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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Especulador exige explicações do Banco Central sobre queda nos juros




Veja só: os postes estão mesmo mijando nos cachorros

Ex-assessor de George Soros, o mega especulador planetário, ex-presidente do Banco Central, ao tempo do presidente Cardoso, atual especulador credenciado com um banco de investimento, Arminio Fraga dá entrevista hoje ao jornal Folha de S. Paulo, onde exige explicações do Bacen sobre a queda gradual das taxas de juros no Brasil.

A bronca do especulador é uma garantia de que a política monetária do governo Dilma está no caminho certo. O jus esperneandi do banqueiro mostra duas coisas: 


1) os banqueiros já não estão mais no poder, pelo menos no Brasil; 


2) depois de trinta anos de política monetária com permanente desestímulo às atividades produtivas, temos uma política econômica orientada desde o Palácio do Planalto, e não desde a Febraban e os centros financeiros do mundo, como Londres e Nova York.

Nós podemos discordar pontualmente de aspectos e sobretudo dos ritmos da política econômica dilmista, mas a direção e o sentido, bem como o comando hegemônico, estão em processo de correção permanente, haja vista a chiadeira do especulador símbolo dos quatrocentos mil brasileiros que viveram à tripa forra nas três últimas décadas graças à política de financeiração da vida e dos indivíduos.

Enquanto os banqueiros chiam, o Brasil, aos poucos, recupera a sua soberania. Falta muito para andar, mas estamos no caminho certo. 

Via Diário Gauche

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dilma começa a enfrentar o sistema financeiro


Mirando no alvo correto


Minutos depois de ser empossado, em 27 março de 2006, no Ministério da Fazenda, Guido Mantega ligou para o secretário-executivo da Pasta, Murilo Portugal. Queria conversar sobre o posto que assumiria. "Não tenho o que conversar porque estou demissionário", disse-lhe Portugal que, até aquele momento, havia sido o segundo deAntonio Palocci no ministério. A informação é do jornal Valor Econômico, edição de hoje.
Ao desligar, Mantega relatou o telefonema sem esconder a contrariedade, compartilhada pelos colegas de governo que estavam ao seu lado. Entre eles, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Mantega continua no mesmo lugar e Portugal virou presidente do sindicato dos bancos. A trombada pública aconteceu ontem, quando Mantega subiu o tom para reagir às condições do sistema financeiro para a redução do spread, mas a rota de colisão começou a ser traçada cinco anos atrás, quando Dilma Rousseff ajudaria a remontar a equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva depois da saída de Palocci.

A crise de 2008 imbicaria novamente a curva de juros para cima, reduzindo a marcha da colisão no segundo mandato de 
Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a posse de 
Dilma, porém, a rota estava traçada e foi publicamente exposta pela presidente da República: a política monetária é a vantagem comparativa do Brasil num mundo que já derrubou os juros e ainda não tirou o pé da lama.

A curva descendente do 
Copom, a redução dos juros cobrados pelos bancos públicos e a subida de tom do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com a Febraban são apenas a confirmação do norte perseguido por Dilma Rousseff desde que começou a ter ingerência para além dos megawatts.

O que só agora começa a ganhar contornos claros é que a presidente, frequentemente criticada por inabilidade, monta uma ampla aliança política para isolar o sistema financeiro na guerra do spread.

Essa aliança passa pela recuperação do poder dos Estados com a troca do indexador de suas dívidas e o afrouxamento das condições em que incentivos tributários estaduais podem vir a ser concedidos. É a reversão de um processo iniciado duas décadas atrás com a implantação do Real.

Para conter a explosão de demandas - e de sua face monetária, a inflação - trazida pela Constituição de 1988, a estabilidade da economia neutralizou a política.

O país vinha do trauma do impeachment, que abortou o mandato de Fernando Collor, o único governador de Estado eleito para a Presidência da República desde a redemocratização.

Foi aquela crise política que abriu caminho para um plano de estabilidade monetária que esvaziou a federação. Teve como pressupostos o 
Fundo de Estabilização Financeira (FEF), que daria origem à DRU e canalizaria recursos de Estados e municípios para o Tesouro nacional, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o acordo da dívida e a privatização dos bancos estaduais.

Com os cofres esvaziados, dívidas a pagar, limites rígidos para contrair novas e proibidos de usar recursos fiscais para atrair empresas, os Estados foram desprovidos de poder político na mesma velocidade em que cresceu sua dependência da União.

A subversão dessa ordem não está em jogo e tampouco se corre o risco de as finanças estaduais voltarem a ser a casa da mãe joana. Até porque o governo federal não parece estar interessado em abrir mão da concentração de recursos políticos e fiscais gerada pelo esvaziamento dos Estados.

O que está em curso, com a discussão da troca do indexador das dívidas estaduais e municipais e o afrouxamento das condições em que incentivos tributários podem ser concedidos pelos Estados, é a recuperação dos governadores como atores políticos capazes de engrossar o setor produtivo no cabo de guerra com o sistema financeiro.

Reabilitados no seu poder de conceder incentivos e investir na infraestrutura de seus Estados, os governadores podem voltar a ser interlocutores das federações industriais e sindicatos que ao longo dos últimos anos têm batido um bumbo surdo na toada do desenvolvimento.

A aliança é reforçada também pela posse em julho do primeiro presidente bancário da história da CUT. Em entrevista a Raphael Di Cunto, publicada hoje no Valor, Wagner Freitas diz que a investida contra o spread bancário será a principal bandeira da entidade sob sua presidência.


Até o senador 
Aécio Neves (PSDB-MG), principal liderança do partido que operou a lógica da federação subordinada, hoje diz que a União virou rentista dos Estados e reclama de juros superiores àqueles pagos pelas empresas ao BNDES.

Pelo teor das propostas feitas pelo sindicato dos bancos, está claro que esta é uma guerra que requer aliados até da oposição. Entre as condições para que o spread seja reduzido há muitas que dependem do Congresso e outras tantas que enfrentariam infinitas batalhas judiciais, como a exigência de que a previdência complementar dos correntistas entre como garantia do crédito.

Muitas dessas garantias são de difícil execução e os bancos sinalizam que, sem elas, não há redução de spread à vista. 



Enquanto isso, como os juros efetivamente já estão caindo, não é difícil para o governo convencer a opinião pública de que a diferença entre o custo de captação e o de empréstimo vai para um bolso que não é o do correntista.


Vitor Belous, leitor do blog Casa das Caldeiras (www.valoronline.com.br), é um exemplo do campo fértil para o discurso do governo. O leitor comenta a alegação de inadimplência para a formação do spread: "As instituições emprestam mais do que a renda mensal do cliente comporta, ultrapassando 30% do comprometimento mensal do tomador. Os bancos pregam em seus informes publicitários o uso consciente do crédito, mas a realidade dentro das agências é outra, bater metas".


Dilma, com os aliados que tem, é bem-sucedida na imagem de que combate a corrupção. É de se supor que também seja capaz de angariar apoio da opinião pública ao isolar quem pinta de vermelho as contas correntes. Na pior das hipóteses, já conseguiu que a banca, agora, se disponha a conversar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Banrisul também derruba juros

 

A exemplo do BB e da CEF, o Banrisul também derrubou os juros. A medida já era esperada por tratar-se de um banco público e que não visa somente o lucro e a exploração dos clientes, como fazem os bancos particulares. Tenho pena dos outros estados que já não possuem mais seus bancos, porque atualmente tornaram-se fundamentais para forçarem a queda dos juros ao consumidor.

Mais detalhes aqui==>