Paulo Henrique Amorim: “Desde 2002 Serra tem 30 %”
Ilustração: Sátiro-Hupper
Via RS Urgente
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht
Segundo o Tribunal de Contas da União, em relatório divulgado este ano, o apagão do Farol de Alexandria durou de 2001 a 2002.
Custou R$ 45 bilhões.
O contribuinte ficou com 60% do prejuízo, porque as contas de luz aumentaram.
O Erário pagou o resto, ou seja, o contribuinte de novo.
O apagão do Farol reduziu pontos do PIB.
Ou seja, provocou desemprego e recessão.
Quem ganhou dinheiro foi o Nizan Guanaes.
O Farol contratou uma campanha de publicidade em que o Nizan dizia : parabéns, você economizou e a crise acabou.
E o Nizan e o Farol devem ter dado boas gargalhadas.
Claro, com o desemprego, a recessão e a conta mais cara, você economizou, não foi, amigo navegante ?
PS: Farol de Alexandria é o FHC (aquele que iluminava a Antiguidade e foi destruído num terremoto)
Essa foto de Ricardo Stuckert, da Presidência da República, foi a que o presidente Lula mostrou ao presidente Uribe da Colômbia.
Ela dá uma idéia do que é a fantástica transposição das águas do São Francisco.
Admire com atenção, amigo navegante, porque o PiG (*) não vai mostrar isso.
O PiG (*) tem pavor do Brasil, e mais ainda do Nordeste do Brasil.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
Esta manchete “Muita terra na mão de poucos” NÃO é de um boletim do MST !
Nem foi extraída de um panfleto mimeografado com a assinatura do Lênin, distribuído em Moscou em 1916.
Não, amigo navegante, pasme, é a manchete do Globo de hoje.
Do Globo !
Que continua assim, na capa da seção de Economia
“Censo revela que acesso ao solo é mais desigual que a distribuição de renda no país.”
Trata-se do Censo Agro-Pecuário, que visitou mais de cinco milhões de fazendas em 2006 e foi divulgado ontem pelo IBGE.
O Brasil tem uma concentração de terra pior que a da NAMÍBIA !
Diz o Globo, esse notório panfleto leninista:
“O Índice de Gini do uso do solo no Brasil é de 0,872, muito próximo de um, o que indicaria o nível máximo de concentração” (se o Gini fosse UM, significaria que uma pessoa teria todas as terras do Brasil – PHA).
Em 1996, quando foi feito o último Censo, a taxa era de 0,856.
A concentração da terra no Brasil é 67% superior à da renda no país…”
Ou seja, a concentração aumentou de forma significativa.
- É uma concentração gigantesca e imoral, diz Lênin, quer dizer, Brancolina Ferreira, pesquisadora do Instituto de Pesquisa econômica Aplicada , o IPEA, na área de desevolvimento rural.
Continua Lênin, quer dizer, a socióloga Brancolina Ferreira: “Esse dado dá força à reforma agrária, o único programa faz redistribuição do patrimônio no Brasil.”
E viva a senadora Kátia Abreu, que acreditou na Veja e quer encarcerar o Stédile !
E viva o Ministro da Agricultura, que boicota a atualização do índice de produtividade da terra, que o presidente Lula mandou fazer.
Paulo Henrique Amorim
Em tempo: a base de sustentação do governo conseguiu sepultar a CPI do MST. Segundo informação da secretaria da Mesa Diretora do Senado, ontem à noite 43 deputados retiraram suas assinaturas do requerimento, que acabou arquivado. Veja abaixo a nota do MST:
Apoio da sociedade ao MST inviabiliza instalação de CPI
A secretaria da Mesa Diretora do Senado informou que o requerimento de criação da CPI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) contra o MST foi arquivado, por conta do número insuficiente de assinaturas de parlamentares para garantir a sua instalação. A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), líderes da bancada ruralista no Congresso Nacional, protocolaram no dia 17 de setembro um pedido de CPI contra o MST.
O MST tinha denunciado que a instalação de uma CPI era uma represália às lutas pela revisão dos índices de produtividade. “Vamos continuar a luta pela atualização dos índices de produtividade, que estão defasados desde 1975. Precisamos de medidas concretas para enfrentar a concentração de terras, que está aumentando no país”, afirma a integrante da coordenação nacional do MST, Marina dos Santos.
Segundo ela, apoio de entidades, intelectuais, professores, juristas, escritores, artistas e cidadãos do país e do exterior impediu a instalação da comissão, com a desistência de 45 deputados federais. “O apoio da sociedade brasileira e a solidariedade internacional foram fundamentais para inviabilizar a criação de uma CPI para fazer perseguição política ao nosso movimento”, afirma Marina.
Manifesto
Como resposta à represália da bancada ruralista, foi lançado um Manifesto em Defesa da Democracia e do MST, a partir da iniciativa do presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), Plínio de Arruda Sampaio, do coordenador do Núcleo Agrário do PT e ex-presidente do Incra, Osvaldo Russo, dos escritores Hamilton Pereira e Alípio Freire e da socióloga Heloisa Fernandes, que escreveram o texto e contribuíram no levantamento de assinaturas.
O documento, que recebeu mais de 4000 assinaturas, foi assinado pelo crítico literário Antônio Cândido, o filósofo Leandro Konder, o escritor Fernando Morais, o fotógrafo Sebastião Salgado e os juristas Fábio Konder Comparato, Jacques Alfonsin e Nilo Batista. Do exterior, aderiram os intelectuais Noam Chomsky (EUA), Eduardo Galeano (Uruguai), István Mészáros (Hungria), Immanuel Wallerstein (EUA) Miguel Urbano (Portugal), Vandana Shiva (Índia), Slavoj Zizek (Eslovênia), Tariq Ali (Reino Unido/Paquistão).
Dirigentes das entidades da sociedade e dos partidos de esquerda também assinaram o manifesto, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Conlutas, Força Sindical, Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), UNE (União Nacional dos Estudantes), ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Marcha Mundial das Mulheres, Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), Abong (Associação Brasileira de ONGs), Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), além de PT, PCdoB, PCB, PSOL, PSTU e PDT.
Saiu na Folha (*), primeira página:
“Temporão critica o adiamento de aulas. O Ministro José Gomes Temporão (Saúde) chamou de ‘disparate’ a decisão de adiar a volta às aulas para conter a gripe suína”.
. O leite estava derramado.
. Agora, Serra já obedeceu à Globo (antes de homenagear o amigo Luiz Gonzaga) e adiou as aulas.
. Tudo isso, porque o Governo Lula não criou meios de acesso à opinião pública que servissem de contraponto à fúria golpista do PiG (**).
. Lula pensou nele e se esqueceu da democracia.
. Essa é uma das razões para Gilmar Dantas (***) se ter tornado o que é: o Líder Supremo.
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(***) Repare, amigo navegante, como um insubstituível blogueiro do Globo – do Globo ! – se refere a Ele.