Delegada que prendeu engenheiro por receptação de joia roubada sofreu pressões do alto escalão do governo paulista para liberar o arrecadador tucano.

Continue lendo a reportagem desta semana da revista Isto é.
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht

Uma semana após a revista "Veja" ter publicado uma capa em tons vermelhos com opiniões divergentes da candidata presidencial Dilma Rousseff (PT) sobre o aborto, a "IstoÉ" fez algo semelhante em sua edição deste fim de semana, mas desta vez com José Serra (PSDB).
Em tons azuis, a capa mostra as declarações divergentes que o presidenciável tucano fez sobre o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, suspeito de desviar R$ 4 milhões que seriam usados na campanha eleitoral. Na parte superior, a afirmação de Serra negando conhecer Paulo Preto: "Não sei quem é Paulo Preto. Nunca ouvi falar". Na parte inferior, a declaração feita pelo
ex-governador paulista no dia seguinte, defendendo o engenheiro: "Evidente que eu sabia do trabalho de Paulo Souza, que é considerado uma pessoa muito competente".
A reportagem, assinada pelos jornalistas Sérgio Pardellas e Cláudio Dantas Siqueira, mostra como foi a atuação de Paulo Preto durante a época em que foi diretor do Dersa, órgão do governo de SP responsável pela gestão das rodovias do estado e trabalhou diretamente na construção do Rodoanel e da ampliação da Marginal Tietê. Pessoas ligadas à Executiva do PSDB confirmaram à revista que ele tinha "poder" para para arrecadar valores.
O texto levanta algumas questões não respondidas pelas lideranças do PSDB, como o porquê de Paulo Preto não ter sido afastado imediatamente quando as suspeitas de desvio de recursos começaram a surgir e de onde o dinheiro surgiu.
A "IstoÉ" republicou trechos da entrevista concedida pelo próprio Paulo Preto em agosto. Quando perguntado se conhecia José Serra, ele respondeu que falou com o ex-governador no "máximo umas cinco vezes".
"Eu não tenho nenhuma relação de amizade com ele, mas nós nos conhecemos". Além disso, o engnheiro expôs sua contrariedade em ter sido demitido da Dersa após a inauguração do Rodoanel.
"Até hoje não me informaram o motivo. Mas eu não queria sair. Sei que sou uma ameaça para os incompetentes, pois o que falta no Brasil é gestor com capacidade de realizar um empreendimento".
Publicado no SRDZ

Claudio Leal, no Terra Magazine
Por meio da assessoria do Ministério Público Federal, de Minas Gerais, o procurador Patrick Salgado Martins afirma que os fatos narrados pela revista IstoÉ "estão fora de contexto". O coordenador da campanha de Dilma Rousseff e ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), não foi denunciado no caso do mensalão.
Segundo o MPF, o procurador ressalta que os denunciados - Glauco Diniz Duarte e Alexandre Vianna de Aguilar - "cederam uma conta aberta por eles no exterior para o esquema do mensalão. Ou seja, eles fizeram parte do esquema. A ligação deles com Pimentel é a de que eles foram os empresários que venceram a licitação da Olho Vivo".
O procurador acrescenta: "Não há nenhuma prova ligando (Fernando) Pimentel ao mensalão. Obviamente, por essa razão, ele não foi denunciado. Se houvesse alguma prova, isso teria acontecido."
O MPF avisa que não vai se pronunciar sobre qualquer outro fato porque o processo encontra-se em segredo de justiça.
A revista IstoÉ que chegou nesta sexta-feira às bancas trouxe uma reportagem sobre o relatório final do que chama de "Mensalão do PT", com 50 depoimentos colhidos pela Justiça Federal. Na interpretação da revista, "ele (Fernando Pimentel) é apontado como um dos operadores da remessa ilegal de recursos para o Exterior, depois usados para pagamentos de dívidas do PT com o publicitário Duda Mendonça".
Via Viomundo