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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Equador encara a Inglaterra e deixa Assange comovido



“Nem o Reino Unido nem a Austrália, meu país natal, se levantaram para me proteger da perseguição e sim uma valente nação latino-americana”
(Julian Assange, em comunicado divulgado quinta-feira, ao agradecer ao Equador pela concessão do asilo político)
Ao abrigar e conceder asilo político ao australiano Julian Assange, o criador do site WikiLeaks, que tem divulgado centenas de documentos confidenciais dos grandes países, especialmente Estados Unidos, o Equador deixou a Inglaterra em uma situação para lá de delicada. O país critica o governo equatoriano e ameaça não conceder o salvo-conduto, mas como ficará se contrariar as normas que regem a diplomacia?
Como entender que o mesmo país que abrigou o ditador chileno Augusto Pinochet agora negue ao Equador o direito de proteger alguém que não matou nem torturou ninguém e cuja ‘culpa’ é apenas a de contrariar interesses poderosos?
Assange, você sabe, divulgou milhares de documentos secretos. Um deles, é bom não esquecer, mostrou o assassinato de repórteres e civis no Iraque, metralhados por um helicóptero norte-americano. O fato permaneceria secreto se não fosse o site – assim como revelou muitas outras deformações das grandes nações nos últimos anos.
Alguém assim virou um incômodo, claro. Logo surgiu o pressões para extradição aos EUA, em seguida a acusação de que ele teria estuprado duas garotas na Suécia (a culpa dele teria sido o crime de não usar camisinha, mas logo foi divulgado como estupro) e o processo aberto na Justiça. Em seguida, a Inglaterra, atualmente uma espécie de satélite dos Estados Unidos, abriu processo contra Assange e decidiu extraditá-lo.
Na certeza de que não teria julgamento justo na Suécia, nem conseguiria impedir sua transferência para os Estados Unidos (onde teria aqueles julgamentos especiais, sob acusação de ameaça à segurança nacional), Assange foi até a embaixada do Equador e pediu proteção. Agora, conseguiu o asilo.
- É uma vitória importante para mim e para minha gente. As coisas provavelmente ficarão mais estressantes agora – disse Assange, em conversa com funcionários da embaixada equatoriana tão logo a notícia do asilo surgiu.
Ben Griffin, da associação Veteranos pela Paz, visitou Assange e constatou que ele está satisfeito e aliviado. Para o chanceler equatoriano Ricardo Patiño, o jornalista australiano corre risco de perseguição política.
- Ele compartilhou informações confidenciais com o mundo, o que causa chances de retaliações, que poderiam ameaçar sua integridade – lembrou, irritando ainda mais britânicos e suecos.
Pelas normas habituais, Assange terá de conseguir um salvo-conduto e viajar em segurança para Quito. Isso se os britânicos seguirem as regras habituais. Quinta, o secretário do Exterior William Hague já anunciou que o Reino Unido não concederá a autorização porque, na sua opinião, não há base legal para o asilo. Claro que ele negou pressões para extraditar Assange. De qualquer maneira, o confronto já está estabelecido.
Será interessante ver como se comportarão a partir de agora autoridades diplomáticas que, historicamente, sempre encararam o mundo com olhar superior.
Do Blog do Mario Marcos

O destino de Assange: o que acontece agora?



Por Marcelo Justos (Carta Maior)
O Equador terminou com o suspense. A decisão do governo de Rafael Correa de garantir o asilo político a Julian Assange teve como corolário a resposta da chancelaria britânica que a qualificou como “lamentável” e indicou que cumprirá com sua “obrigação legal” de extraditar para a Suécia o fundador do Wikileaks.
Após quase dois meses do ingresso de Assange na sede diplomática equatoriana em Londres solicitando asilo político, a tensão subiu vários graus. Em uma coletiva de imprensa em Quito, o ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, assinalou que a decisão se baseava na Constituição equatoriana e no direito internacional. “O Equador acredita que é justificado o temor de Julian Assange de ser uma vítima política por sua defesa da liberdade de informação”, indicou. Segundo Assange, a acusação de delito sexual feita pela justiça sueca é parte de uma estratégia político-diplomática estadunidense para conseguir sua extradição e julgamento pela revelação de cerca de 90 mil documentos secretos via Wikileaks, acusação que, nos EUA, é passível de pena de morte.
O chanceler equatoriano indicou que solicitou uma reunião urgente à União das Nações Sulamericanas (Unasul) e à Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA). Patiño expressou seu desejo de que o Reino Unido conceda um salvo-conduto para que Assange possa viajar ao Equador, assinalando que o direito de asilo tem precedência sobre qualquer outra legislação nacional ou internacional. “O asilo é um direito fundamental que pertence ao sistema de normas imperativas do direito”, disse Patiño. O chanceler destacou que empreendeu longas negociações com o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos e que nenhum desses países ofereceu garantias sobre o futuro de Assange.
A chancelaria britânica, por sua vez, disse que o Reino Unido não outorgará o salvo-conduto a Assange para que possa sair da embaixada. Na quarta-feira, em uma nota enviada pela embaixada britânica em Quito para o governo equatoriano, o governo advertiu que a lei britânica contemplaria a suspensão temporária da imunidade diplomática. A lei de Recintos Diplomáticos e Consulares de 1987 autorizaria o governo a “revogar o status diplomático” de um edifício se a lei está sendo violada. O parlamento britânico aprovou a lei depois que, em 1984, disparos foram feitos desde a embaixada líbia contra opositores que protestavam contra o governo de Muamar Kadafi, causando a morte da agente britânica Yvonne Fletcher.
A chancelaria britânica assinalou que está disposta a negociar um acordo satisfatório para ambas as partes, mas descartou de saída a possibilidade de conceder um salvo conduto. Segundo a imprensa britânica só há outras 
duas opções.
A aplicação da lei de 1987 abriria uma virtual caixa de pandora diplomática. No “The Times”, Roger Boyes opinou que, com essa medida, não só seria praticamente inevitável uma ruptura de relações com Equador, como a tensão diplomática se estenderia com certeza “a Venezuela, a Bolívia e até ao Brasil”.
Não é o mais aconselhável para um país que fez este ano um giro pela América Latina para retomar sua relação com a região e definiu o Brasil como um dos mercados dos BRICs a conquistar para sair da recessão econômica. Segundo a BBC, a este problema se agregaria outro de maior repercussão internacional. Uma ocupação da embaixada para prender Assange poderia ser utilizada como precedente para ataques contra embaixadas britânicas ou de outros países: um virtual mini-caos. Mas se esta estratégia não for adotada, o fundador do Wikileaks terá que permanecer na embaixada: a polícia poderia detê-lo assim que pusesse um pé fora do prédio.
Neste cenário, tudo se abre para um desenlace tipo filme de Hollywood. O Equador poderia tentar levar Assange ap aeroporto em carro da embaixada que também gozaria de imunidade ou, mesmo, fazê-lo viajar escondido na mala diplomática. “Há regras estritas para o equipamento diplomático que permitem aos países transportar a documentação que necessitem. Estas valises diplomáticas podem ser de qualquer tamanho, mas são para documentos oficiais. É difícil ver como se poderia esconder uma pessoa nelas para subi-la ao avião”, especula a BBC. É de supor que o próprio avião deveria ter uma certa imunidade diplomática. É fácil ver como, na escada da aeronave, o filme de espionagem poderia se transformar em uma farsa digna de Mister Bean.
Um empate técnico parece mais factível. Em outras palavras, Julian Assange permaneceria na embaixada. Há muitos antecedentes neste sentido. É provável que o cardeal Jozesf Mindszenty detenha o recorde de tempo: ele passou 15 anos na embaixada dos Estados Unidos em Budapest, a partir da invasão soviética da Hungria, em 1956. Assange poderá superá-lo?
Tradução: Katarina Peixoto 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Equador concede asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks

“O Equador vai conceder asilo para Julian Assange.” A informação de uma fonte equatoriana do portal britânico Guardian garante que  fundador do Wikileaks vai mesmo ter seu pedido aceito pelo governo do país sul-americano.
Assange está refugiado na embaixada do Equador em Londres desde 19 de junho, aguardando um posicionamento oficial do governo de Rafael Correa. Ao garantir o asilo político ao ciberativista, o governo equatoriano o reconhece como um perseguido político.
Correa declarou a uma rede de tevê equatoriana na última segunda 13 que passaria a semana analisando o material jurídico sobre leis internacionais antes de tomar uma decisão. Segundo o Ministro das Relações Exteriores do país, Ricardo Patiño, o presidente aguardava o fim dos Jogos Olímpicos de Londres para se posicionar.
Ainda não está claro se o asilo a Assange o permitirá deixar o Reino Unido rumo ao Equador, ou se é apenas um gesto simbólico. O fundador do Wikileaks corre o risco de ser preso caso deixe a embaixada em Londres. O gesto certamente causará desconforto entre os governos do Equador, de posição bolivariana e alinhado à Venezuela, e dos Estados Unidos, principal alvo dos documentos do Wikileaks, do Reino Unido e da Suécia, país de origem de Assange.
Segundo a fonte do Guardian no Equador, o governo britânico “desencoraja” a ideia de conceder o asilo, enquanto os suecos “não estão muito colaborativos” com a situação.
Julian Assange refugiou-se na embaixada do Equadro em Londres numa tentativa de evitar a extradição à Suécia, onde foi condenado por supostamente ter estuprado duas mulheres. Na Suécia ele corre o risco de nova extradição aos Estados Unidos, onde onde poderia ser condenado à pena de morte.
O sueco, que também tem cidadania australiana, fundou o Wikileaks, site que revelou uma série de documentos confidenciais de empresas e de governos nacionais, sobretudo os Estados Unidos.