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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Articulistas de ZH não aceitam que eleição acabou

Tive um impacto ao ler logo após a morte do ditador Pinochet um artigo escrito pelo renomado cirurgião José Camargo tecendo duras críticas à parte da população chilena por ter ido às ruas comemorar a morte do ditador. Naquela ocasião, visivelmente irritado passou um “pito” nos chilenos que “não entenderam a importância de Pinochet em ter livrado o Chile de seu uma nova Cuba”. De quebra ainda lançou farpas contra os admiradores de Fidel Castro. O que me deixou estupefato foi que naquele artigo a questão das torturas e violações dos direitos humanos não foi contemplada pelo articulista. Um médico competentíssimo em transplante de pulmões teceu inúmeras considerações sobre o suposto desenvolvimento econômico na era Pinochet. Talvez, por excesso de trabalho, ou por falta de tempo para revisar seu artigo, os milhares de leitores de Zero Hora não conseguiram saber a opinião de José Camargo sobre as bárbaries praticadas no regime ditadorial chileno.

Em 31 de dezembro de 2010, o renomado cirurgião volta à cena. Ao abordar o tema importantíssimo da educação em seu artigo de ZH demonstra visivel irritação com a popularidade de Lula. “Os políticos que, mandato após mandato, ignoram esta deprimente realidade, porque muitos deles precisam dessa legião de descerebrados como massa de manobra para serem reeleitos, serão implacavelmente julgados pela História. Nenhum país fez, ou fará, a escalada rumo ao desenvolvimento verdadeiro, sem educação! E nenhum governante pode se orgulhar indefinidamente de sua popularidade se a galeria dos aplausos estava ocupada, em sua maioria, pelas vítimas desse descaso constrangedor”

Ao discorrer sobre as agruras da escola pública, comete o pecado da generalização. “A escola pública decadente, com professores desvalorizados, recebe para educar os filhos indesejados de casais pobres, que trazem para este arremedo de ensino cérebros subdesenvolvidos pela fome da infância e cuja incapacidade primária se revela na observação dramática de que mais da metade deles chega à quarta série sem saber ler nem escrever.”

Parece que “filhos indesejados” só acontecem em familias pobres. Talvez o ilustre cirurgião desconheça a relidade que acontece em muitas escolas privadas de Porto Alegre, onde os professores são ofendidos e humilhados por filhos oriundos da classe média e alta. São fatos descritos em noticias de jornal.Seriam “filhos indesejados”?

A aprovação de mais 80% da população em relação ao presidente Lula causa um desconforto em determinados articulistas e colaboradores de ZH. Paulo Brossard, Flavio Tavares, Sergio da Costa Franco, Percival Pugina… A este grupo agora junta-se o cirurgião Camargo. Não se convenceram ainda que a eleição terminou. O terceiro turno só acontecerá em 2014.

Por Lupiscinio Pires

Via RS Urgente

sábado, 11 de setembro de 2010

Diário Gauche: 11 de setembro de 1973, Santiago do Chile



A estratégia do golpe e o advento do neoliberalismo




Neste documentário, chamado A Batalha do Chile, o diretor Patricio Guzmán conta com grande realidade e crueza o golpe civil-militar de 11 de setembro de 1973 que derrubou o governo constitucional de Salvador Allende, no Chile. Sempre, claro, com a inestimável ajuda dos Estados Unidos.

O Chile acabou servindo de laboratório do neoliberalismo para as suas políticas de submissão às economias centrais e ao sistema financeiro mundial.

Quando Pinochet dá o golpe em 11 de setembro, já o faz em nome de um plano econômico chamado El ladrillo, formulado por economistas chilenos e estadunidenses egressos da Universidade de Chicago, os chamados Chicago-boys, devotos da conhecida escola econômica austríaca, que visa glorificar a moeda e promover a hegemonia completa do capital financeiro, em detrimento da produção, do trabalho e da promoção de políticas sociais que diminuam a desigualdade.

Assim, o ciclo ultraliberal, a hegemonia avassaladora do capital financeiro e a ideologia do pensamento único, iniciado em 11 de setembro de 1973, no Chile, contamina o mundo inteiro através do fenômeno da globalização (aliado à aplicação intensiva das novíssimas tecnologias da informação) e se fecha simbolicamente em 15 de setembro de 2008 com a liquidação do banco Lehman Brothers e o abalo estrutural do sistema capitalista que se estende até os nossos dias, num arco temporal de quase quatro décadas.

O vídeo tem 1h25min. A rigor, esta é a segunda parte de um documentário de mais de quatro horas. A primeira parte deste filme (Insurreição da burguesia) pode ser visto aqui. Vale a pena. Ainda tem uma terceira parte denominada El poder popular. Você pode baixar todos os três vídeos aqui.


Do Diário Gauche

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Previsão de terremoto no Brasil assusta governo de São Paulo !

As placas tectônicas da disputa presidencial moveram-se no Brasil neste final de fevereiro e um abalo sísmico mais forte que o do Chile atingiu a jugular da coalizão demotucana: Serra tornou-se o candidato mais rejeitado entre todos os presidenciáveis; em menos de 60 dias, sua vantagem sobre Dilma despencou de 14 pontos para apenas 4 pontos; entre o Datafolha de dezembro e o deste final de fevereiro, tucano perdeu cinco pontos; Dilma avançou cinco; uma fatia do eleitorado equivalente a 10 pontos mudou de lado na disputa e a reacomodação não favoreceu o conservadorismo nativo; temporada de inundações em SP lavou o verniz midiático que pintava Serra como estadista aos olhos da classe média; enxurrada revelou um político manhoso, tingido com o papel crepon de bom gestor, à frente de uma administração inepta, imprevidente e manipuladora. Quando o cristal se quebra sob o peso da decepção, fica difícil reverter o plano inclinado dos apoios tradicionais. O 'estado de catástrofe' está em curso no interior da coalizão demotucana.Difícil será conter as rachaduras...


(Centro de meteorologia da Carta Maior )

Do blog "Brasil, mostra a tua cara!"

domingo, 13 de dezembro de 2009

Eleição do Chile não deve se definir hoje

Uma grande apatia predomina nas eleições que estão sendo realizadas neste domingo no Chile e que marcam a possibilidade de a direita, depois de vinte anos, voltar ao poder pela via democrática. Não se veem nas ruas de Santiago bandeiras, buzinas e conversas animadas sobre o pleito. É a primeira vez desde a abertura democrática no Chile que um candidato de oposição à Concertación, aliança entre a Democracia Cristão e o Partido Socialista, pode ganhar a eleição. O candidato Sebastian Piñera, da Coligação Alianza, lidera as últimas pesquisas com alguma folga.
Especialistas chilenos atribuem a liderança de Piñera à falta de capacidade da Concertacion em definir seu candidato à presidência. A escolha de Eduardo Frei, da Democracia Cistã, e que já foi presidente de 1994 a 2000, não foi tranqüila e isso abriu dissidência no campo progressista. Marco Enriquez-Ominami, que era do Partido Socialista, se lançou candidato a presidente de forma independente e vem dividindo o eleitorado, tem aproximadamente 20% das intenções de votos. Jorge Arrate, que também foi do PS e hoje está no PC, lidera a coalizão Juntos Venceremos e possui cerca de 7% segundo as pesquisas.
A eleição que será realizada neste domingo é a primeira depois da morte de Pinochet, mas seu fantasma continua rondando o Chile. Os três candidatos mais à esquerda acusam Sebastian Piñera de ter tido fortes laços com Pinochet, lembrando seu apoio ao ditador quando este foi preso em Londres, no ano de 1998. Na época, Piñera foi solidário ao general e a sua família e criticou o Tribunal Internacional pela decisão de prendê-lo.
Tudo indica que a eleição presidencial terá seu desfecho somente em 17 de janeiro, data marcada para o segundo turno. Há a possibilidade de se tentar fazer uma frente para derrotar Piñera no segundo turno. Eduardo Frei enviou um recado nesta última sexta feira com este conteúdo para Enriquez-Ominami e Arrate. “Neste momento, depois de nos enfrentarmos, temos que pensar que são maiores as coisas que nos unem do que as que nos afastam. A partir de domingo temos que ter outra mentalidade.” Arrate também apontou a necessidade de apoio entre os três candidatos. Disse não ter nada em comum com a direita chilena e enxerga no governo, mesmo que crítico assíduo de Bachelet, algo mais próximo de suas convicções. Mesmo que se confirme o pacto entre Frei, Enriquez-Ominami e Arrate, não é certa a migração de votos entre os candidatos.

Eduardo Guimarães Silva, de Santiago, Chile

Publicado na Revista Fórum

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O 11 de setembro que a gente não esquece


Em 11 de setembro de 1973, com ostensivo apoio dos Estados Unidos, as Forças Armadas, chefiadas pelo general Augusto Pinochet, dão um sangrento golpe de Estado que derruba o governo da UP. O golpe surpreendeu por sua rapidez e violência. Allende morreu quando as forças armadas rebeladas contra o governo constitucional atacaram o Palácio de La Moneda.
O golpe teve início na costa do oceano Pacífico, na cidade portuária de Valparaiso, de onde partiram tropas navais chilenas com destino a Santiago, enquanto vários vasos de guerra da marinha estadunidense estavam em alerta na costa do Chile, no limite de suas águas territoriais. Se tivesse havido resistência armada ao golpe de estado, o plano previa que os marines invadiriam o Chile, para "preservar a vida de cidadãos norte-americanos". Um avião WB-575 - um centro de telecomunicações - da força área norte-americana, pilotado por militares norte-americanos, sobrevoava o Chile. Simultaneamente 33 caças e aviões de observação da força aérea norte-americana aterrisssavam na base aérea de Mendonça, na fronteira da Argentina com o Chile.

E foi assim que eles fecharam o país para o Mundo por uma semana, enquanto os tanques rolavam, os soldados arrombavam portas, o som das execuções pipocava dos estádios e os corpos se empilhavam ao longo das ruas e flutuavam nos rios, os centros de tortura iniciaram suas atividades, os livros considerados subversivos eram atirados a fogueiras, e os soldados rasgavam as calças das mulheres aos gritos de "No Chile as mulheres usam saias"…

— William Blum, Killing Hope, p. 215
Um ano depois o presidente Gerald Ford declarou à imprensa que aquilo os Estados Unidos fizeram no Chile "foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses".

Há duas versões aceitas sobre a morte de Allende: uma é que ele se suicida no Palácio de La Moneda, cercado por tropas do exército, com a arma que lhe fora dada por Fidel Castro; a outra versão é que ele foi assassinado pelas tropas invasoras. Sua sobrinha Isabel Allende Llona é uma das que acreditam que seu tio foi assassinado. A filha do Presidente, a deputada Isabel Allende, declarou que a versão do suicídio é a correta.[5] Allende foi inicialmente enterrado numa cova comum, num caixão com as iniciais "NN". Com o término da ditadura de Pinochet, Allende teve um funeral com honras militares, em 1990.
Fonte: Wikipédia

Do Blog Tomando na Cuia