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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desconstruindo o mito do mapa vermelho X azul



Pretendia começar este período pós-eleitoral fazendo uma avaliação da vitória de Dilma Rousseff, mas sou obrigado a dar minha pequena contribuição ao combate do mais recente mito que circula na internet e até entre analistas. Mito só não, um verdadeiro preconceito regional que desvirtua a análise de dados simples: refiro-me, claro, à idéia rapidamente difundida de que a vitória de Dilma teria sido garantida pelos nordestinos ou ao menos pelos nortistas somados aos nordestinos. O assunto mal esconde 3 pontos que muitas vezes se retroalimentam: 1) o preconceito puro e simples daqueles sul-sudestinos que, descontentes com o resultado eleitoral, dizem asquerosamente que “foi culpa do Nordeste”; 2) a idéia que vem surgindo desde 2006 de que vem havendo uma divisão política do Brasil em duas partes: uma porção sul mais tucana e outra porção norte mais lulo-petista e 3) a simplificação também preconceituosa de que a vitória de Dilma é coisa do Bolsa Família (ou seja, a preconceituosa frase do “Nordeste votou com o estômago”). Pois bem, vamos ver por que são absurdos?



1) O primeiro ponto é tão fácil de rebater que chega a parecer absurdo sequer ter que tratar disso: como é que a causa da vitória de Dilma estaria no Norte e Nordeste se 53% dos votos dela vieram do Sul e Sudeste? Posto de modo mais simples ainda: como se vê na tabela abaixo, se apagarmos do mapa todos os 26.077.771 eleitores do Nordeste, ainda assim Dilma ganharia as eleições. Se apagássemos todos os votos de Norte e Nordeste, também. E aliás, se apagássemos Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ela ainda assim teria vencido ontem. O Brasil ainda assim seria governado pela petista.





2) Tampouco é exatamente verdadeira a tal da divisão entre dois Brasis eleitorais de que se vem falando. Quando olhamos o mapa feito pelos portais pintando de azul os estados em que Serra ganhou e de vermelho aqueles em que a vitória foi de Dilma, como esse aqui do IG, dá mesmo a impressão de que o resultado foi a vitória do Brasil de cima contra o Brasil debaixo. Bobagem: quando se utiliza esse tipo de critério para “pintar um mapa” incorre-se em um erro básico: mesmo em um estado no qual um candidato João tivesse apenas 1 votinho a mais do que o candidato Pedro, esse estado seria pintado com as cores do candidato João. Mas seria possível dizer que o candidato Pedro, que perdesse ali por apenas um mísero voto, foi fraco nesse estado? Vejam o caso real deste segundo turno no estado de Goiás: ali, Serra teve 1 ponto percentual e meio a mais do que Dilma Rousseff. Pode-se dizer que esse estado não a referendou, não deu sustento a sua candidatura, não fez parte sua vitória? Uma forma de começar a mostrar para vocês o que quero dizer seria fazermos dois outros mapas. No primeiro, os estados onde a diferença entre Dilma e Serra foi de 5% ou menos, terão a cor cinza e não vermelha ou azul. No segundo, estarão em cinza os estados em que essa diferença foi de 10% ou menos.





Vejam que um mapa desse tipo, mais próximo do que se recomenda para esse tipo de análise, desfaz bastante das teorias regionalistas. Fica bem bem mais tênue a idéia da divisão. Houve uma batalha mais acirrada na maior parte do país. Na verdade, quando vamos aos detalhes dos dados, o que fica evidente é que Dilma foi bem em todos os estados, ficando abaixo dos 40% dos votos apenas em dois, pouco expressivos eleitoralmente: Acre e Roraima (no Norte, aliás). Enquanto Serra teve menos de 40% em dez estados. E chegou a ficar mesmo com menos de 30% e até menos de 25% em alguns. Ou seja, o ponto onde quero chegar é que os resultados dessas eleições não indicam um Brasil dividido: Dilma foi bem em todos os estados. Quem teve sua votação concentrada regionalmente foi Serra. Ele sim dependeu basicamente do Sul e de São Paulo para ter seu desempenho. A prova disso fica evidente quando olhamos a diferença de votos entre os candidatos por região e não por estado. No Sul, a diferença pró-Serra foi de 7,78 pontos percentuais. E no Centro-Oeste ele venceu por ainda menos, meros 1,84 pontos percentuais. Por outro lado, veja-se: no Sudeste, quem venceu foi Dilma, ainda que por diferença de 3,75 pontos. No Norte, a petista teve 14,86 pontos percentuais a mais e, no Nordeste, teve aí sim uma vitória acachapante: incríveis 41,16 pontos a mais do que Serra. Ou seja, repetindo: Dilma foi eleita em todo o país. Se há alguma divisão Norte-Sul é no apoio aos tucanos (em 2006 e 2010), não aos candidatos petistas.





3) Quanto à questão dos votos vindos do Bolsa Família, é claro que não se pode saber o que motivou cada voto, já que a urna não faz perguntas ;) Mas algumas pistas são suficientemente evidentes. Primeiro, o óbvio: os 56% dos votos que Dilma teve estão bem acima dos cerca de 35% de brasileiros cujas famílias recebem o benefício. E é claro, o que temos de indício para imaginar que todos esses brasileiros que recebem no Bolsa Família votaram Dilma? Nada. Pelo contrário: se a memória não me falha, pesquisas de intenção de voto ao longo desses meses indicavam que cerca de 70% dos beneficiários votavam nela, não todos. Agora vejam: 70% dos cerca de 35% de brasileiros beneficiados pelo programa é igual a 24,5%. Portanto, na melhor das hipóteses, metade dos votos de Dilma vieram de pessoas influenciadas pelo Bolsa Família. Tantos nordestinos votaram na petista porque a economia da região viveu no governo Lula uma situação de desenvolvimento inédita, crescendo a taxas chinesas e com as classes baixas tendo sua renda crescendo muito acima da renda das classes altas.


Portanto, podemos discutir muitas questões interessantes sobre os porquês da vitória de Dilma e da derrota de Serra. Mas seguramente, simplificações regionalistas não cabem. Nem aquelas derivadas de interpretações toscas dos dados, e muito menos as que derivam do mais sujo preconceito. E não custa lembrar: vitoriosos e derrotados, simpatizantes e antipatizantes, dilmistas ou serristas: preconceito tem de ser condenado a despeito de nossa coloração ou preferência. E tanto a grande imprensa quanto a internet, ao deixar de abordar abertamente o assunto para esclarecimento do público, prestam no mínimo um enorme desserviço ao país. E no máximo, uma inaceitável conivência. Nosso modo clássico de lidar com temas espinhosos não pode imperar: não falar do assunto é desleixo com meio Brasil ou conivência com a meia dúzia de preconceituosos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Geografia do voto

Desempenho dos candidatos nas eleições 2010, município por município. Compare com os mapas de 2006. Passe o mouse para ver os detalhes.
By: Estadão

O mapa da eleição presidencial mostra que a petista Dilma Rousseff teve desempenho melhor nas cidades pequenas e médias. Marina Silva (PV) colheu os resultados mais favoráveis em grandes colégios eleitorais, enquanto Serra teve votação mais homogênea nos municípios de diferentes tamanhos.
Das 126 cidades onde foram contabilizados mais de 100 mil votos válidos saíram 63% dos eleitores da candidata do PV. No caso de Serra, 44% de seus votos são oriundos desses grandes municípios, e 39% no caso de Dilma.
Isso significa que a batalha pela conquista do eleitorado de Marina no segundo turno será travada, principalmente, nas grandes cidades do País.
Dilma ganhou em 78 das 126 maiores cidades (62%, porcentual inferior à média do total de cidades onde a candidata ficou à frente). Serra venceu em outras 44 e Marina, em 4.
De 3.529 municípios com menos de 10 mil votos válidos para presidente, Dilma extraiu 20% de sua votação, contra 16% de Serra e 8% de Marina. Essas cidades representam 17% dos votos válidos, na média. Dilma foi a mais votada em 77% deles (acima de sua média).
Já dos 1.508 municípios com entre 10 mil e 100 mil votos válidos (responsáveis por 38% dos votos válidos para presidente), Dilma e Serra extraíram praticamente o mesmo porcentual de suas respectivas votações: 41% e 40%, respectivamente, contra 29% de Marina. Dilma venceu em 69% dessas cidades médias.
As contas foram feitas pelo Estado quando havia dados disponíveis sobre a votação em 5.164 dos 5.565 municípios do Brasil (93% do total).
Avanço do PT. A comparação do mapa atual com o da eleição de 2006 mostra que Dilma venceu em mais municípios que Luiz Inácio Lula da Silva quando disputou a reeleição. Na época, no primeiro turno, o petista ficou à frente de seu adversário do PSDB, Geraldo Alckmin, em 3.103 cidades, o equivalente a cerca de 56% do total.
A candidata do PT ganhou em pelo menos 3.833 (74% das cidades com votos contados). O número aumentará quando forem levados em conta os 7% de municípios para os quais o Tribunal Superior Eleitoral não havia divulgado dados no momento da tabulação feita pelo Estado.
Serra, por sua vez, não atingirá o placar obtido por Alckmin em 2006 – vitória em 2.462 cidades. Neste ano, o candidato tucano superou os adversários em 1.318 municípios (25,5% do total analisado).
A terceira colocada na eleição presidencial de 2006, Heloísa Helena (PSOL), não conseguiu vencer Lula e Alckmin em nenhum dos municípios brasileiros. A terceira força de 2010, Marina Silva, ganhou em pelo menos dez cidades, entre elas duas capitais de Estados (Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Vitória, no Espírito Santo), além da capital federal, Brasília.
Outra vitórias da candidata do PV ocorreram em municípios grandes como Vila Velha (ES) – que tem mais eleitores que Vitória -, Nova Lima (MG), Sabará (MG) e Niterói (RJ).
Votação proporcional. Os mapas do desempenho dos candidatos, publicados nesta página, mostram que Marina teve votação acima da média em cidades próximas da capital mineira e em quase todo o Rio de Janeiro. No Estado, além de Niterói, ela venceu em Volta Redonda e em cidades da chamada Região dos Lagos e arredores – Cabo Frio, Araruama, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e São Pedro da Aldeia.
O mapa de Marina também mostra concentração de votos em algumas áreas da Região Norte, embora ela não tenha vencido em nenhuma cidade lá – em Rio Branco (AC), sua base eleitoral, ficou atrás de Serra.
A votação de Dilma ficou acima de sua média nacional nas Regiões Norte e Nordeste, além do norte de Minas Gerais, do sul do Tocantins e de uma pequena área no centro do Rio Grande do Sul.
Em quase todo o Nordeste, Dilma obteve mais de 65% dos votos válidos. Em diversas cidades de Pernambuco, Ceará, Bahia, Alagoas, Piauí, Paraíba e Maranhão ela chegou a 80% de votos válidos. Em Catumbi (PE), alcançou quase 95%.
Serra, por sua vez, teve votação acima de 65% dos válidos em áreas pequenas e descontínuas do mapa eleitoral, no Pará, em Mato Grosso e em São Paulo. A cidade em que recebeu a melhor votação proporcional foi Marcelândia (75%).
Capitais. Das 26 capitais de Estados, Dilma venceu em 13, Serra em 11 e Marina em duas.
A candidata do PT triunfou em todas as capitais do Nordeste, com exceção de Aracaju (SE) e Maceió (AL), onde Serra ficou à frente.
O candidato do PSDB venceu nas três capitais da Região Sul – Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Curitiba (PR). No Norte, ele ganhou em Boa Vista e em Rio Branco.
Em São Paulo, maior cidade do País, teve vantagem de apenas dois pontos porcentuais (40,3% contra 38,1% contra Dilma).
Marina, além de vencer em Belo Horizonte e Vitória, conseguiu chegar à segunda colocação em capitais como Palmas (TO), Salvador (BA), Florianópolis, Recife (PE), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB).
José Roberto de Toledo

sábado, 2 de outubro de 2010

Sem medo de ser feliz

Domingos sempre foram dias de futebol, aniversários, visitas, almoços de família, passeios, namoros, casamentos… Mas o domingo de amanhã, 3 de outubro de 2010, vai ser diferente de todos os outros. No momento que abrirmos os olhos, saberemos porque será um dia especial. Não será ensolarado ou chuvoso. Este domingo será brilhante.

Será o domingo do orgulho, da convicção, da euforia e da fraternidade. Estaremos felizes. Talvez mais felizes que em 2002 ou 2006 e em todas as eleições que os antecederam. Porque nosso voto será um voto de consentimento à continuidade de um governo vitorioso. Não será o voto no “menos ruim” ou naquele que nos convenceu que é o “melhor”. Pela primeira vez, não queremos mudar os rumos do país e nem pedimos socorro a um candidato. Não estaremos de cabeça baixa, na esperança de que aconteça um milagre. Nosso voto não será uma aposta em qualquer jogo de azar. Desta vez, estaremos consagrando a verdade. A verdade que tanto foi atacada, humilhada, desmerecida e banalizada por seus inimigos durante esta campanha.

Neste domingo, será sublime o ato de votar. E estou certo de que, desta vez, o voto nem precisava ser obrigatório. Desta vez, compareceremos às urnas por vontade própria, conscientes de que é nossa vez de fazermos a diferença. Seremos movidos pelo sentimento de autêntica brasilidade. E gostamos deste sentimento. Votaremos com a certeza de sermos senhores do nosso destino. E nada nem ninguém nos subtrairá isso.

Neste domingo também se dará o prelúdio de mais um passo dentro do gigantesco projeto de transformação que abraça este país paradisíaco e destinado a ser o coração do mundo.

Vamos brindar ao encerramento do mandato do presidente Lula. Mas não será um ponto final, e sim, um ponto luminoso. Os últimos anos que mudaram a história deste país terão nova gerencia. Vamos brindar a Dilma Rousseff por tudo que essa mulher simboliza: força, coragem e superação. Que nossa presidente tenha sucesso. Que essa mulher saiba conduzir o gigante que finalmente despertou. E que seu povo sinta orgulho de colocá-la a seu serviço.

Vai Brasil, vai ser feliz!

Do blog O que será que me dá?

13 razões para votar em Dilma Rousseff

1. Dilma é a continuação do governo Lula. Esta é a mãe de todas as razões. O governo Lula é aprovado por mais de 80% dos brasileiros e acumula, em todas áreas, uma coleção de números de fazer inveja a qualquer outro governo da nossa história republicana. A pobreza caiu pela metade. Mais de 30 milhões de brasileiros se juntaram à classe média. O salário mínimo subiu 74% sobre a inflação. Mais de 14 milhões de empregos foram criados. Dilma Rousseff foi parte deste governo desde o primeiro minuto e é a legítima herdeira desse legado (pdf).

2. Dilma continua a política de fortalecimento do patrimônio público. Uma das razões pelas quais o PSDB foge da figura de Fernando Henrique Cardoso como o diabo foge da cruz é a categórica opção, feita pela esmagadora maioria da sociedade brasileira, contra o privatismo, a desregulamentação e a venda do patrimônio público na bacia das almas. Somos um país de centro-esquerda, neste sentido. Nada foi privatizado no governo Lula e empresas como a Petrobras deram um salto gigantesco, de combalida candidata a ser “desmontada osso por osso” à condição de quarta maior empresa do mundo, responsável pela maior capitalização da história da humanidade. É Dilma, não nenhum outro candidato, quem representa a continuação desse fortalecimento.

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3. Com Dilma sabemos que nossos irmãos mais pobres continuarão a ter acesso ao Bolsa-Família. Mais de 12,6 milhões de famílias foram beneficiadas pelo maior programa de transferência de renda do mundo. Não somente nós, de esquerda e centro-esquerda, mas também economistas liberais e instituições como o Banco Mundial concordam que o Bolsa-Família é parte essencial da redução da desigualdade. O principal candidato da oposição, José Serra, não conseguiu unificar sequer sua campanha ao redor de uma posição sobre esse tema. Chegou-se, inclusive, à bizarra situação de que enquanto o candidato prometia dobrar o BF, seus correligionários e sua própria esposa davam declarações que associavam o programa à “vagabundagem”. Com Dilma não tem erro: continuaremos a reduzir a desigualdade no Brasil.

4. Dilma representa uma política externa altiva, soberana e baseada no diálogo. A política externa é um dos grandes êxitos do governo Lula. Passamos de uma situação subordinada, em que discutíamos a entrada numa órbita estritamente controlada pelos EUA, que trouxe consequências tão desastrosas para os nossos irmãos do México, à condição de país internacionalmente respeitado, ouvido nos fóruns mundiais e líder incontestável da América Latina. A campanha do principal candidato da oposição foi marcada por desastrosas declarações, cheias de insultos aos nossos vizinhos. Traduzidas em política externa, seria uma fórmula certa para que o Brasil perdesse o lugar que conquistou no mundo. A opção pelo diálogo, pelo respeito às instâncias multilaterais e pela autodeterminação dos povos foi um sucesso no governo Lula e está em sintonia com as melhores tradições do Itamaraty. É Dilma quem representa essa opção.

5. Dilma provou ser uma verdadeira democrata. Nenhuma candidata à Presidência no período pós-ditatorial—nem mesmo Lula—sofreu bombardeio midiático comparável ao que foi lançado sobre Dilma Rousseff nesta campanha. Acusações falsas sobre seu passado; grosseiras infâmias sexistas; falsas notícias; manipulação de declarações suas; mentiras sobre suas contas; fichas policiais adulteradas: tudo foi lançado contra ela. Em nenhum momento Dilma moveu um dedo para calar ou censurar qualquer jornalista. Por outro lado, José Serra, tratado de forma infinitamente mais dócil pela imprensa brasileira, demonstrou amplamente que não é confiável no quesito democracia. Exigiu cabeças de jornalistas nas redações; confiscou fitas de vídeo; deu-nos uma patética coleção de pitis. Mostrou que não convive bem com a crítica. É com Dilma, não com Serra, que garantiremos a continuação da nossa condição de um dos países com mais ampla liberdade de expressão do mundo.

6. Dilma dá show de conhecimento numa das áreas mais importantes da atualidade, a energia. Em 2003, quando Dilma assumiu o Ministério das Minas e Energia, o Brasil vivia uma situação periclitante. Acabávamos de viver um vergonhoso racionamento. Dilma arrumou a casa, garantiu a segurança no abastecimento e a estabilidade tarifária. Participou diretamente da implantação do Luz para Todos, cuja meta original era 2 milhões de ligações, mas que em abril de 2010 já havia realizado 2,34 milhões de ligações, beneficiando 11,5 milhões de pessoas. Nossa produção de petróleo passou a 2 milhões de barris por dia. O pré-sal, descoberta possibilitada pelo trabalho de Dilma, dobrou nossas reservas de petróleo. Além de tudo isso, Dilma já provou ser conhecedora profunda das fontes limpas e renováveis de energia. Faça uma enquete entre os engenheiros da Petrobras. As intenções de voto em Dilma, entre eles, deve andar em torno dos 90%. Eles sabem o que fazem.

7. Dilma é a mais equipada para expandir e melhorar a educação no Brasil. Neste quesito, a comparação entre o histórico petista e o histórico tucano é uma surra de proporções inomináveis. Enquanto em São Paulo, alunos e professores sofrem com a falta de investimento e, acima de tudo, com a falta de respeito, emblematizada nas frequentes pancadarias policiais a que são submetidos, o Brasil criou, durante o governo Lula, 16 novas universidades, mais de 100 novos campi, mais de 200 novas escolas técnicas, mais de 700.000 novas vagas para pobres, a maioria negros e mulatos, através do ProUni. Os professores da rede federal saíram da situação de arrocho salarial em que viviam e agora tem um plano de carreira digno (que ainda pode e deve melhorar, sem dúvida, mas que representou um salto gigantesco em relação ao governo FHC). Se você é aluno, professor ou funcionário do ensino, ou tem filhos na escola, basta olhar para o histórico dos dois principais candidatos e você não terá dúvidas sobre em quem votar.

8. Dilma não criminalizará os movimentos sociais. O histórico tucano na relação com os movimentos sociais é péssimo. Professores espancados no Rio Grande do Sul e em São Paulo; o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra tratados como criminosos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso; o funcionalismo público submetido a arrocho salarial e a uma total recusa ao diálogo em Minas Gerais. Sem misturar movimento social com governo, sem transigir na aplicação da lei, quando de aplicar a lei se tratava, Lula e Dilma estabeleceram com as manifestações políticas da sociedade brasileira uma relação de respeito e diálogo. É assim que deve ser. As declarações de José Serra sobre, por exemplo, o MST, são profundamente preocupantes. É com paz e negociação que se resolvem os embates entre movimentos sociais e governo, não com porrada. Dilma é a garantia de que essa política continuará sendo seguida.

9. Dilma representa um novo reencontro do Brasil com seu passado. Notável na sua capacidade de falar sobre um passado traumático, admirável na tranquilidade com que se refere às torturas a que foi submetida, Dilma teve o dom de não transformar o rancor e o ressentimento em arma política. O Brasil está anos-luz atrás dos seus vizinhos do Cone Sul naquele processo para o qual os alemães cunharam essa belíssima palavra, Vergangenheitsbewältigung, que poderíamos traduzir como o dom de acertar as contas com o passado. É Dilma quem nos pode guiar na revisão desse pretérito ainda tão recente e tão pouco saldado. Sem rancor, sem revanche, sem ódio, mas sem transigir na aplicação da lei.

10. Dilma tem com quem governar, tem equipe. Este blog respeita o voto verde e respeita Marina Silva. Mas a afirmativa, tantas vezes feita por Marina nesta campanha, de que governaria com “os melhores do PT e do PSDB”, como se não existisse um pequeno detalhe chamado política, só se explica pela ingenuidade ou pela manipulação da ingenuidade. Um político governa com a equipe política que conseguiu montar, e é a equipe de Dilma quem botou Brasília para funcionar de acordo com os interesses dos mais pobres durante os últimos oito anos. Com todos os seus problemas, é o PT, não o PV, quem tem quadros experimentados o suficiente para a gestão de um país complexo como o Brasil. Isso não é por acaso. Mais de 50% dos brasileiros que têm alguma opção partidária preferem o PT. Por volta de 30% da população escolhe o PT como o partido de sua preferência. PMDB e PSDB seguem de longe, muito longe, com 6%.

11. Dilma é mais internet para todo mundo. O principal candidato da oposição, José Serra, pertence a uma força política que já demonstrou não ter compromissos com a expansão da internet para as camadas mais pobres da população. Expressão privilegiada dos grandes conglomerados midiáticos do país, o tucanato é responsável por desastres como o AI-5 Digital, uma coleção de inomináveis asneiras destinadas a cercear, censurar e controlar a liberdade da internet. Sob o governo Lula, o acesso à rede mundial de computadores aumentou muito e é Dilma, não qualquer outro candidato, quem tem histórico e compromisso com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga, uma verdadeira de carta de alforria informativa no país. Quanto mais gente tiver acesso à internet, mais democrática e bem informada será a nossa sociedade. Os pobres sabem disso e estão com ela, em sua esmagadora maioria.

12. Dilma tem uma bela, impecável história de vida. Representante da geração que correu risco de morte para lutar contra a ditadura com os recursos que tinha, Dilma jamais renegou seu passado. Com serenidade, ela sempre explica que o contexto mudou, que o mundo é outro, e que agora ela luta com outros instrumentos, dentro da normalidade democrática. Mas ela nunca fez as penitências meio patéticas, as autocríticas confortáveis a que nos acostumamos ao ouvir, por exemplo, Fernando Gabeira. Representante também da geração que acompanhou Leonel Brizola na recomposição do legado varguista na pós-ditadura, ela jamais renegou a herança do trabalhismo. Dilma Rousseff é a ponte entre o que de libertário e popular havia no trabalhismo brasileiro e o que de novo e transformador trouxe o Partido dos Trabalhadores. Sua presença já na administração Olívio Dutra em Porto Alegre mostrou que ela estava consciente de que essa ponte era possível. Muitos petistas—este atleticano blogueiro incluído—adotaram, especialmente nos anos 80, posturas sectárias e intolerantes ante o trabalhismo, incapazes que fomos de ver qualquer característica positiva no movimento que conferiu cidadania à classe trabalhadora pela primeira vez. Dilma é a possibilidade de aprofundamento desse diálogo entre o lulismo e tradição trabalhista que ele transforma. Essa bela história de vida está bem narrada em seu primeiro programa de TV:




13. Dilma representará uma vitória inesquecível para as mulheres brasileiras. Ainda somos um país muito machista. A violência doméstica é uma realidade cotidiana para milhares, talvez milhões de mulheres, especiamente as mais pobres. As mulheres ainda recebem bem menos que os homens pelo mesmo trabalho. A maioria da população feminina ainda acumula uma dupla jornada de trabalho. Não só por ser mulher, mas também por pertencer a um projeto político que já demonstrou ser aliado das mulheres na luta, Dilma pode contribuir a mitigar essa situação e nos fazer avançar nessa área tão urgente. Não é desimportante, claro, o fato de que ela é mulher: da mesma forma como a vitória de Lula, por si só, representou imenso ganho para a autoestima dos trabalhadores, que agora sabiam que podiam chegar lá, da mesma forma como a vitória de Obama trouxe enorme esperança para muitos negros jovens, que agora tinham a prova de que alcançar o topo era possível, a vitória de Dilma representará um enorme salto para a autoestima, as possibilidades, as aspirações de milhões de mulheres e, especialmente, de crianças e adolescentes do sexo feminino.


É por tudo isso, e muito mais, que eu voto Dilma Rousseff.


Por Idelber Avelar no O Biscoito Fino e a Massa