Mostrando postagens com marcador Brizola Neto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brizola Neto. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de março de 2012

Brizola, a CUT e as escolhas de Dilma

Um Brizola ministro?
 Tristeza na Globo

Se a presidenta Dilma confirmar nos próximos dias o nome de Brizola Neto (PDT-RJ) como novo Ministro do Trabalho, terá dado mais um sinal da recomposição de forças que vai colocando em prática desde o início de 2012 – o sinal mais claro foi tirar Jucá (e, portanto, “minar” o velho grupo sarneyzista que tinha a hegemonia no PMDB do Senado) da liderança do governo.
Antes de entrar nesse ponto, algumas informações sobre Brizola Neto. Ele não fala sobre a possível nomeação. ”A hora é de discrição”, diz-me um assessor. Quem tem falado, e muito, é “O Globo”. Claro, o jornal carioca lança balões de ensaio e armadilhas na tentativa de barrar a nomeação. Um Brizola no Ministério deve ser dolorido demais para a família Marinho.
O interessante é que o nome de Brizola tem o apoio das principais centrais sindicais brasileiras. A Força Sindical (que tem em Paulinho, do PDT-SP, o principal líder), a CTB (que tem ligações com o PCdoB) e a CUT já sinalizaram que apóiam o nome de Brizola Neto.
Conversei ontem com Artur Henrique, presidente da CUT. Ele foi cuidadoso, mas absolutamente claro: “Não cabe à CUT nomear nem indicar ministro, isso é com os partidos e com o Poder Executivo; mas temos simpatia, sim, pelo nome do Brizola Neto porque ele poderia adotar um novo perfil para o Ministério do Trabalho”.
Que perfil seria esse?
Artur diz que o Ministério, na gestão Lupi, virou um “grande cartório” para criação de sindicatos. Perdeu o papel de articulador das demandas trabalhistas. A CUT acha que Brizola poderia assumir essa função, por exemplo, coordenando Mesas Nacionais de Negociação – como a criada recentemente na área da construção civil.
“A atuação do Brizola Neto como secretário do Trabalho no Rio mostra que ele tem esse perfil. Além disso, pode ser um ministro que tenha interlocução com todas as centrais, e não com uma só”, espetou Artur, numa referência à relação preferencial de Lupi com a Força Sindical.
Esse blogueiro apurou que o Palácio do Planalto já consultou as centrais sobre o  nome de Brizola. E recebeu sinal verde.
O que falta? O PDT. Muita gente no entorno de Lupi teme que Brizola, chegando ao Ministério, imponha uma nova correlação de forças no PDT. Numa palavra: Brizola Neto no ministério viraria, de fato, a principal liderança pedetista, “engolindo” a turma de Lupi.
O ex-ministro (hoje “apenas” presidente do PDT) fez o partido lançar uma nota ontem (ler aqui), enviando um recado ao governo: oficialmente, não há veto “a qualquer companheiro”, mas a negociação terá que ser feita ”pela via institucional das instâncias partidárias”. Ou seja, Lupi quer ser ouvido. O fato é que ainda há resistências no partido. O embate deve ser resolvido até o fim dessa semana, início da próxima. 
Qual o significado político da possível nomeação de Brizola Neto?  Significa um aceno de Dilma para setores mais à esquerda que, desde o início do governo, têm recebido péssimos sinais do Planalto.
O retrocesso na área de Cultura, a inação nas Comunicações (com a rendição à lógica das teles), o fracasso da Reforma Agrária, o diálogo truncado com os sindicatos e também com as chamadas “minorias” provocam um mal-estar em setores que cumpriram um papel importante na reta final das eleições de 2010, defendendo Dilma do bombardeio conservador.
O deputado Jean Willys acaba de publicar um artigo que dá voz a esse mal-estar. Pode fazer isso publicamente, porque é do PSOL. Mas há muita gente na base petista com sensação idêntica. Os altos índices de popularidade de Dilma não refletem uma fragilidade política que, a essa altura, vai-se tornando preocupante.
No início de 2011, esse Escrevinhador escreveu um texto em que mostrava o movimento claro de Dilma rumo ao centro.
Resumi, assim, as escolhas e os riscos aí embutidos:  “Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010. Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente. Qual o risco disso tudo? O risco é embaralhar a política e apagar as diferenças. Relembremos o que ocorreu no Chile, ao fim do governo Bachelet. Ela tinha claro compromisso com direitos humanos, com a civilidade e com os valores tradicionais da esquerda… Mas na política e na gestão da economia no dia-a-dia, o governo da “Concertación” assumiu o programa liberal da direita. Embaralhou-se tudo. Bachelet saiu do governo bem avaliada, mas não fez o sucessor.”
Sendo ainda mais claro.  Se Dilma seguir a ser bombardeada (ou chantageada?) por “aliados” do PMDB e PR, poderia correr pra base de apoio tradicional do lulismo. Hum… Hoje, tenho minhas dúvidas.
Dilma precisa reconstruir as pontes com a esquerda tradicional. Ainda mais porque Lula permanece distante do jogo.
A nomeação de Brizola poderia ser um movimento nessa direção. Para tristeza da família Marinho. E para alegria dos blogueiros: teríamos no ministério um político que  -com o “Tijolaço” – tem ajudado a fortalecer um novo campo nas Comunicações brasileiras.   

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eventos retiram manto de silêncio sobre a Legalidade, diz Tarso


Tarso Genro: “A voz do Rio Grande vai estar permanentemente na cena política do País” | Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
Lorena Paim
Familiares de Leonel Brizola e de João Goulart encontraram-se nesta segunda-feira (29) no Palácio Piratini para receber uma homenagem em nome dos dois líderes políticos. O governo do Rio Grande do Sul concedeu, postumamente, a Ordem do Ponche Verde ao ex-governador e ao ex-presidente, em reconhecimento ao papel por eles desempenhado na política nacional. “Este Estado não vai permitir o manto de silêncio que se formou sobre a Legalidade”, declarou o governador Tarso Genro, referindo-se à indiferença, observada na historiografia, em relação ao movimento de 1961 que pregava o cumprimento da ordem constitucional.
O governador afirmou, em seu pronunciamento, que a grande mídia, principalmente do centro do País, ao se referir ao ex-governador Leonel Brizola e ao ex-presidente João Goulart, o faz com ironia e acrescentando as palavras “populista” e até “comunista”. Ele lembrou que quando foi assinada a anistia desses dois líderes políticos, em vez de provocar reflexão, o ato teve como repercussão “um silêncio absoluto”. Mas o “manto de silêncio” jogado sobre essas duas personalidades e sobre a Legalidade não é gratuito, segundo explicou, pois grande parte das questões levantadas por eles, símbolos do trabalhismo, ainda é atual e incomoda as elites. E são questões ainda não resolvidas, como a desigualdade social e as políticas de inclusão. “A voz do Rio Grande vai estar permanentemente na cena política do País”, afirmou Tarso.
Juliana Brizola: "Governo Tarso “também representa o trabalhismo, a busca da justiça social e a importância dada à educação” | Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
Em nome de Brizola, receberam a comenda Ponche Verde o filho do ex-governador, João Otávio Brizola, e a neta, Juliana (estavam presentes também o vereador do Rio Leonel Brizola Neto e o filho de Neusinha, Paulo César, além do irmão de Brizola, Jesus). Em nome dos familiares, a deputada Juliana Brizola, do PDT, agradeceu a homenagem e falou da propriedade de os 50 anos da Legalidade serem comemorados justamente no governo Tarso Genro que, a seu ver, “também representa o trabalhismo, a busca da justiça social e a importância dada à educação”. Como herdeira de sangue de Brizola, Juliana estendeu o direito de herança a todos aqueles que conduzem a bandeira do líder trabalhista.
Reconhecimento aos que lutam pela paz
A Comenda da Ordem do Ponche Verde foi criada por decreto estadual, em 1972, por ocasião do sesquicentenário da Independência, em homenagem a personalidades nacionais e estrangeiras dignas de gratidão. A distinção lembra o episódio de Ponche Verde, onde os revolucionários acertaram com o Duque de Caxias a pacificação da província, finda a Revolução Farroupilha. Brizola e Goulart obtiveram o grau Grã-Cruz in memoriam.
Christopher, neto do ex-presidente: "falar em Jango é falar em paz e unidade, coisas que ele buscou" |
Em nome de João Goulart receberam a honraria seu filho João Vicente e seu neto Christopher. Coube ao neto o agradecimento, fazendo um paralelo entre a simbologia representada pela comenda e o papel do ex-presidente. “Ponche Verde é o símbolo da paz, enquanto falar em Jango é falar em paz e unidade, coisas que ele buscou, embora tivesse que tomar uma decisão extremamente difícil, que foi aceitar o parlamentarismo, para depois sair vitorioso com o restabelecimento do presidencialismo”. Para Christopher, “a atitude valorosa de Jango ainda é pouco reconhecida no Brasil”. Por isso, ele pediu que se reavalie o legado político do ex-presidente, “pois ninguém teve tanta vontade de transformar este país”.
Com o Salão Negrinho do Pastoreio cheio, destacavam-se, além dos familiares de Brizola e de Goulart, integrantes da Brigada Militar, inclusive seu comandante, Sérgio Abreu, reforçando a ideia da importância que teve a corporação para o sucesso da Legalidade. A Banda da BM tocou o Hino da Legalidade, acompanhado com emoção pelos presentes. E, para marcar o cinquentenário, foi lançada a edição especial da revista Brigada Militar na Legalidade.
O secretário da Cultura, Luiz Antônio de Assis Brasil, em sua fala, lembrou que personalidades tão desiguais, em formação e origem, como Brizola e Goulart, acabaram unidos pela mesma causa republicana e de manutenção da ordem constitucional. “Goulart, mais suave e persuasivo e Brizola, orador inesgotável”, comparou. O Rio Grande do Sul, conforme o secretário, “deve tirar ensinamentos do exemplo de honradez, dignidade e de respeito às instituições proporcionado por Brizola e por Jango”.

O pronunciamento do presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde, foi no sentido de ressaltar que as comemorações dos 50 anos da Legalidade coincidem com “o período mais largo da democracia brasileira, democracia esta que tinha e tem um valor universal, sendo o elemento de fundo daquele movimento”.
Lançamento de livros no Palácio
A cerimônia teve o lançamento do livro Os 50 Anos da Legalidade em Imagens, produzido pela Secretaria da Comunicação e Inclusão Digital (Secom) do Governo do Estado, que traz dezenas de fotos (e alguns depoimentos) referentes ao episódio. O Museu de Comunicação Hipólito José da Costa foi a principal fonte de pesquisa das imagens.
No final da tarde, ainda no Salão Negrinho do Pastoreio, autores falaram sobre seus livros e deram autógrafos: Juremir Machado da Silva, com Vozes da Legalidade, e Paulo Markun e Duda Hamilton, com 1961- o Brasil entre a Ditadura e a Guerra Civil. Este lançamento da Editora Benvirá é uma edição revisada e ampliada de 1961- Que as Armas não Falem.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Os novos Judas


A coisa mais maravilhosa na verdade é que ela tem uma capacidade inacreditável de brotar, a despeito do quanto busquem escondê-la sob a propaganda. Aliás, nem é preciso que a escavemos, busquemos nas entrelinhas. Não, ela surge, luminosa, nos momentos decisivos, quando uma coeltividade busca seus caminhos. O acessório, o ilusório, o modismo, tudo se dissolve e a realidade aparece.

Ontem, mesmo ainda meio baqueado, já havia dado para divisar a questão central contida na decisão que Nação irá tomar: se vamos continuar no caminho da afirmação soberana do Brasil – a qual passa, indispensavelmente, pelo desenvovimento humano – ou se iremos retormar nossa mal-disfarçada sina de colônia ajoelhada ante as esquadras financeiras da ordem neoliberal, o nome atual do colonialismo e da dominnação pelos países centrais.

Nem precisávamos t~e-lo feito. Como uma força irresistível, neste momento em que divisaram, graças às explorações mais abjetas e ao papel confusionista da candidatura Marina Silva, a própria direita o evidencia.

A capa do Estadão de hoje, que reproduzo ao lado, mostra que a direita, agora, não quer enfrentar Dilma. Está se achando capaz de enfrentar o que representou o Governo Lula.

Discussões como esta do aborto já deram o que tinham que dar. São lateralidades que serviram apenas – repito, com a tosca colaboração de Marina Silva – para encobrir a questão central. A este tipo de história, ao contrário do que vêm dizendo muitos dirigentes que estão ainda com a cabeça no que aconteceu nos últimos dias do primeiro turno, tem de ser afastado de plano, com um único argumento: ” em oito anos de governo, aponte um ato de Lula ou Dilma neste sentido, ou qualquer coisa que se assemelhe a discriminação religiosa. Não tem, não é?

E vamos direto ao que está em jogo: um Brasil que não se ajoelha, que voltou a se desenvolver, a gerar empregos, a valorizar os salários, a defender da cobiça internacional as nossas riquezas sempre espoliadas e, agora, este imenso tesouro de petróleo encontrado no pré-sal.

Aliás, o genro de FHC e assessor de Serra, Davi Zylbernstein, já deixou claro que as novas leis do petróleo devem ser revistas. Revistas para que fim? Para abrir o petróleo do pré-sal às multinacionais, para negociar, em troca de migalhas, a riqueza que pode ser a redenção do povo brasileiro.

Os marqueteiros vão torcer o nariz, mas temos logo que colar na testa desta gente o estigma que devem ostentar como traidores da pátria: entreguistas. Sim, pois é entreguistas o que eles são.

São, como o foi Fernando Henrique, verdadeiros judas da nacionalidade. Aliás, quem diz é o próprio FHC, Serra é mais vendedor do que ele e foi quam mais pressionou pela venda da Vale e de suas imensas reservas de minério brasileitro.

Se querem discutir religião, tomem logo este nome como padrão: Judas, o que entregou seus irmãos e Cristo por trinta dinheiros. Os judas de hoje são cheios de argumentos sofisticados, mas da parafernália midiática de que dispõe emerge, quando eles estão inflados de pretensão, a verdade cristalina sobre o que são.


Do blog do Brizola Neto

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Quem vai para o sacrifício com Serra?

Ilustração: Sátiro

Está difícil encontrar um vice para José Serra. Ninguém parece muito animado a se oferecer para o sacrifício e também faltam nomes de expressão para encarnar a imagem que os tucanos querem passar à população. Aliás, qual é mesmo a imagem, hein? A três dias da convenção nacional do PSDB, ninguém sabe quem será o vice. Parece que só sai no fim do mês.

Os tucanos normalmente se fazem acompanhar dos demos, mas o partido minguou tanto, que não resta mais quase ninguém. O único governador que o partido tinha, e que Serra saudou com aquele “vote num careca e leve dois” foi em cana. José Roberto Arruda, apesar do apreço que sempre mereceu dos tucanos, já não era nem um ficha-suja, era prontuário.

A Folha de S. Paulo fala hoje em nove nomes, mas se espremer não sai um que some alguma coisa. Ainda no DEM, está o senador José Agripino Maia, aquela flor de sutileza, que disse em audiência com Dilma no Senado, que ela poderia estar mentindo por ter mentido quando estava presa durante a ditadura. A resposta de Dilma deveria ter encerrado a carreira de Agripino: “Eu fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura”. O Senador, conhecido como Jajá, ficou conhecido no episódio do “rabo de palha”.

Pula essa. Vamos ao segundo aspirante do DEM: José Carlos Aleluia, da Bahia. Alguém conhece? Mais insosso só o nome de Valéria Pires Franco, do Pará, que precisará ser apresentada ao país.

Esgotado o aliado de sempre, os tucanos poderiam partir para a chapa puro sangue, com Sergio Guerra, aquele a quem Lula chamou de…esqueci… e que acha que o PAC não existe, ou Tasso Jereissati, o coronel eletrônico do Ceará. Ainda aparecem o candidato derrotado ao governo do Paraná, Álvaro Dias, que poderia receber a vice como prêmio de consolação, e a senador Marisa “Quem?” Serrano (essa topa,tem mais quatro anos de mandato e fica bem na society do Mato Grosso do Sul e ainda ajuda a conseguir uma aliança com o governador André Puccinelli, aquele que disse que ia estuprar o Ministro Carlos Minc em praça pública.

Deu pra perceber a consistência da lista?

O PPS de Roberto Freire, muy amigo, indicaria o recém-chegado Itamar Franco, que já disse que não quer. E Serra não parece muito disposto a dar espaço ao aliado-adversário Aécio Neves. Restaria ainda Francisco Dornelles, do PP, um balão de ensaio, já que o partido ainda não decidiu que lado tomar na disputa presidencial, e que os tucanos dizem que não ficaria bem ter como vice por ter introduzido uma nuance no projeto da ficha limpa que beneficiaria Paulo Maluf, embora o próprio Maluf apóie Serra.

Serra, que não se perca pelo nome, não faz aliados. Faz inimigos, com seus métodos. Agora, na hora em que precisa de solidariedade na derrota que se delineia, não a encontra.

texto surrupiado do Brizola Neto


quarta-feira, 12 de maio de 2010

A voz do dono, o dono da voz e os donos de tudo.


A capa e o conteúdo do jornal O Globo de hoje revelaram a Serra o que um dia, num único jornal do sistema, pode fazer à sua candidatura. Não que seja diferente ao que fazem dúzias de vezes com Dilma, mas foi, como dizia uma música dos anos 60, “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

Acostumado a mandar demitir repórteres com telefonemas, Serra perdeu a paciencia com “os comunistas do Dr. Roberto” do século 21. “Dos meus comunistas, cuido eu”, teria dito “o mais velho”, em plena ditadura, ao “ministro da justiça” (assim mesmo, entre aspas e em minúsculas) Armando Falcão. Embora não sejam mais comunistas e o Dr. Roberto não esteja mais aí, Serra mexeu num vespeiro, muito maior que o cada vez mais frágil jornal O Globo. Mexeu na Globo, no centro de comando da elite brasileira.

Embora a Miriam Leitão tenha ficado publicamente apatetada e se contido – a vingança, como dizia o personagem do Chico Anísio, “será maligna”. A edição do jornal impresso de hoje, que reproduzo aí ao lado, já mostra isso. A foto de um Serra que parece doente, alquebrado, sendo seguro na escada como um inválido que não se sustenta é o tipo de maldade atroz que ele, pela primeira vez, tem de encarar no jornal.

O título é de uma clareza solar. Traduzido, quer dizer: Serra, este é o Serra que queremos. Oposição, não pseudolulista. O império não quer almas pela metade, ele quer a vassalagem incondicional. Ele quer alguém que se ajoelhe em seu altar, renegue e maldiga sua fé passada e proclame sua conversão em alto e bom som, como fez FHC em 1995, ao dizer, já em seu discurso de posse, que vinha para destruir a “Era Vargas” e entregar, como nunca se entregara nem na ditadura, o Brasil aos grupos econômicos daqui e de fora.

Lá dentro do jornal, coube a Lord Merval Pereira colocar a coisa em letras explícitas: fala em ressurreição do ranzinza e de Serra ser o “centralizador” e “mais intervencionista do que Dilma”. Ao lado, seguia a ironia fotográfica, com uma grande foto de Dilma sorridente, ao lado de Antonio Palloci, o “homem de confiança” do mercado nos primeiros tempos do Governo Lula.


Serra tem sorte de que o Dr. Roberto não esteja mais aí, para não correr o risco de sofrer mais um dos “castigos” que gosta de impor aos “insolentes”: ser “demitido” com um telefonema.

Mas vai ter de fazer seus atos de contrição, ficar comportadinho e parar de achar que é alguém com direito a ter posições próprias e pessoais, mesmo que sob a fantasia que os marqueteiros lhe desenharam.

Serra tem que exorcizar de vez suas convicções do passado, sepultar o antigo Serra que pensava no papel do Estado, no desenvolvimento, que, inconformado com a morte que a traição lhe deu, brota em espasmos como o de ontem. Não se lhe exige apenas o papel de agente da direita, querem a conversão completa ao papel que assumiu. De Fausto não se queria parte, mas tudo.

Dante Aligheri escreveu na sua Divina Comédia que, nos umbrais do Inferno havia talhada uma frase: Abandona toda esperança, vós que entrais.

A gauchada, que não leu Dante, se expressa mais claramente: “não te fresqueia, guri”.

Blog do Brizola Neto

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Brizola Neto denuncia o comandante da guerra suja de Serra na internet

Imaginem se o coordenador da campanha de Dilma Rousseff na internet ou o tesoureiro nacional do PT registrassem em seus nomes domínios de páginas web intituladas tucanalha.com.br ou tucanosmentem.com.br, que praticasse diariamente uma guerra suja na internet contra o candidato tucano. Seria notícia nacional, certo? Uma longa matéria no Jornal Nacional, manchetes indignadas nos jornais e portais de internet, comentários irados de colunistas nas rádios e televisões. Quem sabe, um pedido de CPI no Congresso? Pois bem, o deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) publicou em seu blog Tijolaço os registros de domínios na internet mostrando que Eduardo Graeff, ex-secretário geral do governo FHC, tesoureiro nacional do PSDB e homem forte da campanha de Serra registrou em seu nome páginas destinadas a promover essa guerra suja durante a campanha eleitoral.

As informações veiculadas por Brizola Neto mostram até onde José Serra está disposto a descer nesta campanha presidencial. “Vou hoje à tribuna da Câmara, desafiar o discurso de bom-moço de José Serra. Toda esta sujeira é feita por seus homens de confiança”, afirmou o parlamentar.


Via RS Urgente