Paulo Henrique Amorim: “Desde 2002 Serra tem 30 %”
Ilustração: Sátiro-Hupper
Via RS Urgente
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Bertolt Brecht

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão/dia? Que crescesse 9 pontos numa semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?
Marcos Coimbra (*)
Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.
Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.
Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.
Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?
Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.
Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum. Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.
E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.
Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara…”. “Dispara..”, “afunda…” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.
Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”? Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse nove pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?
O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses nove pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira. Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.
É impossível explicar a “disparada” pela simples razão que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.
Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.
Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.
Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.
(*) Artigo publicado originalmente no Correio Braziliense
Via RS Urgente

O mais recente levantamento do Ibope, divulgado hoje, sobre as preferências para as eleições presidenciais, mostra hoje a ascensão de Dilma Rousseff e a queda de José Serra. O cenário é o mesmo já mostrado pelos institutos Datafolha, Vox Populi e Sensus nas últimas pesquisas de intenção de voto.
De acordo com o Ibope, Dilma está empatada com Serra em 37%. Marina Silva tem 9%. Houve uma mudança substancial em relação a abril, quando o pré-candidato tucano estava 40% e a petista com 32%. Encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo, a pesquisa ouviu 2002 eleitores, entre os dias 31 de maio e 3 de junho.
Também houve mudança na simulação de segundo turno, entre as consultas de abril e desta semana. Serra diminuiu de 46% para 42%, e Dilma cresceu de 37% para 42%.
A pesquisa espontânea (sem apresentação de nomes) aponta a liderança de Dilma no confronto com Serra: 19% a 15%. Apesar de não ser candidato, o presidente Lula ainda alcança 12% das preferências. A rejeição é maior com o nome de Serra (24%), do que com Dilma (19%).
Ainda faltam oito meses para a eleição presidencial, a ministra Dilma Roussef, candidata do PT, vem subindo nas pesquisas ao ponto de atingir um “empate técnico” com o governador José Serra, candidato do PSDB, segundo a pesquisa CNT/Census, mas o presidente do Ibope, Carlos Montenegro, não se dá por vencido. Diz a diferentes públicos que o PT vai perder a eleição.
Em entrevista ao blog do João Bosco, do Estadão.com, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse que os 30% da ministra Dilma Roussef registrados na recente pesquisa Sensus/CNT, esgotam o poder de transferência de votos do presidente Lula para sua candidata.
Segundo Bosco, Montenegro tem repetido a platéias de políticos de Brasília, como um mantra, que o PT não vence a eleição presidencial. Em um encontro com o DEM, ontem, sustentou que o eleitor sabe que Dilma é o PT no poder mais quatro anos, só que dessa vez, sem Lula.
“Não é a mesma coisa e faz toda a diferença”, explica. Pelo seu raciocínio, o PT deixou o governo no mensalão e Lula deixou o PT antes disso. Esse quadro ficará claro quando Dilma trocar o governo pela campanha.
Ele minimiza a vantagem de Dilma no Nordeste, que representa 28% do eleitorado nacional: a vitória do PT lá não será de 100%, ao contrário, passa apertada, e não compensará a derrota no resto do país, diz convicto.
Ele também afirma que Dilma começará a perder a corrida na medida em que a campanha chegar à fase dos palanques, programas gratuitos e debates.
Seus ouvintes acham cedo para tantas certezas, mas ficam impressionados com a decisão de Montenegro em expô-las. Afinal, para um dirigente do mais tradicional instituto de pesquisas soa, no mínimo, temerário, observa Bosco.
Montenegro está ensaiando o teatro que os institutos de pesquisa encenam a cada eleição, o de manipular os dados para favorecer os candidatos que lhe pagam pelos levantamentos.
Já podemos imaginar as pesquisas que o Ibope apresentará sobre a disputa presidencial (geralmente o instituto trabalha em parceria com a Rede Globo e com a Confederação Nacional da Indústria), distanciando cada vez mais o candidato tucano da candidata do PT.
O Ibope é mestre em servir aos seus clientes da direita. No ano passado, por encomenda da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), entidade que reúne e defende os interesses do agronegócio e dos latifundiários, o Ibope fez uma pesquisa que teve por objetivo desqualificar a reforma agrária.
Nessa pesquisa, o Ibope procurou demonstrar que os assentamentos não funcionam, não produzem e, portanto não geram renda para os trabalhadores assentados. Ao contrário do que disse o Ibope, nunca a agricultura familiar tocada por esses assentados produziu tanto alimento no país.
Quem quiser conferir é só acompanhar a visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer na próxima semana ao Pontal do Paranapanema, em São Paulo, para visitar assentamentos do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).
A pesquisa do Ibope foi feita por encomenda: para coincidir e incriminar os sem-terra pela invasão à fazenda de laranjas da multinacional Cutrale, em São Paulo, que segundo o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está localizada em terras da União, e para criar clima favorável para a bancada ruralista instalar a CPI Comissão Parlamentar de Inquérito) do MST.
É assim que age o Ibope, cuja sigla significa Instituto Brasileiro de Opinião Pública. Com esse portentoso nome, Carlos Montenegro, em associação com gigantes da direita como a CNI e a Rede Globo, poderá montar o cenário que melhor interessar aos seus interesses, manipulando os números das pesquisas.
Eles contam com o senso comum de que o eleitor não gosta de perder seu voto. Desta forma, quando o candidato do eleitor aparece em desvantagem nas pesquisas, sua tendência seria votar no candidato melhor posicionado, para não perder o voto. Com a ajuda dos meios de comunicação, não é difícil fazer esse tipo de fraude.
Por tudo isso, como observou João Bosco, as declarações de Carlos Montenegro soam, no mínimo, temerárias. Portanto, é bom ficar de olho nas pesquisas. Principalmente as que forem feitas pelo Ibope, que está agindo como aquele juiz que inventa um réu e o condena antes mesmo do crime acontecer.
Blog do Geraldo Seabra
O PSDB está abobado com a queda do Serra nas pesquisas. Diz que a ministra Dilma está fazendo campanha antecipada porque ao inaugurar obras em todo o Brasil. Ora, quando o presidente Lula e ministra Dilma lançaram o PAC, avisaram que iriam transformar o Brasil em um imenso canteiro de obras. A ministra Dilma é a responsável pelo PAC, é a ministra chefe da Casa Civil da Republica Federativa do Brasil. Ela está trabalhando quando vai inaugurar uma obra, um projeto, quando vai fiscalizar obras em qualquer lugar do Brasil. Ela tem essa obrigação e esse direito, o mesmo direito que tem o Serra de inaugurar uma escola em SP, como fez ontem, se a escola for uma obra do governo dele. Para colaborar com a queda espetacular do Serra, sugiro que ele assuma em alto e bom som que é candidato a presidente. Mas ele tem medo de perder a eleição, tem medo de assumir e depois ter que dizer que desistiu e que vai mesmo é tentar a reeleição de SP. Isso demonstra covardia. Serra precisa ter ao seu lado FHC, que é o seu mentor, seu mestre. Isso é imprescindível. Serra foi ministro de FHC, foi um grande entusiasta das privatizações, principalmente da Vale, nas palavras de FHC. Serra é muito amigo de FHC, e vice versa, tanto que, segundo o blog do Noblat, Serra emprestava seu apartamento funcional de deputado para os encontros amorosos de FHC com a jornalista Miriam Dutra. Afinal, FHC foi presidente do Brasil por 8 anos. O governo dele quebrou o país, mas eles são amigos, são do mesmo partido, o PSDB. Sergio Guerra, presidente do PSDB, tem que dar entrevistas e mais entrevistas, falar das mudanças que Serra pretende realizar se for eleito, como acabar com o PAC, mexer na economia que não permitiu que o país quebrasse com a crise econômica mundial. Serra tem que dizer que as enchentes em SP são obras do Alckmin, do Kassab (seu pupilo), de São Pedro. Ele precisa esconder que a irresponsabilidade foi sua, que ele não cuidou de prevenir as enchentes porque está preocupado demais em ser presidente, que ao invés de cuidar do governo passa as madrugadas tuitando: confissão dele. Serra tem que dizer que o estado de SP governado por ele também tem recordes. Como diz a matéria do Estadão: ”Estado de São Paulo bate record de roubos, com 257 mil em 2009”. O Serra tem que falar do pésssimo salários que paga às polícias, aos professores. Tem que contar quanto gastou do dinheiro público de SP para as propagandas da SABESP no Nordeste. Tudo isso aceleraria a queda do Serra, e o pior e mais importante é que tudo isso é verdade.Há uma curva no caminho da pré-candidatura do tucano José Serra. Ela talvez seja um dos maiores fatores da imobilização política do governador paulista em relação à eleição presidencial de 2010, que tem levado seus aliados a certo desespero.
A curva mostra o comportamento longitudinal do eleitor em relação às candidaturas de José Serra e Dilma Rousseff.
“Esse comportamento em relação ao governador Serra apresenta uma base de 35% e, ao longo do tempo, sofreu uma variação positiva até o início de 2009. A partir daí, há uma tendência constante de queda”, aponta Marcus Figueiredo, responsável pelo trabalho.
Em junho de 2008, Serra alcançou 38,2% pela Sensus. Chegou a 42,8% no fim de janeiro de 2009 em sondagem de opinião feita pelo mesmo instituto.
A curva similar, em relação à candidatura da ministra Dilma Rousseff, aponta uma tendência sempre crescente.
Ser (candidato) ou não ser (candidato)? Eis a questão de Serra.
Essa curva era, até então, conhecida por poucos. Ela foi mapeada por Figueiredo, um especialista em pesquisas eleitorais. Professor do Iuperj, da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro, foi utilizada por ele uma metodologia, usada nos Estados Unidos, chamada Poll of Polls (Pesquisa das Pesquisas).
Figueiredo tomou como base o resultado das pesquisas pré-eleitorais que representam a opinião da sociedade em momentos variados. Figueiredo usou dados das pesquisas do Ibope e dos institutos Sensus e Datafolha, realizadas entre fevereiro de 2008 e setembro de 2009. A representatividade das amostras é compatível e o objeto da pergunta é semelhante (“Se a eleição fosse hoje, em quem o senhor votaria?”).
Segundo ele, a ideia de fazer a “pesquisa das pesquisas” tem, exatamente, o objetivo de pegar as diferenças apontadas entre as pesquisas rotineiras, que, como retratos, mostram o presente. A tendência dilui essas diferenças episódicas captadas pelos porcentuais de uma mesma pesquisa ou, eventualmente, de pesquisas de diferentes institutos feitas quase no mesmo momento.
A tendência no tempo longo livra as candidaturas de circunstâncias episódicas.
Serra teme a derrapagem projetada por essa curva. Certamente, o deputado Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, se preocupa muito com ela. Aliado principal do PSDB, Maia não esconde do eleitor suas angústias e tem forçado uma definição rápida. “A oposição está sem discurso, sem candidato. Estamos no pior dos mundos”, lamentou recentemente.
O gráfico da “pesquisa das pesquisas” aponta uma tendência, mas não assegura que a situação seja imutável. Marcus Figueiredo acredita, no entanto, que, “se o governador José Serra continuar escondido”, a tendência da curva continuará declinante e, em breve, poderá ser ultrapassado pela curva ascendente de Dilma Rousseff.
* Mauricio Dias é colunisata da Carta Capital

De Ayrton Centeno para RSurgente