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sábado, 31 de março de 2012

Nassif desmonta a Veja. De novo!

Veja se antecipou aos críticos e divulgou um dos grampos da Policia Federal em que o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o araponga Jairo falam sobre Policarpo. Pinça uma frase – “o Policarpo nunca vai ser nosso” – para mostrar a suposta isenção do diretor da Veja em relação ao grupo. 
É uma obviedade que em nada refresca a situação da Veja. Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita. E, nessa condição, estabeleceu o elo de uma associação criminosa entre Cachoeira e a Veja.
Não haverá como fugir da imputação de associação criminosa. E nem se tente crucificar Policarpo ou o araponga Jairo ou esse tal de Dadá. O pacto se dá entre chefias – no caso, Roberto Civita, pela Abril, Cachoeira, por seu grupo.
Como diz Cachoeira, “quando eu falo pra você é porque tem que trabalhar em grupo. Tudo o que for, se ele pedir alguma informação, você tem que passar pra mim as informações, uai”. 
O dialogo abaixo mostra apenas arrufos entre subordinados – Jairo e Policarpo.
Os seguintes elementos comprovam a associação criminosa: 
Havia um modus operandi claro. Cachoeira elegeu Demóstenes. Veja o alçou à condição de grande líder politico. E Demóstenes se valeu dessa condição – proporcionada pela revista – para atuar em favor dos dois grupos. 
Para Cachoeira fazia trabalho de lobby, conforme amplamente demonstrado pelas gravações até agora divulgadas. 
Para a Veja fazia o trabalho de avalizar as denúncias levantadas por Cachoeira.
Havia um ganho objetivo para todos os lados:
  1. Cachoeira conseguia afastar adversários, blindar-se contra denúncias e intimidar o setor público, graças ao poder de que dispunha de escandalizar qualquer fato através da Veja.
  2. A revista ganhava tiragem, impunha temor e montava jogadas políticas. O ritmo frenético de denúncias – falsas, semi-falsas ou verdadeiras – conferiu-lhe a liderança do modelo de cartelização da mídia nos últimos anos. Esse poder traz ganhos diretos e indiretos. Intimida todos, anunciantes, intimida órgãos do governo com os quais trabalha.
  3. O maior exemplo do uso criminoso desse poder está na Satiagraha, nos ataques e dossiês produzidos pela revista para atacar Ministro do STJ que votou contra Daniel Dantas e jornalistas que ousaram denunciar suas manobras.
Em “O caso de Veja, no capítulo “O repórter e o araponga” narro detalhadamente –  com base em documentos oficiais – como a cumplicidade entre as duas organizações permitiu a Cachoeira expulsar um esquema rival dos Correios e se apossar da estrutura de corrupção, até ser desmantelado pela Polícia Federal. E mostra como a Veja o poupou, quando a PF explodiu com o esquema.
Civita nem poderá alegar desconhecimento desse ganho de Cachoeira porque a série me rende cinco ações judiciais por parte da Abril - sinal de que leu a série detalhamente.
Desde 2008 – quando escrevi o capítulo – sabia-se dessa trama criminosa entre a revista e o bicheiro. Ao defender Policarpo, a revista, no fundo, está transformando-o em boi de piranha: o avalista do acordo não é ele, é Roberto Civita.
Em Londres, a justiça processou o jornal de Rupert Murdoch por associação indevida com fontes policiais para a obtenção de matérias sensacionalistas. Aqui, Civita se associou ao crime organizado.
Se a Justiça e o Ministério Público não tiverem coragem de ir a fundo nessa investigação, sugiro que tranquem o Brasil e entreguem a chave a Civita e a Cachoeira.

Via DoLaDoDeLá

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Arruda pela Veja

O blog do Nassif mostra um ótimo exemplo de como são construídas as relações entre a mídia corporativa e o mundo da política. Nassif resgata a matéria da Revista Veja, publicada em 9 de abril de 2008, com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Reproduzo alguns trechos muito significativos:

"Depois de amargar uma imensa rejeição provocada por medidas de austeridade, o governador do Distrito Federal diz que é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo

(…) Numa cidade acostumada a conviver com exibições grotescas de todo tipo de privilégio e desperdício de dinheiro público, o governador chegou pela contramão. Demitiu funcionários, pôs as contas em ordem, tirou camelôs e vans irregulares das ruas, enfrentou grevistas e freou um processo histórico de invasão de terras públicas. O resultado imediato e previsível: sua popularidade foi ao chão. Três anos depois, porém, Brasília dá mostras de que popularidade e populismo podem andar separados.

(…) E qual é o seu limite?

É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição. Não dá para entregar um setor de atividade do governo para que um grupo político cuide dele por interesses empresariais escusos. Se peço a um parlamentar eleito para me ajudar a administrar sua base eleitoral, isso é política. Mas, se entrego a esse parlamentar a empresa de energia elétrica, isso não é aceitável.

(…) O senhor vai estar em qual palanque em 2010?


Meu partido vai seguir com o PSDB, com o candidato que os tucanos definirem, o governador José Serra ou o governador Aécio Neves. O melhor candidato da oposição será aquele que conseguir construir uma unidade.

Leia a íntegra aqui e aqui.


Via O Partisan

domingo, 27 de dezembro de 2009

A criação da reputação na política

Na parte inferior do post há a matéria de hoje na Folha, sobre a gestão José Roberto Arruda. Mostra que, com um quinto dos funcionários, o governo Arruda tinha 12% de funcionários não concursados a mais do que a União. É um indicador claro de ineficiência administrativa, de utilização da máquina pública para jogadas políticas.

No entanto, em 2005, em uma matéria em que a falta de imaginação da Veja se mostrava no próprio título – “Seis homens, um destino” – a revista o alçava ao panteão dos grandes governadores da atualidade.

É um exemplo claro de como funciona o modelo de criação de reputação pela velha mídia. Basta o governador recorrer a alguns expedientes de impacto – embora irrelevantes para o resultado final da administração. Os jornais não têm metodologia para avaliação de gestão, não analisam indicadores (apenas factóides). Criou-se a lógica de que governador bom é o que coloca a fria lógica administrativa contra os mais fracos. É sinal de firmeza. Por outro lado, evita-se analisar os negócios tenebrosos – porque as publicações também têm interesses em vender publicidade, assinatura e material para as Secretarias de Educação.

Arruda02

Bastaria consultar o pessoal de gestão e qualidade para saber que o governo Arruda era um blefe. Criava fatos de marketing – como colocar todos os secretários em uma sala aberta, a exemplo do que fazem os bancos -, mas apenas para consumo externo. Anunciava um conjunto de medidas descosturadas, sem objetivos maiores, meros slogans que contentavam essa superficialidade absurda com que a velha mídia analisa gestões públicas.

Seu perfil, traçado pela rev ista, era o seguinte:

Arruda01

Da Folha

DF emprega mais comissionados sem concurso que União

Mesmo com um quinto dos funcionários, governo Arruda tem 12% mais não concursados que administração federal

Grande número de cargos para livre nomeação explica manifestações de apoio ao governador, investigado no caso do mensalão do DEM

FERNANDA ODILLA

LARISSA GUIMARÃES

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo de José Roberto Arruda (sem partido) tem mais funcionários sem concurso ocupando cargos de confiança que a União. Levantamento da Folha mostra que o governo do Distrito Federal tem 8.660 comissionados, e a União, 5.560.

Mesmo tendo cerca de um quinto dos funcionários na ativa do que tem o governo federal (184 mil contra 913 mil), o governo do DF tem 12% a mais de pessoas que não fizeram concurso e ocupam cargos de chefia, assessoramento e direção.

Esse exército é um dos trunfos de Arruda para se manter no poder, já que 63 dos 84 órgãos do DF contrariam a lei ao entregar a trabalhadores sem concurso mais da metade dos cargos comissionados.

A bancada do PT na Câmara Legislativa pediu investigação à Procuradoria-Geral da República sobre o uso de funcionários comissionados em manifestações pró-Arruda na cidade. “Arruda transformou o governo do DF num grande comitê eleitoral”, afirma o deputado distrital Paulo Tadeu (PT).

Na maioria das administrações regionais (espécies de subprefeituras no DF), até funções como recepcionista e arquivista entram na folha de pagamento com cargo de chefia, diretoria e assessoramento.

Todas as 25 administrações têm mais de 90% dos cargos de confiança nas mãos de funcionários sem vínculo empregatício, de acordo com levantamento junto ao “Diário Oficial” do DF de setembro deste ano.

A legislação prevê que pelo menos 50% do total de cargos comissionados precisa ser ocupado por servidores concursados. Hoje o DF tem 16.555 ocupantes de cargos de confiança -52% nas mãos de comissionados- e a União tem 19.330.

A análise do quadro de pessoal de cada órgão também indica que a maioria (75%) não segue a lei. “A proporção de 50% deveria ser respeitada em órgão por órgão porque cada um tem vida e estrutura própria”, afirma o promotor Ivaldo Lemos, autor de oito ações contra o cabide de empregos.

O governo Arruda justifica que considera o número global, e não por unidade. Informa ainda que o balanço é publicado trimestralmente e que ajustes estão sendo feitos.

Além das administrações, 12 secretarias também registram maior número de funcionários sem vínculos com cargos de confiança. A pasta que mais emprega sem concurso é a de Trabalho. O secretário de Trabalho, Rodrigo Delmasso, argumenta que o órgão foi recriado em 2008 e, por ser novo, teve de recorrer a não concursados.

Segundo ele, já está em andamento um concurso para a contratação de 350 servidores.

Indicação

Os cargos de confiança costumam ser preenchidos por indicação política e, para manter o emprego, os ocupantes dessas funções têm se manifestado publicamente em defesa do governador Arruda. O funcionário do governo Valter Soares Leite, por exemplo, é chefe de gabinete em uma das administrações regionais e defensor ferrenho de Arruda.

Segundo ele, a indicação para o cargo partiu do próprio governador. “Faço campanha para ele há 12 anos”, afirma.

Leite diz acreditar que Arruda é vítima de perseguição política e que, assim como outros funcionários em cargo de confiança, espera que o governador “saia desse momento delicado”. “Aqui na administração temos muito comissionados, mas todos são qualificados para o trabalho”, justifica.

viaFolha de S.Paulo – DF emprega mais comissionados sem concurso que União – 26/12/2009


Do Blog do Nassif