Brasil frequentou o guichê do FMI por três vezes em seus oito anos de mandato.Mais recentemente, em 29 de setembro de 2011, quando o governo Dilma reduziu a Selic pela primeira vez e começou a armar o país contra a segunda avalanche da crise vinda da Europa, FH advertiu no jornal Valor: "A decisão (de cortar os juros) se mostra precipitada diante das previsões de queda do crescimento e mais inflação".

A fina sintonia com o lobby dos bancos, jornalistas e rentistas --que anunciavam o dilúvio após a queda da Selic, de estratosféricos 12,5% para 12%, contra zero nos EUA-, não se confirmou. As previsões do 'mercado' de uma inflação em alta (6,52% então), esfarelaram-se ante o peso descomunal do agravamento do quadro externo. Nesta 4ª feira, depois de um novo corte de 0,5 ponto na Selic, que atingiu um recorde de baixa de 8%, contra um pico histórico de 44,5% em março de 1999, no segundo mandato do sociólogo, ninguém mais se lembrava das doutas advertências feitas por ele em 2011.

O mundo literalmente despenca sob o peso descomunal de uma quase depressão, que avança pelo quinto ano sem perspectivas de solução nos marcos do capitalismo desregrado. Os capitais em fuga para a segurança inundam os cofres do Banco Central Europeu e do Tesouro americano, mas também do alemão, que pagam uma taxa de juro inferior à inflação. Ou seja, os ricos preferem pagar para guardar o dinheiro em títulos públicos confiáveis do que investir na produção. O nome disso é colapso sistêmico.

Mais de 17,5 milhões de empregos foram dizimados na Europa; Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda caíram sob intervenção da banca para salvar ela própria; Obama chapinha num lodaçal de liquidez que não consegue reerguer a maior economia da terra; a China já sente a retração do comércio mundial que irradia efeitos contracionistas também no Brasil e demais fronteiras da América Latina.

Dos escombros desse desastre de proporções ferroviárias irrompe falação do tucano em defesa das 'reformas'. Sejamos francos, FH ouviu o galo cantar; achou que era um tucano áulico. A industrialização brasileira vive, de fato, uma compressão decorrente de desequilíbrios internos e externos. O fôlego industrial do país hoje é 5% inferior ao que existia no pré-crise de 2008. Quem acha que a perda é miúda deve ser informado que a corrosão ocorre justamente nos setores de ponta, aqueles que dão o comando aos demais segmentos da economia e da produção. A regressão decorre, em grande parte, da não retificação do substrato neoliberal trazido do ciclo tucano, a saber: privatizações que desguarneceram a capacidade do Estado investir na infraestrutura, indispensável à ampliação da competitividade sistêmica; liberdade de capitais; juros escorchantes; câmbio valorizado e miséria aniquiladora da demanda interna.

O governo Lula optou por atacar com maior contundência dois flancos desse modelo de inserção internacional dependente, construído pelo PSDB: o mercado de massa asfixiado pela fome de emprego, de comida, crédito e salário mínimo e o torniquete financeiro externo, feito de dívida alta e reservas baixas. Poderia ter ido além, afrontando o lobby rentista associado ao câmbio destrutivo? Tecnicamente, deveria. A resposta técnica descuida 'apenas' de um dado: a relação de forças permitiria atacar todas as frentes ao mesmo tempo?

Mal ou bem, as escolhas históricas de Lula deram ao seu segundo governo, e ao primeiro de Dilma, uma base de apoio social ampliada que hoje possibilita aprofundar o descolamento em relação à agenda neoliberal, evocada na nostálgica entrevista de FHC.

Nesse espaço dilatado pela política há uma discussão à espera de seus personagens; ela é sobremaneira urgente.

Até que ponto é possível blindar o país do vagalhão em curso apenas com doses de soro creditício e recuos graduais da Selic, como tem sido feito? Ou ainda: se o investimento privado não comparece para dar impulso sustentável a essa engrenagem, qual deve ser o espaço do Estado na resistência contracíclica à recessão?

Não se trata de menosprezar a importância dos mercados, sobretudo do mercado de capitais, mas as insuficiências da lógica privada ficaram evidentes na recente queda de braços entre o governo e a banca em torno dos spreads . A pendência só se inclinou a favor da redução do custo do dinheiro quando o governo decidiu politizar o tema e acionou uma poderosa alavanca indutora: os bancos estatais, que normatizaram o significado do interesse nacional nesse momento. O mesmo ocorreu em 2008. Antes da crise, os bancos públicos eram responsáveis por 30% do crédito oferecido; hoje, por 40%. O crédito dos bancos públicos cresceu do equivalente a 15,5% do PIB para 22,5%. Sem eles, o lubrificante básico da atividade econômica, o crédito, minguaria como acontece na Europa agora.

Lição correlata vem da área do petróleo. O mundo estrebucha, mas a Petrobrás reafirmou investimentos de US$ 236, 5 bilhões até 2015 -- US$ 142 bilhões em exploração e produção, o que significa uma fabulosa injeção de demanda por máquinas, serviços e equipamentos. Por que a Petrobrás é capaz de fazer, enquanto outras instancias do governo patinam? Levantamentos do Ipea mostram que dos R$ 13,661 bi destinados este ano à construção de rodovias, por exemplo, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram gastos até maio.

Uma das respostas é que a existência da Petrobrás preservou a capacidade de planejamento do país no setor petrolífero; preservou e ampliou seus quadros de alto nível, expandiu o torque de sua engenharia, formou e massificou sua mão de obra; induziu e disseminou uma estratégica cadeia de fornecedores; criou e motivou a implantação de centros de pesquisa de ponta na área. Enfim, fez tudo o que foi suprimido ou interditado no interior do Estado brasileiro nos anos 90, e que um deslocado FHC reivindicou como 'trunfo' desperdiçado por Lula. O resultado desse 'trunfo' é a brutal dificuldade enfrentada agora para destravar investimentos imprescindíveis em infraestrutura, mesmo quando não existe restrição orçamentária. Os ditos 'mercados' não dão conta do recado; o Estado foi programado para não fazer.

Se quiser de fato ir além de soluços de consumo nos próximos anos, o Brasil talvez tenha que perder o medo de discutir um tema interditado pela ideologia do Estado mínimo nos anos 90: a criação de novas empresas públicas, estatais que possam nuclear setores estratégicos e fazer o mesmo que os bancos públicos e a Petrobrás fazem hoje em suas áreas de referência -- colocar o mercado para trabalhar pelo país.

A título de ilustração, vale a pena ler reportagem recente do jornal Valor (abaixo). Ela mostra como até os batalhões de engenharia do Exército, livres do desmonte do ciclo tucano, e à margem das licitações feitas para não funcionar, conseguem entregar obras antes do prazo, em situações em que a livre iniciativa fracassa ou se torna onerosa. Roosevelt na Depressão dos anos 30, nos EUA, fez coisas que deixaram os capitalistas e a mídia de cabelos em pé. Foi acusado de comunista e odiado pelos endinheirados. Mas tinha o apoio dos sindicatos e o voto das ruas; salvou a economia do país. A lição daqueles dias vale para o governo Dilma, mas também convida os sindicatos e a CUT a irem além das reivindicações salariais. A ver. 
 
 Exército agora faz até projetos de aeroporto
Valor Econômico - 12/07/2012

Tocando 34 obras pelo Brasil, 25 delas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Exército passa agora a atuar também fazendo projetos de engenharia. Em agosto, serão entregues à Infraero os planos que podem destravar a expansão de três aeroportos, em Goiânia, Vitória e Porto Alegre. O Exército já trabalha na terraplenagem do aeroporto de Guarulhos e na construção da pista de São Gonçalo do Amarante (RN)

A presença do Exército na ampliação do sistema aeroportuário está ganhando uma nova dimensão. Além de trabalhar em obras estratégicas de grandes aeroportos, como a terraplenagem de Guarulhos (SP) e a construção da pista de São Gonçalo do Amarante (RN), a divisão militar de engenharia começa a assumir outro tipo de trabalho. Em agosto, chegam às mãos da Infraero os projetos de engenharia que podem destravar a expansão de três aeroportos: Goiânia (GO), Vitória (ES) e Porto Alegre (RS).

O lançamento de um plano de aviação regional, que espera a aprovação da presidente Dilma Rousseff, abre espaço ainda para uma tarefa adicional para o Exército. Ao liberar recursos para expandir o número de aeroportos atendidos por voos regulares de companhias aéreas - das atuais 130 para 200 localidades -, o governo não quer esbarrar na falta de competência técnica. Por isso, pretende colocar o Instituto Militar de Engenharia (IME) à disposição de Estados e prefeituras para a elaboração de projetos que permitam aos aeroportos regionais receber recursos da União.

O que motiva o governo a fortalecer a parceria com os militares são os resultados obtidos até agora na maior porta de entrada e saída do país. A terraplenagem do futuro terminal 3 de Guarulhos, com previsão inicial de entrega em dezembro de 2013, foi antecipada em 15 meses e deverá ser concluída em setembro deste ano. Com isso, a nova concessionária do aeroporto - formada pela Invepar e pela operadora sul-africana ACSA - fica com o caminho aberto para erguer um terminal com capacidade para 12 milhões de passageiros/ano, até a Copa do Mundo de 2014.

Tão impressionante quanto o ganho de tempo foi a redução nos valores. A obra, que inicialmente foi orçada em R$ 417 milhões pela Infraero, já obteve uma economia de R$ 130 milhões e deverá terminar com queda de 25% em relação ao custo original. Cerca de 150 militares trabalham na administração das obras de Guarulhos, que são executadas por três empreiteiras subcontratadas pelo Exército.

Concluídos esses empreendimentos, o contingente será imediatamente realocado para outras frentes de trabalho, com o objetivo de acelerar outras obras assumidas pelos militares. "Antigamente, não tínhamos esse conhecimento técnico sobre o setor aeroportuário, trabalhávamos apenas em campos de pouso e pistas na Amazônia. Hoje, temos essa capacitação e a tendência é que entremos em novos projetos, à medida que formos chamados", disse ao Valor o chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército, general Joaquim Maia Brandão.

O aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), concedido ao grupo Inframérica - uma aliança da brasileira Engevix com a argentina Corporación América - e que começará a funcionar em 2014, será uma das frentes a ganhar reforço. A iniciativa privada ficou encarregada de construir o terminal de passageiros e coube ao Exército entregar o sistema de pista e pátio de aeronaves, com prazo até o fim do ano que vem.

Para acelerar as obras, dois novos grupos estão sendo deslocados. Primeiro, o batalhão que concluiu um dos lotes da transposição do rio São Francisco, em Cabrobó (PE). Depois, o que vem trabalhando na BR-101, no Rio Grande do Norte.

O general Brandão diz que o Exército ainda não alterou o prazo de entrega de São Gonçalo (dezembro de 2013), mas admite a possibilidade de antecipação do cronograma "dependendo das condições meteorológicas". A pista de pouso e decolagem já foi concluída. Falta ainda avançar nos serviços de drenagem, sinalização e balizamento.

As equipes chefiadas por Brandão também estão trabalhando na reforma da pista do aeroporto de Rio Branco (AC), fechada uma vez a cada 15 dias, para as obras de recuperação. Mas é na área de elaboração de projetos básicos e executivos de engenharia que podem surgir novidades nas próximas semanas.

Em agosto, o Exército entregará os projetos executivos para a ampliação da infraestrutura de pistas e pátios de aeronaves em Goiânia e em Vitória.

Com isso, a expectativa da Infraero é retomar obras completamente paradas há cinco anos. Em 2007, após o Tribunal de Contas da União (TCU) ter encontrado indícios de irregularidades nos contratos da estatal com as empreiteiras vencedoras das licitações, as obras dos dois aeroportos foram interrompidas.

O general admite que hoje o Exército trabalha à beira do limite, mas a conclusão dos três projetos para a estatal pode abrir espaço para outras parcerias nos aeroportos. Com um contingente de 15 mil homens em obras de infraestrutura pelo país, o Exército procurar deslocar militares, em vez de aumentar o efetivo. "Assumir novos projetos é uma decisão que depende de convite da Infraero", diz Brandão.

O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, deixa o caminho aberto para continuar usando os serviços dos militares. "Quando eles terminarem o que estão fazendo, ficamos de conversar. Não abro mão da parceria que temos com o Exército. Ela tem sido exitosa em todos os sentidos", diz.

Até agora, o Exército teve três tipos de participação nas obras da Infraero: gestor de contratos com empreiteiras, executor de obras e projetista. Entre as modalidades, diz Vale, a tendência é intensificar os trabalhos de administração - como ocorre em Guarulhos - e de execução dos empreendimentos, caso de São Gonçalo do Amarante. Hoje há uma lista de obras públicas à espera da "empreiteira" militar.
 
Por Saul Leblon na Carta Maior

sábado, 13 de março de 2010

Retrato da Marolinha


Durante a crise econômica que, no final de 2008, desmoralizou de vez os defensores do estado mínimo e transformou banqueiros em socialistas, jornalistas da antiga imprensa ficaram roucos de tanto criticar o presidente Lula, que previu que os efeitos da roubalheira dos “ricos, brancos de olhos azuis” chegaria aqui do tamanho de uma “marolinha”. O barulho da mídia, que descrevia a crise no Brasil como um “gigantesco tsunami”, fez com que muitas empresas, assustadas, cancelassem investimentos e reduzissem sua produção, caso da indústria automobilística, ou, pior, demitissem muitos funcionários, caso da Vale.

Fechadas as contas de 2009, um retrato da variação do PIB em vários países do mundo esclarece de vez o assunto.



Com o único objetivo de desgastar politicamente o governo brasileiro, a derradeira chance que viam de retomar o poder do estado (que quebraram três vezes), a imprensa demo-tucana amplificou a crise, causando desemprego e fazendo os pobres empresários que ainda os levam a sério perderem uma bela grana. Não por acaso estão perdendo leitores. E eleitores.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Fator Mariza Abreu indica estratégia do PIB gaúcho para seguir mandando no Palácio Piratini


O chamado alto PIB gaúcho (Gerdau, RBS & Cia) não desistiu de reduzir o Estado do Rio Grande do Sul a um mero gerente de seus negócios privados. Desde o governo Antônio Britto - com um intervalo de quatro anos, onde declarou guerra ao governo Olívio Dutra – o PIB guasca implementa sua agenda de privatizações, Estado mínimo e choque de gestão. A eleição de Yeda Crusius (PSDB) foi um acidente de percurso. As fichas estavam todas depositadas na reeleição de Germano Rigotto (PMDB), mas a soberba, entre outras coisas, acabou colocando a tucana no Palácio Piratini. Deu no que deu: um governo atolado em denúncias de corrupção e trapalhadas, desde o início. Yeda, no entanto, cumpriu um compromisso central com o PIB gaúcho: seguiu desmontando o Estado e subordinando o público ao privado.

Mas a atual governadora não é uma pessoal confiável aos olhos dos Gerdaus e Sirotskys da vida. Por isso, agora, as fichas vão para a candidatura do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. E alguns nomes importantes que estiveram com Yeda já desembarcam na campanha de Fogaça. É o caso de Mariza Abreu, ex-secretária de Educação do governo tucano, que declarou apoio à candidatura do PMDB. Ela sonha em voltar ao cargo na Secretaria de Educação para terminar o serviço que não conseguiu implementar: as “reformas” na educação pública gaúcha, que, até aqui, significam basicamente supressão de direitos de professores e funcionários da rede estadual de educação. O choque de gestão na educação é um antigo sonho de Gerdau e outros empresários gaúchos. Acham que, com Fogaça, terão uma nova chance.

Em um artigo publicado em 11 de janeiro de 2009, no jornal Zero Hora, o economista Gustavo Iochpe rasgou elogios a Mariza Abreu e identificou quais seriam os desafios para a educação gaúcha: “combater a inércia, a letargia, os interesses corporativos arraigados”. Ou seja, dito de outro modo, o problema está nos professores e professoras preguiçosos e corporativistas. Isso foi dito – e repetido – assim, sem qualquer ambigüidade. “Finalmente, o Rio Grande tem uma secretária da Educação com uma visão correta do futuro da nossa educação e disposta a empreender essas reformas. É Mariza Abreu”, anunciou Iochpe, lamentando que ela não teria respaldo do governo para cumprir essa missão. O apoio precoce da ex-secretária a Fogaça já sinaliza o programa e a estratégia da direita gaúcha para seguir no Palácio Piratini.


Do RS Urgente

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tucanos enterram SP: A cada ano perde mais participação no PIB





De acordo com esta reportagem do jornal paulista Estadão (insuspeito neste caso, porque sempre defendeu o tucanato), São Paulo e o Sudeste perdem cada vez mais particpação na economia nacional.
SP respondia em 1995 por 37,3% do PIB brasileiro. No entanto em 2007, respondia apenas por 33,9% do Produto Interno Bruto.
A continuar neste ritmo, a "locomotiva" do Brasil vai virar um vagão descarrilado.
E Serra quer levar este "projeto" para o todo o Brasil. Logo, logo estaríamos abaixo do Paraguai.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Míriam manipula informação, mente, erra todas as previsões, se desespera e parte para o ataque direto contra o governo federal!

Ainda bem que venho documentando o que essa senhora escreve, diariamente, nos seis meses de existência deste blog.

Se você clicar aqui lerá toda a fundamentação para as afirmações e juízos enunciados no título deste post.

O mais recente post em seu blog, com o título "Governo esconde números para enganar melhor", é a mostra do desespero de uma pessoa que apostou todas as fichas no pior, manipulou informações o quanto pode - com todo o espaço e audiência que tem na TV Globo, Globo News, Rádio CBN, jornal O Globo e no site G1 -, errou todas as análises e previsões e agora não tem como explicar tudo isso para os seus leitores, ouvintes e telespectadores.

Mudou de assunto, para tentar disfarçar o seu embaraço, e agora, desesperada, vai com tudo para cima do governo Lula no tema Mudanças Climáticas. Assunto que ela sempre menosprezou ao elogiar repetidas vezes as taxas de crescimento do PIB da Índia, da China e da Rússia, com o intuito de desqualificar as taxas de crescimento da economia brasileira, que tem um padrão de desenvolvimento muitas vezes mais sustentado do que o dos países desenvolvidos e os demais do BRIC.

Como é que está preocupada com as mudanças climáticas se sabe que os patamares de crescimento do PIB desses países somente foi possível às custas de muita poluição? Ou ela esqueceu que nas Olimpíadas de Pequim tiveram que paralisar todas as atividades industriais para garantir um mínimo de condições atmosféricas para o evento? (na foto, a poluição diária em Pequim, tão elogiada pela Míriam).

Leiam a que ponto chegou o desespero da manipuladora-mor das informações, no conteúdo do seu blog:

"O Brasil usa dados velhos de propósito. O balanço das nossas emissões é de 1994. Já lá se vão 15 anos. Existem dados mais recentes, mas o Ministério da Ciência e Tecnologia não quer divulgar. É o único ministério do mundo de ciência que é contra divulgação de dados. Normalmente a ciência é a favor da informação.

Por isso quando o Brasil promete metas grandes de redução das emissões e do desmatamento, o que os jornalistas precisam é perguntar com que base se trabalha. Queda em relação a que? O truque do governo está em esconder uma parte dos números. São números divulgados para enganar."

***

Tenho que reconhecer que a Míriam é especialista nesse assunto (manipular informação). Mas, nesse caso, ela foi longe demais.

Em seu desespero, ela desqualifica os interlocutores dos demais países na Convenção do Clima de Copenhage, em dezembro próximo, ao passar a idéia de que o governo brasileiro chegará com qualquer número bonito e todos aplaudirão de pé.

Ela pensa que os interlocutores são semelhantes ao seu público, que acredita em qualquer número, afirmação ou juízo que ela faça, ainda que sem fundamentação alguma?

Se os interlocutores são deste nível, que se impressionam com qualquer número que se apresente, é sinal de que eles também mentirão, se comprometendo com qualquer coisa para impressionar a opinião pública mundial. O que fará desse evento um fracasso total!

Fique calma, Dona Míria, porque ou o Brasil apresenta números confiáveis ou o presidente Lula será desmoralizado internacionalmente. Já pensou nisso?

A Míriam não entende nada de mudanças climáticas, muito menos de métodos de monitoramento de desmatamento, considerando as besteiras que fala e escreve.

Nos próximos posts, buscarei fundamentar o juízo emitido acima, já que esse é um assunto que eu entendo um pouquinho, por conta de já ter trabalhado com sensoriamento remoto, onde se utilizam imagens de satélites para interpretações sobre cobertura vegetal, hidrologia, pedologia, sistema viário, entre outros temas cartográficos.

Do Blog FBI - Festival de Besteiras na Imprensa