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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Fator Mariza Abreu indica estratégia do PIB gaúcho para seguir mandando no Palácio Piratini


O chamado alto PIB gaúcho (Gerdau, RBS & Cia) não desistiu de reduzir o Estado do Rio Grande do Sul a um mero gerente de seus negócios privados. Desde o governo Antônio Britto - com um intervalo de quatro anos, onde declarou guerra ao governo Olívio Dutra – o PIB guasca implementa sua agenda de privatizações, Estado mínimo e choque de gestão. A eleição de Yeda Crusius (PSDB) foi um acidente de percurso. As fichas estavam todas depositadas na reeleição de Germano Rigotto (PMDB), mas a soberba, entre outras coisas, acabou colocando a tucana no Palácio Piratini. Deu no que deu: um governo atolado em denúncias de corrupção e trapalhadas, desde o início. Yeda, no entanto, cumpriu um compromisso central com o PIB gaúcho: seguiu desmontando o Estado e subordinando o público ao privado.

Mas a atual governadora não é uma pessoal confiável aos olhos dos Gerdaus e Sirotskys da vida. Por isso, agora, as fichas vão para a candidatura do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. E alguns nomes importantes que estiveram com Yeda já desembarcam na campanha de Fogaça. É o caso de Mariza Abreu, ex-secretária de Educação do governo tucano, que declarou apoio à candidatura do PMDB. Ela sonha em voltar ao cargo na Secretaria de Educação para terminar o serviço que não conseguiu implementar: as “reformas” na educação pública gaúcha, que, até aqui, significam basicamente supressão de direitos de professores e funcionários da rede estadual de educação. O choque de gestão na educação é um antigo sonho de Gerdau e outros empresários gaúchos. Acham que, com Fogaça, terão uma nova chance.

Em um artigo publicado em 11 de janeiro de 2009, no jornal Zero Hora, o economista Gustavo Iochpe rasgou elogios a Mariza Abreu e identificou quais seriam os desafios para a educação gaúcha: “combater a inércia, a letargia, os interesses corporativos arraigados”. Ou seja, dito de outro modo, o problema está nos professores e professoras preguiçosos e corporativistas. Isso foi dito – e repetido – assim, sem qualquer ambigüidade. “Finalmente, o Rio Grande tem uma secretária da Educação com uma visão correta do futuro da nossa educação e disposta a empreender essas reformas. É Mariza Abreu”, anunciou Iochpe, lamentando que ela não teria respaldo do governo para cumprir essa missão. O apoio precoce da ex-secretária a Fogaça já sinaliza o programa e a estratégia da direita gaúcha para seguir no Palácio Piratini.


Do RS Urgente

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A irresponsabilidade da “elite” gaúcha

No dia seguinte à vitória de Germano Rigotto nas eleições de 2002, o jornal Zero Hora publicou um editorial saudando a derrota do governo Olívio Dutra (PT), que teria mergulhado o Estado em conflitos, e a vitória do candidato “pacificador” do PMDB. O mesmo discurso foi repetido por lideranças empresariais do Estado que apontavam o futuro governo Rigotto como uma oportunidade para a retomada de um clima de paz propício aos negócios. Esse discurso ignorava completamente o desempenho econômico do Estado no período do “governo de conflitos” (1999-2002).

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação de Economia e Estatística (FEE), entre 1999 e 2001, o PIB industrial gaúcho cresceu seis vezes mais que o do Brasil, governado então por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O crescimento do Estado neste período foi de 11,7% contra 1,7% do país (e –4,7% no período entre 1995 e 1998, do governo Antônio Britto). No mesmo período, o PIB agropecuário gaúcho cresceu 23,8%, contra 16,9% do país e 4,3% do governo Britto.

Com a vitória da RBS e de seus agentes políticos “pacificadores”, foi retomada no Estado a cultura da “gestão modernizadora do Estado” que tinha no empresário Jorge Gerdau Johhanpeter e seu mítico PGQP (Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade) um de seus principais gurus. A era do PGQP atravessou o governo Rigotto, chegou ao governo Fogaça, em Porto Alegre, e prosseguiu no governo Yeda Crusius, combinado com o anunciado “novo jeito de governar”. Foi no governo Rigotto também, em 2003 para ser mais preciso, que, segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, iniciou o esquema de fraude que acabaria desviando cerca de R$ 44 milhões do Detran. Um dos principais acusados de chefiar o esquema, o deputado federal José Otávio Germano (PP) era então o secretário da Segurança Pública, substituindo o “conflituoso” José Paulo Bisol.

No último domingo, o mesmo jornal Zero Hora publicou uma matéria tratando da queda do PIB gaúcho na última década e da perda de poder econômico do Estado no cenário nacional. No plano político então, a situação é ainda pior. O Rio Grande do Sul não só perdeu poder político como virou tema de chacota nacional, graças ao desastrado governo de Yeda Crusius. Um governo onde o partido da governadora que anunciou um “novo jeito de governar” chega ao seu terceiro ano contratando uma empresa para ajudar a “construir um modelo de governo”.

Os responsáveis pela decadência política e econômica do RS na última década procuram agora esconder sua responsabilidade pelo que está acontecendo, como se tudo não passasse de um acidente da natureza. Onde está o balanço da RBS sobre as posições políticas que abraçou na última década? E as fórmulas milagrosas do Sr. Gerdau (sempre ávido em conquistar “incentivos” fiscais), contribuíram no que mesmo para o desenvolvimento do Estado? E os padrinhos políticos de Yeda Crusius e seu grupo, por que se esforçam agora em não aparecer ao lado da governadora? Qual o balanço do senador Pedro Simon que selou seu apoio a Yeda com um carinhoso beijo na testa?

Silêncio. Silêncio é a resposta a todas essas questões. A chamada “elite” gaúcha revela-se absolutamente irresponsável. Literalmente irresponsável. Não responde por seus atos e por suas escolhas. E tenta continuar aparecendo como portadora da mensagem do progresso e da modernidade, apoiada em agentes políticos que elevaram a mediocridade e a covardia a alturas nunca dantes navegadas. É assim que está o Rio Grande do Sul neste início do século XXI.

Ilustração: Sátiro-Hupper

Do RS Urgente