Mostrando postagens com marcador Web. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Web. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de janeiro de 2011

Wikipédia Completa Dez Anos

No dia 15 último, a enciclopédia virtual wikipédia completou uma década de excelentes serviços prestados a quem ela recorre. Mas o mais importante é que ela provou que o espírito de colaboração é perfeitamente viável na web. O artigo é do terra:


Para especialistas, dez anos da Wikipédia é quebra de paradigma
Emily Canto Nunes

Se tem uma lição que todo e qualquer internauta aprende, mesmo com pouco tempo de navegação, é que na rede só sobrevive quem for capaz de provar sua utilidade. Na velocidade com que novas tecnologias são lançadas atualmente, um site que no ano passado era o mais acessado, com o maior número de usuários, pode simplesmente deixar de existir em pouco mais de um ano ou dois. Assim foi com vários sites de buscas, que perderam espaço para o Yahoo e posteriormente para o Google. Que ou deixaram de existir ou foram comprados. Quem lembra do Altavista ou do Cadê? Quando a Wikipédia foi criada, em 2001, o ritmo das novidades ainda não era tão frenético, mas mesmo assim a enciclopédia precisou provar para o mundo - literalmente - que tinha o seu valor e que merecia um espaço, que foi conquistado e que hoje, dez anos depois, é só seu: de uma enciclopédia livre e colaborativa, em essência, tal qual nasceu.

Para o jornalista e sócio da empresa de comunicação multimídia Fli, André Deak - que sem vergonha nenhuma afirma que consulta a Wikipédia todos os dias, ao contrário do que os usuários estão acostumados a ver - a Wikipédia não é um produto, mas um processo. "A Wikipédia é um processo contínuo, sem fim e de atualização constante, que acumula um conhecimento comum", disse ele em entrevista ao Terra. Essa distinção, que poucos fazem, é primordial para entender o sucesso do site, pois quebra um paradigma da própria internet, de acordo com o jornalista. Com a criação da Wikipédia, surge um novo modelo de produção de conteúdo, um modelo colaborativo em que o único interesse dos envolvidos é contribuir para fazer algo melhor do que está.

Indo a fundo no processo colaborativo que dá origem à Wikipédia, Deak explica que, de certa forma, a enciclopédia tornou-se um exemplo de que é possível criar alternativas para os modelos de financiamento que conhecemos. Para ele, a Wikipédia é precursora desses sites de compra coletiva que estão pipocando na internet nos últimos tempos. Mais do que isso, a Wikipédia é o primórdio do que hoje estão chamando de Crowd funding, uma ação coletiva de cooperação entre pessoas que se conectam através da internet e que juntam seu dinheiro para obter algo em comum. Um exemplo próximo é o site Queremos.com.br, que reúne pessoas interessadas em assistir a determinados músicos internacionais e que custeiam a vinda dos artistas ao Brasil através do valor do ingresso.

Para o professor e coordenador de especialização em Jornalismo Digital da Famecos/PUCRS, Marcelo Träsel, a Wikipédia, de certo modo, "renovou a esperança de muita gente na humanidade. Contra todas as previsões, o modelo de produção colaborativo e descentralizado resultou numa enciclopédia capaz de se equiparar àquelas escritas por profissionais". "Duvido que muita gente apostasse seu dinheiro nesse resultado em 2001", provoca Träsel, que acrescenta que a Wikipédia é uma demonstração de que "pessoas podem ter boa vontade umas com as outras e doar seu tempo para o bem comum". Para ele, o que a experiência da Wikipédia melhor ensina para os demais sites que se pretendem colaborativos é que um projeto assim deve "encantar os voluntários, entusiasmá-los". "E quem não se entusiasmaria com a perspectiva de contribuir para levar todo o conhecimento humano ao mundo inteiro livre e grátis?", questiona Träsel. De acordo com ele, no entanto, a Wikipédia também mostrou que a colaboração deve ser simples e rápida para evitar que o voluntário, uma vez motivado, se frustre.

Na mesma linha está o pensamento de Sergio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e pesquisador de cibercultura que também conversou com o Terra. Ele acredita que a Wikipédia seja exemplo de um momento da internet, a Web 2.0 , de algo que é intrínseco à internet: "a internet é colaborativa". "Assim como o blog popularizou a escrita na internet, a Wikipédia popularizou a colaboração", relembra. Amadeu exemplifica lembrando que o próprio Comitê Gestor da Internet (CGI) já reconheceu a importância dessa prática ao criar a possibilidade de o internauta ter um site wiki.org, uma vez que o software base da Wikipédia está disponível para download.

Ainda para Sérgio Amadeu, a Wikipédia sofreu uma forte influência da cultura hacker dos anos 60, que, no mesmo espírito da comunidade do software livre que defende o código aberto para que um programa possa ser sempre melhorado, colocava a qualidade acima do status. "É a ética do desafio", a ideia de que o status, ou a fama de um hacker, não substitui o objetivo a ser alcançado que é qualidade, o resultado que pode ser alcançado. "Assim é com a Wikipédia, uma pessoa mais jovem pode corrigir o verbete escrito por alguém mais velho, acrescentar fontes. A enciclopédia tem que funcionar e pronto". Amadeu ainda completa ressaltando que a Wikipédia, através da colaboração, acompanha o movimento do próprio conhecimento, que está sempre em transformação, e da própria ciência, que se supera a cada dia. Na Wikipédia, o conteúdo é "remixado, recortado, recolado, remisturado".

Diante do sucesso, o futuro da Wikipédia, na opinião dos entrevistados, está na mão dos usuários, além dos planos de expansão já anunciados por Jimmy Wales, um dos seus fundadores. Não apenas nas mãos do wikipedistas, os editores, mas dos leitores, que devem lutar para vencer o preconceito que ainda existe contra a enciclopédia, especialmente dentro das salas de aula. Amadeu, que já utilizou a Wikipédia em suas aulas, não apenas como fonte primeira de pesquisa de assuntos enciclopédicos, mas para a criação de verbetes pelos alunos, acredita que muitas pessoas se sentem intimidadas com a Wikipédia, especialmente aquelas "elitistas" e "retrógradas".

Träsel também defende que a Wikipédia possa ser perfeitamente citável, como qualquer site, bastando informar o horário exato de acesso, mas que se deve lembrar que mesmo as enciclopédias e dicionários impressos, da época da Britânica, nunca foram bem aceitos no contexto acadêmico. "O principal problema não está na Wikipédia, mas nas pessoas que a consultam. A Wikipédia é um excelente ponto de partida para uma pesquisa, mas uma péssima linha de chegada. É uma boa fonte para dar uma noção sobre determinado tema do qual não temos nenhum conhecimento, mas se a pesquisa tiver fins acadêmicos ou profissionais, é recomendável se dar ao trabalho de ler as notas e referências dos verbetes, para ter contato com as fontes nas quais os redatores da Wikipédia se basearam. O conhecimento completo está nessas fontes, não na Wikipédia". Afinal, a Wikipédia é uma enciclopédia, palavra que "provém do 'grego clássico' (...)literalmente 'educação circular', isto é, 'conhecimento geral'.... Para saber mais, consulte o artigo Enciclopédia da Wikipédia , encliclopédia livre e colaborativa que neste sábado, 15, comemora dez anos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia




por Carlos Castilho do Observatório da Imprensa


A polêmica sobre o 3º Programa de Defesa dos Direitos Humanos mostra que um novo processo político está ganhando corpo na sociedade brasileira diante das debilidades, indefinições e descrédito que afetam algumas instituições do Estado brasileiro.

O debate está passando ao largo de instituições como o Congresso nacional cujo descrédito abriu espaço político para a participação de novos atores como os weblogs, twitters e fóruns de discussão pela internet.

A discussão virtual está ganhando mais relevância diante do aumento do número de leitores de jornais que passam a ver a imprensa não como um facilitador ou mediador do debate, mas como parte interessada.

A opinião pública demonstra nítidos sinais de orfandade em matéria de espaços políticos convencionais, porque os partidos políticos foram transformados em agências de empregos públicos distribuídos por critérios eleitorais.


O debate sobre o Programa de Defesa dos Direitos Humanos é apenas a ponta de um iceberg que começa a ganhar corpo e cuja face visível é uma radicalização crescente dos segmentos mais conservadores, ao constatar que as instituições formais já não funcionam mais como escudo protetor de suas propostas.

O mundo da blogosfera mostra outra face. Nela os desiludidos da mídia convencional criam o seu próprio canal de publicação de idéias numa inédita convivência, nem sempre pacífica, com os blogs conservadores.


A polêmica, que pode ser acompanhada por meio de simples buscas sobre os principais temas em debate no Google ou no Twitter, mostra o surgimento da internet como um novo ambiente político onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público. É esta dupla funcionalidade que gera tanta participação, como pode ser visto até aqui no Observatório, nos comentários postados por leitores.


O debate sobre o ato falho de Boris Casoy, por exemplo, foi muito mais intenso na blogosfera do que na mídia convencional. É claro que a imprensa se deixou levar pelo corporativismo para minimizar o episódio, mas por outro lado, o patrulhamento blogueiro foi implacável com o infeliz comentário do apresentador do telejornal da Band.


Esta tendência à polarização deve ganhar novo combustível na medida em que a campanha eleitoral ganhar mais intensidade. Tudo indica que teremos dois espaços para o debate político:

1) O convencional, onde os segmentos mais conservadores devem predominar, porque é o que lhes resulta mais familiar e influenciável;

2) A Web é o outro espaço para interatividade política, onde é nítida uma maior movimentação dos setores mais liberais, e principalmente dos mais jovens.

Esta segmentação de espaços políticos é inédita em nossa história eleitoral já que pela primeira vez setores que nunca tiveram acesso direto à mídia tem agora a sua disposição uma plataforma barata para publicar idéias e propostas.

É possível prever que a grande batalha por corações e mentes nas próximas eleições presidenciais será travada na internet porque também os políticos convencionais pretendem usá-la em beneficio próprio.


Mas ela terá características bem diferentes das ocorridas na mídia tradicional em pleitos anteriores. O grande diferencial é a impossibilidade de monitorá-la, dado o seu caráter descentralizado e horizontal. Assim fica difícil dizer que tal candidato ou tal partido tem maioria das preferências na Web porque será impossível medir tendências como acontece com as pesquisas de opinião, tipo IBOPE ou DataFolha.


A fragmentação e dispersão dos atores políticos na Web, em especial na blogosfera, é uma porta aberta à radicalização, o que é um fator preocupante embora quase inevitável. Faz parte da alfabetização política na Web, assim como aconteceu no passado com os comentários agressivos e xenófobos em weblogs.


O importante é verificar que as regras do jogo político na Web não são as mesmas que vigoram no debate via jornais, rádios e televisão. Nestes, o público é um espectador, enquanto na Web, mesmo sendo ela privilégio de uma minoria de brasileiros, o cidadão comum é um protagonista, em termos de mídia. Isto faz muita diferença.