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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Especulador exige explicações do Banco Central sobre queda nos juros




Veja só: os postes estão mesmo mijando nos cachorros

Ex-assessor de George Soros, o mega especulador planetário, ex-presidente do Banco Central, ao tempo do presidente Cardoso, atual especulador credenciado com um banco de investimento, Arminio Fraga dá entrevista hoje ao jornal Folha de S. Paulo, onde exige explicações do Bacen sobre a queda gradual das taxas de juros no Brasil.

A bronca do especulador é uma garantia de que a política monetária do governo Dilma está no caminho certo. O jus esperneandi do banqueiro mostra duas coisas: 


1) os banqueiros já não estão mais no poder, pelo menos no Brasil; 


2) depois de trinta anos de política monetária com permanente desestímulo às atividades produtivas, temos uma política econômica orientada desde o Palácio do Planalto, e não desde a Febraban e os centros financeiros do mundo, como Londres e Nova York.

Nós podemos discordar pontualmente de aspectos e sobretudo dos ritmos da política econômica dilmista, mas a direção e o sentido, bem como o comando hegemônico, estão em processo de correção permanente, haja vista a chiadeira do especulador símbolo dos quatrocentos mil brasileiros que viveram à tripa forra nas três últimas décadas graças à política de financeiração da vida e dos indivíduos.

Enquanto os banqueiros chiam, o Brasil, aos poucos, recupera a sua soberania. Falta muito para andar, mas estamos no caminho certo. 

Via Diário Gauche

domingo, 17 de junho de 2012

Para leigos

  Por Montserrat Martins*

Se o Brasil não se desorganizou em 2008, como a Espanha agora, não foi por acaso. Uma geração de governantes havia sido forjada numa visão econômica coerente e um dos responsáveis por isso foi Paul Singer, autor de vários livros sobre Economia para leigos, principalmente nos anos 80 (também não por acaso, suponho, seu filho André Singer veio a ser porta-voz do Presidente).  Neste início de século XXI quem vem desempenhando esse papel é José Eli da Veiga, autor de “Mundo em Transe”, sobre a transição para a economia de baixo carbono. Livros assim não são atraentes apenas para intelectuais, prendem a atenção de quaisquer pessoas interessadas em compreender as crises sociais contemporâneas.  É o caso de “Quiénes son los mercados y cómo nos gobiernan”, de Bibiana Medialdea García e colegas, professores de Economia da Universidad Complutense de Madrid.
Na Espanha em crise, surgem agora Bibiana e seus colegas economistas dispostos a fazer esse papel, compartilhando seu saber com lideranças emergentes (leia-se M15, movimento 15 de maio), capazes de gerar o “caldo de cultura” para uma verdadeira mudança social, no futuro. Intelectuais realmente brilhantes são os capazes de transmitir conhecimentos aos leigos, em contraste com aqueles que falam apenas para si próprios (hermeticamente, escolhendo palavras difíceis para cultivar pretensa imagem de conhecimento profundo). Mais que instruir lideranças, são eles que facilitam o progresso social ao permitir que gerações inteiras se apropriem de conhecimentos fundamentais para a compreensão de realidades complexas. Devemos a Paul Singer, por exemplo, desfazer alguns mitos paralisantes para a evolução da nossa sociedade, tal como debates sobre capitalismo ou socialismo que “enquadravam” a realidade em teorias, ao invés de adequar as teorias à própria realidade. Foi o primeiro a dizer com todas as letras, há três décadas, que o modelo da China é de um capitalismo de Estado.
O livro espanhol citado é de excelência didática, desvendando o mercado financeiro global. Mostra (ou relembra aos que já sabiam) que na origem os bancos    tinham papel fundamental no financiamento da produção, sendo fator de aumento da produtividade. Foi com a evolução e os desdobramentos das práticas capitalistas que surgiram os “produtos financeiros” desvinculados da produção, quer dizer, que passaram a assumir caráter especulativo.  O mercado financeiro, assim, faz as vezes de um “cassino” que recebe apostas de todos, onde alguns ganham mas a vantagem sempre é da “banca” – ou bancos, no caso. Uma questão chave para governos que tenham compromisso com a nação e seu povo é desenvolver a habilidade de conviver com os ‘mercados’ (e seus movimentos especulativos) de modo a que estes não abandonem os investimentos no país, mas que ao mesmo tempo sejam induzidos a aplicá-los nos setores produtivos. Ou seja, tarefas nada simples mas que merecem ser conhecidas, pelos leigos, para que tenhamos capacidade de acompanhar os esforços dos governos – e avaliar a seriedade dos mesmos.

*Montserrat Martins é médico e tem formação multidisciplinar que inclui ciências jurídicas e sociais, comunicação e cinema.

Via Sul 21