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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Albergue público é a cidadania traduzida em ação do Estado

No pacote de projetos que o governo Tarso Genro prepara para envio à Assembleia no mês de fevereiro, o da criação de albergues públicos para o acolhimento e atendimento de pacientes em tratamento de alta complexidade, juntamente com seus familiares, representa um dos mais relevantes do ponto de vista social e de cidadania. Há anos convivemos com a polêmica dos albergues patrocinados por deputados, que em troca da "solidariedade" aos doentes e seus acompanhantes recebiam um caminhão de votos de amigos e familiares das pessoas que utilizaram o serviço.

É lamentável assistir pacientes e os famíliares dos doentes perambulando pelas ruas da Capital à espera da hora da consulta ou do tratamento médico. A maioria delas chegam à cidade ainda na madrugada, em microônibus de prefeituras, e grande parte desses gaúchos e gaúchas têm pouco ou quase nenhum recurso financeiro para a alimentação, ou outras despesas básicas. Para esses cidadãos, passar um dia inteiro apenas com um pastel e um guaraná, ou até mesmo um pacotinho de bolachas recheadas é mais corriqueiro do que possamos imaginar. Basta ver ao redor dos grandes hospitais públicos a disseminação de vendedores de pasteis ou de lanches baratos, que na maioria das vezes tem muita coloria e poucos nutrientes, o que é lamentável, haja vista a necessidade de o paciente ter uma alimentação de qualidade ou equilibrada para que possa se recuperar.
Tenho a convicção que esses albergues públicos terão o apoio das comunidades, da sociedade civil, dos prefeitos e das lideranças políticas de todo o Estado, e que juntos encontrarão meios de manter e prestar um serviço de qualidade para esses cidadãos e cidadãs.
Cuidar do seu povo e do bem-estar da população é uma das funções do Estado, e são iniciativas como esta que traduzem o verdadeiro sentido da palavra cidadania.
Parabéns ao governo Tarso Genro pela iniciativa, mas sabemos que esta é apenas uma, entre tantas outras que serão necessárias para tirar o RS da vanguarda do atraso social e da estagnação econômica.

Do Blog Tomando na Cuia

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O atraso quer passar por vanguarda



O quadro eleitoral do segundo turno apresenta cenários que só a literatura ficcional teria capacidade de criar. A realidade é pobre para imaginar tamanho absurdo. A direita no Brasil está isolada. O lulismo de resultados roubou-lhe todas as bandeiras, consignas, justificações, discursos e narrativas. Sobraram-lhes algumas peças rotas, desmoralizadas e arquivadas no museu de tudo do nosso esquecimento. Velhas agendas não-civilistas, extraídas do religiosismo (a religiosidade hipertrofiada) como um fim em si, foram uma a uma sendo reformadas e ostentadas como requerimento político de valor universal. O obscurantismo quer prevalecer em relação ao iluminismo. O atraso quer ser vanguarda. O passado quer abortar o futuro. O arcaico quer representar o prometido. O morto quer se traduzir como vida. O moribundo quer se encenar como salutar. O entrevado quer se anunciar como bailarino. O ovo podre acha que pode ser pinto. O decomposto quer ser tragado como água cristalina. O vampiresco quer ser vibrante colibri, pomba mensageira, profeta da Utopia.

Diário Gauche