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sexta-feira, 23 de março de 2012

14 dicas para se tornar um colunista latino-americano de sucesso no El País

Se você é membro dessa classe incompreendida dos intelectuais latino-americanos e deseja expor suas ideias nesse baluarte do progressismo peninsular que é El País, siga estas instruções para que seu artigo tenha sucesso.

el país brasil espanha
Torne-se um intelectual latino-americano no El País seguindo as instruções a seguir

Daniel Plotkin, tradução de Idelber Avelar
1. Toda a sua análise deve se basear nos conceitos de caudilhismo e populismo. Em última instância, estes conceitos explicam a história da América Latina desde o século XIX, sem ter que entrar em complexidades históricas que entediam o leitor. A história dos nossos países não mudou desde a época da Independência.
2. Mencione a pobreza e a fome, produtos do caudilhismo e do populismo. É bom mostrar um pouco da sensibilidade do pensador comprometido com a realidade social. Mas esclareça que a pobreza e a fome são culpa exclusiva dos nossos povos, evitando usar palavras desagradáveis do tipo “colonialismo”, “imperialismo” ou “saqueio dos recursos naturais”. Menos ainda, não tenha o mau gosto de se referir à escravidão ou à exploração das comunidades indígenas.
3. Não se esqueça de falar da corrupção. E de esclarecer que a corrupção em nossos países é produto da fome e da pobreza, que são produto do caudilhismo e do populismo. Tenha a delicadeza de não mencionar que são as companhias multinacionais (incluídas as espanholas) as que pagam suculentos subornos para obter benefícios impensáveis em seus países de origem. Explique aos seus leitores que a corrupção é sempre culpa da classe política latino-americana.
4. Insista que as instituições não funcionam, produto da corrupção que é produto da fome e da pobreza, que são produto do caudilhismo e do populismo. As instituições latino-americanas estão em constante crise e nossos países têm democracias limitadas. Use anedotas insignificantes do ponto de vista estatístico, mas que ressoem na mente de seu leitor. Por exemplo, conte-lhes como é difícil obter algum certificado num Ministério qualquer. Ou como é fácil subornar um agente alfandegário. Mesmo que você não tenha jamais feito nenhuma das duas coisas.
5. Lembre a seus leitores que os governantes latino-americanos só procuram se perpetuar no poder – o que demonstra o caudilhismo e o populismo que geram instituições falidas e corrupção. Não importa se na Espanha o chefe de estado é um monarca hereditário que governa há 37 anos e foi nomeado por um ditador que governou o país quase 40 anos. Não mencione sequer que Felipe González governou durante 14 anos com 5 mandatos sucessivos. Isso é muito diferente de um presidente latino-americano que pretende ter 3 mandatos por 12 anos. Neste último caso, estamos ante uma clara tentativa de perpetuar-se no poder. Na Espanha, não, porque as instituições funcionam.
6. Não se esqueça de temperar tudo isso com alguma referência a uma palestra sua em algum fórum internacional, fora dos países latino-americanos cheios de caudilhismo e populismo. A apresentação de um paper numa universidade norte-americana é suficiente para demonstrar que você é diferente do resto dos pensadores latino-americanos que só escrevem na mídia local. Alternativamente, você pode mencionar alguma bate-papo num café que você teve há cinco anos com algum escritor espanhol da moda. Se algum livro seu foi publicado pela Alfaguara ou Crítica, esclareça-o de passagem no primeiro parágrafo. Seu sucesso estará garantido.
7. Use alguma citação de um latino-americano ilustrado, como Borges, Cortázar ou García Márquez. Roberto Bolaño também serve.
8. Lembre-se que o Brasil não existe, salvo para destacar algumas políticas do governo Lula.
9. Fidel Castro é mau, muito mau. Mesmo que, claro, diga que a Revolução Cubana teve alguns sucessos menores nos campos da saúde e da educação.
10. Chávez também é mau, muito mau. E sem sucessos menores.
11. Os governos progressistas latino-americanos querem destruir a imprensa independente, como consequência de sua genética caudilhista e populista. Não como a esquerda inteligente da Alan García ou o centro moderado de Piñera ou Santos.
12. A imprensa privada latino-americana sempre é independente. Os monopólios ou oligopólios midiáticos não existem.
13. A América Latina ainda está em transição democrática, como consequência do caudilhismo e do populismo que ainda imperam. A Espanha já a superou, pela maturidade da sociedade espanhola e a inteligência de sua classe dirigente.
14. Para finalizar, esclareça que esta situação gera angústia e desconforto, e que seu refúgio está no pensamento crítico de alguns intelectuais que, como você, não foram comprados pelo poder corrupto ou pelas ideologias acabadas imperantes em nossos países.
Seguindo estes conselhos, o seu artigo será lido com interesse pelos leitores de El País. Você conseguirá confirmar-lhes o que eles já pensam mas não podem dizer abertamente porque isso iria contra aquilo que eles acreditam ser suas convicções de esquerda. Você também obterá uma suculenta remuneração em euros que não deverá depositar em seu país, já que a qualquer momento ela poderá ser roubada pelos governos corruptos, produtos da fome e da pobreza, produtos do caudilhismo e do populismo.
Revista Forum / Original em espanhol
Via Pragmatismo Político

sábado, 8 de maio de 2010

Jornal virtual Sul 21 será lançado segunda-feira


O jornal virtual Sul 21 será lançado oficialmente segunda-feira à noite, às 19 horas, no clube Veleiros do Sul (Av. do Guaíba, 2941). O novo veículo de comunicação nasce com várias características inéditas. As edições diárias entrarão na rede sempre às seis da manhã com uma matéria especial que será tema de debate ao longo do dia. As imagens (foto e vídeo) e o humor terão um lugar de destaque, como todos poderão constatar. O mesmo vale para a colaboração. Alguns dos principais blogueiros do RS farão parte da equipe do Sul 21 que contará também com a participação de leitores e de colunistas convidados. A editora do site será a jornalista Vera Spolidoro, que também assinará uma coluna política diária. Essas são algumas das novidades. As outras serão conhecidas nos próximos dias.

Os conceitos básicos que orientarão a linha editorial e o posicionamento do Sul 21 são os seguintes: foco predominante em temas políticos (entendendo a Política aí com “P” maiúsculo); qualidade da informação; busca de rigor na análise; postura crítica frente às desigualdades; permanente busca de diálogo, pluralidade e interatividade. O Sul 21 será um veículo de comunicação baseado em novas mídias colaborativas da Internet 2.0. O foco do jornal será a discussão sobre questões relevantes para o desenvolvimento da sociedade no Século 21, especialmente política e cultura, através de um olhar crítico em relação aos significados trabalhados pela mídia tradicional. Disputará qualidade e referência política, a partir de uma abordagem com humor, inteligência e colaboração.


Do RS Urgente

quinta-feira, 25 de março de 2010

Big Brother Nardoni

Aproveito a excelente charge do Kayser para traçar alguns comentários sobre no que se transformou o noticiário no Brasil nos últimos dias por ocasião do caso da família Nardoni.
É impressionante o que a mídia faz apenas para ganhar dinheiro. Transformaram o Tribunal do Júri num gigantesco circo em busca de audiência. A tragédia que foi a queda da menina do prédio transformou-se numa "Indústria do Ibope" sem nenhum escrúpulo.
Tenho a convicção que o casal Nardoni realmente tem culpa no cartório neste caso, mas nada justifica o massacre diário em todas as redes nacionais de TV e nos principais jornais do país.
Além disso, quantas meninas e meninos são barbaramente assassinados, estuprados e torturados no Brasil todos os dias sem que a imprensa dê uma linha sequer?
Depois ainda não sabem porque perdem audiência e vendem cada vez menos jornais.
Precisamos urgentemente repensar o papel da mídia, sob pena de assistirmos apenas Big Brothers, 24 horas por dia.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia




por Carlos Castilho do Observatório da Imprensa


A polêmica sobre o 3º Programa de Defesa dos Direitos Humanos mostra que um novo processo político está ganhando corpo na sociedade brasileira diante das debilidades, indefinições e descrédito que afetam algumas instituições do Estado brasileiro.

O debate está passando ao largo de instituições como o Congresso nacional cujo descrédito abriu espaço político para a participação de novos atores como os weblogs, twitters e fóruns de discussão pela internet.

A discussão virtual está ganhando mais relevância diante do aumento do número de leitores de jornais que passam a ver a imprensa não como um facilitador ou mediador do debate, mas como parte interessada.

A opinião pública demonstra nítidos sinais de orfandade em matéria de espaços políticos convencionais, porque os partidos políticos foram transformados em agências de empregos públicos distribuídos por critérios eleitorais.


O debate sobre o Programa de Defesa dos Direitos Humanos é apenas a ponta de um iceberg que começa a ganhar corpo e cuja face visível é uma radicalização crescente dos segmentos mais conservadores, ao constatar que as instituições formais já não funcionam mais como escudo protetor de suas propostas.

O mundo da blogosfera mostra outra face. Nela os desiludidos da mídia convencional criam o seu próprio canal de publicação de idéias numa inédita convivência, nem sempre pacífica, com os blogs conservadores.


A polêmica, que pode ser acompanhada por meio de simples buscas sobre os principais temas em debate no Google ou no Twitter, mostra o surgimento da internet como um novo ambiente político onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público. É esta dupla funcionalidade que gera tanta participação, como pode ser visto até aqui no Observatório, nos comentários postados por leitores.


O debate sobre o ato falho de Boris Casoy, por exemplo, foi muito mais intenso na blogosfera do que na mídia convencional. É claro que a imprensa se deixou levar pelo corporativismo para minimizar o episódio, mas por outro lado, o patrulhamento blogueiro foi implacável com o infeliz comentário do apresentador do telejornal da Band.


Esta tendência à polarização deve ganhar novo combustível na medida em que a campanha eleitoral ganhar mais intensidade. Tudo indica que teremos dois espaços para o debate político:

1) O convencional, onde os segmentos mais conservadores devem predominar, porque é o que lhes resulta mais familiar e influenciável;

2) A Web é o outro espaço para interatividade política, onde é nítida uma maior movimentação dos setores mais liberais, e principalmente dos mais jovens.

Esta segmentação de espaços políticos é inédita em nossa história eleitoral já que pela primeira vez setores que nunca tiveram acesso direto à mídia tem agora a sua disposição uma plataforma barata para publicar idéias e propostas.

É possível prever que a grande batalha por corações e mentes nas próximas eleições presidenciais será travada na internet porque também os políticos convencionais pretendem usá-la em beneficio próprio.


Mas ela terá características bem diferentes das ocorridas na mídia tradicional em pleitos anteriores. O grande diferencial é a impossibilidade de monitorá-la, dado o seu caráter descentralizado e horizontal. Assim fica difícil dizer que tal candidato ou tal partido tem maioria das preferências na Web porque será impossível medir tendências como acontece com as pesquisas de opinião, tipo IBOPE ou DataFolha.


A fragmentação e dispersão dos atores políticos na Web, em especial na blogosfera, é uma porta aberta à radicalização, o que é um fator preocupante embora quase inevitável. Faz parte da alfabetização política na Web, assim como aconteceu no passado com os comentários agressivos e xenófobos em weblogs.


O importante é verificar que as regras do jogo político na Web não são as mesmas que vigoram no debate via jornais, rádios e televisão. Nestes, o público é um espectador, enquanto na Web, mesmo sendo ela privilégio de uma minoria de brasileiros, o cidadão comum é um protagonista, em termos de mídia. Isto faz muita diferença.